22 de fevereiro de 2017

Escrita, processamento, formatação e revisão de texto

A revisão de textos produzidos eletronicamente se dedica a refinamentos sofisticados da estrutura do texto.

A introdução de tecnologias já nem tão novas na produção e revisão de textos ainda suscita aspirações, por vezes excessivas, quanto aos incrementos de qualidade que serão aportados com as novidades. Com os métodos audiovisuais para aprendizagem de línguas, computador e editores de textos, multimídia, internet ou correio eletrônico, sempre há desejo de acreditar (ou dizer) que a produção de textos será melhor quando se difundirem as ditas novas tecnologias – ocorre que elas já se difundiram e as pessoas mal distinguem o uso de um editor de textos daquele que faziam da máquina de escrever.
Revisar uma tese ou dissertação, atualmente, é feito 100% no computador: não há alternativa!
Teses e dissertações, há muito,
são escritas e revisadas em
computadores. Todavia, não se
ensina a usarem as ferramentas
disponíveis nos processadores
de textos!
Alguns pesquisadores são promotores da tecnologia (o novo); por exemplo, relata-se ter sido conseguido motivar um aluno para a escrita pelo processamento eletrônico de textos. Outros pesquisadores dizem, mais modestamente, que a introdução de novas tecnologias muda o processo de letramento e textualização, como já mudou o serviço de revisão de textos, mas se abstém de dizer que seja para melhor. Indo mais longe, mas ainda nessa vontade de usar novas tecnologias e dizer que queremos os autores a escrever como experts, nota-se que o computador alterou superficialmente o relatório por escrito e deu ao texto um estatuto diferente: é limpo, legível, bem colocado nas páginas. Mas quanto aos textos científicos ou autorais, dedutivos ou criativos, mudou algo?

A questão que nos ocupa aqui é centralizada no processamento de texto longo, mas levanta as mesmas perguntas no que toca a texto em sentido lato. Os autores acadêmicos e literários escrevem melhor usando processamento de texto? Em que o processo de escrita é alterado (ou melhorado) usando o computador? Considera-se que escrever com um computador seja mais assemelhado à produção oral e à escrita manual que com o emprego da máquina de escrever; será que isso procede? O escritor segue o curso da produção por camadas e reescrita contínuas, escrevendo um primeiro esboço e, em seguida, após reflexão, altera e amplia sucessivamente? Essa abordagem e questionamentos, claramente, mostram que escrever com um computador não é o mesmo que fazê-lo com papel e lápis. De forma geral, a maioria dos autores escreve fazendo uso de um processador de texto em seu escritório ou em situação de laboratório; parte do processo de composição é afetado pelo ambiente – e a portabilidade dos equipamentos de edição está levando a produção aos mais distintos meios.

Modificação do processo de escrita

Concordamos que o processo de escrita seja diferente, segundo ocorra na folha ou no computador. Usando o computador, o lápis e papel vão ter apenas a oportunidade de rabiscar notas, interpor uma palavra entre duas linhas, desenhar setas ou círculos – rabiscar. O tempo necessário para o processamento com papel e lápis mostra claramente que estratégias para esses dois vetores ou para a produção assistida eletronicamente são distintas em ambos os casos. Quais são as distinções?

Distinções gerais sobre a produção escrita

São muitos os linguistas e vários psicólogos da linguagem e ergonomistas a elogiar os aspectos positivos da palavra processada e revisada eletronicamente. Assim, para tais pesquisadores, essa forma de produção permite ao escritor se concentrar mais intensamente sobre o conteúdo e ideias, porque os aspectos periféricos da tarefa são bastante simplificados. Com algumas reservas, destaca-se a importância do tipo de software utilizado e sua ergonomia. Software muito complicado, ou também “amplo”, pode interromper o processo de escrita ao invés de a tornar mais fácil, pode – de acordo com a complexidade de seu uso – competir na demanda pelos recursos ligados aos processos de produção e requisição de saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas múltiplos, determinados e concomitantes. Alguns autores são literalmente afogados pelo potencial do programa ao computador e perdem completamente o controle da tarefa por sobrecarga cognitiva (ou déficit!).
O computador é ainda (e certamente será por muito tempo) novidade em sala de aula, mas não se pode dizer o mesmo em relação aos escritórios e laboratórios: praticamente não existem sem processadores eletrônicos de textos e planilhas. A ferramenta foi inserida em classes em menor medida; não obstou a atração que os alunos têm por ele, por bons motivos. O interesse no computador em si e para a operação de processamento de texto é fator importante de motivação, infelizmente, pouco explorado. Esse interesse também tem sido destaque quando o uso de processamento de texto é para cursos de segunda língua.
Todavia, o computador ainda acrescenta restrições pragmáticas adicionais (hardware e software, inclusive), que determinam claramente os modos de interação homem-máquina. As restrições poderiam se apresentar como desvantagem ou beneficiar as estratégias usuais de ensino-aprendizagem ou de produção autônoma; os computadores também podem impor a criação de novas estratégias. Finalmente, já se tem como certo: o computador permite produzir textos melhores. Grande número de autores e linguistas concorda que o uso de processamento eletrônico ajuda a produzir textos mais atraentes, onde ideias são mais bem organizadas e onde há menos erros de ortografia e as falhas de coerência são menos recorrentes. Esse material bruto de melhor qualidade a partir do qual o revisor de textos trabalha libera suas interferências para refinamentos mais sutis que a aferência de gramática normativa, conferindo ao texto mais fluência, ritmo e comunicabilidade.

