Falácias em teses e dissertações (VIII)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações

Mais três falácias típicas, sempre a serem evitadas nos textos formais como as teses de doutorado. Essas falácias não completam a série dos recursos erísticos inadequados, mas vamos colocar fim à lista para tratar de outros assuntos. O leitor poderá se aprofundar pesquisando pelo tema; veja que há mais questões que não foram apontadas nesta listagem, mas poderiam estar. A lista segue grande: falácia do apelo à antiguidade, ou à novidade; apelo a preconceito; falácia do acidente, ou sua inversão; falácia da causa diminuta; falácia de deus nas lacunas; petição de princípio; e tantas outras.

22. Falácia anedótica ou fática

A revisão da dissertação previne problemas na defesa.
"Acredite, é fato!"
O autor usa experiência pessoal ou exemplo isolado em vez de argumento sólido ou prova convincente. Consiste em se alegar um fato, geralmente comum, como generalização abstrata. É bem mais fácil para as pessoas simplesmente acreditarem no testemunho de alguém que entender dados complexos e variações dentro do continuum.

Medidas quantitativas científicas são quase sempre mais precisas que percepções e experiências pessoais, mas a nossa inclinação é acreditar naquilo que nos é tangível, na palavra de alguém em quem confiamos, em vez de em uma realidade estatística mais “abstrata”.

Exemplo: O autor alega que nunca foi entrevistado pelo Instituto Pesquisapobre e questiona se o leitor terá sido, disso conclui que os resultados das preferências eleitorais não é válido. Ora, como qualquer pesquisa se faz por amostragem, maior é a possibilidade que alguém não tenha sido entrevistado, o que não invalida nenhum resultado alcançado.

23. Falácia do atirador texano

O autor escolhe muito bem um padrão ou grupo específico de dados que sirva para provar o seu argumento sem ser representativo do todo.
Cada tese que formatamos tem que ser melhor que a antecedente.
Não se pode desenhar o alvo depois
de o tiro ter sido dado.

Esta falácia de “falsa causa” ganha seu nome partindo do exemplo de um atirador disparando aleatoriamente contra a parede de um galpão, e, na sequência, pintando um alvo ao redor da área com o maior número de buracos, fazendo parecer que ele tem ótima pontaria.
O texto do autor aponta grupos específicos de dados como esse aparecem naturalmente, e de maneira imprevisível, mas não necessariamente indicam que há uma relação causal.

Exemplos: O autor alega ter previsto determinada crise depois que ela tenha ocorrido. Comum e lamentável é a seleção de entrevistados com alta probabilidade de referendarem a hipótese postulada.

24. Falácia do pombo enxadrista

Consiste em o autor proclamar vitória, dando a entender que venceu o debate, sem ter conseguido realmente apresentar bons argumentos. É uma bravata contra as ideias contrárias. O nome refere-se a alegoria de que, se alguém for jogar xadrez com um pombo, a ave sobe no tabuleiro, derruba as peças, defeca, e voa arrulhando vitoriosa.
O revisor vê problemas no texto que ninguém mais veria.
Lembre-se de debater com
quem tem competência.

O conceito da falácia do pombo enxadrista foi criado na internet como uma ironia especialmente relacionada a debates sobre a questão "Criacionismo versus Teoria da Evolução" dos seres vivos, mas é expansível seu uso como comportamento em qualquer debate. É falácia típica de autor menos provido de referências e embasamento técnico-científico ou formalismo que, sem mais contra-argumentos, age com infantilidade.

O autor, quase reconhecendo sua fraqueza, quando fica sem argumentos, cai em falácias e começa a agredir verbalmente a posição contrária (propriamente a clássica falácia argumentum ad hominem), mas sai cantando vitória (falácia da falsa proclamação de vitória) em seguida.

As 24 falácias a serem evitadas:

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