O acompanhamento da revisão pelo autor

O revisor vai interferir em meu texto e eu não vou acompanhar? Minha tese tem discussões e termos complexos, e se o revisor se enganar na interpretação? Eu saberei o que o revisor alterou?

Antigamente, era sempre assim: o autor terminava de escrever e enviava o texto para a impressão, depois o texto impresso era encaminhado ao revisor que fazia nele um monte de rabiscos e devolvia ao autor ou encaminhava direto para o editor, dependendo da situação. Quando se tratava de uma tese, o autor recebia o texto do revisor e providenciava todas as emendas sugeridas, muitas vezes contando com os serviços de datilografia de alguém que interpretaria todas as anotações do revisor.
O revisor deve possibilitar ao autor acompanhar a revisão; o autor deve discutir as questões levantadas pelo revisor.
A revisão interativa soma esforços
para aperfeiçoamento do texto com
economia de tempo e otimização do
trabalho para alcançar a excelência
no produto final.
Nada mais é assim, hoje qualquer revisor que se preze trabalha diretamente no texto, sugerindo as modificações, com controle das alterações feitas, e o texto pode voltar diretamente a seu autor para discussão das alterações sugeridas e para decisão final sobre as propostas do revisor. Sim, propostas, pois o dono do texto é que vai decidir sobre o que cabe ser aceito ou recusado daquilo que o revisor sugere. Só que, para isso, é preciso que haja tempo para o revisor trabalhar, tempo e disposição da parte do autor para acompanhar e discutir o trabalho de revisão que está em curso.
Em nossa ;metodologia de trabalho, enviamos diariamente ao autor um "estado da arte" - o estágio do trabalho ao fim daquela jornada. A maior parte dos revisores prefere revisar todo o trabalho e, depois de tudo visto e revisto, lido e relido, encaminhar o serviço "pronto" ao autor. Imagine-se quem tem uma tese de 400 páginas, esperar pela revisão dela por dez dias e, então, receber tudo aquilo anotado, com as marcas da revisão, para ter que considerar todas elas e discutir as pendências com o revisor. É quase inviável, pelo tempo e pela sobrecarga imposta ao autor. Com nosso sistema, o autor acompanha, dia a dia a evolução da revisão. Ele pode aferir os critérios dos revisores à medida que a revisão se processa; o autor pode direcionar os critérios de homogenização, de ordenação, de programação visual, da formatação, a cada dia, em curto espaço de tempo, determinando como deverão ficar os aspectos formais segundo seu agrado. Isso economiza tempo do autor e evita retrabalho por parte do revisor.
Para que esse método tenha o melhor resultado, entretanto, é necessário que o autor não abandone o trabalho nas mãos do revisor e do formatador para o retomar somente quando a revisão estiver concluída. O que chamamos revisão interativa é o acompanhamento processual das diversas etapas da revisão e da formatação de um texto. Se o autor não se dispuser a acompanhar o processo, ele só interferirá ao cabo da revisão, havendo sensível perda qualitativa e, certamente, algum retrabalho.
Sempre sugerimos a nossos clientes reservar algum tempo, ao fim da cada dia, para passar os olhos no "estado da arte" que lhe enviarmos e comentar, propor retificações e se manifestar sobre suas preferências e pelo direcionamento que será dado aos casos que surgirem.


Até onde temos acompanhado, a Keimelion tem a exclusividade desse procedimento, um diferencial no serviço prestado que amplia a confiança do cliente em nosso trabalho e resulta em maior satisfação quanto ao resultado, pois não haverá surpresas ao fim da revisão. Os clientes a quem prestamos serviços continuados vão refinando os critérios de redação e nós apurando os de revisão ao gosto daquele cliente e cria-se assim a parceria entre autor e revisor que tem os melhores resultados no texto.

