Formação de preços nos serviços de revisão

Desinformação como causa prejudicial na avaliação dos orçamentos de revisão de textos.

O mercado de revisão é caracterizado pela elevada fragmentação. Atualmente, há centenas, milhares de ofertas de serviços de revisão de textos, sobretudo na internet, entretanto, nenhum dos prestadores detém mercado de mais de 1% dos trabalhos. Quando a Keimelion se apresentou na praça, havia muito pouca concorrência: as pessoas ainda não haviam descoberto a internet como possibilidade de trabalho, principalmente na área da revisão de textos.
O preço dos serviços da Keimelion não são os menores.
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Àquela época, a maioria dos revisores ainda trabalhava em papel, muitos com forte resistência a fazer o serviço na tela. Quando as pessoas descobriram a possibilidade de anunciar-se e receber trabalhos pela internet, houve uma explosão de ofertas. Mas o que aconteceu, em muitos casos, foi o surgimento de estudantes e pessoas que se propunham a fazer serviços de revisão visando renda complementar.
É legítimo supor que o fenômeno da fragmentação do mercado de revisão tenha deteriorado os preços; de fato, o que surgiu foi uma oferta muito grande de serviços que, por seus valores irrisórios, indicam a baixa qualificação ou o amadorismo dos que os oferecem. Infelizmente, com grande surpresa e embaraços, algumas pessoas contratam esses serviços apenas pelo valor, sem considerar a qualidade do trabalho que será entregue. Sim, há muitas variações qualitativas entre os serviços de revisores, pois não se trata apenas de correção ortográfica e sintática – há muito mais coisas envolvidas numa revisão consciente e profissional. É tão complicado quanto difícil tentar compreender as razões pelas quais algumas pessoas cobram tão pouco – e outras se dispõem a contratar o serviço barato – no limite, corre-se o risco até de que trabalho não seja concluído e o autor se surpreenda, à última hora, por seu serviço não ter sido feito. São muitos os casos de “revisores” que “somem” por não ter dado conta da messe.
Atendendo à comunidade virtual mais ou menos experiente, vários profissionais chegam à conclusão de que a maioria dos revisores neófitos se envolveram no mercado de revisão sem visão econômica de seus negócios – quando não, também sem as necessárias qualificações de linguista. Isso priva a revisão da dignidade da atividade econômica – ela passa a ter o status de “bico”. Por outro lado, acredita-se amplamente que a revisão não pode ser a principal atividade econômica por ser semelhante à atividade literária, que, por definição, é rentável somente para os poucos escolhidos. A necessidade ou a oportunidade de se envolver em ocupação de outra espécie, paralela ou convergente com a revisão, talvez seja o primeiro impedimento para aqueles que desejam empreender em um ramo considerado equivocadamente como totalmente ocasional ou precário. Essa é a situação de muitos estudantes de Letras que, depois de deixar a universidade, estão se preparando para entrar no mercado de trabalho cheio de confiança e entusiasmo. Eles tiveram que revisar artigos de vários tipos, sabem justificar e escolhas hermenêuticas, linguísticas e estilísticas; são capazes de acessar fontes de consulta (em tese); no entanto, ainda não estão preparados para lidar com a prática sistemática e exaustiva da revisão com rigor científico, ou com a economia predatória do mercado de revisão, alimentado pela internet e as facilidades que ela criou.
A prática da revisão, na verdade, coloca muitos jovens em conflito com os aspectos muitas vezes negligenciados, quando não totalmente ignorado, da literatura para esse campo, como o papel do revisor como um profissional e sua remuneração.

