Revisor de textos no jornal, nas traduções e nos artigos

A revisão de textos é necessária a todo tipo de trabalho escrito. Aqui vamos chamar atenção para três tipos específicos de textos, a tradução, os artigos científicos e o texto jornalístico, todos carecem de revisões, cada qual por motivos específicos.

Com o fim da função do revisor, passou-se a analisar o jornal após sua publicação. Essa “revisão tardia” acabou por prejudicar os leitores, que não só encontram erros que poderiam ter sido evitados, mas que podem, muitas vezes, tomá-los como certos. A partir dos anos 1980, a imprensa adotou a rentabilidade como objetivo central.
A informatização das redações foi, ao mesmo tempo, resultado da nova demanda social e a forma mais eficiente encontrada pelas empresas jornalísticas para diminuir seus gastos. Os jornalistas que restaram tiveram de adotar uma nova postura e desempenhar papéis que antes eram encargos de outros profissionais. Deles passaram a ser exigidas aptidões características dessa nova sociedade. (Dejavite & Martins)
Seu texto merece a melhor revisão: Keimelion.
O revisor de textos desenvolve
a atenção como característica
profissional básica.
Pode-se considerar a implantação de tecnologia um dos principais pilares da transformação da imprensa. Além de exigir maior versatilidade dos profissionais, o processo de informatização das redações levou ao chamado desemprego tecnológico. O revisor foi descartado pelos grandes jornais e substituído por terminais de vídeo. Todavia, o corte profuso de pessoal em busca de lucro é questionável. Estamos vivendo em uma era em que o jornalista torna-se fundamental para a “seleção em meio ao vasto caudal de informações” e para a “explicação [dos fatos], imposta pela natureza técnica da informação”.
Levando-se em conta que os leitores de jornais esperam encontrar matérias bem redigidas, que a carência de tempo resulta em perda de qualidade e que a disseminação de computadores nas redações não supre a deficiência dos profissionais de mídia no domínio da língua, a melhor maneira de se ganhar dinheiro, a longo prazo, seria o investimento na capacitação do profissional, e não seu desestímulo. Portanto, na atual sociedade, em que as pessoas se tornam ávidas por informações, o produto que as oferecer de maneira mais clara, detalhada, correta, será mais respeitado e consumido. Daí a importância de haver, nas empresas jornalísticas, pessoas responsáveis pelo bom acabamento das matérias: os revisores.
A revisão pode, mesmo hoje, ser considerada elemento importante para a produção de jornais. A falta de tempo reflete diretamente na qualidade dos textos, e o repórter se vê espremido “entre a busca da notícia, a vontade de fazer bem-feito e a pressão do fechamento” Hoje, com o advento e introdução dos computadores, os jornais aboliram a revisão, deixando esta função e responsabilidade sob a incumbência do próprio repórter – que, apesar de redigir a matéria jornalística, não possui, na maioria das vezes, nem conhecimento nem treinamento específico ou vocação para a detecção de erros.
Antes da informatização das redações, o revisor era visto como elemento de grande importância. Era dele a responsabilidade pelos erros publicados e pela uniformização dos textos de um veículo. Chaparro (2005) lembra que “o famoso copidesque cuidava do acabamento dos textos, garantindo-lhes, acima de tudo, correção gramatical”. Segundo ele, antigamente, propagava-se a ideia de que o “repórter não precisa saber escrever; basta que traga boas notícias. Do texto, o copidesque daria conta”.
A presença de revisores nas redações colaboraria para que essas medidas fossem seguidas à risca, facilitando o entendimento das matérias. Para tanto, é preciso que os proprietários de jornais tenham consciência de que trabalham com a informação – um dos bens mais importantes da atual sociedade – sob a forma verbal, e que a precisão e qualidade desta estão íntima e indissociavelmente ligadas ao correto e respeitoso uso da língua. Algo essencial em uma sociedade integrada pela comunicação e pelas tecnologias da informação. Na época em que a função do revisor foi eliminada, a figura do redator torna-se bastante importante. Porém, apesar de ter assumido novas responsabilidades na tentativa de suprir a falta de cargos extintos, a presença desse profissional ainda pode ser considerada insuficiente.

