16 de abril de 2017

Relações entre discurso e revisão de texto acadêmico

Linearidade, hipertextualidade, intertextualidade, metaforização e fractalidade: relações mútuas entre discurso e revisão de texto acadêmico [i]

Vamos discutir algumas relações recíprocas e parâmetros de linearidade, hipertextualidade, intertextualidade, metaforização e fractalidade, em termos de modelos cognitivos encontrados no discurso acadêmico e na revisão de textos que se lhe aplica.
Para melhor generalizar esses parâmetros: compreendemos modelo cognitivo como estrutura mental multidimensional, multiuso, baseada na representação de fenômeno do universo, representação processada por ação mútua de lóbulos do cérebro durante a percepção e a geração de informações.
A linearidade é o parâmetro físico que permite expressar o desenvolvimento do discurso em tempo cronológico no espaço físico de uma página de texto. Nesse caso, podemos aplicar o termo texto, especialmente quando se trata do preenchimento linear de espaço entre as margens por estruturas lexicais e gramaticais consistentes. Podemos também considerar a linearidade em termos de espaços de textos isolados, incluída em estruturas compostas por vários níveis reais de hipertexto, por exemplo, na internet. Transpõe-se ainda linearidade para vetores isolados do desenvolvimento, fractais – necessariamente atemporais.
Revisar um texto requer compreensão das complexa relações da textualidade.
A linearidade é própria de modelos narrativos nos quais a estrutura seria eventos e ações em consecussão (sic, precisei do neologismo: sucessão consecutiva)[ii], obviamente, atinentes ao quadro de modelos cognitivos que são estruturas abstratas, válidos apenas para estruturas do texto narrativo (desenvolvimento da trama para a conclusão).
Quanto à metáfora, a postulação é de que não podemos atribuir a ela propriedades semânticas já codificadas no texto, pois o sentido metafórico é negociado não por um sujeito cognitivo isolado, idealizado completamente pelo autor e o texto, mas por sujeitos sociocognitivamente situados, que impõem às formas linguísticas certa instabilidade conceitual, bem como interpreta o texto em conformidade com as práticas socioculturais vigentes em sua comunidade. Por isso, para alcançar o espaço do texto-discurso como lugar de manifestação da metaforização, devemos, a metáfora de seu estatuto lexical, de palavra, para o âmbito que vai da sentença ao hipertexto, e confirmar o enunciado como o meio ou contexto em que tem lugar a transposição de sentido.[iii]
A intertextualidade, parâmetro seguinte, faz emergir, por exemplo, o texto do espaço da mancha (de entre as margens da página) e o conduz aos trâmites em discurso, desde que ela antecipa a interação entre o autor, seu texto e o público-alvo que decodifica e desconstrói o texto. Nesse sentido, o revisor é a própria intertextualidade personificada, mas isso já é uma extrapolação quase alegórica. A ação recíproca da intertextualidade está condicionada:
  • Pelos quadros de conhecimento, arcabouço cultural, estruturas sociocognitivas de autor, revisor e leitor, recursos dêiticos correlacionando no texto as dimensões espacial e temporal que parametrizam a percepção individual.
  • Ela é também condicionada pelos status social e étnico dos respectivos oradores, revisores ou leitores.
  • Pela presença ou ausência dos mais diversos intercessores.
  • Pelo emprego de sinais e de códigos sincrônicos ou diacrônicos comuns no processo de semiose.
  • Pelos processos “energéticos” da noosfera e da biosfera, também componentes da ação recíproca.
O parâmetro intertextualidade mostra a imersão mútua de texto e de culturas, na qual a observação de ação recíproca de esferas é hierarquicamente determinada. A importante imersão mútua de texto e de culturas é condicionada por reguladores treinados para intervir nos modelos lúdicos arquetípicos, quais sejam: os revisores profissionais. Como o grau de intertextualidade do evento determina links hipertextuais para vários destinos, nós só podemos a construir como um fractal para vários vetores em que cada unidade de intertexto seja um nó do desenvolvimento da trama.