O planejamento do texto

O processamento de texto não resulta sistemática ou automaticamente em melhor planejamento ou melhor controle da produção. Sabemos que, durante o estágio a redação amanuense, os autores como que jogam suas ideias para os rascunhos, rabiscam flechas, ligações entre os tópicos. O processamento eletrônico tradicional de texto não inclui essa prática. Em conclusão, a atividade de planejamento do texto prescinde claramente do suporte eletrônico para tal público.
O trabalho dos desenvolvedores de software, nos últimos tempos, tem nos provido de instrumentos mais completos e sofisticados, desenvolvendo ferramentas que permitam trabalhar mais intensamente o planejamento da produção, inclusive em equipe. Processadores de textos já dão ao escritor a capacidade de integrar ferramentas eficazes de planejamento na forma de texto ou imagens no momento antecedente à escrita do texto – todavia a maioria dos autores e das equipes de produção de textos ainda não interage utilizando a plenitude dos recursos disponíveis.

A textualização informatizada

O processador de textos oferece uma série de funções adequadas à reorganização e transformação do produto pelas exclusões, adições e mudanças de elementos linguísticos. Extensas pesquisas, bem como nossas próprias observações, permitem destacar que a essência de cada operação de textualização, no texto longo, reside em ampliar o texto existente, inflando-o – em contraposição à ideia de escrita contínua, linear: estender o texto. Já escrever um texto pessoal, um e-mail, e.g., costuma ser processo mais linear e, deste ângulo, semelhante ao que se dá com o tradicional dispositivo de caneta-e-papel.

A revisão de textos por computador

O controle da atividade de revisão de textos parece também dificultado pelo uso de processamento de texto, por alguns vieses. Na verdade, os revisores centram a sua atenção em uma porção menor do texto quando eles estão à frente da tela. Os tópicos pontuais mais frequentemente trazem correções relativas aos aspectos periféricos do texto e não à ideia central. Constatou-se que o número de modificações no computador é menor que na escrita no papel, mas as melhorias identificadas são melhores principalmente no nível sintático e estilístico. Entretanto, as estratégias de correções para especialistas e revisores novatos apontam que as exclusões, adições e operações de troca nos textos correspondem a diferentes níveis de dificuldade, tanto em aspectos gramático-formais quanto em resultados comunicacionais alcançados.
Além disso, de acordo com várias pesquisas, a exibição na tela faz a leitura mais lenta e menos eficiente – o que pode ser explicado, simplesmente para menor prática, em relação ao texto impresso. Muitos revisores dizem ainda imprimir seu texto para ser capaz de reescrita produtiva, assim como muitos revisores afirmam ser necessário imprimir fazer uma revisão eficaz. O tamanho da tela restringe a parte do texto legível e aumenta o particionamento e o corte visual do texto. É mais difícil ter uma ideia geral do discurso, porque o uso dos marcadores grafo-topográficos, como parágrafos, quebras de linha, títulos ou legendas, é dito mais difícil. Neste contexto, destaca-se o fato de que os revisores e autores raramente usam os recursos extras do texto da tela em relação ao papel, a funções de pesquisa por palavra ou pequena expressão, por exemplo – recurso altamente eficiente no texto eletrônico e indisponível no impresso: apenas para apontar um item. Recurso que contribui enormemente para a macro coerência no texto, mas é quase desconhecido dos letrados renitentes ao papel. Os escritores e muitos revisores estabeleceram uma linearidade muito fechada de produção de texto, deixando de explorar os recursos disponíveis no software. Poderíamos citar recursos como variação da ampliação do documento (zum), uso intermitente de fontes serifadas ou não, cor do texto em diferentes contrastes com o fundo... recursos de ajuste e variação da ergonomia visual que podem destacar alternadamente diferentes visões do produto, sugerindo interferências.
Ainda no campo da revisão de textos, a qualidade dos produtos tende a ser maior quando se utiliza o processamento eletrônico de texto. Temos isso como ponto passivo. Claro que isso não exclui a revisão em impresso, como uma das fazes do processo; inclusive, temos como certo de que seria desejável, mas tem se tornado inviável pelo custo que representa e pelos tempos disponíveis para as revisões.