Revisão: bem ou serviço

O processo de produção e revisão textual requer alicerce para abandonar a visão que não tem em conta as várias fases de desenvolvimento do serviço, comunicação e marketing: publicidade, produção, contato, contrato, trabalho, atendimento ao cliente. De acordo com a lógica primitiva de relacionamento e procedimento, a revisão já seria uma atividade isolada do resto do processo, mas cairia, como outros serviços, na vala de atividade complementar e apenas eventualmente necessária. Como serviço, as informações e conhecimento inerentes à revisão estão sujeitas ao ciclo de vida que inclui um desenvolvimento, atualização, aplicação e eventual exaurimento. Também a revisão, bem como outras atividades de produção textual, deve usar recursos e processos em transformação. A principal diferença reside no fato de que, enquanto outras atividades produtivas aplicam seus recursos do mundo real, a revisão não o faz necessariamente. As matérias-primas de revisão são, na verdade, a informação – a carga cognitiva e a memória de trabalho aplicadas. Mais especificamente, podemos falar de um saber pessoalmente identificável que se apresenta com suporte do produto.
Enquanto a maioria das pessoas envolvidas no processo de revisão insiste que seja considerado um serviço, as exigências impostas pelo mercado e os avanços tecnológicos estão transformando a revisão em atividade que tem muito a ver com a lógica do mercado: gestão de processos complexos, desenvolvimento de produtos específicos, trabalho em equipe, uso de material pré-existente, rotinas procedimentais. A situação pré-existente incentiva os clientes a considerarem apenas a fase final do processo de revisão, inevitavelmente, associando-o a um produto final, um ativo potencial sob a forma de texto escrito. Paradoxalmente, ao final do processo de revisão, o cliente recebe um texto revisado, um produto não só muito tangível, mas que poderá repercutir no futuro.
Para atender à crescente demanda do mercado mundial, nos últimos anos, também aumentaram os esforços para automatizar o processo de revisão e aproximá-lo ainda mais da indústria. Para gerenciar a quantidade maior de serviço no menor tempo possível criaram-se sistemas, implantaram-se ambientes de revisão, cuja peça central é a memória de revisão (memória de trabalho). A memória de revisão pode ser definida como uma base de informações, uma coleção de problemas de revisão e suas soluções engatilhadas. Isto significa, em termos leigos, estoques, como aqueles industriais ou comerciais, a serem aplicados oportunamente.
No entanto, até agora, a mentalidade que é comumente encontrada na ideia de serviço e sua característica de volatilidade é um conceito que se deve entender, a fim de analisar o fenômeno que estamos considerando. Por meio do uso de memórias, na verdade, o revisor alcança todas as demandas do cliente em potencial, se pelo menos não na forma de produto acabado, mas emprestando uma riqueza de informações que serão, sem dúvida, úteis para futuros trabalhos e representam o material estocado no fornecedor, assim como acontece em processos industriais.
A transição ou o trânsito da revisão entre serviço – que não deixa de ser – e bem, uma vez que incorpore valor, é algo imperceptível para o autor, muito mais em um mercado que desvaloriza o texto como produto, em termos de remuneração para o produtor, e tende a considerar o serviço prestado pelo revisor, como acessório ou complemento decorativo na produção textual.

À procura de um encaixe perfeito para o revisor

Outra característica da revisão de textos é a heterogeneidade. Cada serviço é determinado por uma série de fatores e projetado com base em algumas variáveis dependentes das necessidades do cliente. Essa é uma razão por que os serviços dificilmente se sujeitam ao que é chamado de economia de produção em massa, nomeadamente, a criação de produtos com um modelo único, facilmente padronizado. Mas costuma acontecer que, na presença de um mercado com pouca capacidade de diferenciação, muitos serviços sejam considerados bens tangíveis puros. Tal fato parece afetar grande parte da indústria de revisão. Na verdade, estamos nos referindo ao fenômeno pelo qual se procura designar com atributos físicos um objeto intangível. É o que acontece passivamente quanto aos processos de revisão in-house, no que toca a editoras e agências de publicidade.
Usado para definir a revisão como um serviço que pode ser comprado por palavra ou por lauda, esse tipo de visão produz efeitos desastrosos sobre a percepção do valor não só do produto final, mas também de todo o processo. Não vendo que a revisão agrega valor, o que difere de outros serviços; o cliente procura a taxa mais barata, um provedor de serviços de revisão com base em um único objetivo métricos: o preço por palavra ou lauda. O menor preço corresponderá diretamente a menor valor agregado. O revisor, face o exposto, se vê no dilema entre as instabilidades de um mercado extremamente flutuante, quanto trabalha como autônomo, lidando com os clientes um a um, ou se sujeita ao emprego que faz de seu ofício um exercício distante da crítica, lógica e demanda intelectual, tornando a revisão uma estação da linha de produção na qual os raciocínios teóricos e posturas intelectuais podem, perfeitamente, ser substituídos por manuais procedimentais e rotinas subsumidas. Nesse caso, o serviço do revisor deixa de ser produto e se torna subproduto – não como produto derivado, mas como produto inferior.

