1 de setembro de 2014

Regência: o verbo preferir

Segundo dicionários de regência verbal, o verbo preferir significa basicamente dar prioridade ou preferência a; gostar mais de, escolher ou querer antes. É querer antes de alguma outra coisa ou várias coisas!

“Minha mãe disse que prefere ir para o Nordeste de que fazer uma viagem ao Sul.” [Inadequado]
Para a construção do significado, algumas palavras da língua portuguesa usadas por nós exigem o acompanhamento de outros elementos linguísticos. A essa relação de dependência exigida pela norma culta, com o propósito de produzir um significado, chamamos de regência.
Mestrando e doutorandos de instituições importantes revisam sempre suas teses.
Muitos autores de tese ou dissertação
preferem revisar seus textos conosco.
Vamos então fazer um apanhado do assunto em questão. Preste atenção, é bem simples!
A regência verbal pode se dar de duas maneiras, conforme descrito a seguir:
Direta, quando a relação de dependência é imediata (João ama Maria).
Indireta, quando ela é intermediada por outros elementos da língua, como as preposições (João gosta de Maria). 
O objeto direto e o objeto indireto fazem parte dos complementos verbais das frases. Não podem se separar deles, pois completam o sentido dos verbos transitivos diretos e indiretos que, quando sozinhos na oração, possuem significado incompleto.
Exemplos de verbos transitivos diretos:
Gustavo comeu o lanche.
Gabriela esperava a mãe.
Exemplos de verbos transitivos indiretos:
Eu duvidei da opinião da jornalista.
O menino respondeu à pergunta da professora.
Nas situações em que empregamos a regência indireta, precisamos observar que nem todas as preposições podem desempenhar o difícil papel de ligar o regente ao regido, “a tampa à panela”. E mais, além dessa condição essencial para obter o significado pretendido, o uso de uma ou outra preposição pode até mesmo provocar alterações de significado bastante consideráveis. Suponha que um estrangeiro pouco familiarizado com nossa língua queira dizer “preciso ir para casa”, mas ao invés da preposição para, use equivocadamente a preposição na, formando dessa forma a frase “preciso ir na casa". Seria confuso para quem o ouvisse falar, concorda?
Porém, há ainda verbos a nosso redor que podem, ao mesmo tempo, ser transitivos diretos e transitivos indiretos, tendo um sentido quando não exigem preposição e outro sentido quando a exigem. O verbo preferir, que nos trouxe até o presente texto, é bitransitivo. Isso mesmo, ele é capaz de ser transitivo direto e indireto, mas sempre exigindo a preposição a (preferir alguma coisa a outra):
Prefiro dormir a estudar regência verbal.
Na linguagem cotidiana, no entanto, é extremamente comum o uso – incorreto, de acordo com a norma – do verbo preferir para fazer uma espécie de comparação, como “prefiro isto do que aquilo”, como se preferir fosse “gostar mais” de algo. Na verdade, não. Preferir é escolher, pôr alguma coisa antes de outra, preferível à outra. Então vamos reforçar:
O verbo PREFERIR rege dois objetos, sendo o direto aquilo que se escolhe, e o indireto, regido pela preposição a, que é aquilo que se deixa em segundo plano, o que não é preferível. Logo:
“A mãe prefere ir ao Nordeste a fazer uma viagem ao Sul.” [Adequado]
O verbo da frase vista no início do texto é transitivo direto e indireto, possui um objeto direto (complemento sem preposição) e um objeto indireto (complemento com a preposição a).
Exemplos:
“Prefiro cinema a teatro.” [Adequado]
“Prefiro cinema do que teatro.” [Inadequado]
Objeto direto: cinema.
Objeto indireto: teatro.
“Meus alunos preferem o brinquedo ao livro.” [Adequado]
“Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro.” [Inadequado]
Objeto direto: o brinquedo.
Objeto indireto: ao livro.
Além de não ser indicado usar o verbo preferir com a locução conjuntiva do que, devemos também evitar o seu uso com o advérbio mais:
“Prefiro andar de bicicleta.” [Adequado]
“Prefiro mais andar de bicicleta.” [Inadequado]
Concluímos então que alguns verbos são transitivos diretos, não exigindo preposição, outros são transitivos indiretos, exigindo preposição e ainda que há verbos que eventualmente utilizam as duas regras na mesma oração, como o nosso tão frequente preferir.
Por Gustavo Mani.

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