Importância da revisão de textos acadêmicos

A criação de texto é tarefa que requer cuidados, pois se trata de criar uma trama de ideias que devem ter coerência entre si. O melhor subsídio para a qualidade do texto acadêmico provém de um revisor de textos profissional.

Existem vários tipos de textos e todo texto precisa ser bem estruturado e redigido e para isso, é necessário sempre que se tenha uma boa linguagem e conhecimento de regras de escrita. O texto acadêmico é uma forma de demonstração de conhecimento científico. Esse tipo de trabalho tem forma específica e seu conteúdo deve ter bases científicas, mas um detalhe importante nos trabalhos acadêmicos é sua apresentação.
Uma revisora atenta para os textos técnicos e científicos.
O autor de textos científicos nunca pode
abrir mão dos serviços de um revisor de
textos profissional e experiente.
O trabalho do revisor de textos é importante em todas as áreas do conhecimento, a boa revisão não se baseia somente em regras gramaticais, também visa melhorar a estrutura e a coerência do que foi escrito. (Freitas)
A produção do texto acadêmico-científico requer escrita sobre temas que podem ser tratados cientificamente, à luz da experimentação, do raciocínio lógico, da análise, da aplicação de um método/técnica. Esse tipo de produção objetiva expor informações comprovadas ou passíveis de comprovação, divulgar ideias próprias ou de outrem, partilhar um saber, informar.
Tem um estilo marcado pela objetividade, precisão, clareza, concisão, simplicidade e formalidade e utiliza linguagem respeitando o padrão culto da escrita, usando terminologia específica da área do saber, recorrência ao sentido denotativo da palavra.
A revisão feita pelo revisor profissional propõe, primeiramente, uma leitura rápida para ter ideia do conjunto. Numa segunda leitura, mais cuidadosa, faz-se uma anotação das discordâncias, indagações, sugestões. E por fim, tenta-se detectar as falhas na transmissão das ideias e possíveis hesitações em termos de conteúdo.
Mas o processo de revisão de texto vai além da correção gramatical, que a maioria das pessoas pensa. Esse trabalho envolve um processo muito mais elaborado para garantir a qualidade de um texto. Ainda se tem grande preconceito com esse tipo de trabalho porque se acredita que a revisão de texto vai alterar a estrutura e ideia original do texto. Essa visão é totalmente errada, pois a grande qualidade de um bom revisor de texto profissional é o respeito ao estilo de quem elaborou o texto ? seja o mesmo um trabalho acadêmico, um projeto, um folder ou um manual. Deve ser analisada a linguagem, percebendo se ela está adequada ao objetivo e à mensagem do autor. O revisor de texto busca, além dos aspectos gramaticais e estilísticos, melhorar a organização e a exposição das ideias.
A boa revisão de texto começa por um bom revisor e são poucas as pessoas capazes de realizar uma revisão profissional. Garantir que um documento escrito esteja claro nem sempre é óbvio. Muitas vezes as ideias são boas, mas aparecem mal formuladas. É aí que entra o revisor de texto, para garantir a clareza das ideias expostas.
Muitas pessoas têm boas ideias, mas dificuldades para transmiti-las para o papel, e o revisor de texto auxilia nesse processo de melhor essa exposição dessas ideias, dando mais qualidade ao texto e tornando-o de fácil entendimento. Um texto bem escrito transmite credibilidade a quem o lê e promove a veiculação de informações claras, coerentes e redigidas de acordo com a norma culta da língua.
O trabalho do revisor de texto é um trabalho de respeito às idiossincrasias de seus clientes, reconhecendo a relevância de cada produto para seu autor. A importância do revisor e sua função são indescritíveis. O revisor, muitas vezes, tem de fazer mais do que retificar palavras; ele melhora o texto ou é capaz de ressuscitá-lo, ele melhora as construções textuais, dá destaque às palavras, reforça uma mensagem, traz clareza, torna coeso.
Além disso, o trabalho deste profissional pode garantir a coerência na construção de um documento, por meio de sugestões de acordo com o conteúdo do que foi escrito. O revisor de texto profissional deve levar em conta a correção ortográfica e a coerência, mas jamais modificar as características, a maneira de expressar-se de um autor. Além da correta escrita das palavras e da boa estruturação textual, deve-se ponderar o contexto de quem escreveu, o conteúdo escrito e a quem se dirige o texto.

