3 de julho de 2014

Definição e parâmetros de revisão de textos

O que diferencia corrigir de revisar? Quem são as pessoas responsáveis por tais trabalhos? Pode ser difícil para o leigo entender claramente o que significa cada um dos termos usados e cada uma das diferenças implícitas nas ideias respectivas.

Qual é a definição para revisão?

A primeira coisa que vemos quando tentamos definir o que é revisão diz respeito ao grande número de termos ambíguos que se entrecruzam e as variadas definições propostas. Temos visto falarem e correção de português, revisão textual, revisão linguística, revisão de texto, revisão acadêmica, revisão gramatical, revisão de provas e ainda apontamos a existência de algo chamado preparação de texto, sem esquecer o copidesque. Há termos equivalentes aqui, ou cada um tem sua especificidade?
Pensar sobre revisão de textos não é tentar reinventar a roda.
As reflexões sobre a tarefa do revisor
ultrapassam o que os autores imaginam
que possa haver de teoria sobre o
assunto.
É claro que muitos autores referem-se a revisão no sentido amplo do termo: não se limitando a um ou outro corte e envolvendo textos originais. Há autores que incluem todos os termos acima sob o mesmo nome de revisão monolíngue, que é a intervenção visando garantir a qualidade informativa e linguística (conteúdo e forma) do texto original ou apresentado como tal, distinguindo-a da revisão bilíngue, que é o de fazer o mesmo trabalho para os textos traduzidos. É inegável que, de qualquer forma, na prática, as duas atividades muitas vezes se sobrepõem, tornando ainda mais difícil de definir ambas – como todas as outras.
Há quem defina revisão como um exame cuidadoso de um texto, a fim de torná-lo coerente em critérios linguísticos e funcionais reconhecidos. Mas não seria somente o exame, senão também as intervenções resolutivas ou sugestivas no mesmo sentido anterior, por óbvio.
A definição apresentada revela a dificuldade de colocar um limite entre as várias orientações cujo objetivo comum é a retocar textos originais ou traduzido. Destacam-se as diferenças entre a correção, a revisão e reescrita implementadas para garantir que a qualidade do texto se torne mais aceitável. Define-se a correção de como uma atividade que pode ser praticada por não linguistas, principalmente ligada à gramática normativa, cujo conhecimento é disseminado mais ou menos amplamente entre a maioria das pessoas graduadas. Já a preparação de textos visa principalmente adaptar textos para publicação, eliminar passagens irrelevantes, verificando coerência interna ou padronizando estilo. Mas quando se tenta definir o que é a revisão listando todas as tarefas da disciplina: melhorar a terminologia, clarear passagens, melhorar as construções, ajustar a carga emocional do texto original para a especificidade do leitor ou do gênero, garantir a coerência em diversos aspectos e diferentes níveis textuais, assegurar ortografia, gramática e registro, consistência de gênero, fica bem clara a distinção entre a correção e revisão e parece que o revisor é um pouco de tudo, geralmente sendo mais que o autor tem conhecimento que ele é.
Os deveres do corretor e os do revisor se sobrepõem e as duas funções pode muito bem ser exercida ao mesmo tempo pela mesma pessoa. Mas não há garantia de que a pessoa qualificada e com prática em correção tenha habilidade e competência em revisão. Se, na prática, o efeito de fluxo entre as duas atividades envolvidas dificilmente constitui obstáculo ao bom funcionamento do trabalho dos revisores, isso nem sempre é o caso na teoria. O termo revisão deve ser suficientemente unívoco para que possamos ter a certeza de falar a mesma coisa e é por isso que precisamos de uma definição mais concreta capaz de diferenciar a revisão de termos como correção ou preparação de texto. A solução pode ser encontrada se se leva em conta o perfil da pessoa responsável por cada uma dessas operações. Se a correção e preparação podem ser realizadas por não linguistas, isso significa que os valores que eles encarnam, apesar da interação complementar óbvia e útil que mantêm sobre a tarefa do revisor, existem independentemente de reflexões para direcionar diferentes abordagens dos textos. Segue-se, a partir dessa perspectiva, que a revisão no sentido da linguística aplicada deve ser definida como uma atividade que envolve conhecimento específico. Daí a seguinte definição da revisão linguística de texto:
Revisão é a intervenção feita no texto por um profissional para fazê-lo estar de acordo com as necessidades e as expectativas do destinatário.

O problema da objetividade no ato de revisar: questão de parâmetro

Depois de apresentar a definição de revisão, vamos agora considerar outro aspecto do termo, cuja importância é grande. Como outras práticas, o ato de revisão de textos autorais pode ser aceitável somente se está bem estabelecido que a revisão não seja resultado de julgamento intuitivo ou subjetivo pelo revisor. A dificuldade de ser objetivo ao analisar o texto alheio consiste em ter a habilidade necessária para justificar adequadamente cada intervenção, segundo critérios que vários revisores concordariam como aceitáveis. Já não é uma questão material para o revisor apenas, como seria para o corretor, trata-se de garantir que o trabalho será aceito pela comunidade a que ele se destina. O problema da objetividade que se impõe na tarefa de revisão, portanto, exige como pré-requisito a existência de parâmetros adequados, no entanto, não garante a objetividade absoluta, um grau de subjetividade é inevitável no domínio da revisão como no da tradução.
Antes de apresentar e analisar os parâmetros propostos, cumpre definir a que o termo se refere. Se os parâmetros são uma resposta para a pergunta “O que devo verificar? Onde devo interferir?” Então, os princípios são também outra resposta, que responde à pergunta: "Como verificar, como interferir?". Isto significa que os parâmetros fornecem a base para o julgamento do revisor, ao mesmo tempo que os princípios o fazem sobre o aspecto metodológico relativo à realização das ações necessárias para a revisão. No entanto, alguns especialistas propuseram parâmetros concretos para orientar o trabalho do revisor.