Dialogismo revisando dissertações e teses

Entendemos que o trabalho desenvolvido por nossa equipe de revisão acadêmica não pode se desenvolver de modo isolado, solitário, individual e, tampouco, lida apenas com a materialidade textual. Agir diferentemente seria desconsiderar o aspecto discursivo das teses e revisamos, o contexto de sua inserção, o leitor a quem se destina e as relações que devem ser estabelecidas com os autores das produções revisadas.
O entendimento da linguagem de modo dialógico-discursivo nos permite olhar para as situações enunciativas, para os textos analisados e para a rede de interlocução envolvida de modo amplo, visando ir além da constatação quantitativa dos elementos gramaticais ou estritamente linguísticos que perpassam as informações e análises contidas no texto acadêmico. Examinamos, assim, a rede de interlocução envolvida no processo, as diferenças de valoração, os conflitos e acordos voltados para um objetivo unificador comum: apresentar às bancas um texto polido, linguisticamente correto e comunicativamente eficiente.
A construção de um trabalho colaborativo é um dos pontos defendidos e praticados por nós, o que diverge da prática do mercado na definição de sua atividade como “a revisão linguística” a partir de um viés discursivo da linguagem. Admitir esta postura nos possibilita, inclusive, a alteração de um dado trecho do texto, ou seja, fazer “contribuições semânticas" (ou textuais) quando, na opinião do revisor, tal mudança tiver por finalidade auxiliar na clareza da interpretação textual.
Por outro lado, nossa equipe de revisores não deixa de salientar explicitamente seu posicionamento sobre as alterações feitas, uma vez que o procedimento requer e inclui o destaque das intervenções feitas no texto e que tiveram sempre por intuito deixar a produção textual mais clara para o leitor. Para nós, o que justifica a pertinência da proposta de reescrita de trechos é ter como objetivo de trabalho facilitação para o destinatário final do produto textual e consequente ampliação da compreensão do material.
Nossa filiação teórica nos permite também buscar melhor compreender o estatuto do autor do trabalho a partir das situações em ele está inserido, bem como tentar entender a natureza das relações dialógicas estabelecidas e dar voz ao revisor para que ele exponha como visualiza a si mesmo no processo do qual faz parte ativa. O trabalho de revisão de textos é um movimento de dupla antecipação entre um saber conceitual e outro saber adquirido na situação concreta de desenvolvimento da redação da tese (ou dissertação), cabendo ao revisor considerar cada uma dessas antecipações como constitutivas do ofício e a perceber que o não concretizado faz parte da atividade tanto quanto o faz o efetivamente realizado: as proposições que foram recusadas levaram o autor à reflexão e ao próprio questionamento da estrutura argumentativa ou expositiva.
Os atos enunciativos dos autores e a reflexão dos revisores sobre sua própria atividade comprovam que o fazer colaborativo é constitutivo da atividade da equipe de revisão, evidenciando-se aí a construção, por vezes tensa e conflituosa, de diálogos, bem como a presença e o contato entre diferentes posicionamentos dos atores do trabalho e dos demais envolvidos com a atividade, voltados para o fim comum da produção de um texto adequado aos destinatários finais. Em vista justamente da existência desses diálogos é que as negociações necessárias para o resultado final permitem a caracterização do trabalho de revisão como um agir conjunto, cooperativo e colaborativo, sem que isso apague, insistimos, as tensões, constitutivas ou casuais, que aparecem no decorrer da atividade.
Uma contribuição adicional da revisão é o uso de procedimentos teórica e praticamente válidos do ponto de vista do objeto examinado e não a imposição das teorias ou de metodologias ao objeto. Trata-se a revisão de textos de ofício que parte de categorias prévias, mas também de princípios teóricos da teoria dialógica, de estudos ergológicos e ergonômicos e das propostas dialógico-interativas, princípios esses que, em diálogo permanente entre si e com vista à finalidade do objeto, levam a categorias e processos de análise, do ponto de vista da demanda dos clientes em seus vários aspectos: o texto e suas nuanças são equacionados sob múltiplos olhares analíticos.
Destacamos ainda que optamos por trabalhar com as vozes dos autores do trabalho envolvidos diretamente com a revisão, no intuito de demonstrar o modo que compreendemos a atividade exercida e os papéis que ocupamos nessa perspectiva laboral, o que o que é vital para complementar a análise textual e respectiva revisão. Dar voz aos autores cria um espaço de discussão no qual autores e revisores são, igualmente, sujeitos em diálogo no aperfeiçoamento da comunicabilidade textual, permitindo assim o entendimento da rede de interlocução que constitui o texto e o contexto e nossa forma específica de estruturação da atividade revisional, constituindo assim o lócus em que nossa atividade adquire pleno sentido. (Adaptados de V. F. BARBOSA; A. SOBRAL.)