31 de março de 2015

Dicas para escolha de revisor de textos acadêmicos

Ao escolher um revisor de textos, muito do que se aplica a outros serviços vale, mas há sempre algumas questões específicas.

Se você nunca precisou de um revisor, ou se já precisou e não se deu bem com o que encontrou, aqui vão algumas recomendações que podem se aplicar, principalmente para textos acadêmicos ou empresariais:
A tese é um tipo específico de texto e requer revisor experiente.
Quem tem uma tese ou dissertação
para ser revisada precisa saber fazer
a escolha de um revisor de textos
para seu trabalho.

Não procure preço baixo

A expressão "o barato sai caro" se aplica completamente ao serviço de revisão. Um bom revisor se preparou para realizar o trabalho e está em processo contínuo de aperfeiçoamento. É como um cardiologista. Quanto melhor o especialista, maior será o valor de sua consulta. Procurando serviços baratos, corre-se o risco de obter uma revisão menos perfeita, não dando ao texto o aspecto adequado e a qualidade necessária.

Divisão de trabalho

Evite dividir suas revisões entre mais de uma empresa ou revisor. Assim como os escritores, os revisores têm forma de interferência características. Para que seus textos tenham uniformidade linguística, eles deve ser revisados sempre pela mesma pessoa ou equipe, desde os primeiros artigos até a tese.

Serviços de urgência

Embora seja inevitável a urgência em determinados serviços, quanto mais tempo o revisor tiver para realizar o trabalho, melhor será a qualidade de sua revisão. Da mesma forma em que foram gastas horas, semanas ou meses na elaboração do texto, algumas horas devem ser minuciosamente despendidas na  revisão dos textos para que eles apresentem a melhor qualidade possível. Lembre-se de que este texto pode representar sua junto aos leitores. Quanto mais bem feito, melhor.

Interação com o revisor

Na maioria dos casos, os textos apresentam termos e expressões típicas suas ou de sua área de atuação, que podem ter sentidos específicos ou não serem encontrado em dicionários. Ao optar por um serviço de revisão, deve-se estar preparado para um envolvimento com o revisor, a fim de refinar estas expressões e permitir que o texto fique com "sua cara".


Procure sempre quem revise no computador

Na hora de revisar uma tese ou aquela dissertação, o computador é a única ferramenta imprescindível em nossos dias, pois ele nos permite o uso simultâneo de todos os recursos necessários e, ao fim da revisão, o trabalho estará pronto para as etapas seguinte: impressão e defesa.
Lápis, borracha, canetas coloridas, códigos misteriosos à margem do texto ou nas entrelinhas, nada disso mais tem vez, é hora do mouse e o teclado. Essa é uma troca bastante vantajosa para o autor e para o revisor, pois assim eles aperfeiçoam as condições de trabalho, permitindo diálogo mais eficiente entre ambos nessa hora tão crucial para o autor.
A primeira vantagem é que não haverá nada a ser transcrito nem retrabalhado após a revisão. Atualmente, nem haveria mais tempo mesmo de se fazer isso, as teses não são mais emergentes, são urgentes, urgentíssimas. Quando o autor libera o texto para o revisor, depois de tê-lo aprovado por seu orientador, o tempo é sempre muito exíguo. Em seguida, existe a vantagem da mobilidade dos blocos de texto de qualquer tamanho, expressões, orações parágrafos e capítulos podem ser reordenados sem grande esforço, colocando todas as informações naquela ordem que é a mais fácil de ser apreendida: a direta. Curiosamente, os caminhos de nosso pensamento não são assim tão diretos, mas quando lemos aprendemos mais facilmente aquela ordem que é a mais costumeira, aquela que consideramos direta, na oração: sujeito, predicado e complementos; na síntese: das partes, alcançar o todo; na dedução: das premissas alcançar a conclusão. Mas na hora de ler os trabalhos científicos todos são unânimes em privilegiar esse tipo mais simples de construção de ideias.
O uso do computado também permite, quando os programas de editoram são usados com emprego dos recursos técnicos de revisão, que o autor possa se decidir sobre as sugestões apresentadas pelo revisor – pois é isso que o revisor faz, sugerir – e adotar a versão final que mais lhe convier.
Brevemente estaremos trabalhando com textos exclusivamente em suporte eletrônico, quando as pessoas estiverem um pouco menos apaixonadas e presas aos papéis impressos. Por essa época, as teses e muitos outros documentos que ainda gastam papel – esse implemento caro e antiecológico – passarão a ocupar apenas os espaços virtuais. Isso será incrementado, também, com o barateamento dos tablets e seu aperfeiçoamento; tudo convergindo para que todas as etapas da lida com o texto sejam pelos computadores.
Muito raramente, hoje, alguém já não redige diretamente no computador. Poucos revisores não trabalham diretamente na tela. Ninguém mais, há muito tempo, faz a composição (designer gráfico) de um texto para edição sem ser no computador. Agora estamos alcançando a última etapa, em que o texto será lido sempre nas telas e o ciclo se completará. É nesse contexto que alguém que ainda revise em papel está em francamente obsoleto, inclusive algumas editoras passam livros por essa etapa – o que nos parece completamente inadmissível.

