7 de novembro de 2014

Manuais de procedimento e operação: revisão linguística

Para resolver as dificuldades de adaptação dos textos procedimentais, manuais de uso ou instruções de modo de agir, a abordagem deve ser centrada na interação entre autores e revisores.

Trata-se identificar e analisar a atividade de produção dos textos procedimentais, desde a fase de concepção até a revisão, bem como compreender e sanar as dificuldades encontradas pelos editores  e autores durante essas fases, a fim de tentar proporcionar ajuda eficaz e resultados satisfatórios.
O leitor não pode ter dúvida ao interpretar uma instrução escrita.
Os manuais substituem as instruções
pessoais, por isso seu texto deve
possibilitar a comunicação plena.

As dificuldades de escrever textos procedimentais

Os técnicos responsáveis por escrever textos procedimentais são confrontados com uma série de decisões:
  1. seleção da informação a ser transmitida (ordem de importância da informação, nível da descrição, formulação, terminologia, etc.);
  2. escolha do formato usar para transmitir esta informação (texto, imagem, tabela, árvore)
  3. tipo de organização a adotar no layout para ajudar os usuários a encontrar informações relevantes.

Essas decisões são tomadas com conhecimento mínimo e, na maioria das vezes, puramente intuitivo dos seus efeitos sobre a compreensão das informações apresentadas, isso pode levar o usuário a pouca eficácia na interpretação da instrução. Além disso, os autores têm poucos elementos e informações sobre a maneira pela qual os documentos produzidos são processados por usuários. Com efeito, ao contrário da situação de interlocução usual, onde as partes interessadas têm feedback, permitindo reajustar seu discurso, a situação de produção de manuais não permite ao autor ou editor ter feedback imediato do usuário. No máximo, o feedback recebido pelo editor é retardado e indireto, vindo, por exemplo, de serviços de atendimento a consumidores ou clientes da empresa – canais que filtram inadequadamente a informação.
Para superar essas dificuldades, os editores confiam frequentemente em uma forma mais ou menos precisa de modelo implícito do usuário e do conhecimento disponível para ele, seguindo as injunções frequentemente encontradas em manuais de redação técnica anglo-saxônicos: pense como o usuário.
Em tal situação está grande parte das dificuldades encontradas: postulam-se conhecimentos dos usuários, mas a postulação não procede. Além disso, há uma variedade de usuários potenciais, com características diferentes em relação a alfabetização, preparo para lidar com o conhecimento, familiaridade com a tarefa em mãos. Os autores e editores ficam, de certa forma, “cegos” por seus próprios conhecimentos sobre a tarefa ou o dispositivo a ser operado. Nesse caso, é impossível identificar quaisquer dificuldades e fontes de mal-entendido de leitores e usuários. Na redação do texto procedimental, esta distância entre autor e usuário traduz-se geralmente em criação de material inadequado:
  1. os aspectos tipográficos e o layout não permitem perceber a natureza hierárquica da informação;
  2. não se facilitam as tomadas de informações sobre o texto durante a ida e volta entre o texto e o dispositivo nem memorização de instruções;
  3. incompletude do texto, resultando na ausência de instruções necessárias;
  4. incorreta ordenação das instruções;
  5. grande número de informações não mencionadas porque implícita pelos autores;
  6. abstração das instruções muito alta, levando à orientação insuficiente ou, pelo contrário, excesso de detalhes, levando a número crescente de referências o texto e sobrecarga de informação;
  7. diferenças na terminologia utilizada por editores e usuários.

Por causa das dificuldades de compreender e de usar que podem ser induzidas por essas características textuais, a elaboração de textos procedimentais deve ser sistematicamente sujeita a testes de seus efeitos sobre os usuários, a fim de adaptar a organização e a formulação do texto. Nessa perspectiva, o uso de métodos de avaliação centrados nos usuários deve ser complementar à revisão linguística do texto.

A revisão do texto procedimental

No âmbito geral da produção de texto, a revisão se apresenta como o processo de leitura prévia, compreensão, detecção, diagnóstico implementado pelo revisor para melhorar um texto ou uma parte de um texto já produzido (ou sendo produzido). Essa definição também se aplica ao contexto específico da produção de textos procedimentais. No entanto, no que se refere às características específicas desse tipo de texto (a implementação das ações descritas, a exigência de eficácia, a necessária adaptação a usuários), é interessante considerar por que a revisão dos documentos processuais é um passo necessário em seu desenvolvimento e quais são os elementos do texto por ela afetadas e como é que essa atividade.

Por que se revisam os textos?

No contexto específico do projeto de textos procedimentais, a revisão é feita com a finalidade de melhorar a inteligibilidade ou mesmo a usabilidade. Nessa perspectiva, revisar um texto procedimental permite detectar e corrigir falhas de composição antes do lançamento para o público em geral e, portanto, reduzir o risco de má compreensão dos produtos relacionados às informações apresentadas. Além disso, a revisão do documento proporá mudanças para torná-lo mais compreensível e, portanto, mais “usável” para os usuários, independentemente de sua habilidade ou conhecimento; ele pode ser um especialista no assunto, ou neófito, com habilidades de leitura e interpretação mais ou menos elevado.

O que é revisado no texto?

A leitura dos manuais de uso e instruções é apenas atividade secundária do usuário envolvido na realização de uma tarefa específica. As informações apresentadas nesses documentos, portanto, devem ser transparentes para que o usuário possa alocar um mínimo de recursos cognitivos na leitura e para ele se dedicar a seu objetivo: montar um kit de mobília, programa um novo equipamento, prestar um socorro. Trata-se da organização do documento quanto a conteúdo, formato e ordem de apresentação das informações para simplificar ao máximo a pesquisa informações e atividades de leitura, compreensão, planejamento e execução de instruções.
Para atingir tal objetivo, pode ser necessário interferir no layout do documento como umtodo ou apenas nas partes, com a possibilidade de mover, adicionar, excluir ou modificar as informações de forma mais ou menos sistemática.
Fazemos também a formatação de acordo as normas requeridas.
Leia depois:
Modelo de revisão
 de manuais...
Mundialmente, o conteúdo e a organização dos documentos procedimentais estão melhorando. Isso se deve, em parte, a revisões relativas ao conteúdo para aperfeiçoar a precisão ou exatidão das informações, à importância da presença de imagens, à assistência prestada pelos exemplos. As revisões relativas à organização focam mais o arranjo da informação de acordo com sua ordem de importância; sua ordem de apresentação lógica, cronológica e espacial; o layout da página, implementando destaque adequado de certas informações. A atenção do revisor é bastante focada sobre questões como o comprimento das frases, uso de voz ativa; escolhas terminológicas; e mesmo examinar a tipografia ou pontuação.

Como se revisam os textos procedimentais?

Tem-se tentado identificar e modelar processos de trabalho no âmbito da revisão do texto. Modelos propostos, específico para a revisão dos documentos processuais, geralmente envolvem revisão de texto e revisor diretamente envolvidos na atividade de revisão, sem ajuda externa. Nesse contexto, descreve-se a avaliação da distância entre um texto ideal e o texto real e operações cujo papel principal é reduzir esta distância (pelas correções, modificações – interferências), bem como os processos de controle que permitem regular a atividade de redação e seus objetivos.
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