12 de abril de 2015

O sigilo profissional da revisão de textos

Questão que preocupa muitos autores em relação a seus textos, e a preocupação faz realmente sentido, é a que se refere ao sigilo do revisor em relação ao trabalho.

Como revisores, consequentemente linguistas, vale lembrar que a palavra sigilo vem do latim, língua em significava "sinalzinho" - no sentido de símbolo destinado a guardar um segredo. O sigilo profissional do revisor de textos se refere ao resguardo do material que lhe é confiado, não o trazendo a público em prejuízo do autor.
Revisor não vê, não ouve, não fala mais que o necessário!
Enquanto o texto não for publicado
por seu autor, o revisor não o viu,
não ouviu falar dele e nada tem a
dizer sobre o que foi escrito.
O sigilo sobre o texto quer dizer que o revisor não pode nem vai publicar fragmentos ou a totalidade da produção do cliente, nem antecipar seu conteúdo por nenhum meio. Atualmente, com toda a facilidade da publicação eletrônica, seria bastante fácil a um profissional desonesto, e se for desonesto nem se pode dizer que seja profissional, antecipar-se com um fragmento de qualquer obra, em um blog, por exemplo; a facilidade de se fazer algo assim seria inimaginável há poucos anos. O revisor não pode fazer isso nem a título de que está dando publicidade a seu trabalho de revisor, exceto se a tal for expressamente autorizado pelo autor - o que é improvável que ocorra.
Nem vou mencionar a apropriação do texto alheio, a fraude (usar parte daquele trabalho em outra obra, por exemplo), ou o plágio: apresentar o texto do cliente como seu. Esses são casos diferentes da violação do sigilo e só estão ligados a ele por serem também práticas ilícitas.
Como o autor pode se precaver quanto á lisura do revisor? Bem, revisão de textos é uma relação de confiança, primordialmente. Autor e revisor devem construir entre si confiança no que tange à qualidade do trabalho de cada um e confiança na relação profissional, por exemplo, no que tange à pontualidade (na entrega do serviço e nos pagamentos), no que concerne ao limite entre o trabalho de um e a criatividade do outro (o revisor se age como consultor). Então, trate o autor de escolher bem quem vai revisar seus textos, ou a equipe com quem vai trabalhar, pois essa relação entre autor e revisor amadurece, o trabalho cooperativo valoriza o produto. Na escolha do revisor, observe a reputação que ele tem construído. Importantíssimo é jamais usar o serviço de revisão de alguém que "faça" trabalhos para os outros: será grande a probabilidade de que parte ou todo seu texto seja plagiado mais à frente. Outra providência que se pode tomar, quanto ao resguardo de direitos recíprocos, é a formalização do contrato entre as partes, por instrumento privado entre autor e revisor que terá ampla validade legal e específico condão inibidor de todo tipo de contrafação.
Um aspecto de que o revisor deve se resguardar é quanto a comentários estéticos ou qualitativos sobre os textos dos clientes. Revisor pode até ter vontade de ser crítico literário, mas não o é. Não é função do revisor opinar sobre conteúdo ou qualidade de textos, exceto se o cliente o demandar especificamente e, nesse caso, a crítica só deve ser fornecida ao autor que fará dela uso como subsídio a sua produção. Nós preferimos mesmo não fazer nenhum tipo de comentário dessa natureza, nem sob demanda dos autores.
Por outro lado, existem as coisas que o revisor pode fazer quanto ao trabalho revisado: ele pode dizer que o fez - o trabalho de revisão é legítimo e só valoriza o texto do autor. Quem faz um trabalho acadêmico e contrata um revisor, além de estar fazendo algo completamente ético, está demonstrando apreço por seus leitores e expressando a importância atribuída ao desempenho da atividade de comunicação científica. Então, que o crédito do revisor seja dado no trabalho, é de direito do profissional da revisão e de importância para o autor, por expressar o relevo que ele dá á qualidade de seu produto.
O revisor pode ainda dar a público seu trabalho de revisão, apresentando em seu portfólio tais e tais trabalhos que realizou para este e aquele clientes, assim como muitos profissionais o fazem. É legítimo, pertinente e útil que os revisores o façam, para que os autores saibam quem é o revisor pelos trabalhos em que já se empenhou. Quando se trata de um trabalho acadêmico, uma tese defendida, por exemplo, desde a defesa seu texto já é publico: partes dele serão mencionadas em outros trabalhos e seus fragmentos e ideias ilustrarão outras produções, resguardadas as citações autorais de praxe. Então, pode o revisor, da mesma forma, citar o trabalho que revisou e dar a ele publicidade que, de muitos modos, será também do interesse do autor. Todas essas questões podem também ser tratadas no contrato, limitando ou ampliando-se esses direitos de menção, citação e divulgação dos trabalhos de cada uma das partes.
Textos acadêmicos requerem sigilo por parte dos revisores.
Revisor tudo vê, mas não fala, nem ouve.
Se houver muito erro, revisor não houve!