11 de abril de 2015

Como escrever um texto acadêmico – aspectos gerais e específicos

Um texto científico ou acadêmico é um complexo trabalho dissertativo ou narrativo que tem características próprias sobre sua concepção, criação e apresentação.

Bons textos científicos acrescentam conhecimento mesmo quando levantam novas dúvidas, novos problemas ou novas abordagens sobre uma questão, permitindo que leitores encontrem realidade e humanidade em palavras que foram completamente estruturadas para apresentar ou discutir um enfoque específico de um tema. Não importa qual tipo de texto você queira ou necessite escrever – pode ser uma tese de livre-docência, de doutorado, uma dissertação, monografia, um artigo científico, relatório – você precisará de disciplina, energia criativa e de dedicação para a pesquisa, criação, revisão e edição do texto. Apresentamos algumas sugestões para contribuir na redação.

Antes de começar a escrever um texto acadêmico, considere: problema, tema, abordagem

Todo texto revisado na Keimelion é prioridade total.
Cada tipo de texto científico tem suas
características. Familiarize-se com o tipo
de texto que pretenda produzir.
Tenha claro para si o tipo de texto que vai escrever e o público a que ele se destina. Nem todas os texto se encaixam perfeitamente em determinada categoria, é necessário pensar muito nos limites e abrangência necessários ao gênero e público pretendidos ao começar o planejamento – sim, é necessário planejamento. Leia alguns trabalhos significativos que se encaixem no gênero pretendido (tese, dissertação, monografia…) para ter uma boa compreensão sobre como construir uma trabalho correspondente, de acordo com os padrões formais estabelecidos. É inconcebível que alguém se proponha a escrever uma monografia sem nunca ter ligo algumas. Tente compreender a fórmula daquele tipo de texto e aceite que não há muito como quebrar o molde.

São os seguintes os principais formatos de texto científico:
  • Tese é o trabalho acadêmico que apresenta resultado de investigação complexa e aprofundada sobre tema mais ou menos amplo, com abordagem teórica definida. A tese deve ser elaborada com base em pesquisa original. Visa à obtenção do título de doutor, pós-doutor ou livre-docente, ou o acesso ao cargo de professor titular, em muitas instituições. Em geral, a tese é produção de cerca de 200 páginas em diante, podendo crescer bastante esse número.
  • Dissertação é o trabalho acadêmico que apresenta o resultado de investigação menos complexa e aprofundada sobre tema específico e mais delimitado Visa à obtenção do título de mestre. Em geral, é produção de aproximadamente 100 páginas, podendo variar um pouco o número.
  • Monografia é trabalho acadêmico que apresenta o resultado de investigação pouco complexa e sobre tema único e bem delimitado Em geral, é produção de cerca de 60 páginas. Costuma ser trabalho final dos cursos de graduação, elaborado depois de cursados os respectivos créditos e feita a pesquisa correspondente.
  • Artigo científico é um trabalho acadêmico que apresenta o resultado de investigação sobre tema único e bem delimitado. Pode ser elaborado com base em pesquisa original ou apresentar resultado de estudo experimental ou bibliográfico. Atualmente pode visar à obtenção de título, ou ser o trabalho de conclusão de alguma disciplina regular. É um texto contido em cerca de 40 páginas ou menos. Os artigos são submetidos às comissões e conselhos editoriais dos periódicos, que avaliam sua qualidade e decidem sobre publicação.
  • Comunicação é um trabalho acadêmico curto, apresenta o estado de pesquisa em andamento. Algumas são feitas sob assistência de orientador acadêmico. São submetidas às comissões e conselhos dos colóquios que decidem sobre sua aceitação no evento.
  • Relatório é um texto acadêmico que apresenta o estado de pesquisa ou trabalhos de outra natureza. É submetido às comissões e conselhos dos órgãos competentes, ou do evento, que decidem sobre o mérito.
  • Resenha é um texto de divulgação, apresenta síntese e crítica sobre trabalho mais longo. Pode ser elaborado com base em leitura motivada por interesse próprio ou sob demanda editorial. Visa à publicação em periódico.

Pense sobre os cortes a serem feitos no tema. Assim que decidir sobre qual assunto (ou tema) escrever, comece cortar e limitar o foco do trabalho. Isso vai além de uma necessidade formal ou prática; trata-se de condição necessária. Os cortes, limites da pesquisa e do texto, determinarão o interesse e a avaliação que os leitores farão do trabalho. A relevância da produção depende de cortes bem feitos e escolhas fundamentadas das abordagens. Pense sobre essas questões enquanto delimita o assunto:
  • Ele será baseado em experiências sociais ou profissionais da vida do autor?
  • Ele será escrito impessoalmente ou como relato de experiência do autor?
  • Qual a relevância do tema para o autor e para os leitores?
  • As pesquisas serão desenvolvidas na instituição ou fora dela?
  • Quanto tempo e quais os custos de produção da pesquisa e do texto?
  • Quem vai financiar o desenvolvimento da pesquisa, a redação e publicação do texto?

