22 de janeiro de 2015

Aspectos da revisão de textos: integração, responsividade e modificação

Para alguns pesquisadores, a revisão designa uma atividade de retorno ao texto, terminando em uma modificação efetiva dele.

revisão de textos, como nós a compreendemos, é composta de diversas sequências de leituras e intervenções feitas no arquivo eletrônico do original e compreende a conferência de lista extensa de checagem que inclui: uso de pessoa gramatical, imperativos, tempos e modos verbais, elementos anafóricos e catafóricos, o papel de agente ou de paciente da ação verbal, coerência textual, concisão, estilo – para mencionar apenas alguns aspectos – e que inclui a programação visual, sequências numéricas, bibliografia, expressões em caixa alta, itálicobold, sequência capitular, de seções, elaboração índices sumário – quando se trata de também formatar o trabalho.
As palavras devem ser combinadas de modo a comunicar com perfeição.
Modificação efetiva tem a ver
com revisão resolutiva, mas
 tem a ver também com
 eficiência comunicativa.
As mais diversos elementos que o compõem a revisão e a formatação do texto têm a finalidade e o critério de padronização como premissa, o revisor e o formatador do texto devem comparar partes semelhantes, observando as que se repetem, como legendas das diversas ilustrações (figuras, quadros, tabelas); uso de maiúscula, uso de destaque (caixa alta e baixa, aspas, itálicobold, tamanho de fonte, etc); confronto rodapés com as referências listadas.
A maior parte das interferências da revisão é constituída de correções de ausência de padronização ou por melhoras qualitativas e de legibilidade no texto e não de erros gramaticais, para a surpresa de muitos autores.
Não é procedimento adequado efetuar nenhuma interferência no texto, a menos que para ela exista um justificativa técnica precisa, evitando-se sempre interferir no estilo do autor; a seleção vocabular do autor deve ser respeitada.
Quanto à solução das dúvidas que sempre surgem, os revisores também fazem uso de gramáticas, dicionários e têm o precioso auxílio da internet, onde é possível verificar questões de usos da língua mais dinâmicas  que nas obras de consulta impressas; sempre que possível, faz-se consulta ao autor ou outra pessoa competente; a consulta ao dicionário é a mais constante, sobretudo quando surgem vocábulos desconhecidos; os verbetes precisam ser lidos do início ao fim, atentando para sua adequação ao contexto da obra objeto de revisão e às explicações que o dicionarista apresenta.
Questão recorrentes problemas, o revisor atenta com rigor em relação ao uso de maiúsculas; para a gramática, ela é restrita aos nomes próprios (topônimos e antropônimos). Há ainda três procedimentos são básicos em revisão: primeiramente, ler o texto até entendê-lo; depois, se necessário, corrigir; em seguida, reler após a emenda ao texto; finalmente, repassar todas as páginas, ponderando sobre as correções mais relevantes.
A percepção atenta do revisor às características do texto proporciona o desenvolvimento de um trabalho de consistente nos diversos aspectos que envolvem o texto, sejam aspectos técnicos, estéticos ou comunicacionais. Falhas do autor (concordância nominal e verbal, regência verbal e nominal, uso de maiúsculas indevidamente) acontecem constantemente.
A revisão ideal, a que apresentaríamos como solução ou como indicação para qualquer tipo de texto, enfrenta dois obstáculos: o primeiro deles é o custo – as diversas operações e profissionais que uma revisão completa requerem tornariam seus custos inviáveis para a maioria dos trabalhos; em seguida, o prazo – como os revisores recebem os textos, normalmente, à véspera de sua data final de submissão, raramente há tempo suficiente para a implementação de todas as etapas que seriam desejáveis. A revisão que oferecemos é aquela que é possível no tempo disponível e segundo tabela de preços que viabilize o serviço para o contratante.
MEDEIROS (2002) apud Rocha.

Revisão integrante da produção do texto

Seja qual for o tipo de texto em produção, é preciso ter em mente que planejamento revisão são processos que precisam ser incluídos na rotina. A fantasia de que ideias brilhantes pairam no ar e de que bons escritores simplesmente têm facilidade para escrever deve ser desconstruída. É função do revisor deixar claro ao autor que que, embora os textos de autores profissionais não tenham traços do processo de produção, eles foram planejados, escritos, revisados diversas vezes e lidos por várias pessoas até estarem bons o suficiente para chegar às mãos dos leitores. 
Outro ponto importante que tem de ser mostrado aos autores é que recorrer a bons modelos, para desenvolver um repertório sólido, é uma atitude imprescindível para escrever bem e com criatividade. Afinal, não se trata de copiar, mas de aprender com uma experiência, usando-a como referência. Não estamos falando de plágio, obviamente nem de adoção de fórmulas literárias, mas de repertório de emulação: a capacidade de fazer conexões com outros textos e autores dentro do mesmo universo textual ou de outros.
Em relação ao ato de revisar, ele não pode ser substituído pela autorrevisão, ou pela correção ortográfica, como se fossem a mesma coisa. Ao corrigir, costuma-se transformar os erros, lapsos, omissões em acertos, mas quase nunca isso basta. É natural: os autores apresentam uma espécie de cegueira diante dos próprios erros, como descrevem Auguste Pasquier e Joaquim Dolz, no texto Un Decalogo para Ensenar a Escribir, publicado na revista espanhola Cultura y Educación. O autor, ao tentar revisar o que produz incorre em equívocos e ausências que reforçam o papel da etapa revisional como integrante da produção de texto. 
Adaptado de Vichessi B.