A assimetria de informações

O pressuposto é que a fixação do preço da revisão no mercado afeta o fluxo de serviços, uma anomalia também rastreada e fundada na distribuição díspar de informações entre as partes envolvidas em a troca econômica desequilibrada. Para o mercado de revisão, na verdade, é algo como para o mercado de tomates: incerteza da qualidade preço flutuante. Quando o cliente não consegue distinguir entre a alta e baixa qualidade dos produtos, o preço de equilíbrio tende a não remunerar adequadamente o valor dos produtos de alta qualidade. A curto prazo, os produtos de baixa qualidade deslocam aqueles de alta qualidade, porque o mercado já não remunera o suficiente a alta qualidade, retirando-a do mercado ou fazendo-a buscar circuitos alternativos. A longo prazo, há uma deterioração qualitativa do mercado com reduzido volume de negociação e diluição do preço.
Na prática, vamos verificar que os clientes, não sendo capazes de distinguir uma revisão de alta qualidade da de baixa qualidade, estarão dispostos a pagar o preço calculado com base em uma arbitrária qualidade média ou ruim, mas insuficiente para a manutenção do serviço de alta qualidade. Os melhores profissionais não serão encorajados a permanecer no mercado que não lhes oferece a remuneração que considerem adequadas. O êxodo dos melhores profissionais conduzirá à redução da qualidade média no mercado. Isso determina a alta probabilidade de que um cliente inexperiente sofra entregando seu texto um revisor mediano ou ruim.

Preço como sinal de qualidade

Os sujeitos que oferecem produtos superiores tentarão apresentar ao mercado o diferencial de seu produto, por exemplo, por meio de construção de marcas de qualidade, as verdadeiras características do ativo em causa, a fim de atenuar as consequências da imperfeição de mercado – é como fazemos na Keimelion.
A assimetria é fenômeno que afeta particularmente os mercados de qualidade heterogêneos, como o de revisão. Promover a qualidade como única proposição de venda não só não reduz a assimetria entre as partes envolvidas na troca, mas produz efeitos adversos na percepção de valor do cliente: se todos vendem produtos de qualidade, onde está a diferença? A qualidade, na verdade, representa o que no jargão é chamado diferencial enganoso, um conceito tão vago e técnico, ao mesmo tempo, que não permite ao cliente identificar o valor real que poderia tirar da compra de um produto (ou serviço) determinando, em relação aos muitos disponíveis no mercado.
Deve ser adicionado que a garantia de qualidade em qualquer instância ainda é vivida pela maioria das empresas de revisão como um formalismo caro, embora inevitável, a realizar-se para alcançar vantagem competitiva. Afirmam que a qualidade seja a vantagem competitiva, por um lado, para empregar o mais dificilmente mensurável atributo de atividade como a revisão, e se propõem a elevar a exigência de diversificação e requalificação da empresa para o que deveria ser um pré-requisito de sua existência no mercado. Essa concepção se afasta do espírito original dos padrões de qualidade que são derivados, como muitas outras aplicações hoje, pelo uso comum de requisitos cujo rigor é necessário para evitar problemas técnicos. Optar por realizar um processo de certificação de qualidade de fora da empresa seria vantagem competitiva fugaz, que serviria para diferenciar apenas no curto prazo, até que todas as outras empresas que operam no mercado adotem procedimento semelhante. Em vez disso, advoga-se que a empresa ou o profissional conheçam uma valiosa ferramenta para conscientização de seus negócios, a expressão transparente de suas proposições.