Os autores e o processamento de texto: atitudes gerais

É verdade que ser capaz de trabalhar o texto na tela antes de imprimi-lo permite economizar na produção de cópias sucessivas antes de se chegar à versão final satisfatória. Não imprimir também economiza custos de transporte e o impacto ambiental do consumo de papel. O escritor, portanto, minimiza os esforços e custos relacionados à transcrição e transmissão de seu texto.
Têm-se destacado o fato de que editores usam processamento com lucro qualitativo e temporal na fase final de elaboração (atualização no próprio texto). Este fato diria respeito mais particularmente a autores iniciantes que preferem iniciar o trabalhar de rascunho no papel e lápis, em seguida, passar para a fase de computador. Muitos dizem preferir essa abordagem porque o primeiro rascunho ainda não apresenta ideias claramente ordenadas. Caneta-e-papel melhor se encaixa à arquitetura de processamento de seu pensamento. Por outro lado, eles quase sempre admitem concentrar-se mais facilmente na superfície das correções quando o texto está em versão eletrônica.

Atitudes para o teclado e o software

Processamento de texto (nos aspectos de software e domínio do teclado) é relativamente fácil. É possível digitar um texto usando dois dedos sem ser completamente ineficiente. Além disso, o software de controle de alterações também é relativamente simples, se considerarmos que a maior parte do processamento de palavra ou bloco se “abre” em balão, no qual o usuário pode diretamente controlar a evolução de seu texto. Nós encontramos sem grandes problemas um ou outro desses aspectos em nossa experiência. Os sujeitos são envolvidos na tarefa independentemente de seu domínio do teclado, usando o necessário, ainda que com dois dedos. Consideram alguns que seria preciso primeiro cursos de digitação para alguém ser capaz de tornar eficaz a utilização de um processador de texto, enquanto adultos usando apenas dois dedos podem ser suficientemente inteligentes para não ser prejudicado na composição de texto. Ainda nesta área, um tempo de adaptação é essencial antes de começar a escrever – seja em que suporte distinto o for: inclusive à lousa, o professor iniciante encontra novos desafios. Estamos a endossar totalmente o ponto de vista segundo o qual é necessário um período de familiarização com o software para que os escritores não “gastem” toda a sua energia mental tentando entender como funciona o programa.

Letramento informático, alfabetização digital: benefícios do processamento eletrônico de texto

O processamento de texto oferece vantagens consideráveis para o processo da escrita em si, assim como para a pesquisa sobre o processo de escrita e para os trabalhos de revisão de textos. Em primeiro lugar, os processadores dispõem de funções específicas que melhoram a reorganização e transformação do texto. O usuário (autor ou revisor de textos) pode facilmente interpor, trocar, apagar certas palavras ou frases. Processadores de texto atuais integram ferramentas mais poderosas e específicas, com recursos para facilitar a elaboração do texto: estilo, múltiplas janelas, zum, pesquisa interna e externa, dicionários de sinônimos, adequação do registro ao gênero textual, hierarquização de tópicos – sem mencionar as infindáveis opções de criação de elementos gráficos para complementação intertextual. De resto, o desenvolvimento está longe de acabar; muitos profissionais de TI e designers estão tentando constantemente compensar os aspectos negativos do processamento de texto, adicionando-se incentivos para a concepção e o controle das ideias.

Conclusão: revisão e produção de textos facilitadas

Processamento de texto ainda têm muitas vantagens, especialmente quando se está interessado na análise do processo de escrita, porque recursos integrados e o poder do computador permitem o acesso aos dados que ao papel-e-lápis é vedado. Assim, pela geração de traços, análise de quebras, progressão do texto, o uso de ferramentas de verificação de diferentes estruturas, as análises do processo de escrita são facilitadas na condição, claro, de se ter um software capaz de dar conta de todos estes aspectos.
Em qualquer caso, as várias pesquisas revelam dois pontos de vista diferentes: o “pró” e o “contra”. Os softwares editores de textos afetaram e afetam a qualidade e a quantidade de escrita produzida e consumida, ao passo que permitiram produzir textos substancialmente mais longos e com menos erros. Finalmente, pode-se retomar, nestas conclusões, a afirmação de que, para tirar o máximo partido das vantagens do processamento de texto, deve o escritor concordar em adaptar suas estratégias de escrita. Acrescentamos que o revisor de textos deve contribuir, inserindo-se como elemento adequado do fluxo de produção, dominando software atualizado, e com acesso dinâmico às plataformas linguísticas.
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