Falácias em teses e dissertações (VII)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações

As origens ou a maior incidência de um evento não constituem explicação suficiente para transformar as ocorrências em decorrências. Há muitos equívocos dessa natureza nos textos, alguns acidentais, outros constituídos por vieses ideológicos e ha ainda os intencionais, mas todos deveriam ser, idealmente, banidos do texto científico. Primeiramente, caberia ao autor fugir de tais vícios lógicos, depois, seria papel dos orientadores. Mas mas não é assim que ocorre, tampouco cabe aos revisores depurar textos da ideologia de autores e orientadores.

16. Falácia por composição ou divisão

O autor deduz ou afirma que uma característica de parte de algo deve ser aplicada ao todo, ou a outras partes do mesmo. Ocorre sim que, quando algo é verdadeiro em parte, isso também se aplica ao todo, mas é crucial saber se existe evidência de que se trata desse caso.
O texto de sua tese merece a melhor revisão.
Entre o todo e as parte não há
decorrência necessária ou inversa.
Composição ocorre quando o autor conclui que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo, divisão ocorre, no sentido inverso, quando o autor propõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Trata-se de um equívoco por erro de valoração, ou de tentativa de induzir erro com base em premissas que não determinam a conclusão. Nesse tipo de equívoco, o raciocínio do autor pode se tornar obliquo, de modo a presumir consistência e padrões onde eles não existem.
Exemplo: Os sistemas de cotas étnicas, em todas suas aplicações, derivam teste tipo de raciocínio. O pressuposto é que, em uma sociedade justa, as vagas nos parlamentos, cátedras, instituições deveriam ser distribuídas segundo os mesmos índices pelos quais as etnias estão disseminadas na população. Ocorre que nenhuma instituição é representação fractal da sociedade, pois existem interesses, motivações e capacidades diferentes que integram cada uma delas.

17. Falácia da exclusão do grupo (“escocês de verdade”)

O autor faz o que pode ser chamado de apelo à pureza como forma de rejeitar críticas relevantes ou falhas no seu argumento.
A formatação pode ser feita segundo a ABNT, Vancouver ou outras normas.
Revisores de textos não devem usar
a pureza da língua como argumento
em suas intervenções.
Nesta forma de argumentação falha, a crença de alguém é tornada infalsificável porque, independentemente de quão convincente seja a evidência apresentada, a pessoa simplesmente move a situação de modo que a evidência supostamente não se aplique a um suposto “verdadeiro” exemplo. Esse tipo de pós-racionalização é um modo de evitar críticas válidas ao argumento de alguém.

Raciocínio típico:
  1. Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau.
  2. Ora, eu tenho um amigo escocês que faz isso.
  3. Ah, sim, mas nenhum escocês "de verdade" coloca.

Exemplo: O verdadeiro socialismo não poderia causar a opressão como é praticada em Cuba. Ah, mas aquele não é o verdadeiro socialismo, senão o que é possível face a opressão dos EUA.

18. Falácia genética

Sempre revise, sempre formate com profissional.
Origem não é prova suficiente.
O autor emite juízo ou explicação tendo por base elemento bom ou ruim segundo sua origem. O engodo consiste em aprovar, desaprovar explicar ou prever algo baseando-se unicamente em sua origem.
Esta falácia evita o argumento ao levar o foco às origens de algo ou alguém. É similar à falácia ad hominem no sentido de que ela usa percepções negativas já existentes para fazer com que o argumento de alguém pareça ruim, sem de fato dissecar a falta de mérito do argumento em si.


Exemplo: A corrupção e a burocracia nos governos brasileiros são decorrentes das falhas no sistema administrativo português instaurado por Dom Dinis (sexto rei de Portugal, 1279-1325). Ou: As aristocracias na política brasileira tiveram origem nas Capitanias Hereditárias.
As 24 falácias a serem evitadas:
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