20 de julho de 2014

Revisor de textos em sociedade

Quem é o revisor de textos, como ele se insere na comunidade e qual seu papel? Conhecer a função do revisor é útil para os autores que vão precisar de revisão.

Uma definição inequívoca de revisão é difícil, muitos estudiosos de revisão tentaram fazê-la. Revisão é um processo de verificar a exatidão, integridade, adequação, estilo; o produto da revisão são interferências no texto. A revisão a que nos referimos é aquela intervenção feita por um revisor profissional, alguém que tenha se mantido totalmente afastado da produção do texto em todas as suas fases. Revisão é verificar se as mudanças são necessárias e fazê-las, o que chamamos de revisão resolutiva. Revisão é verificar que mudanças são necessárias e propô-las, o que chamamos de revisão propositiva. Mas essas são apenas duas categorias de revisão e há outros crivos; voltaremos a eles mais adiante; por enquanto, vamos refletir sobra o revisor e como ele atua na sociedade.
O revisor de uma tese considera a língua e o contexto. Nada pode escapar à revisão.
O revisores de textos costumam ter uma
relação bem particular com o mundo
e com as formas de comunicação.
Primeiramente, o revisor é o profissional que exerce interferências ou proposições em textos alheios, considerando a inserção social do autor e do público-alvo do texto. O revisor de textos é um animal social, porque a revisão está ligada à comunicação. O revisor é também um animal cultural, pois a revisão é a primeira leitura de um texto que tramitará entre autor e leitores, portanto, nesse sentido, o revisor é parte de uma comunidade comunicacional. A comunicação é baseada em uma percentagem muito elevada de elementos conhecidos e em outros desconhecidos tramitando entre a origem e o destino da informação por intermédio do texto. Se cada mensagem começasse com um resumo de todos os dados óbvios, ou contivesse definições de todos os conceitos implicados, seria interminável.
No entanto, porque em cada comunicação há elementos óbvios, adquiridos em comum, não há a necessidade dessas introduções infinitas. Um dos papeis do revisor, situado externamente ao texto, mas como intermediário entre autor e público alvo, é identificar os conceitos que devem ser esclarecidos e os elementos que não precisam ser declarados para o leitor final.
Se imaginarmos o universo como uma organização cultural colossal feita de células, a revisão é uma atividade que ocorre no nível da membrana: nas membranas das células menores (indivíduos / autores), temos a revisão entre o indivíduo e o exterior, que também é composto de membranas na maioria das células (comunidades, famílias, grupos sociais, clubes, associações); nessa metáfora, a revisão atua como a capilaridade entre o interior (o autor) e o exterior, o leitor na comunidade.
A revisão é o “limite” ou “fronteira”: o elemento de separação e de ligação entre o próprio autoral e alheio destinatário e repousa nisso a possibilidade de comunicação ampliada pela revisão. Mas, em seguida, o revisor está no centro da sociedade (como um agente de comunicação), ou sobre suas arestas (restando confinado à “membrana”) e alijado de exposição.
Revisar é uma atividade solitária, embora  o revisor, em muitos casos, esteja equipado com ferramentas de comunicação à distância, tais como telefone, fax, e-mail. Com a multiplicação das possibilidades de comunicação à distância, o potencial da informática e a diminuição simultânea dos custos de comunicação, a distância física entre o revisor e o cliente é um fator cada vez menos importante.
Também se pode ver o mesmo problema de um outro ângulo: se é verdade que o revisor pode trabalhar isolado, também é verdade que isolado dificilmente ele pode encontrar trabalho e ter visibilidade no mercado. Portanto, o trabalho de revisão pode até ficar isolado, mas o revisor não se isola mais, mantendo-se um ser social, inclusive com presença nas redes sociais, até para encontrar os autores e obter trabalho – e para se manter contextualizado, necessidade inerente ao ofício de comunicador e de intermediário.
Os revisores se deparam com diversos tipos de demandas, são textos variados, autores distintos, finalidades diversas dos textos. E cada um tem seu tipo de exigências e requer suas intervenções específicas. E cada demanda requer uma atuação distinta.
Dependendo da natureza da intervenção sobre o texto, há diversos tipos de revisão. A abordagem mais básica é a “simples leitura” do texto e a eliminação de todos os lapsos superficiais: erros de digitação, ortografia, acentuação, pontuação; é o que chamamos de revisão mecânica, cujo objetivo é eliminar as falhas superficiais do autor; a maior parte desse serviço até mesmo um programa de revisão de textos dá conta. Verificar a clareza e da coerência textual, intratextual e contextual já é procedimento mais complexo e requer um profissional sênior de revisão.
Dependendo do tipo de revisão necessário, é preciso considerar a competência do revisor em função também da velocidade em que o texto foi produzido e da velocidade necessária à revisão, considerar a extensão e a duração do texto, bem como sua importância e destinação. Em qualquer caso, qualquer que seja abordagem escolhida para a revisão, o principal objetivo dela não pode ser apenas eliminar os erros que subsistem à redação, mas melhorar o texto como ferramenta de comunicação.
Cada trabalho é diferente, cada cliente tem necessidades diferentes. Cada revisor é diferente. O revisor é um paradoxo: está no centro da sociedade e é marginal na sociedade. No centro de tudo pois vive em função da comunicação; marginal, porque, por definição, trabalha no limite, na fronteira entre as culturas e línguas individuais e coletivas. No centro, porque uma percentagem muito elevada do que é escrito passa por revisores, mas marginal, pois sua atividade é negada ou ignorada em muitos casos. A revisão, quando não é negada, é raro que sua presença e a atuação (e o nome) do revisor apareça com os textos.
Poucos revisores reclamam. Mas ao invés de reclamar, seria útil compreender as causas disso. Falta uma cultura de revisão, é claro. Alguns ainda estão convencidos de que a cultura da revisão não tem razão de existir, pensando que para revisar um texto de engenharia deve-se ser um engenheiro e assim por diante. Às vezes nos perguntamos o quanto o trabalho de revisão está longe da realidade cotidiana, no entanto, essa antítese entre teoria e isolamento e a prática social da revisão têm em si a possibilidade de solução do paradoxo pelo próprio contraste: os fundamentos da linguística são certamente úteis, mas eles são aplicáveis no uso real da linguagem em sua função social e comunicativa, o isolamento teorético se dissolve na atividade comunicacional que se tem por fim.
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