23 de maio de 2014

A função do revisor de textos acadêmicos

Qual é a função do revisor de textos numa tese, por exemplo? Quando já existe um orientador, ele vê todos os erros, normalmente.

Vamos explicar um pouco sobre a função do revisor de textos que trabalha focado em teses, dissertações e artigos. Os autores desses trabalhos, normalmente, já têm alguma experiência em textos longos ou mesmo larga vivência de escritor. Nem aquele que escreve a dissertação de mestrado, geralmente o primeiro trabalho de fôlego da pessoa, nem o mais experimentado doutor podem prescindir da colaboração do revisor.
Revisão linguística boa tem custo elevado. Sai caro é não revisar.
A pilha de referências requer
reverência e formatação
profissional.
Uma tese ou dissertação é, quase sempre, resultado de trabalho em equipe. Algumas vezes a pesquisa é em grupo, existe a interferência maior ou menos de um orientador, colegas que opinam em partes do texto, e – sempre – a influência de diversos autores que foram lidos e contribuíram nas ideias e informações necessárias para a construção do conhecimento. Os textos mais logos, teses e livros de pesquisadores seniores, algumas vezes são produzidos a partir da articulação e junção de textos anteriores, de sua própria autoria.
De qualquer modo, nas diversas formas de redação, criação e surgimento dos trabalhos de produção de textos grandes, o texto surge em partes, é escrito em etapas e sob influências de circunstâncias e humores variados. Todos esses fatores relacionados contribuem para que não haja perfeita uniformidade de construções, estilo e para que haja repetição, colagens com erro de construção e muitos outros problemas.
Essas questões todas que aparecem nas teses, os problemas da montagem do grande texto, deixam de ser vistas pelo autor e por qualquer outra pessoa que acompanhe a redação, orientadores, colegas e críticos, pois o próprio conhecimento do objeto – a matéria de que trata o texto – leva à leitura superficial, rápida, atenta mais ao conteúdo técnico, científico, que ao suporte (texto propriamente). Então surge o revisor, alguém que nunca lidou com aquele texto – e isso é importante: distanciamento, que normalmente não conhece o assunto e vai precisar entender com clareza as frases, mesmo sem apreender o conteúdo científico da redação.
O revisor vai promover a uniformidade, pois ele trabalhará com o texto todo – enquanto o autor trabalhou por partes, vai melhorar a legibilidade – o que sempre é possível, pois em toda frase que houver retenção na leitura será feita alguma interferência facilitadora.
A revisão é realizada em etapas, camadas de verificação de questões, se possível, cada uma delas é feita por um revisor diferente, com o intuito de expor o texto ao máximo de leitores possível antes da publicação. No caso de teses, nem sempre há possibilidade – por questões de tempo e de custos – de expor o texto a mais de um revisor (ou a uma equipe), mas o sistema de diversas leituras é necessário para garantir a qualidade requerida. Muitos revisores fazem listas de checagem correspondentes a cada uma das leituras ou “passagens” do texto. Ainda durante a primeira passagem, os problemas recorrentes são anotados para verificação sistemática; por exemplo: palavras que ficaram sem acento, pois os editores eletrônicos não identificaram exatamente o termo. Nas etapas sucessivas será feita verificação sistemática do problema.
O autor da tese faz sempre o melhor possível. O revisor vai melhorar.
Tenha em mente que, se você escreve, escreveu
ou escreverá um texto, você precisará de um
revisor. Aprenda como é a relação entre autor
e revisor em benefício do texto.
Feita a revisão, é necessário – sempre que haja tempo – que o autor confira as interferências feitas pelo revisor, pois cabe ao dono do trabalho a palavra final sobre cada vírgula. O revisor é o consultor técnico sobre a obra de seu cliente. O revisor opina, sugere, recomenda – o autor decide. Normalmente, quando se trabalha com a corriqueira exiguidade de tempo, o revisor aponta as questões em que existe possibilidade de dúvida, ficando a maioria das interferências no campo das questões pacíficas: nenhum autor deseja vírgulas entre sujeito e objeto, é erro inquestionável.