30 de julho de 2014

Os argumentos e a revisão do texto


Os argumentos estão por toda parte, em qualquer texto. O revisor de textos estará atento aos argumentos, verificando-lhes a lógica e coerência.

Você deve se surpreender com o fato de que a palavra “argumento” não tem de ser escrita em nenhum lugar em sua tese, dissertação ou monografia, mesmo que argumentar seja parte importante da função do texto. De fato, construir um argumento – expressar um ponto de vista sobre um assunto e sustentá-lo com evidências – é usualmente o objetivo de qualquer trabalho acadêmico. O orientador do trabalho presume que você conheça esse fato e, portanto, explica a importância disso. Não obstante, se solicitam que você escreva algo em relação às leituras e discussões feitas, espera-se que você produza um conjunto de argumentos em seu trabalho.
O argumento é a janela do texto para as ideias do autor.
Os livros são mananciais de argumentos.
A maioria da matéria que você aprende na universidade é ou tem sido debatida por alguém, em algum lugar, por um dado tempo. Mesmo quando a matéria que você leu ou ouviu é apresentado como uma simples “informação” ou “fato”, isto pode ser a interpretação de uma pessoa de um conjunto de informações ou fatos. No trabalho acadêmico escrito, pretende-se que você questione essa interpretação, ou defenda-a, refute-a, ou ofereça novo ponto de vista. Em tarefas de dissertação, você deverá sempre fazer mais do que apresentar as informações que foram discutidas em sala de aula. Você deverá selecionar um ponto de vista e fornecer evidências (em outras palavras, usar um “argumento”) para moldar o material e oferecer sua interpretação dele.
Se você acha que são os “fatos” e não os argumentos que governam o pensamento inteligente, considere estes exemplos. Em um dado momento, as “grandes mentes” da Europa Ocidental acreditavam piamente que a Terra fosse plana. Eles discutiam quão obviamente verdadeiro era este “fato”. Você agora tem condições de discordar deles porque algumas pessoas que consideravam este argumento como falso providenciaram um melhor argumento e o demonstraram. A divergência de opiniões é o motor do desenvolvimento do conhecimento humano, e os estudiosos como seus professores dedicam suas vidas a discutir o que poderia ser descrito como “verdadeiro”, “real”, ou “correto” nos seus respectivos campos de conhecimento. Nas suas disciplinas, eles esperam que você se engaje em tipos similares de pensamento crítico e discuta em suas dissertações.
Não são só os textos acadêmicos que usam a argumentação. Usamo-la diariamente, e você possui habilidade em desenvolver seus próprios argumentos. Quanto mais você desenvolver suas habilidades nesta área, melhor você será seu pensamento crítico, seu raciocínio, sua tomada de decisões e a ponderação das evidências.
Os argumentos em escritos acadêmicos são usualmente complexos e levam tempo para serem desenvolvidos. Seu argumento precisará ser mais do que uma afirmação simples ou óbvia do tipo “Tiradentes foi um visionário”. Tal afirmação deve capturar suas impressões iniciais de Tiradentes como você o estudou; entretanto, você deverá inspecionar mais profundamente e expressar mais especificamente o que pode ser a causa dessa “grandeza”. O orientador professor provavelmente esperará algo mais complexo, do tipo “O pensamento de Tiradentes, segundo se depreende dos Autos da Devassa, seriam projeções de uma liberdade inatingível”. Então você deverá definir seus termos (liberdade inatingível, projeções) e provar o argumento com as evidências da fonte mencionada (Autos da Devassa). O revisor do texto verificará a coerência interna e externa desses argumentos, pois coerência é inerente ao argumento e ao texto objeto da revisão.
Ciência exige método e isto envolve muita publicação de artigos científicos. Por isso, é importante que um estudante conheça os fundamentos da literatura textual, relacionados com os artigos científicos, que apresentam diferentes estruturas de argumentos. Existem várias obras sobre esse tema, as quais valem à pena consultar porém, quase tudo é voltado para acadêmicos da área de Educação e que, no entanto, muitos da área de Física e da Engenharia (as ditas “ciências duras”) rejeitam o acesso. Seja por acharem que não é a sua ênfase de questões ou por não serem incentivados, mas, principalmente, pela falta de contato com a leitura.