Falácias em teses e dissertações (V)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações

As falácias não são apenas argumentos que se devem evitar nos textos acadêmicos, mas equívocos de raciocínio que falseiam decisões comportamentais das pessoas. O revisor de textos não vai mudar o pensamento nem orientar a vida das pessoas, não somos gestores de nada além das concordâncias nos textos. Se o autor incorre, involuntariamente, em algum desses equívocos na dissertação ou na tese, podemos apontar o problema - no máximo!

13. Falácia do apostador

O autor infere a partir de “sequências” fatuais independentes, como resultados rolagem de dados ou números sorteados na roleta.
Os resultados da roleta não têm relação
entre si; os termos da oração têm.

Apesar de a probabilidade de ocorrência do resultado desejado ser sempre baixa, cada lance de dado é inteiramente independente do anterior. Apesar de haver uma chance baixíssima de um cara-ou-coroa dar cara 20 vezes seguidas, a chance de dar cara em cada uma das vezes é e sempre será de 50%, independentemente de todos os lances anteriores ou futuros.
A Wikipédia tem um longo artigo sobre falácia do apostador.

Exemplo: Muitos gostam de jogar na Mega Sena repetindo os números premiados no concurso anterior, outros evitam sistematicamente aqueles números. Uns preferem apostar nos números que tiveram menor ocorrência, ao logo da séria de todos os concursos, outros apostam naquelas dezenas sorteadas mais vezes! Nenhum desses raciocínios é válido, pois os concursos anteriores não têm nenhuma influência sobre os próximos resultados. Cada sorteio é um evento inteiramente independente.

14. Falácia (ou argumento) ad populum

Voz do povo não é voz de Deus.
Voz de revisor de texto tampouco.
O autor apela para a popularidade de argumento, no sentido de que muitas pessoas fazem ou concordam ele, como uma tentativa de validação da ideia. Também conhecida como apelo ao povo. É a tentativa argumentar apelando para a grande aceitação da tese por grande quantidade de pessoas. Por vezes, é chamada de apelo à emoção, pois os apelos emocionais tentam atingir toda a população.

O problema desse argumento é que a popularidade de uma ideia não tem absolutamente nenhuma relação com sua validade. Se houvesse, a Terra teria ficado plana por muitos séculos, pelo simples fato de que todos acreditavam que ela era assim.

Exemplo: Se a aceitação maciça de uma tese a justificasse, Hitler poderia ser canonizado, já que suas ideias foram aceitas por quase a unanimidade do povo alemão àquele tempo.

15. Falácia do argumento de autoridade

O autor usa sua posição, seus títulos ou sua visibilidade como argumento válido. No Brasil, a forma mais disseminada disso é popular “carteirada”, versão prática e negativa dessa falácia que quase faz parte de nossa cultura.
Revisores de textos não podem usar
argumento de autoridade.

No que diz respeito a essa falácia, as autoridades (acadêmicas, institucionais, intelectuais) podem perfeitamente ter argumentos válidos e não se pode também inverter o raciocínio, como se o argumento daí proveniente seja inválido por sua origem. O argumento deve se sustentar por si, mas, é claro, é perfeitamente possível que ideia do autor na posição de autoridade esteja errada; assim sendo, a autoridade de que tal pessoa ou instituição goza não tem nenhuma relação direta ou inversa com a validade das suas postulações. Também é argumento de autoridade recorrer a outra pessoa que endosse determinada postura, só pela posição ou visibilidade o outro.

Exemplo: O papa pode dizer que o Sol é o centro do universo (e muitos deles pensaram e disseram isso, ao longo dos séculos), ou Pelé dizer que tudo gira em torna da bola, mas nenhuma dessas manifestações vai mudar nada no Cosmo (o firmamento ou o time de futebol).
As 24 falácias a serem evitadas:

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