Como revisar um artigo?

Para essa pergunta temos duas respostas diferentes, dependendo de quem coloca a questão. Se você é um autor, a resposta mais simples é: contrate um revisor – e você veio ao lugar certo. Se você é um revisor iniciante e está procurando teoria ou orientação para seu trabalho, aqui também você é bem-vindo, estamos prontos a partilhar nossa experiência sem fazer do que sabemos grande mistério. Há muita coisa publicada neste blog que poderá contribuir em sua formação. Navegue pelas postagens e esteja à vontade para perguntar.
Claro que nosso foco aqui são os clientes. Nossos clientes são pesquisadores e autores das mais diversas áreas; muitos estão redigindo suas dissertações e teses, o que hoje se faz – com frequência – ao mesmo tempo em que se redigem alguns artigos. Muitas vezes serão esses artigos que se converterão nas teses, havendo ainda os que percorrem o sentido contrário. Sim, nós estamos aptos a transformar alguns artigos em trabalhos maiores, e vice-versa – se esse for o interesse do cliente. Mas nunca redigiremos um parágrafo sequer.
Quanto à revisão do texto, o que muitas vezes o autor entende que seja uma “correção de português” ou uma “revisão de ortografia e gramática”, avisamos que é bem mais que isso e recomendamos que não deixe de passar seu texto por alguém experiente no assunto. A boa revisão pode ser o diferencial que leve seu artigo à publicação. Muitas vezes os periódicos científicos devolvem o artigo ao autor, solicitando que ele seja revisado... Cuide que isso não aconteça com seu texto.

Revisão de traduções

Não se trata de revisar a tradução, propriamente no sentido de conferir significados ou validar a competência do tradutor, mas agregar valor a seu trabalho.
O tradutor, que pode ser visto como autor da tradução, tem os mesmo problemas quanto ao texto que qualquer outro redator e mais alguns específicos. Em primeiro lugar, a proximidade: durante a tradução, a convivência com o texto satura a imagem que o tradutor tem dele; depois de certo tempo, a capacidade de ver pequenas falhas, inversões, lacunas e repetições diminui. O tradutor passa a ler o deveria estar lá, mesmo que não esteja. Há ainda as falhas de edições sucessivas, quase sempre necessárias: o tradutor, como qualquer autor, experimenta uma palavra, uma ordem das ideias, muda, inverte – tudo natural ao processo, mas essas contínuas mudanças, aliadas à saturação de imagem, podem produzir resquícios indesejados que deverão ser eliminados. Em segundo lugar, o tradutor aporta ao texto novo as construções e vícios de sua forma de pensar em outra língua. Claro que o tradutor sabe disso e tenta evitar, mas depois de muito exercício na relação binária entre os dois códigos – cada língua é um código – é inevitável a contaminação entre ambos.
Cumpre ao revisor do texto, primeiramente, tratar aquele documento como qualquer outro, com distanciamento e fazendo as interferências necessárias, depois estar atento àquelas construções que não seriam a opção do autor ou do tradutor como escolhas de estilo, mas são produto do pensamento bilíngue e das dificuldades que a recodificação (tradução) cria no próprio modo de pensar do tradutor. Ocorre, muitas vezes, que o tradutor seja especialista no assunto de que trata o texto, mais que especialista em texto propriamente. Novamente, é a presença do revisor como leitor privilegiado que se faz necessária, afastado do processo de reconstrução e do conhecimento da matéria do texto e qualificado profissionalmente no uso da língua escrita.
Revisar tradução é o mesmo que revisar texto original, requer atenção ao produto presente, o escrito, em função de todos os fatores de sua criação e sua finalidade, pensando contextualmente no autor, no tradutor e no leitor final – e otimizar o texto como veículo das ideias entre estes personagens, reduzindo as imperfeições técnicas e acidentais que surjam como ruído nesse processo comunicacional.