A necessidade da revisão de textos profissional

Revisores profissionais, geralmente, têm o propósito de reescrever para tornar um texto mais legível (melhorando o livro que um dia esse texto será), com o cuidado de “manter o respeito ao original”.

A revisão de textos, nesse âmbito, não é uma “ação pedagógica”, não se trata de “ensinar” um autor a escrever, mas de colaborar com ele para que seu texto possa ser apresentado ao público.
Não há nenhuma mágica: revisores de textos não se improvisam.
Não há desculpa para
 não revisar um texto.
A reescrita em âmbitos escolares, por alunos ou por professores (a famigerada “correção de redação”), tem propósitos muito diversos que definem as ações de todos, autores-alunos e professores-leitores. A intervenção de professores em produções textuais de alunos é revestida de propósitos bastante diversos da intervenção que o revisor de editora faz em textos para publicação. Embora em qualquer dessas circunstâncias estejam todos aprendendo a lidar com textos, repensando estruturas e modos de escrever, os contratos comunicativos entre todos são diversos. Ao fim e ao cabo, no entanto, estão todos reescrevendo.
Há uma espécie de tipologia para a revisão textual. A correção resolutiva seria aquela em que o revisor resolve os problemas encontrados no texto. Além dessa, bem próxima de certas etapas do tratamento de texto na editoração, haveria a correção indicativa (quando o revisor apenas marca os problemas), a classificatória (quando ele utiliza metalinguagem para indicar os problemas) e a interativa (quando dialoga com o autor, dando sugestões e discutindo aspectos do texto). Como é de se esperar, o último tipo de correção subsidia muito mais a construção da autoria e a aprendizagem da escrita do que os outros tipos de correção, sendo mais pertinentes à revisão/edição profissional os tipos interativo e resolutivo, especialmente quando se trata, respectivamente, do copidesque (edição do texto) e da revisão final (e de provas).
Em geral, a produção editorial opera em prazos curtos, com riscos financeiros, confiança na qualidade do trabalho e é comum que os editores e gerentes desejem que o revisor apresente soluções, sem se preocupar com muitas explicações.
O mesmo ocorre na revisão acadêmica, já que as teses são finalizadas e liberadas para revisão no último instante, ficando revisor premido por prazos sempre insuficientes.
Há outra vertente de estudos de texto que procura associar a revisão à correção formal da linguagem, estando a atividade, portanto, restrita à alteração de questões como ortografia, estrutura da língua, concordância verbal e nominal, regência, colocação pronominal, pontuação. Essa percepção da tarefa do revisor restringe a atividade à intervenção pontual e um tanto técnica sobre o texto, no que converge com a definição segundo a qual revisor de textos é:
O profissional do texto, com formação filológica, bibliológica e cultura enciclopédica, que se ocupa de emendar, de maneira coerente e unificada, as incorreções ortográficas, ortotipográficas, ortotécnicas, léxicas e gramaticais, assim como os problemas de coesão (correção de frases e dos conteúdos no texto) que apresenta um original. (Andrea & Ribeiro)
Sempre se inventam desculpas para tudo. Para não revisar um texto com um profissional pode-se pensar que se escreve bem, que o colega já revisou, que custa caro e assim por diante. Mas, cuidado: todo trabalho escrito, uma vez concluído, deve ser submetido a um revisor que não tenha interferido em nenhuma etapa de sua produção.
O autor, devido a sua familiaridade com o assunto e proximidade ao texto, quase sempre comete lapsos e equívocos que ele próprio não identifica em sucessivas leituras de seu trabalho.
Mesmo os orientadores acadêmicos formalmente responsáveis pelo acompanhamento da produção, pelos mesmos motivos anteriores, estão sujeitos a tais enganos e lapsos. É necessário que as revisões sejam feitas por profissionais experientes, compromissados com prazos e munidos dos recursos mais modernos da informática no apoio à revisão.