O fractal é um objeto geométrico que pode ser dividido infinitamente em partes, cada uma das quais semelhante ao objeto original. Os fractais têm infinitos detalhes, geralmente autossimilares e sempre em escala. Frequentemente, um fractal é gerado por um padrão repetido, típico de um processo recorrente ou iterativo. O termo fractal foi criado em 1975 por Benoît Mandelbrot, matemático francês nascido na Polônia, descobridor da geometria fractal na década de 70 do século XX, a partir do adjetivo latino fractus, do verbo frangere, que significa quebrar. Não sabemos a quem se pode atribuir a linguística fractal, seguramente não é de nossa lavra, mas é de bom alvitre. Aplica-se o termo, no sentido linguístico, também como exemplo de uma função com a propriedade de ser contínua em todo seu domínio, mas em nenhuma parte diferençável.
Há três sortes de fractais que são aplicáveis:
  • Sistemas de funções iteradas.
  • Sistemas de recorrência espacial e temporal.
  • Sistemas aleatórios.
Para evitar o naufrágio na metáfora dos fractais, vamos nos limitar a apontar eles ainda podem se classificar quanto a similaridade em sua recorrência escalar:
  • Autossimilaridade exata: é a forma mais marcante, evidente. O fractal é idêntico em diferentes escalas. Fractais gerados por sistemas de funções iterativas geralmente apresentam uma autossimilaridade exata.
  • Quase-autossimilaridade: é forma mais solta. O fractal aparenta ser aproximadamente (mas não exatamente) idêntico em escalas diferentes. Fractais quase-autossimilares contém pequenas cópias do fractal inteiro de maneira distorcida ou degenerada. Fractais definidos por relações de recorrência são geralmente quase-autossimilares, mas não exatamente autossimilares.
  • Autossimilaridade estatística: é a forma menos evidente. O fractal dotado de valores numéricos preservados em diferentes escalas. Os fractais aleatórios possuem autossimilaridade estatística, não sendo exatamente nem quase autossimilares.
As estruturas fractais compatíveis, mutatis mutandis, caracterizam também o processo das metáforas, quer se trate de:
  • Metaforização cognitiva, relacionada à decodificação pelo lóbulo cerebral direito.
  • Metaforização discursiva que inclui o surgimento da expressão metafórica na superfície, durante a enunciação e, posteriormente, em sua fixação no texto.
  • Metaforização desconstrutiva, relacionados ao processo de decodificação da expressão metafórica.
Cada integração ou entrincheiramento metafórico representará novo ponto do desenvolvimento cognitivo e textual. Novo nó a ser permeabilizado pelo revisor. Havemos de considerar a metaforização e a fractalização pelo princípio de diferença, teorizado por estruturalistas e pós-estruturalistas europeus, um princípio unificador para todos os modelos do discurso, e que permite sua interpenetração mútua; vem a ser mesmo o princípio da semelhança, como demonstraremos a seguir.
De nosso ponto de vista, o fractal representa o modelo da matéria que se desenvolve perpetuamente com base em estruturas semelhantes em cada nó, da malha textual ao hipertexto. A autossemelhança se inclui no espírito desconstrutivo e tem base no princípio de diferença, princípios que se definem por exclusão recíproca (identidade/alteridade). Esse princípio, considerado como modelo binário, modelo lógico para se construir a estrutura elementar do significado, é uma forma estabilizada da equação de um fractal.
Muitos acadêmicos relevam características fractais do texto colocando-as no centro do imago mundi científico contemporâneo:
  1. Para começar, notemos a natureza complexa e dinâmica das construções fractais. A complexidade e o dinamismo do fractal são relacionados aos sistemas sinérgicos em que os links não estabeleçam relações de causa e efeito diretas, mas sejam determinados aleatoriamente, como traço bem característico. Em tais sistemas complexos, ocorrem simultaneamente o desenvolvimento positivo, o crescimento, até o movimento negativo, a decadência, pela inversão. Tais sistemas complexo são encontrados sempre na borda do caos, prestes a desintegrar-se quando se tornarem instáveis. Na vida cotidiana, nós podemos considerar nessa esfera os meios de transporte, as alterações do tempo, o crescimento da população, do comportamento humana de opinião pública, o desenvolvimento de cidades e de epidemias. Sim, estamos em caso de evolução pendular e sinérgica.
