5 de novembro de 2015

Edição e revisão de textos acadêmicos

Vamos apresentar a revisão do texto final de sua tese ou dissertação, explicando as funções e necessidade do serviço e apresentando uma série de observações feitas pelo revisor para garantir que ela seja coerente, coesa e tenha propriedade.

Concluída a elaboração do seu texto, claro que isso acontece na última hora, o passo seguinte é oneroso e complicado: a revisão profissional abrangente, urgente e competente da obra. É tradição pobre, especialmente nas universidades brasileiras, não se revisar, editar amadoristicamente e se publicar ou defender textos cheios de problemas; acredita-se que, na maioria das vezes, o autor e o orientado deem conta da messe, mais isso não é bem verdade. A escrita acadêmica sem revisão profissional é inaceitável. 
O texto deve passar incontáveis vezes das mãos dos revisores às dos autores, alternadamente.
Revisão de texto é processo cíclico
entre autores e revisores.
Um bom trabalho escrito é sempre resultado de planejamento criterioso, redação meticulosa, cuidadosa e acurado controle. A experiência daqueles que se dedicam profissionalmente à comunicação escrita confirma que, mesmo com as correções recíprocas entre os pares e supervisores ou orientadores, ainda que com métodos de cuidado e prolongadas releituras é muito difícil (se não for impossível) produzir um texto livre de erros ou de problemas estruturais e linguísticos os mais diversos. O que se requer é a intervenção de um colaborador externo, profissional com qualificação nas questões linguísticas e problemas comunicacionais latentes em todos os textos.

Do processo de escrita à revisão

A revisão é provavelmente o mais tedioso, cansativo e sempre necessário trabalho em todo documento escrito de responsabilidade, mas é certamente a etapa mais crítica. Aqui nos referimos à crítica interna do documento, pois a crítica externa ao texto, referente ao conteúdo, terá sido processada pelo autor ou autores do texto. Todo tipo de texto, na verdade, pertence e deve agradar e satisfazer totalmente seu autor, mas, do mesmo modo, obviamente, é necessário contentar seus destinatários. Mesmo após cuidadosa revisão profissional, que será repetida mais de uma vez, pela experiência de escritores mais cuidadosos, sempre sobram problemas; a perfeição é tão inalcançável na produção textual quanto em qualquer obra humana. Por que você deve corrigir muitas vezes? Porque uma revisão “séria” requer notável concentração e requer aplicação de atenção competente em diversos aspectos do documento; são fatores dispersos em muitas variáveis simultaneamente necessárias para suprir as inevitáveis omissões, lacunas, equívocos e obscuridades do texto.
Além disso, há não há receitas prontas para uma revisão excelente; existem algumas técnicas, cuja utilização deve garantir resultados satisfatórios. O fator mais importante, entretanto, é o distanciamento do texto para evitar os efeitos de memória de curto e médio prazo a que os autores estão afetos. Isso só é possível quando a revisão é feita por alguém que não teve contato com o texto em nenhuma de suas fases de produção. Quando você corrige um texto que escreveu, de fato, pode lançar mão de informações contidas em sua memória e, com elas, corrigir mentalmente erros que permanecem no texto ou suprir automaticamente algumas lacunas materiais ou lógicas, assim como não ver descuidos de digitação. O procedimento orgânico do revisor, baseado em listas de verificação automática de que a prática o dota, não omitirá verificações importantes. Em particular, serão verificados, em camadas, os seguintes os seguintes aspectos do documento, dentre outros:
  • o aspecto estilístico do texto, com os elementos de lógica, semântica e pragmática; verificam-se as contradições internas e a unidade de sentido, eficácia comunicacional, clareza, adequação, idoneidade de fontes, capacidade expressiva de todos os elementos textuais e intertextuais;
  • a estruturação da exposição: em outras palavras, procura-se garantir que o documento esteja dividido em secções racionalmente estruturadas (livros, seções, subseções, parágrafos) e que estejam arranjados em ordem que respeite o que é esperado de cada segmento;
  • a correção formal e uniformidade dos elementos gráficos do documento: checa-se atentamente o texto procurando por descuidos, erros de digitação, imprecisões, problemas de ortografia, incompletude ou falta de referências internas, inconsistências de qualquer tipo.

