Revisar a dissertação ou reescrever?

A edição de dissertações, teses, artigos, pode ser parecer assustadora – mas não se impressiona tanto. Primeiro, vamos estabelecer o que entendemos como reescrita e revisão – depois daremos sugestões.

Para nós, reescrever é o ato de o autor de um texto modificá-lo. Reescrever é ação distinta da revisão, pois esta exige alteridade: ser feita por outro – e externalidade: quem revisa não pode ter tido contato com o texto antes da revisão. Quando o autor reescreve, claro que ele vai reparar lapsos, melhorar a redação e, normalmente, aperfeiçoar o texto. Mas o próprio ato de reescrever e, muitas vezes, reescrever e reescrever novamente, vai criando barreiras à identificação de problemas no texto, a visão do autor fica saturada da informação e ele deixa de ver os problemas no escrito – por isso a necessidade de um revisor externo.
O carinho que você teve por sua dissertação nós vamos redobrar na revisão.
O autor é quem tem a palavra
 final depois da revisão.
Atenção: reescrever não significa escrever tudo de novo. Apenas é o retorno do autor ao texto, fazendo nele as modificações que julgar necessárias.
O autor pode, ao reescrever, alterar o conteúdo do texto: ele é o dono da criação, pode preferir outro argumento, outro exemplo ou outra ordem das ideias; o revisor não pode fazer isso, ele tem limitações, pois o texto não lhe pertence, ele não tem autoridade (nem autoria), quando muito uma coautoria (ou sub-autoria). Então, há mesmo diferenças substanciais entre reescrever e revisar, embora os pesquisadores do letramento usem um pelo outro.
Há muitos procedimentos, rotinas, da revisão que podem ser assimilados pelo autor e empregados em proveito de seu texto:
  1. Olhar seus textos do passado e do presente. Identifique falhas e erros frequentes e classifique-os por gravidade. É bom aprender onde você costuma ter problemas na escrita.
  2. Visitar sites de manuais de redação acadêmica e também de outros gêneros. Digitar as dúvidas em sites de busca.
  3. Escrever normalmente, depois de terminar a primeira versão, aplicar as dicas e ideias encontradas online.
  4. Fazer pausas do trabalho a cada tópico, antes de começar a editar. A reescrita é importante no processo e ter calma e constância possibilitará identificar muitos problemas no texto.
  5. Ler e reler o texto à procura de erros em todos os domínios da gramática: ortografia, sintaxe, coerência, coesão…
  6. Dividir as partes do texto em alta prioridade e baixa prioridade.
  7. Alta prioridade inclui:
    (a) 
    Ideia ou foco: verificar se o texto tem uma ideia central clara e explícita.
    (b) 
    Público e propósito: quem vai ler? Para quê? Por que o texto será lido?
    (c) 
    Organização: a linguagem e a estrutura do texto são claras?
    (d) 
    Desenvolvimento: acrescente mais detalhes, exemplos ou dados específicos onde couberem.
  8. Baixa prioridade inclui: estrutura da frase, pontuação, escolha de palavras e ortografia. Mantenha uma lista de problemas que se repetem e verifique-os.
  9. Ler o texto em voz alta, ouvindo tudo o que soa incorreto. As regras de pontuação fazem sentido e são necessárias.

Dicas para a dissertação ou tese

  • Solicite que outra pessoa leia o texto já escrito sempre que possível.
  • Escritas e reescritas constantes fazem você não identificar erros óbvios, pois você se acostumar com eles.
  • Ler em voz alta o seu trabalho ajuda a identificar erros de sintaxe, frases confusas e palavras repetidas.
  • Dê a si tempo suficiente para editar e reeditar, escrever e reescrever.
  • Controle sempre as anotações para citações, estatísticas e paráfrases. O plágio pode até mesmo ser involuntário, mas é trágico.
  • Não existe mesmo nenhum substituto para a prática. Escrever e reescrever são os melhores caminhos para se chegar a um bom texto; isso requer tempo, portanto controle seu cronograma.
  • Contrate um revisor tão bom quanto for sua dissertação ou tese. Os melhores textos merecem os melhores revisores.