  2. Depois, a linha do fractal requer a presença do reverso por subsunção exclusiva, ligação a um parâmetro comunicativo: o fractal é o outro ele não aceita avaliação do ponto de vista da intuição de um corpo-algo dado em um determinado espaço. Trata-se de uma mudança infinita de um corpo autônomo com um link reverso.
  3. A questão seguinte consiste na prescindência de um espaço exterior, localização resultante de sua dinâmica estritamente interna. Essa qualidade do fractal condiciona a modelagem de processo de auto-organização e autodestruição.
  4. Agora, o fractal é refere-se reflexivamente à categoria do tudo, coexistindo e suas dimensões fragmentadas. Apesar da fragmentação, ele representa um substância una e indivisível, e este fenômeno, constitui a base da metodologia de fractal.
  5. Enfim, o fractal caracteriza a oportunidade de abordagem a partir de qualquer ponto.
Na definição de fractal, os problemas de linguísticos a serem abordados na revisão do texto incluem tipicamente:
  • Não há nenhum significado preciso para o termo “muito irregular”.
  • Quando se diz “dimensão”, pode haver dúvida na definição do conceito, pois o termo pode ter diversos significados (por exemplo: “tamanho”, “importância – no sentido qualitativo”, “ordem de matrizes na representação matricial de um grupo”, “grau”, “num espaço vetorial, o número de vetores da base”, “num espaço, o número mínimo de coordenadas necessárias à determinação unívoca dos pontos”). Porém no caso dos fractais, dimensão significa estritamente o “número irracional ou fracionário que caracteriza a geometria do fractal”.
  • Há muitos modos de um objeto ser ego-semelhante. Pode-se tentar explicar fractais “gêmeos idênticos”, onde existe a igualdade na semelhança física, porém suas “personalidades” são diferentes. Isto ocorre quando inicialmente as curvas são alimentadas pelos mesmos dados, mas, em determinado momento, há desvio nos valores dos dados, por exemplo, quando observamos dois fractais numa escala 1:1, eles têm exatamente a mesma aparência, mas se os observarmos na escala 1:1.000.000, as figuras observadas são completamente diferentes.
  • Nem todo fractal possui repetitividade, dependendo dos dados inseridos (principalmente no domínio do tempo) ele não terá, em escalas menores, a mesma aparência, aparecendo distorções da figura.
De acordo com tais parâmetros, o desenvolvimento não-linear do fractal ocorre em vários níveis. Posto que os elementos fractais são observáveis em diversas construções textuais, coloca-se a possibilidade de extrapolação da dimensão fractal para os processos de revisão de textos, visto o que há neles de decomposição, de similaridades, recorrências e inferências por subsunção ou exclusão. O fato é que funções de diferentes gêneros textuais preveem não a medida, mas a modelagem usada para de fins de saída no descritivo, sendo explicativas, para serem abordagens de âncora enunciativa. Mas, se nós admitimos que os modelos explicativos e generativos são, a seu modo, modelos de medida, nós podemos usar os fractais na interpretação e desconstrução de fenômenos linguísticos complexos, colocando em evidência as seguintes características:
  • Representação complexo espaço-temporal construído por um oximoro construído na oposição quando-onde, nunca-nenhures.
  • Representação do espaço física pela metaforização do espaço antropológico.
  • Representação do tempo personificada e de espaço idealizada por um oximoro.
  • Representação da oposição eternidade-momento por oposição equivalente.
  • Representação do alargamento de um pequeno espaço, por exemplo, o espaço do escritório do autor em sua dimensão literária infinita.
  • Representação do espaço do revisor na amplitude dos objetos sobre os quais ele atua ou no alargamento das possibilidades teóricas de atuação.
  • Representação de tempo por símbolos estáveis.