Nesse contexto, podem-se destacar algumas abordagens necessárias a serem processadas e verificadas pelos revisores quanto aos seguintes fatores:


Propriedade do texto

Referimo-nos à propriedade como o conjunto de características de que ele deve se revestir para cumprir a função a que ele se destina. Por oposição, a revisão do texto se propõe a eliminar as impropriedades textuais: estruturas, informações, construções e vocabulário que não cabem naquele escrito. Os manuais de redação acadêmica indicam diversas características essenciais aos textos científicos; o revisor afeto a esse tipo de texto conhece as exigências do gênero acadêmico e as peculiaridades de cada área de conhecimento.
A propriedade é a qualidade do estilo que consiste em uniformidade ou transições de vozes ativa, passiva ou reflexiva coerentes, construindo frases e orações da maneira correta e pertinente. A falta principal da propriedade relaciona-se ao solecismo, violação da sintaxe; ao barbarismo, erros ortográficos ou confusão de um termo por um outro (ocorre até com as preposições!), e o uso imperfeito dos sinônimos e antônimos.


Adequação do texto

Adequação é a propriedade textual baseada na observação das normas referentes ao emissor, ao receptor, ao assunto e à situação relacionada à produção do texto. É possível ser dito que, quanto aos destinatários, um texto pode ser apropriado ou impróprio, com relação ao assunto, adaptado ou inadequado, e até a oportuno ou inoportuno.
Esta propriedade inclui conceitos como: relação texto-contexto, informações verbais e não verbais, variação linguística, vozes do discurso, polifonia, ponto da vista e empatia, pressupostos e intertextualidade.


Coerência textual

A coerência é a propriedade dos textos que os preserva como estruturas unitárias, de modo que as ideias diversas contribuam na informação excelente para à ideia principal, ou o assunto, de modo que o leitor possa encontrar o sentido global do texto. Assim, da mesma maneira que os capítulos de um livro são relacionados, também as seções ou os parágrafos se relacionam para dar forma a capítulos e orações e frases para dar forma a parágrafos. A coerência é relacionada à coesão, com a diferença de que a coerência é um procedimento macrotextual e a coesão é procedimento microtextual.


Coesão textual

A coesão textual se refere ao jogo dos procedimentos microtextuais necessários para organizar as ideias expostas em um texto. É relacionada, também, à coerência e pertence ao espaço dos estudos da análise do discurso e da linguística do texto.
A coesão é a propriedade que tem um texto quando seu desenvolvimento linguístico não se apresentar repetições desnecessárias e não é confuso para o receptor. A coesão é uma característica de todo o texto fluente, consistindo em que as frases diferentes sejam conectadas por meio dos procedimentos linguísticos que permitam a cada frase ser interpretada com relação às demais. Com a intenção de produzir um texto atrativo, o emissor usa geralmente determinados procedimentos para evitar aquelas repetições literais ou desnecessárias; deve-se fazer isso mantendo mecanismos de variação que preservem o nexo formal dentro do texto. O problema que pode ser apresentado é o controle de precisão e as dificuldades para a compreensão em expressões técnicas ou palavras difíceis ou impossíveis de serem substituídas ou alternadas.


Clareza textual

A clareza é característica da escrita que se apresenta sem lacunas, sem anfibologias (duplo sentido), com construções prioritariamente em ordem direta, de tal maneira que todo o leitor compreenda sem confusões nem equívocos o sentido das frases e palavras. Obstáculos principais à clareza: frases demasiado longas; organização ineficaz ou incorreta das palavras; ambiguidades e omissões; uso de parênteses frequentes ou excesso de cláusulas subordinadas, entre outras.


Precisão textual e semântica

A precisão está intimamente ligada à clareza, à propriedade e à coerência textuais, porque todos esses fatores combinados resultam em boa comunicação, a tarefa específica neste ponto é encontrar a palavra e a certa para transmitir exata e estritamente o que se pretende.