O revisor de textos, alguns pontos de vista

Esta tem postagem como objetivo considerar a tarefa de analisar e aperfeiçoar os textos alheios tendo em conta os diferentes contextos, principalmente o dos trabalhos acadêmicos que constituem nosso foco.

Vamos apresentar alguns pontos de vista sobre a revisão de teses e dissertações, compará-la a outros tipos de revisão de textos e nos estenderemos um pouco sobre alguns aspectos práticos e problemas de nossa atividade como revisores.
O texto escrito, tese ou dissertação, deve ser submetido a um bom revisor profissional.

Algumas questões sobre a revisão de textos

Qual o impacto das características pessoais do autor (experiência, profissionalismo, o humor do momento) para decidir como lidar com a revisão?

Saber quem é o autor do texto que temos em mãos, para revisar, é importante para todos os envolvidos no processo e resulta em benefício do serviço: para um escritor experiente, a revisão pode ser mais difícil, às vezes, outras vezes o que dá mais trabalho é o texto de um autor iniciante; mas, certamente, são dificuldades diferentes que os dois tipos de texto apresentam. Em geral, informações sobre o autor permitem que você direcione o trabalho, de algum modo. Se for o caso de um primeiro trabalho para um grande cliente, um autor importante, consideramos um aspecto significativo a situação pessoal do autor, tenta-se de dar ao texto atenção especial, visando captar e manter o cliente reconhecidamente produtivo, procura-se discutir com ele detalhes que possam ser relevantes no texto. Se for o caso de um escritor novato, trata-se, principalmente, de passar para ele as funções e limites do trabalho de revisão, fazê-lo entender as vantagens da cooperação inerente ao processo. Os dois casos ocorrem conosco: revisamos desde dissertações que são o primeiro texto longo de um pesquisador iniciante até teses de livre-docência: o ápice da carreira acadêmica.

A finalidade do texto é um dado importante para a revisão a ser feita?

Dependendo da finalidade do texto, o revisor decide como avaliar a adequação do registo e terminologia. A Keimelion revisa, geralmente, textos acadêmicos: teses e dissertações – principalmente – em tais textos você tem que analisar a forma e a formalidade, sua apresentação, registro culto e o linguajar acadêmico, parte do objetivo é minimizar a linguagem coloquial, o assunto é técnico. O texto em que trabalhamos, nesses casos, representa alguns anos de investimento de seu autor e pode ser a base da carreira profissional daquela pessoa; nossa responsabilidade é muito grande. Se for o caso de manuais técnicos, a Keimelion foca o grau de precisão: se está inteligível, bem escrito, com precisão da terminologia, são os aspectos mais importantes nesse tipo de textos. E assim por diante.

Que aspectos requerem atenção durante a revisão (gramática, estilo, terminologia…)?

Dependendo do tipo de texto, concentra-se mais a atenção sobre certos aspectos: se é redação técnica ou científica, é importante ver aspectos terminológicos. Há vários fatores que influenciam as características que precisamos verificar: a finalidade, às necessidades do cliente, o objetivo do autor, o contexto da obra e os intertextos incluídos nela. É importante olhar para os erros formais, a sintaxe, a ortografia são a parte mecânica da revisão, olha-se a compreensão do texto, pois encontramo-nos frequentemente com autores que escrevem mal, não são precisos, cometem erros de digitação. São frequentes a superficialidade e o raciocínio obscuro. O mais importante é o revisor saber como justificar o que ele fez. Outro problema generalizado é a inobservância de instruções, tais como o uso da impessoalidade em um texto científico.

Qual é a sua reação a erros graves? Você pode dialogar com o autor?

Sempre há diálogo entre autor e revisor. A Keimelion envia diariamente um “estado da arte” aos autores, contendo a evolução do trabalho em seus textos, quando se trata de uma tese por exemplo: isso possibilita o contínuo acompanhamento e a aferição de critérios e soluções. Se há uma relação de trabalho direta e permanente, o autor fica mais estimulado pela seriedade do serviço de revisão.

Quanto influenciam os fatores externos, tais como tempo, custos, dificuldade em encontrar os revisores?