  • Representação por uma metáfora conceitual.
  • Realização de a oposição entre um espaço fechado perigoso e um aberto seguro.
  • Simbólica de uma representação espaço morte como a ausência de som.
  • Caracterização tempo de as propriedades de espaço e de homem.
  • Representação de a oposição entre um movimento perigoso levou para a baixo e um movimento libertador levou para o top.
  • Sincretismo de espaço e espaço-temporal, descrição da morte em um tempo vivido.
  • Representação Intertextual do tempo antropológico e de espaço.
  • Síntese de um espaço fechado para dentro e um espaço aberto para fora.
  • Representação intertextual da reversibilidade do tempo.
  • Representação discursiva do intertexto e da metáfora conceitual pela designação de todos os campos semânticos e metonímicos.
  • Representação de identidade como projeto metafórico da relatividade: tempo = espaço.
  • Representação escatológica de mitemas para designar o tempo que devora as crianças, relacionadas à encarnação discursiva de todos os campos da besta com detalhes metonímicos (o jogador é fera). (Etc. etc. etc.)
A análise desses recursos do reino das metáforas e sinédoques mostra que o ponto escolhido para entrada em um fractal ajuda a descobrir a ação mútua e a síntese linearidade, vale dizer, de hipertextualidade, no desenvolvimento de motivos e de temas para vários níveis de intertextualidade e metáforas que fornecem pontos e vetores do desenvolvimento; finalmente, o surgimento valores discursivos na superfície do texto. É óbvio que na construção fractal que é una, concomitantemente fragmentada, complexo e simples, dinâmica e estática, repleta de reversões (desenvolvimento em espiral de conceitos, de motes e de temas), e repleta de constantes, como exemplo, este desenvolvimento em oposições, tais vetores de metáforas conceituais e de valores variáveis, propiciando o surgimento de metáforas discursivas na superfície texto sob a forma de expressões metonímicas. O próximo passo de nossa digressão será para escolher outros pontos entrada no fractal: as constantes e os valores variáveis do tempo e de espaço em conjunto.
Estabeleceu-se que os mesmos recursos (nomeação, metáfora conceitual, paralelismos semânticos e gramáticos, estruturas narrativa, semântica variável, empréstimos intertextuais, subjetivação do locus) podem ser constantes ou variáveis, de acordo com os nós localizado do ponto de vista de autor, do revisor ou do leitor final. Os valores formados estruturalmente são, quase sempre, de constantes ou de pontos fractais do desenvolvimento, para que vetores do desenvolvimento, para que os elementos semânticos e discursivos, se mantenham na posição de variáveis, para que o conteúdo semântico de vetores do desenvolvimento textual permaneça fluido e inapreensível.
As representações irônicas, o humor negro, por meio de representações metafóricas se torna capazes de limpar aquilo que categoria de intertextualidade trás para a representação semântica, mas se preserva no texto formal, ou recorre a representações estruturais e ela é estreitamente relacionados para os recursos espaço e tempo do texto-discurso, transcendendo para apenas a categoria de metaforização. Cada texto é produto de muitos links com seu próprio construto e com outros sistemas completos e complexos de textos, intertextos, hipertextos, contextos…. Pode-se dizer que a existência de estrutura de links de textos em diversos arranjos, cria um arranjo comunicativo à borda do caos, é o fio da navalha de Ockham (lex parcimoniæ) por que transitamos os revisores em mão dupla e por itinerários expressos de fractais multivetoriais. Cabe-nos tomar assento em sede de entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem. Para que simplificarmos, se podemos complicar – e ganhar mais dinheiro? 
[i] Inspirado por (Belozerova, 2004). [ii]  A criação do termo não é nossa, vide: “…contribuiria para uma mais efectiva consecussão dos objetivos…” (Jornal Oficial das Comunidades Europeias, L 343/8 18.12.2002); “…dando um passo importante para a consecussão do objectivo da União Europeia…” (European Commission> Press releases database> Press Release details> press-release_IP-94-624). [iii] (Leite, 2007).
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