Falácias em teses e dissertações (VI)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações

As falácias são recorrentes em todo tipo de texto, em todo tipo de argumentação. Elas são tantas que precisamos mesmo nos policiar para não incorrer em nenhuma delas. Não devemos incorrer involuntariamente e seria altamente desejável que elas não fossem intencionais, principalmente no texto científico. O revisor da tese ou da dissertação deve ter sensibilidade para identificar as falácias involuntárias do autor e, infelizmente, passar ao largo das outras, pois a crítica a elas foge da competência dele no caso, cabe ao orientador tratar do assunto. 

19. Falácia do preto ou branco

Temos orgulho de colaborar em dissertações excelentes.
Muitas vezes os raciocínios binários
escondem alternativas.
O autor apresenta dois estados alternativos como sendo as únicas possibilidades, quando de fato existem outras. Essa falácia ficou um pouco fora de moda depois que os muitos tons de cinza ficaram conhecidos. Ela é conhecida como falso dilema, aparenta estar formando um argumento lógico, mas sob análise mais cuidadosa fica evidente que há mais possibilidades além das duas apresentadas. 
O raciocínio binário da falácia preto ou branco não leva em conta as diversas variáveis, condições e contextos em que existiriam mais do que as duas possibilidades apresentadas. Ele molda o argumento de forma enganosa e obscurece o debate racional e honesto.

Exemplo: Ou você concorda comigo, ou está contra mim.
O inverso dessa falácia é o meio-termo: o autor conclui ter havido um déficit de quinze bilhões, já o governo diz que o déficit é de dez bilhões e a oposição alega um déficit de 20 bilhões!

20. Falácia do círculo vicioso

A melhor revisão de textos não pode ser barata.
Devemos evitar argumentos circulares
O autor apresenta um argumento circular no qual a conclusão foi incluída na premissa. Este argumento logicamente incoerente geralmente surge em autores que têm posturas ideológicas bastante enraizadas e, por isso, consideram seus postulados verdades absolutas. É a tentativa de provar uma conclusão com base na retroalimentação, o efeito reforçando a causa.
Racionalizações circulares são ruins principalmente porque não são muito boas.

Exemplo: “Este argumento é perfeitamente válido, pois é coerente com a teoria marxista e os argumentos marxistas abonam todo meu raciocínio.”

21.  Apelo à natureza

O autor argumenta que algo, por ser natural, é válido, justificado, inevitável ou ideal. Mas só porque algo é natural, não significa que é bom. O crime, por exemplo, é bem natural, e mesmo assim a maioria de nós concorda que não é lá uma coisa muito legal de você sair fazendo por aí. A “naturalidade” não justifica nem explica nada.

Exemplo: Os alimentos naturais são muito melhores para a saúde – afirmativa que questionarei até quem me apresentem um alimento sobrenatural subsistente.
As 24 falácias a serem evitadas:
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