Relações de poder na orientação de pós-graduação

As relações de poder entre os orientadores e os alunos emanam da posição de autoridade intelectual e institucional do orientador, mas essas posições precisam ser revertidas em benefício do programa e dos resultados.

A relação de poder que emana do saber e da posição formal que subsiste entre orientadores e orientandos costuma ser um obstáculo aos fins recíprocos; essa situação, agravada principalmente no caso de estudantes de pós-graduação que trabalham em segundo (terceiro, quarto) idiomas – mas continuarão a pensar na língua materna, precisa ser revertida (ou invertida quanto aos resultados indesejados). Na relação de orientação, é imperativo refletir sobre abordagens didáticas da orientação e pesquisa em si, bem como sobre os valores sugeridos e resultados subjacente a elas, considerando se eles são pertinentes e relevantes, ou produto de ideologias culturais. Isto precisa ser feito com grande sensibilidade e ser construída uma relação de confiança e respeito mútuos.
Duas cabeças pensando juntas: orientador e orientando.
A orientação acadêmica é um processo
em que duas cabeças precisam se
ajustar para pensarem juntas.
Todos os fatores essencialmente humanos são funções mentais superior transformadas, as relações sociais que emergem são dados formados no decurso de atividades conjuntas com os outros. O cerne da questão é que, o que as pessoas desejam conhecer, como eles aprendem a aprender, pensar e agir, em contextos particulares, constitui-se relação entre seus esquemas cognitivas existentes, conhecimentos, habilidades e disposições, exigências funcionais das atividades que eles participam, e as formas de mediação que são oferecidas em tais atividades. A implicação é que, independentemente do quanto potencial do estudante de pós-graduação, se ele não tem oportunidades de participar de atividades que desenvolvam formas especializadas de conhecimento e de funcionamento, ou não lhe são oferecidas oportunidades suficientes de mediação para experimentaram essas atividades, ele não será capaz de desenvolver as correspondentes formas de funcionamento. Consequentemente, a noção de experiências de aprendizagem mediada a pós-graduação e como elas devem ser trazidos para as práticas de orientação está se tornando cada vez mais importante para transformar o típico contexto da pós-graduação. Isto deve ser visto em relação ao fato de que a lacuna existente em muitos contextos educacionais dos nossos estudantes de pós-graduação e em sua formação de pesquisa limitada na graduação precisa ser superada, em outras palavras, trata-se de fechar que a lacuna entre o que é conhecido e o que há para ser conhecido. (Wadee, Keane, Dietz & Hay)
As diretrizes a seguir, baseando-se as experiências reais e observações de práticas de orientação, devem ser consideradas para melhorar a prática da orientação: aplicar medidas apropriadas inclui instrumentos que vão avaliar o nível do aluno, para ele se envolver em rigoroso trabalho de pós-graduação.

