20 de outubro de 2014

Revisão de textos médicos - a linguagem médica

Antes de começar a examinar as características e questões relativas à revisão de textos médicos, cumpre definir brevemente o tema desta discussão, que é o que se entende por linguagem médica, textos médicos.

Aplicando a definição mais comum de linguagem específica de setor a caso particular, podemos dizer que a linguagem médica é um subsistema de linguagem natural usado para comunicação entre os especialistas na ciência médica. Este subsistema é diferente da língua geral e outras linguagens técnicas e científicas em algumas características, pressupõe a utilização de determinados meios morfossintáticos nos planos lexical e textual. Os autores que têm lidado com linguagens setoriais geralmente concordam que o elemento mais característico de cada segmento é representado pelo léxico.
Tese e dissertação de medicina é com a Keimelion: revisão e formatação.
A linguagem dos textos médicos
deve ser tratada pelo revisor de
textos com o rigor e a objetividade
característicos da medicina.
Nós temos trabalhado, há muitos anos, com teses e dissertações da área médica, construído portanto, nesse período, alargado domínio léxico que podemos oferecer aos clientes; mas há bem mais que isso, outros parâmetros de relação com o texto que nos possibilitam o acesso a ele como objeto integrante do conhecimento científico.
Há dois principais aspectos notáveis no desenvolvimento da ciência e tecnologia: a ampliação e a racionalização do conhecimento humano. A expressão linguística de tal conhecimento evolui de forma paralela, com vocabulário constantemente em expansão e sintaxe sempre mais restrita. A racionalização da expressão linguística leva à redução da complexidade sintática ao mínimo exigido pela análise lógica formal. Entretanto, o estudo de linguagens específicas vinha negligenciando, pelo menos até algumas décadas atrás, os aspectos morfossintáticos, enfocando os diferenciais mais óbvios, os léxicos. Isso deve ser repetido mais uma vez, posto que a linguagem médica (como qualquer língua específica) difere terminologicamente da língua geral; não porque faz uso de meios morfossintáticas diferentes.
Em conformidade com os mais recentes estudos linguísticos, não limitarei a análise aos aspectos lexicais, mas estenderei a outros aspectos da linguagem médica, compreendendo inclusive aspectos linguísticos pragmáticos e extralinguísticos e negligenciado o aspecto fonológico, pois neste nível as diferenças são praticamente inexistentes.
As observações se relacionam à linguagem médica em geral. Apesar da natureza predominantemente cooperativa das atividades de investigação interdisciplinar dos vários campos da medicina, há muitos idiotismos na terminologia médica, sendo errado supor que sempre há compatibilidade entre os sistemas conceituais de diferentes áreas médicas. Embora isto possa ser considerado a regra, existem no entanto muitas exceções, como em quase tudo na linguística e na medicina.

A subdivisão interna da linguagem médica

A linguagem médica pode ser vista como a linguagem da química, de física e assim por diante, como um subcódigo de uma linguagem científica mais geral. A distinção entre uma linguagem setorial e o outra é feita principalmente por critérios procedentes da divisão dos conhecimentos científicos em várias disciplinas e, em seguida, atribui-se a cada uma sua linguagem. Claro, é virtualmente impossível distinguir claramente um setor de outro, só porque se torna cada vez mais difícil traçar com clareza as linhas entre as diferentes disciplinas, por exemplo, entre matemática e física, entre a química e a biologia. Essa subdivisão foi relativamente mais fácil no passado, hoje a tendência é para maior cooperação interdisciplinar, o que torna arbitrária qualquer tentativa de definição de campos gnosiológicos. Embora as fronteiras sejam, portanto, extremamente borradas, isso não significa que não há nenhuma ciência médica e a linguagem médica, no sentido descrito na introdução da postagem.
A linguagem médica é passível de divisões internas. Subdivisões que podem ser apresentadas como horizontais e verticais.

