16 de junho de 2015

A revisão de textos – das questões básicas às complexas

As questões envolvidas na revisão de textos são desde as mais simples da escrita até outras de elevada complexidade sociolinguística.

Você já escreveu seu discurso, seu artigo, sua tese e expressou seu pensamento, suas ideias ou conceitos? Bem! A parte mais difícil está feita, mas o trabalho não está terminado – nem é você que deve modificar o texto de novo! Há agora um passo fundamental a ser dado. A revisão do texto, ou seja, a análise criteriosa do que está escrito para sanar eventuais erros (de digitação, ortografia, coerência…) e tornar o texto não só correto, mas também limpo, uniforme e mais agradável de ler. A revisão de texto também visa aumentar a legibilidade e a credibilidade do escrito: um texto enxuto, fluente e comunicativo inspira muito mais confiança quanto às informações e ideias apresentadas.
Revisão de livros, artigos, teses e dissertações é Keimelion.
Os autores bem informados e experientes
sabem a importância de contar com um
revisor de textos competente.
A revisão, por tudo isso, não termina na correção de quaisquer erros ortográficos – nem mesmo começa por eles. Tampouco ela parte dos erros gramaticais ou vai exclusivamente em direção a eles. A revisão é uma limpeza muito mais profunda para dar rigor formal de um texto, mas também uma reordenação de ideias, palavras e dados – ou uma verificação acurada da ordem apresentada.
Em primeiro lugar, é útil explicar a necessidade de que outra pessoa faça a revisão. Não se iluda: se você é o autor de um texto, por isso mesmo, você está impossibilitado de revisá-lo, por melhor que seja seu conhecimento linguístico. Um autor pode reler, reescrever, rever seu texto – nunca o revisar. Revisar não é ver de novo, mas muito mais visar – validar ou autenticar (um papel ou documento) com um sinal de visto, dirigir a vista para (um ponto determinado) – e visar novamente (HOUAISS). Essa visada e revisada (a revisão) requer conhecimento e prática profissionais, assim como requer alteridade (interferência de terceiro!). Reler algo por quem foi escrito – depois de escrito e dado por concluído – bem como chato, pode revelar-se contraproducente, porque resulta em texto pouco fluente que fica truncado pelas informações que o autor tem na memória, as sombras do conhecimento, e as que foram apresentadas, impedindo de se ver mesmo o erro mais grave que está lá, debaixo do nariz do autor.