Escolha alguém que saiba realmente revisar o texto

O saber-revisar aparece estreitamente ligado à capacidade de mobilizar os saberes relativos aos textos e à escritura:
  1. saberes sobre os textos: que remetem, em particular, às tipologias e aos tratamentos didáticos;
  2. saberes sobre o funcionamento dos textos;
  3. saberes sobre o mundo dos escritos e sobre os escritos que fazem parte das experiências (familiar, social, escolar) acumuladas no passado por cada autor;
  4. saberes sobre as operações de escritura e as propriedades esperadas do texto, que remetem ao modelo de análise do saber-escrever dos autores;
  5. saberes sobre os recursos da língua. 

A propósito da competência escritural,  o saber-fazer e saberes são também determinados por representações que agem sobre os modos de pensamento, de ação dos autores e dos revisores. Cada um dos seis saberes do modelo apresenta um ponto a respeito do qual as representações aparecem como dominantes para a produção e a revisão dos textos; duas representações contrastadas são apresentadas e concernem a um referente teórico ou a um ponto de referência relacionado à relação autor-revisor no contexto da produção de texto: no alto, uma representação tradicional, que corresponde à prática dominante; embaixo, uma representação mais atual, esclarecida por contribuições científicas. 
Nesse sentido, a sociolinguística também tem dado importantes contribuições para o processo de escritura-revisão-reescritura na produção de textos acadêmicos. É preciso contribuir para o desenvolvimento de uma revisão de textos que seja sensível às diferenças sociolinguísticas e culturais dos autores, considerando-se que:
  • As variações linguísticas não devem ser procuradas no dialeto vernáculo dos autores e tampouco em seus idioletos de ofício, mas em seus estilos formais, monitorados.
  • Regras que não estão associadas à avaliação negativa na sociedade, não são objeto de intervenção e, portanto, não vão influir consistentemente nos estilos monitorados.
  • O autor será ratificado pelos seus pares como usuário qualificado da língua e começa a alternar seu dialeto vernáculo e a língua de prestígio, principalmente quando está produzindo texto acadêmico.
  • Os estilos monitorados de língua são reservados à produção de textos formais. Para a realização de eventos de oralidade, podemos nos valer de estilos mais casuais.
  • O ponto de partida da sociolinguística para a revisão de textos é a análise minuciosa do processo interacional entre o autor, o revisor e o leitor, no qual se avalia o significado que a variação linguística assumirá.
  • É necessária a conscientização crítica dos revisores e autores quanto à variação linguística, estabelecendo-se efetivo diálogo autor-revisor para promover autorreflexão de cada parte e a análise crítica das intervenções colaborativas no texto. (Pereira).