Revisão de texto como modificação efetiva

Essa concepção é particularmente nítida quando o modelo descreve processos que intervêm na atividade de revisão de texto, mas que se recusam a qualificar de modelo de revisão, porque a palavra ‘revisão’ faz referência a alguma coisa que se produz no texto, enquanto outro modelo traz um processo cognitivo que pode não resultar em uma modificação do texto.
Essa concepção é ainda mais acentuada para quem utiliza a palavra “revisões”, no plural, para fazer referência às modificações efetivas levadas a um texto. Há ainda uma definição comportamental (operacional) da revisão, que vai nesse sentido: a revisão é um episódio ao longo do qual o escrevente interrompe o movimento de progressão de sua caneta para frente e efetua uma modificação no texto previamente escrito. Com toda evidência, a palavra “revisão” é utilizada para designar a introdução de uma modificação em um texto já escrito.
A revisão de texto pode ser definida como um subprocesso do processo de redação que visa produzir uma melhora no texto. A revisão consiste em um exame sistemático do texto, que acontece tipicamente (mas não somente) depois de um episódio de produção de texto ou “tradução”, que se desenrola em um período geralmente bastante longo, e que intervém de maneira recursiva ao longo do processo de produção (sem, entretanto, interromper o subprocesso em curso). Dessa maneira, ela deve ser distinguida do processo de edição que, devido a seu caráter automático, é suscetível de interromper qualquer outro processo em curso. A revisão depende do nível de expertise do sujeito, do objetivo perseguido e das estratégias do profissional envolvido nela.
Duas explicações podem esclarecer a ausência de definição unívoca. A primeira é que a revisão é concebida mais como referência ao controle da produção escrita que a um subprocesso específico do processo de escritura. Quanto a isso, as recentes conceituações do processo de revisão de textos escritos parecem confluir, um pouco tardiamente, para o procedimento que sempre prevaleceu no estudo da produção oral. A outra razão é que os modelos mais recentes tentam considerar melhor a complexidade do processo de escritura, sobretudo seu caráter estratégico, dinâmico, contextual, probabilista e adaptável. Por exemplo, a probabilidade de ocorrência e a função de uma atividade como a releitura de uma parte do texto já escrito não são fixas, mas são funções de mudanças que intervêm na situação de redação. Enquanto na maior parte dos modelos a releitura é geralmente associada ao processo de revisão, observa-se que, na realidade, a releitura pode ser associada ao subprocesso de geração de ideias. Esse fato leva a considerar que não somente os subprocessos são recursivos, mas ainda que podem mudar de estatuto e de função no seio de um mesmo episódio redacional ou revisional.

O elo da responsividade na revisão de textos

Os estudos dos diversos processos inerentes à revisão de textos têm chamado a atenção de pesquisadores porque é durante esses processos que revisor e autor dialogam responsivamente para a construção textual. Contudo, é preciso ressaltar que nem sempre esse diálogo é bem sucedido. O escritor pode discordar dos comentários apresentados pelo revisor. Quando isso ocorre, o revisor recebe uma atitude responsiva diferente daquela que esperava do autor, logo, o dialogismo se encerra perante a "autoridade autoral" - para usar um pequeno trocadilho.
A escrita é construção que se processa na interação entre o eu (enunciador) e o outro (leitor). Assim, a revisão é o momento que demonstra a vitalidade desse processo construtivo, uma vez que revisor (leitor) e escritor dialogam a respeito do texto para obter melhor compreensão, resultando no aperfeiçoamento do texto como mídia entre os sujeitos comunicantes.
“A revisão é considerada como capaz de interromper o processo de escrita em qualquer ponto”, como consequência disso, tem-se que ela pode ser encaixada em outros subprocessos de construção da escrita. Escritores planejam e reescrevem seus textos constantemente durante o processo da escrita. Revisores interferem a posteriori - como um marco entre a endogenia do texto e sua publicação, apresentando-se previamente como a alteridade que caracterizará o leitor.
A revisão, então, pode ser compreendida como uma atividade reflexiva e expressiva, pois, ao ler o que o autor escreveu, o revisor pensa sobre a escrita e a escritura, engajando-se no processo de pensamento e reflexão. Mas o revisor também participa da atividade reflexiva, uma vez que, além de procurar identificar os problemas do texto, o revisor lê o texto, antes de tudo, com o objetivo de compreender a mensagem que o escritor quis passar com o texto e melhorar essa compreensão para o leitor seguinte.
Dessa forma, a revisão também se caracteriza como sendo uma tarefa de retrabalhar um texto, ajustar intenções e convenções, com a finalidade de tornar o texto mais claro e coeso, para que possa melhor atingir o objetivo pretendido.