9 de abril de 2014

Falácias em teses e dissertações (I)

Argumentos falaciosos a serem evitados em teses e dissertações

A tese e a dissertação devem ser constituídas de argumentos honestos, claros e lógicos. O revisor de textos verifica a natureza da argumentação.

Qualquer tese, dissertação ou artigo científico deve observar o que Peirce chama de “ferramentas para o raciocínio correto”. Quando se trata da construção e exposição de raciocínio ou argumentação em texto acadêmico, isso passa a ser coisa séria a que o revisor do texto deverá dar toda atenção de forma supletiva ou complementar ao cuidado que o orientador tiver dado ao caso.
A Keimelion tem a melhor revisão para tese e dissertação.
Lógica argumentativa e revisão de texto.
Não somos especialista em metodologia, nem em retórica e tampouco pretendemos ensinar as pessoas a argumentar, mas lógica é assunto fascinante e construção de argumentos depende de lógica. As lógicas são esqueletos que tornam as linguagens (dos idiomas à matemática, passando, e muito, por tecnologia da informação) possíveis. Nós dependemos dessa lógica textual para nos relacionarmos uns com os outros, para nos fazermos entender, melhorarmos nossa forma de pensar e para escrevermos teses e dissertações.
Em Your Logical Fallacies, estão listadas as 24 falácias mais comuns, em linguagem simples, com exemplos engraçadinhos e tem até um pôster para você baixar em PDF, mandar imprimir na gráfica e colar na parede. Tudo de graça. A imagem que se segue é a reprodução do tal pôster.
A melhor revisão de textos não pode ser barata.

Como esse é um conhecimento bem importante para a linguagem acadêmica, na hora da tese ou mesmo quando se quer travar diálogos e debates saudáveis, adaptamos para esse campo – em que atuamos – a postagem de Papo de Homem, mais genérica, para nosso foco.
A numeração entre as falácias não indica nenhum tipo de hierarquia entre elas, é apenas para facilitar futuras referências a exemplos específicos.
Leia, entenda e não as use nunca, muito menos em textos acadêmicos que devem ser pautados pela honestidade argumentativa.

1. Falácia do espantalho

O autor desvirtua o argumento para ficar mais fácil atacá-lo. Finge que aquele argumento se refere a uma coisa, quando ele está focado em outra.
A formatação profissional da dissertação garante qualidade.
O autor acadêmico tem compromisso
com a verdade e o revisor do texto
corrobora esse dever.
Ao desvirtuar ou simplesmente reinventar um argumento de outro autor, fica bem mais fácil apresentar a sua posição divergente como razoável ou válida. Esse tipo de desonestidade intelectual não apenas prejudica o discurso acadêmico racional, também prejudica a própria posição de alguém que o usa, por colocar em questão sua credibilidade – se alguém está disposto a desvirtuar negativamente o argumento do autor de que diverge, será que os seus próprios argumentos também não estariam falseando?

Uma das estruturas dessa falácia tem a seguinte forma:
  • O autor A defende o argumento X;
  • O autor B apresenta o argumento Y, como se fosse da pessoa A (pois Y é uma versão distorcida de X);
  • O autor B ataca a posição Y;
  • Logo, o argumento atribuído ao autor A é falso,
  • Logo, X é falso.
Exemplo: O Cardeal William Levada, declarou que Richard Dawkins argumenta que a Teoria da Evolução prova que Deus não existe; um argumento que é absurdo. Esta, porém, é uma falácia do espantalho, porque a posição de Dawkins é que a Teoria da Evolução torna o Ateísmo uma posição válida: se existe evolução, a visão Naturalista do mundo é logicamente aceitável.

2. Falácia da causa falsa

A dissertação bem revisada evita problemas na defesa.
Causa falsa é mentira lógica, revisor
não pode deixar passar.
Consiste em estabelecer que qualquer relação real, deduzida ou inferida entre dois fatos determinam causalidade entre eles.
Em termos retóricos, essa falácia pode ser do tipo: cum hoc ergo propter hoc (com isto, logo por causa disto). Essa causalidade indevida deriva de se ignorar a possibilidade de que possa haver uma causa em comum para dois fatores, ou que entre ambos absolutamente não haja nenhuma relação de causa e a aparente conexão é coincidência.
Outra variação do mesmo equívoco é post hoc ergo propter hoc (depois disto, logo por causa disto), na qual uma relação causal é presumida existe sucessão temporal entre os fatos – e nada mais que isso. Antigamente esse era um vício constante em História, por exemplo.

Exemplo: Baseado em um gráfico, o autor mostra como as temperaturas têm aumentado nos últimos séculos, ao mesmo tempo em que cresceu a industrialização; sendo assim, obviamente, a industrialização é causa do aquecimento global.

3. Falácia do apelo à emoção

Artigo científico precisa de revisor profissional.
Revisores e argumentos não
podem ser emocionais.
Consiste em tentar manipular uma resposta emocional no lugar de um argumento válido ou convincente. Apelos à emoção são relacionados a medo, inveja, ódio, pena, orgulho, entre outros. Ela é também chamada apelo ao povo. É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas, pois os apelos emocionais tentam atingir toda a população.
O argumento logicamente coerente pode inspirar emoção, ou parecer emocional, mas a falácia acontece quando a emoção substitui argumento lógico ou oculta o fato de que não existe nenhuma relação racional estabelecida.
Todos somos afetados pela emoção, por isso apelos à emoção são uma tática de argumentação muito comum e eficiente. Mas eles são falhos e desonestos, com tendência a deixar o leitor justificadamente emocional (ou furioso).

Exemplo: A maioria das pessoas acredita em Deus e a maioria não erra, portanto Deus existe.

As 24 falácias a serem evitadas:
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