1 de julho de 2014

Texto, contexto, revisão e revisor de texto

A malha das palavras deve estar bem urdida em qualquer texto. A tese e a dissertação são textos em que não pode haver pontas soltas ou nós mal atados.

O texto é uma tessitura de informações que levam o leitor à compreensão do todo, não é um aglomerado de palavras soltas ou de frases sem sentidos. Ele contém um pronunciamento situado em um debate de escala mais ampla, de acordo com o contexto em que foi escrito. Contexto é a unidade linguística maior em que se encaixa a unidade linguística menor.
A formatação de um texto é como dar feitio às malhas de palavras.
Não existe texto sem contexto e sempre
 deve haver um revisor de texto.
O texto pode também ser entendido como a atividade verbal decorrente de estratégias cognitivas e interacionais entre os indivíduos que não existem isoladamente. Logo, a escrita é interativa e social, já que é feita por um ou mais sujeitos para outro(s) sujeitos que levam consigo conhecimentos de mundo diferentes.
Antes de ser publicado, o texto passa por diversas fases até chegar às mãos dos leitores. Uma dessas fases é a revisão, necessariamente. Alguns autores diriam que revisar um texto é simplesmente corrigir a ortografia; outros, que é adequá-lo à norma culta da língua, à coesão e coerência, à ortografia, levando em consideração todo o contexto em que foi escrito. De acordo com Houaiss, revisar é ter novamente sob os olhos, é fazer a inspeção, é examinar com atenção, procurando possíveis erros; é rever, levar novamente em consideração, é repensar.
Revisar não é apenas um exercício mecânico de apontar falhas gramaticais, mas o de tornar claro em que sentido essas falhas podem interferir na coesão e na coerência, comprometendo a clareza do texto. É a “manipulação” do texto escrito para a publicação, visando sua melhoria. O profissional responsável por esse trabalho é o revisor de textos.
O revisor exerce papel fundamental. Seus campos de atuação são: editoras, gráficas, empresas jornalísticas e publicitárias, assembleias legislativas, escolas de nível básico, bancas de concurso, cursos preparatórios, e locais onde existam trabalhos acadêmicos. Ainda que a informática contribua para esse processo, ela não é capaz de substituir um profissional habilitado e competente, visto que revisar não é apenas corrigir a ortografia. No entanto, muitas empresas jornalísticas reduziram ou eliminaram esses profissionais com a introdução da informatização em suas redações.
O autor, ao redigir, está preocupado em escrever suas ideias com rapidez, de forma a não perder de sua mente o que deseja apresentar, o que o leva a não se ater aos seus próprios erros. Aqui entra o revisor, o qual se tornará responsável pela “perfeição” desse texto para publicação, que o deixará “pronto”, compreensível, adequado a sua finalidade, para que o leitor não tenha dificuldades em entender a ideia do autor.
Para ser um bom revisor, alguns requisitos são necessários como: ter um ótimo conhecimento da norma-padrão da língua em que o texto está escrito (no caso, o português), especialmente, trata-se aqui de um conhecimento teórico de acentuação gráfica, crase, regência; ter o hábito de consultar boas obras de referência para sanar suas dúvidas e se atualizar sempre. Um bom profissional qualificado continua seus estudos e aprimoramentos até o final de sua vida.
Fragmento adaptado de Cândido et alii.