Levante hipóteses e problemas derivados. O protagonista do texto científico é a hipótese, os problemas giram em torno dela. A hipótese bem elaborada desperta o interesse do leitor e as conclusões serão o desfecho do texto. As hipóteses não devem ser óbvias, devem ser instigantes, para que o leitor permaneça interessado no texto.
Pense sobre as especulações do leitor em relação à hipótese, imagine a curiosidade que ela pode despertar em relação aos resultados apresentados – que podem confirmar a hipótese, ou apenas se aproximarem dela, deixando margem para maiores averiguações em trabalho que se seguirá.
Visualize o enredo. A maioria dos textos, independentemente do gênero, possui algum tipo de tensão, questionamento. A tensão cresce até que o problema seja apresentado. Após isso, há a resolução, as conclusões. Isso não significa que textos científicos necessitem de finais felizes; apenas são necessárias motivações os leitores – como ocorre em qualquer texto.

Para escrever o texto acadêmico: começar e continuar

Considere fazer um esboço, um esqueleto do trabalho. Pense no esqueleto como o inverso de um fichamento. Cada autor tem um método diferente de começar uma texto. Criar um esboço pode ser um bom jeito de mapear ideias e estabelecer pequenos objetivos que conduzirão a obra até ela se completar.
O esboço não precisa ser linear ou percorrer todas as etapas formais do gênero pretendido. Você poderia fazer um rápido rascunho sobre cada tópico, ou fazer uma espécie de diagrama que mostre como ideias se articularão e os resultados da investigação serão apresentados.
Não tente seguir precisamente seu esboço. O objetivo é simplesmente iniciar o processo de escrita com uma representação visual referente ao ponto que poderá ser alcançado. O desenvolvimento da investigação e da redação mudará o rumo traçado para a escrita.
Carregue um caderno consigo. Escrever um texto, mesmo o texto acadêmico, é processo criativo, você jamais sabe quando uma nova ideia pode surgir. Carregue um caderno e uma caneta para anotar ideias em qualquer local, valem também as anotações em tablets ou smartphones. Você pode se inspirar em algo escutado durante o café da manhã, ou enquanto divagava em uma cafeteria, ou em uma aula – até mesmo em sonhos vêm ideias que se perdem se não forem imediatamente anotadas. Descartada qualquer ideia pode ser a qualquer momento, recuperada, nem sempre!
Use o caderno para escrever fragmentos, parágrafos, até mesmo frases, que se tornarão parte do texto ou poderão requerer investigações e verificações.
Lembre-se de que a escrita nunca é processo perfeito. Ela começa de trás para frente, de dentro para fora, de cima para baixo, nunca sendo construção linear – nem sempre a leitura será linear também, os leitores costumam ir primeiro aos tópicos de maior interesse e, muitas vezes, se limitam a eles.
Escreva um primeiro rascunho. Ao se sentir preparado, ou simplesmente estando motivado, sente-se e comece a escrever o primeiro rascunho do texto. Elabore o esqueleto com o máximo de tópicos que puder ser imaginado. Não se preocupe em ter uma linguagem perfeita – ninguém lerá o rascunho. Escreva sem se julgar. Depois partes poderão ser suprimidas, agrupadas, reordenadas, ampliadas. Não crie obstáculos formais ou imaginários à produção. Tudo é provisório no início e cada ideia pode contribuir.
Escreva diariamente. Você precisa compreender sua missão. Muitos autores não são notados ou lidos por terem produção restrita ou bissexta. Estabeleça pequenos objetivos – finalizar um capítulo, algumas páginas ou certa quantidade de palavras por dia – para manter-se motivado.
Crie um espaço de escrita. Encontre um lugar aconchegante e sem distrações. Consiga uma boa cadeira para sentar e que não lhe dê dor nas costas após horas e horas de escrita e leitura. Você não escreve nada em uma hora: levam-se dias, semanas, meses, portanto, proteja sua saúde. Muitos adquirem o hábito de escrever em sofás, poltronas ou mesmo na cama depois do avento dos computadores portáteis. Não que isso seja proibido de todo, mas evite que a maior parte da produção seja assim.
Conduza a pesquisa e a redação simultaneamente. Ao começar a dar corpo ao problema, seu texto e os dados empíricos e teóricos ficarão mais detalhados. Ao redigir, você terá que pesquisar sobre todas as questões derivadas que surgirem, mesmo que não sejam diretamente ligadas ao seu foco, terá que pesquisar até para julgar a pertinência dos outros textos em relação a seu projeto. Mas é importante não aprofundar muito no que não acrescentar imediatamente ao tema e os cortes realizados.