Os fatores mais importantes são o tempo e os custos, estreitamente relacionados entre si, que afetam a revisão e mesmo a impedem, quando são limitados demais. Frequentemente, deixamos de prestar serviços porque não há tempo suficiente para o trabalho, nossa agenda não comporta mais serviço, ou o cliente não pode arcar com nossos honorários. Sempre há esses problemas de tempo para as revisões de textos acadêmicos: os autores e orientadores seguram os textos o máximo possível, antes de os liberarem para a revisão. É evidente que, com base no tempo disponível, você pode analisar mais ou menos, mas se o texto é muito mal escrito, você tem que revisar assim mesmo – melhorar o que for possível. O custo é outro problema: um texto importante, de alta relevância (como uma tese), deveria passar por dois ou três revisores seniores, deveria poder retornar entre eles para discussão… Mas o custo disso é proibitivo para os mestrando e doutorandos; as universidades investem fortunas na pesquisa, mas descartam o investimento necessário à excelência do texto final que é o produto de cada doutorado. As universidades fingem que os doutorandos e os orientadores darão conta do recado: só que não é assim. E a qualidade dos textos – muitos nem são revisados– costuma ser um verdadeiro desastre. Há também dificuldade em encontrar os revisores sim, os autores saem, à última hora, tentando “laçar” algum desconhecido que faça o serviço: querem alguém disponível e barato. O que encontram? Alguém que faz “bico” de revisão, às vezes um estudante, e que que cobra até a décima parte da tabela de um revisor profissional. Quanto aos resultados, é melhor nem comentar.

Os revisores recebem feedback de autores, comentários dos autores?

As queixas sobre a revisão são raras, mais frequentemente, os autores nem se detêm sobre os serviços da revisão; nas teses, é mais comum que os autores se preocupem, à última hora, com questões bizarras sobre normas acadêmicas (frequentemente mal formuladas, obscuras, ambíguas e, principalmente, redundantes entre si!). Na verdade, os autores de teses e autores de romances não têm fôlego para se deterem demoradamente sobre seus textos, depois de revisados. Também, não costuma haver tempo para isso. Então os revisores procedem a revisão resolutiva: aquela que permite resolver de imediato a maioria dos problemas – sem criar outros.

Como se define a revisão de textos?

Dar uma definição de revisão é uma tarefa difícil. Na verdade, já definimos várias vezes e, cada vez, a definição apresenta qualidades e defeitos: como qualquer texto. Revisão é o processo de interferência sobre um texto para aperfeiçoá-lo compreensivamente visando aumentar sua comunicabilidade e credibilidade. Essa definição se aplicaria bem à revisão de um texto acadêmico, nosso foco; mas será que se aplicaria tão bem ao texto poético? Na verdade, não se define bem o que é revisão por a revisão ser muitas coisas. Por isso gostamos de nos referir, na Keimelion, à revisão acadêmica: é tudo aquilo de que o autor de uma tese ou dissertação necessita antes depositar seu texto para defesa: assim eliminamos questões indefinidas entre os revisores e das quais os autores (nossos clientes) nem têm notícia: o limite entre a revisão de texto e a preparação, por exemplo. Quem vai depositar uma tese não tem noção de que, para muitos, o que ele precisa se chamaria preparação – ou de que outros farão apenas a revisão (básica) e não vão considerar muitos aspectos de que ele teria necessidade.
A revisão é, talvez, o momento do acerto de contas com as palavras, a última chance de se encontrar com elas. Em geral, revisão significa viver e morrer sobre certos aspectos do texto, ler e reler, e ler novamente para se trocar algumas dúvidas por certezas provisórias e fazer correções, se necessário. A revisão é, inevitavelmente, parte do trabalho de transportar as ideias, com segurança, de uma fonte a outra, agindo como intermediária nesse processo.

Como o revisor se comporta na frente de erros graves?

Quando se encontram erros graves de sentido, de contradição (que distorcem a compreensão do texto), tentamos questionar o autor, se possível, antes de entregar a revisão. No entanto, os erros, em qualquer caso, devem ser corrigidos e apresentados aos autores. Interessante é incutir e cultivar o hábito de dúvida no revisor, especialmente em colegas mais jovens. Engana-se facilmente, na verdade, quem é confiante. Duvidando de que você sabe é que se erra menos.

Como fazer a autorrevisão?

Autorrevisão é o serviço que o autor faz antes de passar o texto ao revisor profissional; consiste em duvidar de tudo que você escreveu, considerando cada aspecto, a priori, insatisfatório; é uma função interminável e intolerável existencial e profissionalmente, principalmente para o autor que quer, de imediato, dar uma solução razoavelmente satisfatória ao trabalho. Os métodos são muito pessoais: você pode analisar um mesmo ponto várias para tentar corrigir o possível até o final, ou rever tudo só no final. O importante é ter a noção de que a autorrevisão é uma etapa da escrita e de que a revisão é outra: e que as duas etapas requerem atores diferentes.