15 de dezembro de 2014

A revisão especializada: intervenções no texto técnico e científico

A revisão, aqui entendida em seu sentido de operação de aperfeiçoamento de texto, última fase do processo de produção textual, está assumindo importância crescente junto aos autores de textos técnicos, científicos e acadêmicos.

A revisão profissional e especializada do texto já é considerada tarefa essencial para assegurar a qualidade textual compatível aos serviços prestados pelas empresas tecnológicas ou seus produtos, bem como para garantir a qualidade das teses e dissertações, do ponto de vista da fluência e legibilidade, correspondendo a seu valor científico. Sempre é bom lembrar que, nesse contexto da atividade de revisão de textos, quando nos referimos a revisão especializada, o revisor é especialista em um gênero de texto – não no conteúdo material que o texto apresenta.
O cubo representa as diversas faces de um texto: cada uma da cor adequada.
O papel do revisor de textos no
documento técnico ou científico
é dar a cor certa à face adequada.
Sobre o ponto de vista teórico e laboral, tornou-se possível desenhar algumas pistas de reflexão interessante dos resultados da revisão. Descreveremos aqui o modelo ideal do processo de revisão, com um breve aceno para as características peculiares do texto técnico e científico, fazendo, em seguida, uma apresentação de classificações usadas para categorizar as revisões feitas nos textos acadêmicos e científicos, com base em vários tipos de revisão realizados.

A revisão de textos: de que se trata

Sobre classificações de tipos revisão estabelecidas com base em vários parâmetros, deve-se ter em mente alguns princípios simples e procedimentos que são a base para a boa intervenção de revisão em um texto. Vamos tentar apresentar, alguns desses princípios.
Uma fase de grande importância no âmbito do processo revisional é definir os aspectos práticos: é necessário a priori estabelecer o grau de completude da revisão – a “profundidade” da intervenção, tendo em conta uma série de fatores relacionados a texto (tais como usuários finais, função, uso, publicação e circulação do texto ao longo do tempo) ou o caráter interpessoal (familiaridade do revisor com o modus operandi do autor e o conhecimento das condições sob as quais ele trabalhou). A partir de fragmentos do texto, o revisor deve estabelecer um diagnóstico e método de trabalho precisos, o que possibilitará aperfeiçoar o produto.
Convém também mencionar que a intervenção do revisor é necessária não apenas em aspectos mecânicos (ortografia, sintaxe, semântica...); mas sua utilidade se destaca se o texto estiver incompreensível, hermético ou incoerente, o que se torna evidente pela segunda ou terceira leitura; em todos os casos, a intervenção do revisor deve ser bastante minimizada ou evitada, tendo em conta que, no setor técnico e científico, é uma boa ideia ter como política de qualidade a adequação e a perfeição, evitar reescrever o texto sempre que possível e ter cuidado para não introduzir erros de qualquer tipo. Em resumo, a revisão deve ser um “minimax” (mínima intervenção e máximo resultado) em que devemos perguntar se o texto deve ser melhorado e não se pode ser melhorado (ênfase no original).
A classificação das revisões apresentada aqui é significativa para fins de análise e para que os autores possam melhor compreender as abordagens que os revisores propõem, em decorrência do diagnóstico sobre o texto original.

Classificação de intervenções

Essa abordagem baseia-se na perspectiva da tarefa do revisor tentando chegar a um compromisso entre as escolhas que ele fez por conta própria e as escolhas dos outros que o revisor seja, de certa forma, forçado a aceitar, por razões óbvias, tais como os limites de tempo impostos pelo mercado ou pelo cliente, ou as imposições autorais de qualquer natureza.
Os tipos de ação identificadas são três:
  1. Intervenções de especialista, as mudanças operadas por um especialista da matéria do texto e identificado pelo autor essencialmente como “mudanças de tipo de léxico especializado [...] ou terminológicas”.
  2. Intervenções estilísticas substantiva e objetivamente justificadas, as alterações destinadas a melhorar as características formais de textualidade, principalmente sintáticas, a fim de evitar ao leitor um esforço para compreender o processamento de conteúdo textual.
  3. Intervenções subjetivas, operaram principalmente no plano sintático, lexical e de posicionamento das frases, para encontrar mais fluência na leitura, porque não há diferença substancial ou material entre as duas opções.

Classificação dos problemas do texto

Identificam-se quatro grupos de potenciais problemas que podem ocorrer no texto relativos à comunicabilidade, questões relacionadas ao conteúdo, problemas com a linguagem e estilo e problemas de apresentação física. Cada uma dessas categorias inclui parâmetros específicos com base nos quais se aponta a classificação de erros que o revisor deve identificar no texto de uma tese ou dissertação, por exemplo.
Grupo A – questões de comunicabilidade:
1. precisão: a mensagem é passível de interpretação equivocada?
2. integralidade: há lacunas e omissões na informação?
Grupo B – questões de conteúdo:
3. lógica: as ideias têm sequência lógica? O texto contém contradições internas?
4. factualidade: o texto contém erros conceituais ou materiais?
Grupo C – problemas de linguagem e estilo:
5. textualidade: o texto é fluente? As ligações entre as frases e as ligações entre os elementos que a compõem são claras? Há frases difíceis de ler?
6. legibilidade: a linguagem e o registro são apropriados segundo o uso que será feito do texto e os usuários finais?
7. precisão: o estilo é apropriado para o gênero? A terminologia utilizada está correta? A fraseologia é normalmente usada em textos do gênero?
8. correção: as regras de gramática, ortografia, pontuação, uso e estilo foram cumpridas?
Grupo D – problemas de apresentação:
9. normalização: o texto está de acordo com o padrão normativo ou estilo exigível?
10. layout: (linha de espaços, espaçamento, margens, etc.) há problemas de layout?
11. formatação: (tamanho e fonte, uso de negrito, itálico, etc.) existem problemas de formatação?
12. organização: existem problemas na organização geral (página numeração, notas de rodapé, títulos etc.) do texto? 

Um modelo ad hoc para a revisão técnica e científica

Para categorizar as intervenções de revisão feitas em textos técnicos e científicos, integramos as classificações acima. O tipo resultante é dividido nas seguintes categorias:
  • intervenções especializadas (precisão);
  • medidas objetivas (exatidão, integralidade, lógica, factualidade, legibilidade, fluência e correção);
  • medidas subjetivas.

No âmbito das intervenções objetivas, as intervenções relacionadas ao parâmetro de legibilidade foram classificadas de acordo com as seguintes subcategorias:
  • intervenções de linguagem e estilo, para dar à leitura, o registro apropriado;
  • intervenções para corrigir ou modificar ou dissolver os pontos problemáticos do texto relacionados a aspectos culturais e factuais, incorretos ou incompletos;
  • criação ou reconfiguração de discursos (entendidos como operação pontual e limitada, por exemplo, uma simples mudança de perspectiva) de partes do texto;
  • supressão de omissões, ou a exclusão de partes repetitivas do texto;
  • adições ou explicitação, esclarecimentos de ordem conceitual ou pequenas operações de adaptação cultural ou informacional.
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