23 de outubro de 2014

Revisão de textos e teoria dos modelos

Existem cinco possíveis modelos linguísticos aplicáveis no processo de revisão de textos, cada um dos quais tende a enfatizar certos componentes em detrimento de outros.

Compreendendo o processo de revisão de textos como um processo mental, destacamos as implicações que envolvem a psique do revisor e o processamento mental necessário. Ao enfatizar a importância da cultura na revisão de textos, comparamos o sistema de mundo da cultura, como intertexto gigantesco dentro do qual todos os textos são escritos e revisados.
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Os modelos linguísticos são diferentes
abordagens do trâmite da informação.
Nenhum texto é "virgem" ou "puro", porque, no complexo sistema das influências recíprocas, consciente ou inadvertidamente, quer queira quer não, os escritores contam com uma herança cultural pré-existente.
Deste ponto de vista, pode-se classificar um texto dependendo de que acrescentar algo ou não acrescentar nada ao que já foi escrito. Neste último caso, pode-se distinguir várias possibilidades adicionais:
  • Textos que, sem formular quaisquer novos conceitos, atendem às categorias de players diferentes: por exemplo, textos educacionais que ilustram os não iniciados, apresentando conceitos dos textos científicos (vulgarização, difusão, adaptação, educação);
  • Textos que, sem formular quaisquer novos conceitos, atendem aos leitores das outras culturas e línguas, que, de outra forma, seriam inacessíveis a eles (consequentemente, traduções, artigos);
  • Textos que, sem formular quaisquer novos conceitos, pretende substituir os textos pré-existentes, negar sua existência, ou seja, pretendendo serem originais (plágio, falsificação).

Além dessas abordagens analíticas, há também a possibilidade de considerar um modelo de revisão de textos, no sentido de que o texto revisado é, explícita ou implicitamente, outro texto procedente do original - mas não está em nenhuma das três categorias postas acima. Como na relação entre modelo e protótipo, a relação entre prototexto e o produto de revisão de textos não é reversível.
O resultado do processo de revisão de textos contém a dominante funcional teórica que é escolhida pelo revisor e a maneira pela qual as subdominantes são colocadas em ordem hierárquica. Portanto, não apenas existem várias revisões adequadas, mas existem vários tipos de revisões adequadas para o mesmo texto. E, mesmo em um quadro didático (aquela onde o modelo regulamentar de revisão de textos tem teoricamente mais sentido de existir), sempre é possível determinar qual das revisões adequadas é "melhor".
Outro elemento do conceito é que ele revisa o conceito modelo, é que se qualifica como modelo na coletividade do um núcleo social que reconhece os revisores como autoridades sobre os textos.
Mais um fator que submete a revisão de textos a modelos é respeitar certas normas – e aqui nos remetemos, inclusive, à revisão tradicional, mecânica – mas sem ficarmos adstritos a ela, quando se rejeita a concepção segundo a qual a revisão de textos não pode ser ensinada ou praticada apenas como conjunto de regras, no entanto, existem dentro das culturas, as normas sociais (incluindo as da gramática normativa) que atuam levando os revisores a produzir metatextos aceitáveis.
Aqui o conceito de revisão de textos assentado nos modelos linguísticos se cruza com o conceito de cultura e os modelos podem dar origem a resultados muito diferentes dependendo da cultura em caso. (Libri)
Assim posto, os modelos a que temos nos referido são os da psicolinguística, pragmática, argumentação, enunciação, análise do discurso, linguística textual, que se integram em parâmetros complementares na análise revisional, mas sem que se necessite recorrer a todos.
  • A psicolinguística, tem como objeto de estudo os processos cognitivos da linguagem. Nesse entendimento, examina a fala, a leitura e a escrita, no que se refere aos níveis de compreensão e aos procedimentos utilizados para isso. Ela utiliza instrumentos os voltados diretamente para o material linguístico, centrados na expressão da reflexão do sujeito sobre a linguagem (protocolos verbais) e os direcionados para o cérebro – centro de formação da linguagem (protocolos racionais).
  • A pragmática é um dos planos que constituem a linguagem humana, considerando suas relações com o uso e com a finalidade. Como o modelo cognitivo psicolinguístico, tem a inferência como conceito básico e a relevância como um dos princípios fundamentais. Assim a revisão é também um processo cognitivo inferencial e interferencial, que, para ser eficiente, supõe que o leitor deva alcançar o maior benefício com o menor esforço.
  • A teoria da argumentação da língua é estruturalista, toma como objeto de estudo a língua como engenho argumentativo, a ação do enunciador é argumentativa e o enunciado é marcado por essa ação. Mas ela também é enunciativa, na medida em que supõe um sujeito que está inserido num contexto. A revisão, segundo esse modelo, exige do leitor buscar os elementos linguísticos argumentativos do texto e, dessa forma, os sentidos neles presentes.
  • A teoria da enunciação tem na subjetividade seu conceito fundamental, pois a linguagem é vista a partir do sujeito que a enuncia, estabelecendo-se a partir disso a interlocução. Desse modo, a linguagem é apenas meio de comunicação, mas especialmente de construção da identidade do sujeito, mas de um sujeito que está no mundo. Nesse entendimento, a revisão é uma interferência intersubjetiva, marcada por subjetividades apostas (contrapostas, superpostas, interpostas...).
  • A análise do discurso examina a linguagem tomando do ponto do vista da a exterioridade, suas condições de produção – os interlocutores, o contexto comunicativo e o contexto social, histórico e ideológico. Esse modelo possibilita a análise do funcionamento linguístico do discurso a partir dessas condições. Nesse entendimento, o discurso abrange a intencionalidade de quem o produz e os efeitos de sentido gerados em quem o receberá, sendo nesse espaço que a revisão acontece.
  • A linguística do texto foca no texto os elementos que o tecem, que formam a trama textual, atenta as retomadas e as articulações internas que constroem a coesão lexical (repetições e substituições lexicais, superordenados e campos semânticos), a coesão gramatical (referências, elipses e conjunções) e a coerência (manutenção e progressão do tema, conformidade interna e relação com o mundo). Cabe ao revisor, nesse modelo, perceber essas relações linguísticas do texto para então depreender os seus sentidos e interferir qualitativamente. (Alves)


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