Complexidade textual de textos científicos

No panorama da revisão de artigos científicos, o tema da complexidade textual (CT) integra estudos sobre Leitura, incluindo pesquisas sobre compreensão e estratégias de leitura, sobre tipificação de leitores e sobre elementos linguísticos associados a dificuldades de compreensão de leitura.
Embora esses estudos tenham gerado importantes contribuições, como a distinção entre complexidade informativa e complexidade linguística, permanecem escassos, no Brasil, os trabalhos baseados em corpora, realizados com grandes extensões de dados e apoio informatizado, dedicados a reconhecer características estruturais globais de textos mais ou menos complexos em função das habilidades ou condições de determinados tipos de leitores.
Essa escassez, conforme se pode interpretar, está relacionada a dois fatores. Primeiro, ao relativamente recente enfrentamento do objeto texto, geralmente preterido em função de enfoques dedicados a frases, palavras ou expressões sintagmáticas. Segundo, a uma pouca experiência com a manipulação computacional de grandes corpora, algo recente no âmbito dos Estudos da Linguagem no nosso país.
Considerando toda uma diversidade de fatores que poderiam ser evocados para indicar prováveis condicionantes da CT em textos especializados de diferentes perfis e as características dos gêneros ou dos registros envolvidos, pela conjunção de referenciais, parece ser possível realizar um movimento de reavaliação sobre a complexidade de textos que tenham mais ou menos terminologias – além de outros elementos, naturalmente.
Um item de destaque, nesses sistemas de medidas, é o índice Flesch. É uma das diferentes medidas de complexidade do texto associada à sua inteligibilidade para diferentes tipos de leitores. O resultado é um número de 0 a 100 que é assim mensurado (com a devida adaptação para o sistema escolar brasileiro ) (Finatto):
  • muito fáceis índice entre 75 - 100, textos adequados para leitores com nível de escolaridade até a quarta série do ensino fundamental;
  • fáceis índice entre 50 - 75, textos adequados a alunos com escolaridade até a oitava série do ensino fundamental;
  • difíceis índice entre 25 - 50, textos adequados para alunos cursando o ensino médio ou universitário;
  • muitos difíceis índice entre 0 - 25, textos adequados apenas para áreas acadêmicas específicas.

Revisão da linguagem acadêmica

Revisar a linguagem acadêmica requer leitura continuada de autores acadêmicos, pois, assim como a prática é essencial para a redação em registro específico – a linguagem requerida pelo público-alvo – mais ainda o requer a revisão focada em textos do gênero acadêmico. Antes de se aventurar na revisão de texto científico, o revisor deve ter lido bastante aquele gênero, tanto para se familiarizar com o registro culto e a formalidade requerida, quanto para reconhecer seus próprios limites. Sobretudo, o revisor de textos acadêmicos deve estar familiarizado com a metodologia científica, para saber adequar o texto à lógica inerente a ela. Também se requer do revisor de textos acadêmicos a constante atualização conceitual e funcional no campo da linguística aplicada, em que a revisão de textos se insere epistemologicamente.
Em síntese, o que se requer do revisor acadêmico:
  • Constante leitura de textos acadêmicos.
  • Prática na produção de textos científicos.
  • Conhecimento de metodologia científica.
  • Atualização em linguística aplicada.
Ao revisar textos acadêmicos, é imprescindível observar as formas de expressão dos autores, preservando-as e adaptando-as em construções que ampliem a legibilidade e reduzam o ruído comunicacional.
O texto científico, geralmente, busca objetividade. Quando é esse o procedimento, o texto deve neutralizar a presença do enunciador, abolindo o emprego de verbos em primeira pessoa (penso, encontrei). Os resultados das observações e experiências devem ser expostos no passado, e as generalidades ou as referências a condições estáveis, expostas no presente. Mas há também muitos textos científicos em que há preocupação estética, em que a metáfora tem função importante, e nos quais a subjetividade autoral é, não só relevante mas imprescindível. O revisor acadêmico deve reconhecer as alternativas: o texto que requer a objetividade e aquele permeado de subjetivismo; para tanto, é necessário que ele tenha domínio metodológico e, pelo menos instrumentalmente, conhecimento de diferentes correntes de pensamento inerentes aos diversos campos do conhecimento.
Alguns elementos que são considerados básicos na linguagem adequada aos textos acadêmicos simplesmente não se aplicam uniformemente e cumprirá ao revisor adequar a linguagem à realidade dos autores e dos temas, não aos postulados:
O uso de frases curtas, evitando períodos longos, intercalados, com subordinações complexas, nos quais o leitor possa se perder e não entender o que foi explicitado é quase universalmente condenado – mas esse tipo de construção é inevitável em uma tese de filosofia, por exemplo.
O emprego de linguagem moderada, comedida, sem exagero nas expressões e nos adjetivos aplica-se à maioria dos campos, mas uma tese de artes cênicas não tem esse tipo de rigor.
As questões de gramática, ortografia são consideradas do domínio pleno do revisor – mas não são suficientes para uma revisão acadêmica, uma revisão de texto na linguagem científica para cientistas. A linguística aplicada, campo do conhecimento em que se insere a revisão de textos, também tem sua linguagem técnica, da qual os revisores costumam ter o cuidado de poupar seus clientes.