Parâmetros operacionais para os revisores.

São propostos sete níveis textuais que se impõem ao revisor para ele produzir uma revisão de qualidade satisfatória: 1) nível semântico; 2) nível idiomático; 3) nível estilístico; 4) nível fenomenológico; 5) nível da referenciação (alusões literárias, folclóricas); 6) nível da intencionalidade; e 7) nível do destinatário. A partir desses sete níveis, cumpre ao autor uma série de questões específicas, cada uma abordando uma área em particular:
  1. O sentido está completo global e organicamente? 
  2. Há propriedade de termos e adequação léxica?
  3. O registro tonal é respeitado com uniformidade? 
  4. As diferenças culturais entre autor e revisor são observadas?
  5. As alusões literárias, folclóricas, históricas, geográficas são tratados de forma adequada?
  6. Tem-se em conta as intenções do autor mesmo implícitas no discurso? 
  7. O texto está adequado ao destinatário?

Apesar do tom muitas vezes prescritivo que caracteriza o discurso revisional tradicional, nosso interesse no processo de revisão está em propor parâmetros aceitáveis pela clientela em geral. Mas temos de admitir que alguns elementos reduzem o interesse da proposta. Em primeiro lugar, os parâmetros tidos em conta parecem mais facilmente aplicáveis a certos textos que outros. Os parâmetros 4 (fenomenológico – fatos culturais) e 5 (referenciação – literária, folclóricas) será relevante no caso de textos literários e culturais, mas inútil para textos mais pragmáticos, tais como as teses e dissertações, principalmente aquelas referentes às áreas duras do conhecimento. Isso poderia significar que precisamos de diferentes parâmetros, dependendo da natureza ou tipo de texto envolvido? Este é um tema de pesquisa completamente diferente que exige mais reflexão e arriscando muito além do escopo desta proposição. Vamos simplesmente dizer que, por uma razão prática, pode ser mais fácil estabelecer parâmetros suficientes universais para que eles tenham como alvo qualquer tipo de texto. Outro ponto diz respeito à dificuldade de colocar um limite claro entre parâmetros. As diferenças culturais (parâmetro 3) e alusões literárias e folclóricas (parâmetro 4) não são aspetos tão diferentes na vida cotidiana.
Outros parâmetros propostos relacionam: 1) rigor (fidelidade na acepção); 2) compensação (respeito pelos códigos linguísticos); 3) legibilidade (facilidade de compreensão); 4) adaptação funcional (tendo em conta registo, tom, destinatário); e 5) a rentabilidade. Mas quais poderiam ser os critérios para determinar se uma intervenção são ajustáveis e até que ponto podemos tolerar as falhas contidas em um texto? Ambas as questões merecem consideração.

Conclusões a serem revisadas

Nenhuma forma prática tem sido proposta para avaliar a qualidade dos produtos dos critérios e parâmetros propostos. Alguns desses parâmetros são mais fáceis de usar para o trabalho de revisão. Posto que muitos elementos se sobrepõem e que alguns parâmetros são complementares, gostaríamos de propor os seguintes parâmetros:
  • Transferência. A mensagem pretendida texto original foi realmente foi transmitida? 
  • Gramaticalidade. O uso da língua adequado ao gênero foi respeitado?
  • Legibilidade. O texto é coerente, lógico e legível?
  • Funcionalidade. O texto leva em conta sua finalidade e o destinatário?

Apesar das numerosas tentativas de definição, a revisão de textos continua a ser plural e não-consensual. Optamos por defini-la como a interferência por uma pessoa familiarizada com a língua tentando adaptar as necessidades do texto em relação ao destinatário. A pluralidade de abordagens para a definição e os parâmetros da revisão, obviamente, refletem duas coisas: primeiro, a complexidade do trabalho do revisor e, por outro lado, a falta de mais pesquisa consistente sobre o assunto. A definição e os parâmetros propostos aqui são destinadas a alargar o âmbito de nossas áreas de trabalho, relacionando-as a sua aplicação funcional.
Adaptado de H. Lee.
São Paulo: +55 (11) 3042-2403 Rio de Janeiro: +55 (21) 3942-2403 Belo Horizonte: +55 (31) 3889-2425
Brasília: +55 (61) 4042-2403 Porto Alegre: +55 (51) 4042-3889 Skype: keimelion
Atendemos em horário comercial.
Para solicitar orçamento, envie o texto.
Não elaboramos trabalhos de graduação ou pós. Não insista.