Depois de escrever seu texto acadêmico: reescrever e revisar

Pratique a autoedição. O trabalho de redação realmente começa com a conclusão do primeiro rascunho! É hora de cortar o que não está funcionado, reescrever capítulos inteiros, reordenar e aperfeiçoar a linguagem.
Imprima o primeiro rascunho e leia-o do início ao fim. Anote o que deve ser mudado. Rabisque, acrescente, corte – aja com bastante severidade e com total liberdade.
Não mime seus escritos. Você pode se sentir emocionalmente ligado a um parágrafo ou uma ideia em particular que não esteja colaborando com o tema. Desafie-se a tomar a decisão correta. Você pode usar o parágrafo em um trabalho diferente. Repita esse processo várias vezes até sentir-se capaz de mostrar o rascunho para terceiros. Pode-se levar muito tempo antes de o texto chegar a este ponto; seja paciente. Eu recomento infinitas leituras e releituras desde o princípio. Reescreva tudo que não estiver claro, objetivo, direto e compreensível. Imagine se a ideia apresentada é relevante para outro profissional de sua área e se ela é exposta de modo compreensível para um adolescente.
Mostre seu trabalho para outras pessoas. Comece por alguém completamente confiável. Acostume-se com a sensação de ser lido. Não é fácil conseguir um feedback honesto de pessoas que amam você e querem poupar seus sentimentos, considere angariar opiniões externas. Colegas, professores caridosos, até mesmo alunos podem ser bons leitores. Você será solicitado a ler os trabalhos de quem se dispuser a ler os seus. É uma troca justa e de benefícios recíprocos.
Receba conselhos, sugestões e críticas aos poucos. Se alguém disser que o tópico ou capítulo não está funcionando, consiga uma segunda opinião antes de decidir cortá-lo.
Contrate um revisor. Nada dispensa a revisão profissional do texto. Qualquer pessoa pode apresentar sugestões ou apontar erros em um texto, mas somente o revisor possui o distanciamento das ideias expostas e o conhecimento linguístico necessário à depuração do texto como processo comunicacional. Os orientadores não são revisores; eles se atém ao conteúdo e, por mais que façam críticas e sugestões quanto à redação, estão envolvidos no assunto a ponto de isso constitua obstáculo ao processo da revisão. Revisão requer alteridade, distanciamento e profissionalismo.
Tese e dissertação nunca podem passar sem boa revisão.
A produção de texto requer contínua
transferência de ideias para o
 papel ou para o computador.
Publique o texto. Esta é a conclusão desejada. A defesa é uma forma de publicação – no sentido de dar ao público – mas a publicação pode e deve alcançar um público maior e há muitos meios para isso hoje. Escolha publicar em uma revista, na forma de livro físico ou e-book, online, ou opte pela autopublicação. Caso deseje a rota tradicional, e o trabalho for de maior vulto, é útil encontrar um agente literário que possa vender sua obra para editoras. Empresas de autopublicação variam muito em qualidade. Antes de escolher uma, peça algumas amostras para testar a qualidade de impressão e do papel.

Dicas sempre importantes para escrever teses e dissertações:

  • Vá elaborando um glossário enquanto escreve. Vá fazendo a lista de siglas e abreviaturas à medida que elas forem surgindo no texto.
  • Lance todas as fontes (referências) no texto usando o recurso específico do Word. Deixar para depois ou fazer isso manualmente acarreta enorme perda de tempo que pode ser mais bem empregado.
  • Seja realista com o tema e cronogramas. Seja também fiel aos dois, não divague, não protele.
  • Evite usar clichês ou frases prontas. Eles não lugar no texto científico, eles são entediantes e pouco criativos – empobrecem e desacreditam a produção. Bordões devem ser eliminados, mas sempre sobram as expressões e o jargão técnico.
  • Escreva pelo menos uma página por dia – pode parecer pouco, mas em um mês serão 30 páginas e em um ano isso produz um livrão de mais de 300 páginas!
  • Tente fazer o seguinte: escreva 50.000 palavras em um mês. Escritores tendem a trabalhar melhor quando há um prazo. Isso significa, para alguns, mais motivação. Condicione-se a pensar sempre que o prazo final está perto.
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