Revisando teses e dissertações de diferentes áreas

Quando anunciamos que trabalhamos em textos para as diferentes áreas do conhecimento, por vezes, há uma certa perplexidade por parte dos autores, indagando sobre o acesso que os revisores teriam a campos de conhecimento tão distintos. Paradoxalmente, esse tipo de questionamento é proveniente com mais frequência dos autores das ciências exatas e da área médica. Digo paradoxalmente, pois, na verdade, são os textos destas áreas que representam menor dificuldade para serem revisados.
Não importa muito para o revisor o objeto de que o texto trata, ele não o conhece, na maioria das vezes, nem estará atento a ele. O texto é um complexo de relações entre palavras, por meio de muitos artifícios da linguagem, é a esse complexo que atenta o revisor. Não importa sobre o que as palavras estejam falando. Importa se as palavras estão certas, na melhor ordem possível para comunicar as ideias e se as conexões entre elas estão bem estabelecidas. Não importa ao revisor o sentido ou o conteúdo do texto, importa se há coerência e articulação.
Os textos mais fáceis de revisar são aqueles que têm a estrutura mais simples: os das ciências exatas e da natureza; os mais difíceis são os de filosofia, por exemplo, em que as estruturas de ideias são absolutamente complexas. Isso é completamente natural e previsível. A descrição de um procedimento laboratorial, por mais complexo que ele seja, ou por mais complicada que seja uma cadeia molecular em um composto, são apresentados em estruturas sintáticas bastante simples (e devem ser), preferencialmente na ordem direta, os termos serão muito repetidos – sem que isso represente problema e as concordâncias e tempos das ações são muito bem estabelecidos. Os textos mais difíceis, no polo oposto, são os que trabalham essencialmente no campo das ideias. O conhecimento construído residirá no texto, ele é o produto em si – e no produto reside a complexidade do conhecimento produzido. Assim, esses textos terão estruturas complexas, metáforas descritivas, ordem intercalada, parágrafos longos e ampla sinonímia.
Há aqui um quadro que analisa e apresenta as estruturas textuais em diferentes campos do conhecimento e indica alguns aspetos do que estamos discutindo. Observem as diferenças estruturais, léxicas e semânticas em textos acadêmicos provenientes ou destinados a cada ramo do saber:


ÁREA
Características do subcódigo linguístico
Léxico de edição do texto
Cadeia de pensamento na edição do texto
LEVES
Ciências Humanas e Sociais
Difícil delimitação do subcódigo.

Extrema liberdade semântica.

Discurso longo, difuso e informal com conceitos interligados.
Estruturas sintáticas complexas.

Excesso de sinonímia, metáforas, conectores e plurais.

Linguagem sem controle ou inibição instrumental.
Fluência de ideias e palavras com independência em elaborar significados.
Revogação de palavras da memória com grande liberdade conceitual.
Pensamento divergente na recognição dos conceitos.
INTERME-DIÁRIAS
Ciências Sociais Aplicadas com slant para a tecnologia
Código mais formalizado e manifesto.

Condições semânticas controladas.

Discurso semitécnico.
Estruturas sintáticas elaboradas.

Vocabulário com alguma inibição pela formalização de figuras de linguagem.
Alguma independência na elaboração dos significados.
Revocação de conceitos da memória com orientação ao assunto.
Predominância de pensamento de recognição convergente dos conceitos na memória.
DURAS
Ciências Exatas e da Natureza
Código formalizado e delineado.

Discurso técnico e direcionado.
Estruturas sintáticas simples.

Vocabulário formal e específico.

Bastante inibição em relação às figuras de linguagem.
Pouca fluência de ideias e conceitos novos.
Precisão na revocação dos conceitos da memória.
Pensamento altamente convergente na revocação das palavras.
QUADRO: Comportamento para textos de informação: área e relacionamento entre as palavras
Fonte: Barreto, 2010.