Divisão horizontal da linguagem médica

A linguagem médica, em primeiro lugar, pode ser dividida em duas variedades principais: a linguagem da medicina teórico-científica e a da medicina clínica. Nos dois tipos de abordagem para medicina são necessárias duas sublinguagens. A medicina teórico-científica sente a necessidade de classificações extremamente precisas, feitas com base em considerações patológicas, bioquímicas e microbiológicas. Essas classificações afetam a terminologia. A medicina clínica tem orientação essencialmente prática e usa conceitos coletivos que vão encontrar expressão linguística em termos menos específicos.
Mais detalhadamente, pode ser considerado que existam tantos microdialetos quantos ramos da medicina. Portanto, há uma linguagem da ginecologia, uma da oncologia, outra da ortopedia... As linhas de divisão entre esses subcódigos são ainda mais desbotadas que aquelas entre linguagem médica e outras sublínguas, dado que existem inter-relações e sobreposição contínua. Além de muitos elementos comuns, no entanto, existem também algumas diferenças, mais ou menos graves, dependendo do grau de proximidade que existe entre as disciplinas. A linguagem da psiquiatria, por exemplo, terá mais elementos em comum com a neurologia do que com o de ginecologia. Para isto funcionar, no entanto, preferimos examinar a linguagem médica como todo, centrando nos elementos comuns e não sobre as diferenças entre os subcódigos individuais: isto é para não complicar a já complexa análise e fornecer uma visão geral útil especialmente para atividades de revisão ou interpretação.

Divisão vertical da linguagem médica

No que respeita a estratificação da linguagem médica em diferentes níveis que não correspondem à estratificação social dos falantes, prefiro um aperfeiçoamento progressivo da língua como ferramenta cognitiva e comunicativa. Considerem-se os seguintes parâmetros:
1) grau de abstração;
2) arcabouço semiológico;
3) campo gnosiológico;
4) comunicabilidade.
5) sujeitos.

Função descritiva dos textos médicos

A função predominante da linguagem do médico é a descrição. Na ciência há descobertas inesperadas e outras raras; como o progresso da medicina tem geralmente lugar gradualmente, é necessária contínua melhoria e atualização dos conhecimentos existentes. A divulgação de informação médica é, portanto, crucial para o progresso. Esta comunicação realiza-se pela literatura médica, termo que abrange publicações de ampla gama com um objetivo comum: transmitir determinadas informações de uma pessoa para outra de forma mais eficiente e mais clara possível.
O autor, na elaboração de um texto, também persegue o objetivo geral de persuadir o leitor para convencer os destinatários do texto da validade do está proposto, da cientificidade e novidade do que descreveu. No entanto, em medicina, ao contrário de em outras áreas, tais como na publicidade, ele não vai conseguir isso se não seguir estritamente a função denotativa e deixar de apresentar no escrito características de impessoalidade, objetividade nas de informações gerais. Portanto, ele terá como objetivo comunicar informações relativas a determinado objeto ou estado de coisas sem expressar opiniões pessoais ou fazer recomendações. As informações serão concentradas no objeto e excluem todos os fatores subjetivos. Essa característica da linguagem científica médica indica que ela que é fortemente influenciada pela realidade que se descreve. No caso específico de linguagem médica, essa realidade será composta de uma experiência, de um caso clínico, os resultados obtidos com um determinado tipo de tratamento. Operações de pesquisa cognitiva ou prática médica são, portanto, expressão linguística: não surpreendentemente, os verbos mais frequentes em textos médicos (exceto aqueles com função de cópula) são estudar, analisar, observar, descrever, relatar, notar, assim como outros que indicam operações cognitivas específicas tais como comparar, contrastar, inferir.

Função informativa dos textos médicos

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Textos médicos
 - tipologia e revisão
A função informativa é bastante frequente em medicina. Nesse caso, os textos ilustram as várias possibilidades e os conhecimentos necessários para o efeito desejado, no que diz respeito a situações concretas; dar conselhos, instruções, recomendações. É a função típica de uma variedade de textos, dos quais os mais comuns são, sem dúvida, os manuais. Outro exemplo pode ser constituído por folhetos de um curso universitário ou especialização. Textos que visam fornecer diretriz para a conduta pessoal, mas não prescrevem ou proíbem determinadas ações.
É típico da linguagem do informativo e o uso de formas verbais e meios lexicais expressando o comportamento. Prevalecem frases exortativas. Não é incomum o uso de sentenças imperativas. Note-se que, neste caso, o imperativo não indica um comando, mas recomendação.

Função metalinguística

Esta função destina-se a ilustrar e explicar fenômenos linguísticos, bem como para informar sobre seu significado e uso. Ele aparece em dicionários e enciclopédias também. Muitas vezes, no início de um artigo científico, para esclarecer o significado de um termo específico. Escrever para definir um termo, um conceito, é metalinguagem – e ela ocorre em todos os campos do conhecimento. Todo este texto é metalinguístico.
Derivado de Magris.