Consistência e concisão no texto acadêmico

Dos muitos aspectos a serem considerados na redação de uma tese ou dissertação, e que são postos de atenção do revisor do texto, destacamos aqui dois: o princípio da economia textual e o princípio da consistência textual.

O princípio da consistência é elemento importante no estilo e pode ser analisado de três formas complementares: consistência da expressão gramatical; consistência de categoria; consistência de sequência.
Ao revisarmos seu texto,
verificaremos a consistência
de cada parágrafo e do
conjunto.
  1. A consistência de expressão gramatical é violada quando, na enumeração de três itens, o primeiro é um substantivo, o segundo, uma frase e o terceiro, um período completo, o que confunde e distrai o leitor. Outro exemplo seria a enumeração cujos itens se iniciassem, ora por substantivo, ora por verbo. Vejamos: na redação científica, cumpre observar, entre outras regras: (1) terminologia precisa; (2) pontuação criteriosa; (3) não abusar de sinônimos; (4) evitar ambiguidade de referências – Observe como fica melhor: (1) terminologia precisa; (2) pontuação criteriosa; (3) sinonímia restrita; (4) referências precisas.
  2. A consistência de categoria reside no equilíbrio que deve ser mantido nas principais seções do capítulo ou subseções da seção. Um capítulo cujas três primeiras seções se referem, respectivamente, aos aspectos tecnológicos, econômicos e sociais dos sistemas de informação, e a quarta seção que trate de ferramentas de análise e desenvolvimento de sistemas de informação, está desequilibrado. A quarta seção, sem dúvida, apresenta matéria de categoria diferente da abordada pelas três primeiras, devendo pertencer a outro capítulo.
  3. A consistência de seqüência está relacionada à ordem que deve ser mantida na apresentação de capítulos, seções e subseções do trabalho. Embora nem sempre a seqüência a ser observada seja cronológica, existe lógica inerente ao assunto em qualquer enumeração. Uma vez detectada, a lógica determinará a ordem em que capítulos, seções, subseções e quaisquer outros elementos devem aparecer. Seja qual for a seqüência adotada, o que importa é que esta deve refletir organização lógica.
princípio da concisão textual também é elemento de estilo ao qual os autores deve estar atentos. Basicamente, vale o bordão: menos é melhor. Escrever uma informação completa, com o menor número de palavras possível é altamente desejável.

Concisão textual não significa
comprimir as ideias, mas
dar a elas o tamanho adequado.
Na maioria dos textos, a concisão é bem mais qualidade que característica; no texto oficial, no comercial e no acadêmico, quase sempre a concisão é meta e requisito essencial. Cumpre ao revisor de textos, supletivamente ao autor, zelar pelo princípio da concisão textual.
Conciso é o texto que consegue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras, evitando tergiversação, juízos de valor, ambiguidade e todo tipo de imprecisão. Para que o texto tenha essa qualidade, é fundamental o conhecimento do assunto por parte do autor e a tesoura impiedosa do revisor podando tudo aquilo que sobra. Cabe à revisão perceber as eventuais redundâncias ou repetições desnecessárias de ideias, os pleonasmos, as superfluidades e as ocorrências de registros tipicamente orais no texto e suprimir tudo isso.
Algumas construções a se evitarem em obediência ao princípio da concisão:
  • Flexão do infinitivo da oração subordinada cujo sujeito é o mesmo da principal anteposta.
  • Abusos de pronomes e artigos, principalmente os indefinidos.
  • Uso de artigos antes de pronome pessoal ou possessivo.
  • Pleonasmos de etimologia remota.
  • Uso de bordões, expressões em voga, preciosismos. 
  • Colocar a palavra página ou suas reduções junto ao número que ordena as folhas.
  • A palavra número ou suas reduções junto a algarismos - Lei (número) 4.321.
  • Da mesma forma, a palavra capítulo, sobra junto ao número e título capitulares.
  • Uso das palavras Referências Bibliográficas. O termo indicado em todos os textos de todas as normas para confecção de trabalhos acadêmicos é Referências.
Foram alguns exemplos, mas há bem mais simplificações possíveis e recorrentes. Cada revisor faça uma lista das que lhe ocorrerem.
Vocês provavelmente nunca viram um texto do séc XIX, ou anterior, uma ata, depoimento, contrato, iniciando-se assim: “Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de um mil oitocentos e [tanto]... aos vinte e um dias do mês de março do mesmo ano”... É contra delongas desse tipo que se instaurou o princípio da concisão.
Não tem cabimento me alongar em um tópico sobre concisão.

Descrição de normas e procedimentos

Na descrição de procedimentos, nas teses, dissertações ou mesmo nos trabalhos acadêmicos mais curtos, recomendam-se se regras que, de modo geral são e devem ser acatadas:
  1. Construir frases na ordem direta;
    1. Preferir frases curtas e — se possível — afirmativas ou negativas diretas para facilitar o entendimento;
    2. Usar preferencialmente o verbo no presente do indicativo. No caso da descrição de etapas de um processo, usar o infinitivo (numerar, mexer, usar), colocando-o no início da frase;
    3. Numerar cada ação, respeitando sua sequência de execução;
    4. Priorizar instruções de segurança;
    5. Utilizar sempre que possível os termos técnicos já definidos anteriormente;
    6. Fazer uso do estilo impessoal, evitando o emprego de pronomes de primeira pessoa, como eu, nós, meu, nosso;
    7. Evitar o uso de abreviaturas e siglas, que só se justificam quando as palavras ou expressões correspondentes aparecerem muito repetidamente. Se isso ocorrer, na primeira vez que for empregada, o significado deve vir logo a seguir, separado por hifens;
    8. Numerar os itens (primários, secundários, terciários e quaternários) com algarismos arábicos, colocando a numeração junto à margem esquerda. Não usar ponto, parênteses ou hífen após essa numeração e dar um espaçamento correspondente a duas letras antes da primeira letra seguinte;
    9. Escrever os títulos dos itens primários (capítulos) fonte adequadamente maior que a do corpo do texto, evitando a caixa-alta sempre que possível;
    10. Evitar o uso de estrangeirismos, coloquialismos, gongorismos e gírias;
    11. Evitar enfaticamente o emprego de etc. Seu significado deve ser sempre explicado (Ex.: ouro, prata e outros metais preciosos);
    12. Usar repetidamente o substantivo, em vez do pronome, sempre que houver possibilidade de o pronome gerar ambiguidade.