30 de janeiro de 2015

A comunicação científica e seu elo com a revisão de textos

A revisão do texto é mecanismo essencial para alcançar qualidade na comunicação científica. Disso sabem os autores mais experientes que não prescindem de bons revisores profissionais.

Escrever é um trabalho árduo, mas que produz grandes avanços para a sociedade. A escrita ensina não só a falar melhor, mas a refletir sobre o mundo e tornar as informações acessíveis a todos. Há evidências de que a escrita alivia o stress, aumenta a compreensão e melhora o desempenho mental, a ponto que escrever e reescrever textos permite ao homem aprofundar o falar e o pensar.
A caneta do revisor está sempre pronta a contribuir com o autor.
A revisão do texto na comunicação
científica não é etapa complementar,
mas necessária e urgente.
Antes que o texto científico adquirisse características próprias, quem escrevia sobre ciência, fazia-o de maneira "literária" e, às vezes, até poética, com o intuito de mostrar erudição. Porém, à medida que a ciência se separava da filosofia, da literatura e da poesia, fincava os pés na observação objetiva da natureza, na análise criteriosa dos fenômenos e na experimentação, o texto científico se libertou até atingir a forma atual em que não se admite qualquer divagação que não tenha relação direta com o tema abordado e que respeite as normas técnicas e ortográficas pré-estabelecidas.
Quando um trabalho científico é lido, a dedicação por trás de cada edição geralmente é desconhecida pelo leitor. O trabalho que está sendo feito para publicar em uma revista é sempre complexo e exigente, e nem sempre uma considerável redução do tempo e trabalho é alcançada com novas tecnologias na edição de artigos, os avanços tecnológicos geram qualidade e eficiência no processo editorial, mas não substituem em nenhum momento os processos intelectuais do cérebro por trás do processo de edição: o revisor, o editor, o orientador em colaboração estreita. Por esse motivo, as pessoas envolvidas na análise e produção do texto devem se submeter a auto-avaliação e atualização constantes em termos não só de desenvolvimento técnico e profissional, mas também sobre questões de comunicação científica.
A revisão é uma das etapas mais importantes da produção e deve ser desenvolvida por profissionais renomados e altamente capacitados, se possível com experiência no assunto em questão.
O número de publicações disponíveis no mundo é enorme e cada vez mais crescente, tornando-as cada vez mais competitivas entre si. A democratização do conhecimento não só exige o acesso livre, sem custo para qualquer pessoa ler ou para publicação, mas precisa de temas que reflitam sobre problemas relevantes e informações que agreguem ao campo científico. A pressão para publicar é algo de vida ou morte no mundo científico de hoje, revelando a importância vital que tal evento tem para a sobrevivência do pesquisador, como parte do processo de pesquisa e como meio para obter graus, encargos, reconhecimento e contrapartida financeira. Essa situação torna mais difícil o papel dos revisores, que passam também a sentir a mesma pressão. 
A revisão textual por especialistas tem como objetivo identificar os pontos fracos relacionados à língua em cada estudo, para melhorar a qualidade deles e publicá-los finalmente. As dificuldades começam com a escolha dos revisores, já que ele deve ser capaz de absorver o assunto com espírito crítico, reputação e cabedal científico para tal tarefa, além do necessário julgamento de seu desempenho histórico como autor, revisor e pesquisador. Certamente, uma revisão rápida e de alta qualidade é o elemento mais desejado do processo de editoração de artigos científicos. Entretanto, rapidez na revisão linguística, sem a acurada crítica judiciosa e questionamentos pertinentes, dificultam a seleção de artigos científicos meritórios. 
Assim, dentre todas as etapas desse difícil e complexo processo, consideramos, unanimemente, como a mais crítica, a da revisão. E não são poucas as razões para isso. A necessidade de fornecer mais orientações e ferramentas para agilizar o trabalho do revisor e aprimorá-lo de forma sistemática tornou-se um desafio para os rápidos avanços científicos tecnológicos.

Dentre as responsabilidades do revisor, podemos citar:

  • Uma revisão crítica, profissional, justa e pontual é parte essencial do processo de publicação;
  • Avaliação estilística, gramatical e lógica experiente, séria e sem possíveis preconceitos surgidos devido aos seus conhecimentos prévios e habilidades;
  • Devolver os textos prontamente dentro do prazo estabelecido;
  • O revisor deve manter a confidencialidade dos texto em que contribuir e, caso haja qualquer indício de recorte considerável de trabalho de que tenha conhecimento, deve comunicar o autor;
  • O revisor deve apoiar seu trabalho em paradigmas confiáveis e abonações relevantes, bem como identificar casos de citação inadequada ou referência omitida;
  • Basear sempre sua decisão de interferir (modificar, corrigir) em avaliação objetiva da qualidade comunicacional, técnica e literária do manuscrito.

