22 de outubro de 2014

O revisor de textos na sociedade

O revisor de textos é um animal social, porque revisar é aperfeiçoar a comunicação.

O revisor de textos também é um animal cultural, pois a revisão de textos é a apresentação da cultura de um (o autor) para outra cultura de outro (o leitor) e, nesse sentido, qualquer um faz parte de uma comunidade — como um núcleo social em sentido mais lato — e tem a ver com as pessoas que são parte da comunidade e com as pessoas que não pertencem àquela comunidade; os textos servem para se comunicar dentro e fora do núcleo social do autor. Em cada comunidade, a comunicação é fundada em uma percentagem muito elevada de elementos e de dados adquiridos, construídos e transformados, em torno dos quais se constrói a mensagem. Se cada texto devesse começasse com um compêndio de todos os truísmos (explicando todos os conceitos implícitos), seria interminável.
Não existe uma caixa para se esconder o revisor de tese.
O revisor de texto esta inserido
na sociedade e tem nela seu
papel relevante.
Dado que cada comunidade tem conceitos próprios, adquiridos ou desenvolvidos internamente, cada conceito pode variar entre outros grupos sociais ou indivíduos forâneos, então, quem domina os conceitos gerais – e o código padrão, o revisor, vai mediar a mensagem – uniformizando os conceitos e os códigos de modo a otimizar o resultado comunicacional.
Se imaginarmos o universo cultural como um colossal organismo composto de células, usando a metáfora biológica, a revisão de textos é uma atividade que ocorre no nível da membrana; na célula isoladas (indivíduos) o revisor atua entre o indivíduo e o exterior. Nas membranas dos tecidos (comunidades, famílias, grupos sociais, clubes, associações), ele faz a revisão de textos entre as comunidades internas e externas.
O conceito de "fronteira" é o elemento de separação entre os indivíduos e os outros e estabelece a possibilidade de a comunicação por meio dos textos ser passível de revisão e requerê-la.
Revisar pode ser uma atividade solitária, embora o revisor de textos, na maioria casos, deva estar equipado com meios de comunicação à distância, tais como telefone, web, e-mail. Com a proliferação de comunicação à distância, o potencial da telemática e o declínio simultâneo nos custos de comunicação, a distância física entre o revisor de textos é um fator menos importante e bem mais relativizado.
Também se pode ver o mesmo problema de outro ângulo: se é verdade que o revisor de textos pode trabalhar a partir da ilha que prefere, também é verdade que pode não obter trabalho e veicular seu nome na sociedade, se não criar uma rede de relações sociais que o leve a ser conhecido como um profissional.
Ser revisor de textos é um paradoxo: é atuar no cerne da sociedade e ser marginal nela. No coração de tudo o que dissemos sobre a função de elo na comunicação, revisar é atividade marginal porque, por definição, trabalha no limite, o limite entre culturas e indivíduos. O revisor atua no epicentro da cultura, porque elevada percentagem de comunicação social se dá por textos que são revisados, mas ele permanece marginal, porque, em muitos casos, são negados ou ignorados os créditos da revisão nas obras: é ainda raro o nome do revisor de tenha algum destaque.
Alguns revisores de textos têm essa queixa. Mas, ao invés de só reclamar, é útil entender as causas. Falta uma cultura de revisão de textos; é claro que, por muitas gerações, a revisão de textos foi uma atividade mecânica, desde a revisão tipográfica até a revisão ortográfica e gramatical. Hoje, mesmo a revisão de texto sendo uma atividade bem mais complexa e ampla no universo editorial, poucos têm noção de seu alcance e sua extensão. Alguns ainda não estão convencidos de que a cultura da revisão de textos tem razão de existir.
Mas vamos ver de que forma pode ser dividida a atuação de revisor de textos. Existem profissionais dentro das empresas, envolvidos em diversas tarefas de escritório. Há a atividade de profissional liberal de revisor de textos e o revisor de textos editorial, empregado na função. Essas distinções são tanto funcionais como implicam critérios pragmáticos e ontológicos.
Fora do ambiente editorial, o revisor de textos é considerado como qualquer outro freelance. No ambiente editorial, o revisor de textos (muitas vezes chamado de “revisor literário”, embora cuide de textos não-ficção ou de caráter científico), geralmente, tem colaborações cuja continuidade é muito variável em cada caso.
Em ambos os campos, mas especialmente no não editorial, florescem diversas empresas, geralmente projetos de pequenos e média dimensão, que reúnem revisores de textos que trabalham de várias maneiras: há cooperativa de revisor de textos e estudos associados: são a forma mais equitativa de associação (pelo menos em teoria), em que, embora o haja compartilhamento de recursos (salas, equipamentos, biblioteca), os lucros são distribuídos proporcionalmente à disponibilidade e capacidade individuais; existem também empresas de revisão de textos grandes, ainda que poucas, cujo quadro pode incluir os revisor de textos internos e outros freelances, são agências de revisão de textos. O conceito básico é que o empresário (atuando entre cliente e revisor de textos) ganha para suas atividades de mediação, enquanto o revisor de textos se dedica à revisão, sem se preocupar com a captação do cliente e a negociação.
O revisor de textos liberal possui seu próprio escritório, muitas vezes em sua residência, e capta seus clientes ele mesmo (ou já tem uma clientela própria); distingue-se do freelance por prestar serviço diretamente aos autores, por exemplo, de teses ou dissertações – bem como outros textos acadêmicos – ou romancistas que pretendem submeter seus originais às editoras. O conceito aqui é não estar afeto a terceiros na intermediação do serviço – o que, de certo modo, o isola de colegas, mas o coloca em contato direto com o autor, como cliente.
Os revisores de textos lutam para se identificar com seu grupo, seus pares, e existem diferenças substanciais, mesmo na prática, entre um revisor de textos literário e outro revisor de textos acadêmicos, então o conceito de valorizar a profissão torna-se bastante abstrato. Mas o reconhecimento e a valorização da atividade pelo grande público é distante e não há indícios de que isso esteja em transformação, seja para o bem, ou para o mal. Afinal, muitos se tornam revisores de textos, inclusive, por gostar do paradoxo de se entabular à margem da vida cultural e das pessoas.
Adaptado de Sidney.
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