O que o revisor vai ver, o que ele vai (re)visar? Ele não vai apenas cuidar de alguns lapsos que você deixou passar? Não, não é só isso. O revisor vai peneirar tudo:
  • Ortografia. Cuidado total com a escrita das as palavras; há armadilhas muito sutis que não são percebidas pelos revisores eletrônicos e mesmo erros que são introduzidos por eles. Os regionalismos e os termos técnicos requerem atenção especial, assim como as falas coloquiais transcritas ou simuladas.
  • Pontuação. Os pontos e vírgulas têm lugares certos e não pode haver espaço anterior à pontuação. Há expressões que requerem, necessariamente, pontuação; há construções que exigem vírgula, outras sugerem a necessidade de ponto e vírgula. Há algumas proibições absolutas para o uso de vírgulas. 
  • Concisão. Cortar o desnecessário. Eliminar tanto frases quanto palavras desnecessárias; o princípio da concisão textual é norma imperativa para o bom texto – principalmente se não se tratar de um texto criativo. 
  • Estilo. Mudar as palavras para usar termos mais precisos ou elegantes, optar por palavras mais adequadas ao contexto ou que exprimam a ideia com mais propriedade. Quase sempre há o que se pode melhorar quanto ao estilo.
  • Concordância gramatical. Aferir a concordância de gênero, número, grau para os nomes. Concordância de pessoa, tempo e modo para os verbos. Concordância entre os verbos e os nomes.
  • Concordâncias de mérito. Verificar as fontes, números e nomes citados, especial cuidado às citações de pessoas e fatos sem nenhuma explicação dentro do texto ou a citações como de um número e, algumas linhas mais tarde, mencionar o mesmo dado com um número diferente.
  • Estrangeirismos. Palavras de origem estrangeira. Conferir até ter 100% de certeza na grafia de palavras estrangeiras e avaliar se é conveniente colocá-las em itálico (não aspas!).
  • Título e parágrafo introdutório. Verificar se o título e as primeiras linhas do texto são consistentes com o teor total do que se escreveu. Os revisores sabem como os títulos costumam ser ruins e as frases iniciais são, geralmente, emboladas.
  • Notas. Se o texto contém notas, conferir-lhes a propriedade, a pertinência e mesmo a necessidade delas. Em geral, se a informação é necessária, trazê-la ao texto; se ela é supérflua, excluí-la. Notas em excesso prejudicam a qualidade da leitura.
  • Acentuação gráfica. Verificar os acentos, os que faltarem e os que sobrarem. A ortografia atual prevê algumas mudanças em relação ao que foi aprendido na escolarização e alguns autores ainda usam programas de editoração anteriores à norma vigente.
  • Apóstrofos, aspas simples e duplas. Conferir o uso para ter certeza que elas são todas iguais e consistentes com a fonte (tipo de letra) em uso. Ao copiar e colar, pode acontecer que apóstrofos ou aspas se misturem, o que, além de ser feio, também sugere que se fez um vulgar pastiche de outro texto (mesmo que seja texto seu!). Há estilos diferente de aspas em português, francês, inglês, alemão… Para mencionar alguns.
  • Itálico. Verificar o uso para realçar, expressões estrangeiras ou palavras que requeiram especial atenção. Nunca usar itálico para citações ou como grifo, ele deve ser usado exclusivamente para o discurso direto. 
  • Negrito. Permitir o uso com cuidado. Perfeito para títulos e quebras de texto. Dentro do texto, pode-se usar para dar especial atenção a títulos (de obras e artigos, de segmentos da hierarquia do texto), mas sem abuso.
  • Sublinhado. O revisor verifica com atenção o uso de sublinhado como grifo. É vedado sublinhar espaços entre as palavras. O sublinhado se limita a cada uma das palavras, nunca sendo permitido o traço contínuo em toda uma expressão ou frase.
  • Maiúsculas e minúsculas. Conferir sempre a regra aprendida da professora do letramento: letra maiúscula para nomes próprios e depois de pontos (final, interrogação, exclamação…). Os nomes das agências, instituições, organizações devem ter somente a primeira letra em maiúsculas, depois, tudo em minúsculas (Comunidade Econômica Europeia – CEE). Maiúsculas não são usadas para destacar palavras que se julgue importante ou para cargos e títulos bajulatórios.
  • Números. Ver que milhares não são separados por um ponto em português (1.000 –10.000 –100.000-100.000.000) – por mais que isso seja usual e prático para a leitura. O revisor verificará a coerência entre números e quantias redondas, se você prefere escrever “10 milhões”, “300 milhões”, “5 milhões” e assim por diante, e não 10000000 ou dez milhões. Uniformidade é a exigência.
  • Hífen. A nova ortografia também mudou alguns critérios para o uso do hífen; o revisor já conhece as regras e estará atento ao emprego desse tracinho problemático.
  • Uniformidade. Conferir para que tudo no texto esteja uniforme, tudo mesmo. Há incontáveis critérios que são opcionais, mas a adoção de qualquer deles deve ser extensiva a todo o texto.

Na prática, cada autor é diariamente confrontado com habilidades comunicativas e competências na produção e recepção de textos absolutamente inadequadas em relação a objetivos essenciais da textualidade: produção ou leitura. A atenção a aspectos macrotextuais é inerente ao processo de compreensão (reconhecimento de padrões e tipo de tema) e produção (planejamento e esquemas de revisão), levado à desconexão entre a gramática da frase e gramática do texto segundo a educação linguística formal. Segue-se uma série de erros recorrentes desde a escola de primeiro e segundo grau à universidade resultando na neutralização da lógica e falhas análise e interpretação do período (por exemplo, a cláusula temporal confundida com tempo de conclusão; complemento final confundido com proposta final; conclusão confundida com proposta ou resultado incidental; confusão de categorias para gêneros textuais, noção de tempo real e tempo textual e, consequentemente, falhas com sentenças e frases assíncronas; igualdade ou comparação de maioria analisada como preposição.
Por tudo isso, são sempre necessárias a análise e a revisão de um texto literário em prosa de média complexidade ou de um texto dissertativo, também de média complexidade, como exemplos de reflexão metalinguística e com o objetivo de verificar cada pedra angular do processo de produção de textos e sua melhor compreensão. Esse caminho, a ser sempre trilhado pelo profissional da linguística aplicada, é necessário à solução para os problemas listados acima, tendo em vista as intervenções planejadas e simultâneas propostas de interferência apresentadas pelo revisor, pois ele vai focar na análise do texto como prática para indução de enraizamento efetivos de capacidades comunicativas.
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