13 de abril de 2013

Revisores de textos têm olhos treinados e calejados no ofício

Os revisores treinam seus olhos para ver aspectos específicos dos textos e fazem leituras direcionadas a questões linguísticas às quais os autores não estão atentos, talvez nem devam estar, ou mesmo desconhecem. Entender o funcionamento do serviço de revisores de textos e formar com eles uma parceria produtiva enriquece e a qualidade do texto, liberando o autor para as questões de conteúdo e confiando ao profissional do ramo das letras o acabamento final da obra.
É por conhecimento e por prática
que o revisor vê tudo no texto.
Primeiramente, compreenda que há muita, muita coisa além das corriqueiras ortografia e sintaxe a que o revisor vai prestar atenção. E a atenção que o revisor presta ao texto é muito diferente daquele cuidado que o autor já teve, assim como difere da atenção que terá o leitor a que o texto se destina. O revisor lê o texto “em camadas”, em cada leitura atento a diversos aspectos, com foco analítico e sintético, considerando questões pontuais ou dispersas, alternadamente. Raramente o revisor tem tempo de apreender o conteúdo do texto, quanto ao objeto de que ele trata – exceto de forma residual. O revisor sabe, ao fim de um texto longo, quais são as expressões favoritas do autor, reconhece os bordões e frases feitas a que ele recorreu frequentemente (certamente terá interferido nessas questões) e sabe bem até o tipo de vício de digitação em que o autor incorre. É a leitura com o olho direcionado, a leitura linguística, leitura de quem está acostumado a considerar qualquer escrito no cotidiano como uma sequência de armadilhas fatais a serem evitadas.
O revisor de textos, como qualquer profissional, evolui no exercício continuado de seu ofício. Ele aprende linguística, sintaxe, semântica e fonética na faculdade. Aprende até teoria da revisão com os professores que se dedicam ao campo. Mas, a revisar, o revisor aprendeu revisando, a velha máxima de que é na forja que se faz o ferreiro aplica-se à revisão de textos com absoluta propriedade. Experiência no ramo da revisão é capital insubstituível. Claro que pode haver e há excelentes revisores bem jovens, mas o olho calejado requer milhares de horas em trânsito sobre as vírgulas, pronomes e conetivos que dão tessitura às ideias alheias.
Os melhores textos requerem os melhores revisores. Qualquer leitor pode fazer sugestão ao texto de outrem, mas as sugestões do revisor se caracterizam pelo método e pelo exercício sistemático, pela prática e pela ciência da língua. Valorizar o trabalho do revisor é, antes de tudo, valorizar seu texto, é dar cada ideia que será transmitida sua devida importância, assegurando-se de que a informação chegará ao destinatário sem os ruídos decorrentes dos erros, das lacunas e das outras imperfeições que o olho do revisor não deixará passar.

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