10 de fevereiro de 2015

Emprego de crase, locuções, pronome demonstrativo e verbo haver

O uso de crase gera dúvida sem necessidade. O revisor de texto gera certeza.

Crase é contração do artigo definido feminino a com a preposição a.

Em vez de se grafar aa, grafa-se à. A pronúncia correta é a. Só se usa crase quando a palavra (substantivo ou adjetivo) exigir a preposição a e houver substantivo feminino que admita o artigo a ou as: Vou à escola.
  • Aviso: o Novo Acordo Ortográfico em vigor desde janeiro de 2009 não mudou absolutamente nada no que refere a crase; todas as regras permanecem as mesmas.
A atenção que é necessária à produção de textos é total.
Existem erros que são persistentes
na escrita de qualquer pessoa.
Conte com o revisor de textos
para eliminar os problemas de
todos os seus trabalhos.
É erro grave colocar crase antes de nomes masculinos ou verbos ou pronomes, pois esses termos (salvo em raras exceções) não admitem artigo feminino. Estão erradas as construções: Vou à pé, ele está à sair, entrega à domicílio, venda à prazo, direi à ela, não contou à ninguém. Também não se usa crase quando a preposição a estiver seguida de palavra no plural: discursou a autoridades, presta socorro a vítimas. O mesmo vale para expressões em que já houver preposição antes da preposição a: foram até a praça, ficaram até as 19h.
Regra geral que dá conta da maioria dos casos: troca-se a palavra feminina por outra masculina. Se na substituição for usada a contração ao, haverá crase. Caso contrário, não: estar à janela porque se diz estar ao portão; às três horas porque se diz aos 42 minutos; entregou o documento a essa mulher porque não se diz entregou o documento ao esse homem; assistiu a uma boa peça porque não se diz assistiu ao um bom filme.
Em algumas poucas expressões é difícil substituir o termo feminino por outro masculino. Nesses casos, troca-se o a por outra preposição para ver se o artigo sobrevive: O carro virou à direita; porque se diz: O carro virou para a direita.
A substituição do feminino pelo masculino também não funciona para nomes de países ou cidades. Para saber se ir a Roma leva crase, substitua os verbos ir ou chegar por vir ou voltar. Se o resultado for a palavra da, haverá crase: Vou à França porque volto da França, mas vou a Roma porque volto de Roma.

Locuções são conjuntos de palavras que equivalem a um só vocábulo, por terem significado conjunto próprio e função gramatical única.

Seu emprego no texto acadêmico deve se revestir de certos cuidados que afastem equívocos interpretativos, bordões e linguajar coloquial ou gongorismo:
A cores
A TV, o filme, a ilustração são em cores e não a cores. Também: impressão em três cores.
A fim de/ afim
A locução a fim de significa com o objetivo de: O desassoreamento foi feito a fim de baixar o nível do rio e evitar novas enchentes. O adjetivo afim indica afinidade, parentesco: Esses são assuntos afins.
À medida que
Usa-se apenas quando for muito importante para facilitar a compreensão do texto. Não se escreve na medida que e à medida que ou na medida em que. Não há entendimento homogêneo sobre o uso desta expressão. Veja-se conjunção na página nº 81.
A meu ver
É errado escrever ao meu ver. O certo é a meu ver: A meu ver, este assunto está encerrado.
A nível de /em nível de
A expressão ao nível de significa na mesma altura de: ao nível do mar. É errado usar ao nível de significando em termos de ou no plano de: A nível oficial.
O certo seria “…e outros que determinam as ‘prioridades de formação’ dos professores para que estes se tornem mais aptos a desenvolver a política educativa planificada em nível oficial e que atendam às emergências”. Apesar de aceitável, o melhor é evitar a expressão, já desgastada pelo emprego abusivo. Usa-se o adjetivo correspondente (em nível oficial equivale a oficialmente), exceto quanto o emprego for no sentido próprio:
“O sistema Quantec 2000 produziu grande e significante transporte no nível apical quando comparado com o Profile Serie 29”.
A partir do momento
É evitado, a não ser quando o termo momento estiver sendo empregado no sentido próprio, da Física. Emprega-se: quando.
Não se deve escrever frases como: A partir do momento em que a temperatura é reduzida… Veja-se o emprego correto:
“Quando a temperatura é reduzida para bem perto da temperatura crítica de Curie , o alinhamento de um dado momento magnético (spin) provoca um alinhamento preferencial (idêntico) para uma distância considerável, chamada de comprimento de correlação”.
Além disso/ além do que
Evita-se. Em geral pode ser substituído por e ou por ponto. Esta conta é distinta das anteriores, pois não se relaciona a nenhuma conta de resultado. Além disso, sua variação não tem impacto sobre o lucro apurado. É melhor escrever: “Esta conta é distinta das anteriores, pois não se relaciona a nenhuma conta de resultado e sua variação não tem impacto sobre o lucro apurado”.
Ao contrário/ diferentemente
Erro muito comum. Ao contrário significa ao invés, exige oposição entre dois termos: “…as discrepâncias entre os hemisférios Norte e Sul, ao contrário de diminuírem, vêm se recrudescendo… Recrudescer opõe-se a diminuir. Diferentemente é o mesmo que em vez de. Não requer oposição entre dois termos: Diferentemente do que se diz, o português não é das línguas mais difíceis. Não há oposição entre ser ou não ser das mais difíceis.
Ao invés de/ em vez de
Ao invés de significa ao contrário de: “…ao invés de ir expandindo homogeneamente do centro para a periferia, o crescimento se deu também da periferia para o centro”. A expressão serve para mostrar a oposição entre dois termos. Não confundir com em vez de, que é em lugar de: Em vez de baixar a portaria, o governador se reuniu com a bancada. É errado escrever: Ao invés de baixar a portaria, o governador se reuniu com a bancada.
Ao mesmo tempo
Usa-se apenas para facilitar a compreensão do texto e substituir simultaneamente ou concomitantemente, quando essas expressões já tiverem sido empregadas, para evitar repetições.
Ao passo que
Na maioria das vezes pode ser substituído por enquanto.