  • Tendo em conta a formação como um assunto sério, observe que os orientadores podem prejudicar a qualidade da pós-graduação com carga excessiva de trabalho, excesso de zelo ou retenção. O treinamento do orientador, praticamente inexistente em caráter formal, deve incluir aspectos técnicos, pessoais, legais, éticos, administrativos e profissionais da orientação.
  • Um programa de indução de novos orientadores no campo deve ser projetado para que eles aprendam gradualmente a orientar, idealmente sob um mentor, começando inicialmente como coorientador.
  • Propiciar oportunidades para novos orientadores, cuidando que eles recebam feedback construtivo sobre os problemas emergentes e possam implementar ação corretiva antes de surgirem problemas graves.
  • Oferecer oportunidades estruturadas e regulares para os alunos avaliarem a qualidade e a eficácia dos orientadores e suas experiências do processo de orientação em geral. Essa prática garantirá que os estudantes em risco possam ser identificados cedo para que as intervenções necessárias e oportunas possam ser exercidas.
  • Garantir que as universidades, faculdades e departamentos tenham um manual atualizável para orientação que descreva o código de conduta para os envolvidos. Isto irá assegurar que cada orientador e aluno esteja ciente e familiarizado com os regulamentos administrativos complexos, requisitos e prazos que acompanham o processo.
  • Manter os orientadores responsáveis pelo progresso da orientação, produzindo relatórios regulares sobre cada aluno. Um “diário de bordo” é frequentemente muito útil, mantendo registro de todas as reuniões e as interações entre aluno e orientador assim como o que deve ser feito em termos de acompanhamento e os preparativos para a próxima reunião.
  • Atentar para a carga de trabalho dos orientadores e impedir que um orientador noviço supervisione mais do que um ou dois alunos.
  • Conhecer o aluno de pós-graduação desde o início. Embora isso seja difícil para os casos de orientação à distância, para aqueles alunos que estão nas proximidades e no campus, é importante conhecer os alunos.
  • Construir a confiança do estudante de pós-graduação: os alunos devem ser incentivados a colocar as ideias no papel. Isto ajudará a julgar se o estudante compreende a natureza do curso e proporcionará oportunidades de feedback positivo.
  • Lidar eficazmente com pressões na relação de orientação: existem pressões para obter a conclusão do curso no período de tempo estipulado e superar os atritos da relação. Os alunos precisam compreender que devem trabalhar duro desde o início e ter reuniões regulares. No final de uma reunião, na próxima reunião precisa ser agendado.
  • Manter os prazos. Os orientadores têm a responsabilidade de que os estudantes se atenham aos cronogramas. Estabelecer esse hábito desde o início é crucial.
  • Ter foco no monitoramento do estudante. O orientador precisa se manter um passo à frente do aluno para evitar que o aluno se desvie. Se o aluno está indo em direções diferentes, colocá-los no foco.
  • Incentivar publicações desde o início. Os orientadores devem incentivar os estudantes a publicar, embora isso dependa do estudante e o tópico. Se um aluno é capaz de publicar em uma revista boa, isso vai ajudar no exame final. Mas o que vai ser publicado precisa ser balanceado com a obtenção da tese escrita. Escrever a tese ou dissertação deve ser a primeira prioridade.

Dicas para os estudantes produzirem a dissertação ou tese

Chegou a hora de o aluno escrever a dissertação ou tese. O estudante se depara com um documento eletrônico em branco que o orientador precisa ajudar a transformar em um texto longo, em conhecimento a ser divulgado. Aqui estão algumas dicas a serem dadas sobre como escrever o trabalho:

Não ter medo de escolher um assunto cotidiano que pareça banal

  • Não é necessário fazer um estudo sobre a psicologia de strippers ou a vida de testadores de montanha-russa, a fim de ganhar uma nota para passar para a sua dissertação.

Começar cedo

  • Começar de 24 horas depois de obter os detalhes do projeto. O efeito psicológico é enorme, não deixe que o estudante questione, apenas que ele faça isso!

Ter e manter um plano

  • Estimular o estudante a dar sequência ao texto e reconsidere o plano cada vez que trabalhar nele. Ele ajuda a manter o texto estruturado, fluente, conciso e bem pensado.

Tempestade de ideias

  • Durante sua fase de planejamento o aluno deve permitir-se todo tipo de ideias. Que ele gaste alguns minutos com ideias e em anotá-las (mesmo que elas não sejam muito boas).

Fazer um pouco mais todos os dias

  • O progresso não é sempre obtido por sessões de 5 horas de escrita contínua. Até mesmo uma torneira pingando pode encher em demasia um balde. Fazer um pouco todos os dias, mesmo se isso inclua simplesmente adicionar ideias ao plano ou gastar vinte minutos para uma referência de pesquisa. Sugira ao aluno escolher um dia para fazer uma pausa semanal.

Deixe sua tese como uma pergunta, não uma declaração

  • Isto é porque o foco da investigação ou a opinião podem mudar à medida que se trabalha.

Pesquisar enquanto escreve

  • Se o aluno tentar fazer a pesquisa primeiro vai falhar. O ideal pode ser fazer cerca de 10% de sua pesquisa antes de começar, a fim de obter uma boa ideia da direção e, então, fazer o resto da pesquisa, ao mesmo tempo que escreve o texto.

Pensar em contratar revisão e formatação

  • A revisão de textos e, eventualmente, a formatação são necessárias e um profissional qualificado deverá ser procurando com antecedência ou sugerido pelo orientador. Ele terá funções específicas e sua colaboração poderá ser tanto mais útil quanto mais cedo ele for contratado.