20 de fevereiro de 2015

Revisão de textos em enfoques psicogenético e psicolinguístico

Possibilidades de aplicação dos resultados da investigação psicolinguística à prática da revisão de textos.

Os enfoques psicogenéticos sobre a escrita e revisão de textos colocam em destaque os processos de produção, preparação e assimilação do texto como objeto cultural. Na década de 1980, a partir de tal marco teórico, abordou-se o estudo da escrita como processo de aquisição deste objeto específico. Estas investigações romperam definitivamente com a ilusão de transparência entre ensino e aprendizagem da língua escrita, de certa forma obliterando conceitos estabelecidos e limitantes de certo e errado.
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A complexidade do processo
 de redação é a mesma que
 encontramos na revisão do texto.
É preciso reconstruir um saber construído em certo domínio para poder aplicá-lo a outro domínio; é necessária a reconstrução de um saber construído previamente com respeito a um domínio específico para poder adquirir outros conhecimentos do mesmo domínio que, de algum modo, foram registrados sem serem compreendidos; assim também a reconstrução do conhecimento que tem a criança da língua oral, para que possa utilizá-lo no domínio do escrito. Assim, finalmente, necessária a reconstrução do conhecimento sobre letramento para aplicá-lo na práxis revisional, rever a relação professor aluno no enfoque autor-revisor, não como mera projeção escalar, mas como sucedânea e agora como diálogo entre discursos privilegiados.
Pesquisou-se sobre a construção infantil do sistema de representação da escrita para compreender como o autor transforma seus conceitos sobre si, afastando-se da visão normativa que sinalizasse “o que falta” nos textos.
Em pesquisas posteriores ampliou-se o campo de questões sobre problemas como a segmentação de palavras, ortografia, pontuação e construção textual. Mostrou-se que as crianças pequenas (4-5 anos) já têm ideias claras sobre as características de diversos tipos de texto: podem tanto reconhecer de que tipo de texto se trata quando alguém o lê como plasmar muitas dessas qualidades em suas produções escritas. Da mesma forma os autores de textos científicos. Mas, em ambos os casos, essa ideias sobre os tipos de textos são inerentes aos usos que fazem de tal mídia, como produtores e autores, não do conhecimento teórico do objeto.
Essa abordagem permite aos revisores de texto ampliar a racionalidade de mídias gráficas que hoje já não nos parecem desvios, mas que, em outras épocas, não eram consideradas normais ou naturais. Ao assumir esta visão histórico-cultural dos processos de textualização, passa-se a compartilhar com as colocações interacionistas uma mesma concepção histórico-cultural sobre a fala e a escrita e sobre o papel primordial que a interação social cumpre na construção do conhecimento e sua transmissão.
Existe a possibilidade da aplicação direta do resultado da investigação psicolinguística à prática que se rege por uma racionalidade diferente à do domínio psicológico: a revisão de texto não é, em si, um processo comunicativo direto, mas uma prática de valorização da comunicabilidade da estrutura midiática, o texto. Os processos de transformação da compreensão do texto não podem ficar fora da pesquisa linguística, porque sua consideração reformula as perguntas interpretativas e gera respostas distintas das consideradas previamente.
Reformulam-se as perguntas no sentido de que se deixe de pensar em qual é o meio que conduz ao fim, para começar a perguntar quais são as condições que deve reunir uma situação comunicacional para que os conteúdos possam ser compreendidos de maneira coerente com os propósitos colocados. Pois bem, uma vez projetada uma resposta a este novo tipo de pergunta, a consideração dos processos de transformação da compreensão do objeto passa a fazer parte do problema da revisão. Ao propor uma alteração que permita ao leitor compreender melhor o texto, suscitam-se respostas cuja interpretação requer marcos teóricos que permitam apreciar o processo de transformação, a que denominamos revisão do texto, feito com aquele específico propósito. (Mirta)

Os enfoques psicogenéticos começaram a ocupar-se de aspectos geracionais da da escrita e adentraram nos processos de produção e revisão textual.

A psicolinguística analisa qualquer processo que diz respeito à comunicação humana mediante uso da linguagem - no caso, interessa-nos a produção e a revisão do texto. Como essa ciência também estuda os fatores que afetam a decodificação, ou seja, as estruturas psicológicas que nos capacitam a entender expressões, palavras, orações, textos - e é sobre esses elementos que atua o revisor,em primeira instância - existe uma flagrante tendência de se limitar a revisão a estes pontos, quando há bem mais que isso em pauta, já que a compreensão da matriz da codificação é a base do aperfeiçoamento do processo comunicacional.
A comunicação humana pode ser considerada um ciclo contínuo de percepção-compreensão-produção. A riqueza da linguagem faz com que esse ciclo se processe de várias maneiras sobre as quais as condicionantes psicossociais dos sujeitos (autor e revisor)  interagem.
Os trabalhos psicolinguísticos que têm se ocupado produção escrita e da revisão de textos reconhecem duas grandes orientações: cognitivistas e psicogenéticas.
As abordagens cognitivistas são consideradas pioneiras no estudo dos processos redacionais, daí sua importância também para a revisão de textos. Não obstante, se verá que elas implicam em uma visão dicotômica sobre as condutas de escritores especialistas e revisores no processo construção do texto, assim como uma visão restritiva da interação entre eles e colocam limites sobre a utilidade de seus resultados ou, ao menos, fazem necessária uma ressignificação deles.
De sua parte, os enfoques psicogenéticos começaram a ocupar-se de aspectos geracionais da aquisição da escrita e, mais recentemente, adentraram nos processos de produção textual. Essa perspectiva se mostra de enorme utilidade para teoria da revisão porque, como é coerente com esta linha de pesquisa, não a trata de uma descrição de condutas sucessivas, mas de uma interpretação psicogenética do processo de transformação da compreensão de um objeto – o texto. Isto é, não só se descrevem os modos de ser, mas se explicam porque autores agem das maneiras descritas e de que modo se transformam as formas de compreensão do objeto. Por outro lado, nesta linha se distinguem clara e explicitamente os trabalhos psicolinguísticos dos sociolinguísticos, porém, compartilhando uma mesma posição epistemológica segundo a qual em que ambos há sujeitos concebidos como coautores ativos do objeto, ao mesmo tempo em que se reconhece o caráter de construção histórico-cultural partilhado do texto. (Torres, M)
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