O verbo haver é fonte permanente de erros.

Cuidado com os seguintes casos:
  • no sentido de existir ou para designar tempo passado, o verbo tem construção impessoal na terceira pessoa do singular: “Há jogos educacionais que podem propiciar ao aluno ambiente de aprendizagem rico e complexo”; nesses casos, não há por que confundi-lo com a preposição a;
  • na forma composta, quando haver é o verbo principal, o auxiliar se torna também impessoal: “Em relação ao produto final obtido, deve haver algum retorno.”;
  • evitar o pleonasmo no uso do advérbio atrás: diz-se – Dez anos atrás – ou: Há dez anos; nunca: Há dez anos atrás; “Esse bairro surgiu há aproximadamente 20 anos…”;
  • usa-se havia em locução verbal com verbo no pretérito imperfeito: Estava no cargo havia três anos; nunca: Estava no cargo há três anos;
  • não se emprega há, mas a preposição a, para indicar distanciamento no tempo (futuro ou passado) ou no espaço: A peça estreia daqui a duas semanas; A um ano da morte de Tancredo Neves, o Congresso realizou sessão solene em sua memória; “E a distância do percurso entre a casa onde mora e o nicho agrícola onde trabalha é geralmente em torno de um a dois quilômetros”.

Uso dos pronomes demostrativos esse e este

A confusão entre os pronomes demonstrativos esse e este e seus derivados, sobretudo na linguagem oral, contribui para apagar importante distinção da língua. A nuance fica evidente quando se recorre à fórmula este aqui, esse aí, aquele lá.

Uso do demonstrativo em relação a quem fala.

O emprego dos demonstrativos ocorre em três relações:
a) em relação à pessoa que fala – Este, esta, isto são os pronomes que se relacionam com a pessoa que fala: “Com este relatório, os alunos do terceiro ano, turma 01, pretendem ampliar seu ponto de vista…”. Esse, essa, isso são pronomes da pessoa a quem é dirigido o enunciado: “… o Programa Intensivo de Preparação de Mão-de-obra – PIPMO, anteriormente vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, ficou subordinado a essa Secretaria Nacional de Mão-de-Obra, do Ministério do Trabalho”. Para a 3ª pessoa usam-se os pronomes aquele, aquela, aquilo: Aquele livro é dele;
b) em relação a espaço e tempo – Este, esta, isto indicam o que está perto da pessoa que fala. Por derivação, indica o aqui e agora: “Uma das contribuições que este trabalho pretende oferecer é a de apontar para a necessidade de outras pesquisas e ações experimentais…”
c) em relação ao próprio texto. – Este, esta, isto referem-se a algo que acaba de ser mencionado ou será em seguida: “Entendendo-se que o princípio federal leva a um duplo governo, cada qual independente nas matérias sobre as quais competem, estranho que um viesse a influenciar o outro. Este argumento é explorado por Fulano…”

O demonstrativo em relação espaço-temporal.

Esse, essa, isso têm emprego mais amplo. Indicam tudo o que está a certa distância da pessoa que fala: “Essas pesquisas começam a surtir efeitos, fazendo que as autoridades reguladoras e profissionais da contabilidade busquem soluções para minimizar esse problema”. Ligado à ideia de tempo, esse, essa, isso indicam geralmente o passado: Karl Marx é autor do século dezenove. Nesse período, as pessoas passaram a acreditar em revoluções. Pode indicar o futuro se houver a ideia de afastamento: No ano 2061 haverá grande acúmulo de progresso tecnológico, mas nada garante que esse tempo será menos turbulento que o atual.
Aquele, aquela, aquilo se referem a afastamento: Naqueles tempos, naquela cidade. Seu uso se confunde muitas vezes com o de esse, essa, isso; para evitar ambiguidade, prefira usar aquele, aquela, aquilo;

O demonstrativo em relação ao texto.

Esse, essa, isso retomam passagem anterior do texto, como na expressão além disso. “… as atuais políticas para preparo dos profissionais da Educação, no País, parecem consoantes com esse outro modo de conceber tal formação…”
Aquele, aquela, aquilo indicam o termo que se opõe a este, esta, isto: Guarujá e Campos do Jordão são cidades muito visitadas por turistas. Esta, pelo ar puro da montanha; aquela, pelas praias. Este é o emprego preferencial no trabalho acadêmico, por maior clareza e uniformidade.
Como regra geral, o texto deve evitar essas construções quando forem muito complexas. Às vezes é melhor repetir termos para não truncar a leitura.
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