Correção gramatical e clareza afetam a qualidade do texto científico?

O texto científico é distinto do texto literário, do qual se originou. Ele deve ser enxuto, despojado e aderir totalmente às normas da gramática normativa. No entanto, isto nem sempre acontece e eles frequentemente apresentam certas incorreções gramaticais recorrentes que devem ser enfrentadas, pois elas afetam a qualidade final do trabalho. Requer-se que revisores profissionais estejam presentes e tenham acesso ao autor e ao corpo editorial das revistas, pois isso contribui para elevar a qualidade dos textos publicados. Mas isto às vezes fica somente em teoria. A realidade mostra artigos científicos com erros gramaticais, parágrafos demasiadamente longos, confusos, sem ideia central, ou pior, contendo várias ideias paralelas e conflitantes, resultado ou de má revisão ou mesmo da inexistência de uma. Especialmente para quem escreve em língua portuguesa, a qualidade dos textos produzidos no Brasil ainda tem longo caminho a percorrer. É fato notório que alguns pesquisadores brasileiros, quando escrevem em inglês, empenham-se em produzir um texto correto e claro, recorrendo, quando necessário, a parcerias ou a serviços profissionais especializados. No entanto, quando escrevem em português, fazem-no de modo casual e até desleixado. A adesão à chamada “norma culta” é dever de quem escreve texto acadêmico em português. Em geral, o pesquisador que escreve na língua nativa não tem o hábito de consultar gramáticas, muito menos de procurar boas fontes de referência sobre regência verbal e nominal e outros aspectos da língua, tarefa que é fortemente conhecida pelos profissionais de revisão. 
Como em qualquer lugar, existem aqueles revisores que se destacam pela qualidade empregada na revisão. Outros, pela velocidade e pelo volume de revisões feitas. Entretanto, muitos pecam em cumprir as obrigações relacionadas às tarefas mínimas relacionadas ao processo de revisão. Em vista disso, enfatizamos que a atividade de revisão deve ser levada com muita seriedade, por ser uma atividade intelectual crucial para o desenvolvimento da ciência e tecnologia e largamente reconhecida. A revisão cuidadosa e detalhista é tão importante quanto a própria autoria. Assim, devido à excelência que muitos periódicos brasileiros alcançaram nas ultimas décadas, torna-se necessário que se estimule a excelência no processamento final dos textos, antes da publicação, recorrendo mais intensamente a pessoas capazes e dispostas a alcançar o máximo de qualidade possível nas produções.

Dica extra: cuidar bem do texto para evitar críticas.

A web transformou a escrita em conversa. Antes, era bem separado: escritores escreviam e leitores liam. A web permite aos leitores responderem aos textos – inclusive em se tratando de textos científicos, e os leitores o debatem cada vez mais com os autores – em comentários de tópicos, em fóruns ou grupos de discussão, e em suas postagens de blog.
Muitos que respondem ou comentam, criticam ou discordam. Isso é natural e de se esperar. Concordar motiva as pessoas menos que discordar ou ver problemas em um texto. Quando se concorda, há menos a dizer. O mesmo se aplica aos problemas do texto: não se perdoam na internet os erros em textos formais.
O resultado desse fenômeno de mídia que é a internet é que há muito mais discordâncias, especialmente medidas e expressas pelas palavras. Isso não significa que as pessoas estejam ficando mais irritadas. Houve mudança estrutural na forma da comunicação suficiente para explicar as discordâncias. Mesmo que não seja a raiva que motive o aumento de desacordos, há sempre o perigo de que ela deixe as pessoas mais irritadas. Isso ocorre particularmente na internet, onde é fácil dizer coisas que você nunca diria cara a cara.
Paul Graham estabelece uma hierarquia quanto aos desacordos, às críticas, mas nós recomendamos também cuidados básicos com o texto, para que as críticas com o conteúdo publicado não venham acompanhadas ou precedidas de apontamentos relativos a falhas do texto, problemas linguísticos. Aqui entra o revisor, colaborando para que o autor não tenha que defender seu texto, somente enfrente os argumentos contra seus dados e suas ideias.
Já que estamos em um caminho de maior discordância, devemos ter o cuidado de discordar bem, argumentando adequadamente. O que significa isso? A maioria dos leitores pode dizer a diferença entre xingar e uma refutar cuidadosamente. Mas ajuda colocar nomes nas etapas intermediárias.
Aqui vai uma tentativa de hierarquia do desacordo:
Sempre há uma razão legítima para argumentar contra alguma coisa.
Subir na hierarquia do desacordo torna as pessoas menos medíocres, isso as fará mais felizes.
A maioria não gosta de ser medíocre, elas fazem isso porque não sabem interagir.

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