Formação de preços em serviços de revisão

Em última análise, quando na presença de mercado altamente competitivo e pouco diferenciado (ou diferenciado, mas indistinto) como o da revisão, acordos de serviço tornam-se ferramenta essencial para evitar comportamentos oportunistas estimulados pela diferente distribuição de informações sobre o valor dos serviços e a real abrangência da prestação a ser feita.
Cumpre expressar os contratos de serviço e, em seguida, a visão geral da empresa ou profissional e do mercado, dando conta do grau de conhecimento das necessidades do cliente e da capacidade para conhecê-las, atendendo-as.
Enquanto, devido à pouca capacidade das empresas para diversificar a oferta, o mercado praticar a estratégia de opções em baixa, a revisão vai assumir cada vez mais o papel de commodity, um trunfo para comprar pelo menor preço possível e vender pelo máximo aceitável. A fragmentação e a falta de diferenciação do mercado não levam a praça a considerar a revisão como um investimento agregador de valor, mas quase que como etapa de medição e mediação de desempenho.
O mercado de revisão, já por definição, e agora, com o advento da internet, permanentemente global, é pontuado por uma concorrência cada vez mais orientada para grandes volumes. De possíveis guerras de preços entre a maioria das empresas sairia o perdedor: o revisor. A fim de evitá-lo, torna-se vital observar uma estratégia de diferenciação que só se pode orientar pela criação de valor agregado real e considerando as possibilidades de melhoria e otimização de processos. No entanto, as dimensões em que empresas de revisão, ou que usam o serviço intensivo de revisores operam, tornam improvável, se não impossível, que nós possamos, individualmente, estender nossa participação para além da última fase da produção, que coincide com a atividade de revisão de provas, controle final da cadeia de valor, nessa sequência de atividades que contribuem para agregar valor ao produto. Como resultado, é dificultada a capacidade das empresas em entender como usar atividades estrategicamente relevantes para avaliar a tendência dos custos e fontes potenciais de diferenciação dos serviços linguísticos.
Para adotar uma estratégia de diferenciação, portanto, é necessário estabelecer a cooperação entre empresas com base em uma rede de valores qualitativos e pecuniários. A empresa que quer alcançar vantagem competitiva real, qualidade em seu produto e receitas, não pode ser limitada a considerando apenas suas próprias atividades, mas deve ser capaz de estender o horizonte mesmo para aqueles de fornecedores e clientes com o objetivo de desenvolver um verdadeiro processo de criação e distribuição de valor. Além da competição, regida por mecanismos de mercado, as empresas têm a oportunidade de estabelecer entre elas formas de cooperação pelo estabelecimento de redes de empresas ou de acordos de negócios, redistribuindo entre si os serviços. De redes de empresas concorrentes no sentido predatório ou competitivo, que alcancem a concorrência no sentido co-ocorrência, simultaneidade factual e material, cooperação para divisão de tarefas e para evitar ócio ou sobrecarga da mão de obra. Que cada empresa estabeleça acordos de longo prazo, engajar-se na troca de desempenho com características de qualidade e quantidade definidos pelas partes. Este tipo de cooperação é baseado na interdependência entre duas ou mais empresas, desenvolvendo relações de reciprocidade. Em última análise, através de acordos, as empresas tornam-se cada vez mais interdependentes contra uma multidão de outras empresas e outros titulares de instituições. Mas claro que temos certeza de que esse tipo de capitalismo ulterior ainda é distante no mercado primitivo e subdesenvolvido dos textos no Brasil. O mercado de revisão não passa por consolidação porque o esforço organizacional é incapaz de investir recursos e energias em processos inovadores.
Livremente adaptado de M. Colasante.