Seja qual for o tipo de texto em produção, é preciso ter em mente que planejamento e revisão são processos que precisam ser incluídos na rotina. A fantasia de que ideias brilhantes pairam no ar e de que bons escritores simplesmente têm facilidade para escrever deve ser desconstruída. É função do revisor deixar claro ao autor que que, embora os textos de autores profissionais não tenham traços do processo de produção, eles foram planejados, escritos, revisados diversas vezes e lidos por várias pessoas até estarem bons o suficiente para chegar às mãos dos leitores.
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| A revisão do texto é indispensável para a qualidade final do produto. |
Outro ponto importante que tem de ser mostrado aos autores é que recorrer a bons modelos, para desenvolver um repertório sólido, é uma atitude imprescindível para escrever bem e com criatividade. Afinal, não se trata de copiar, mas de aprender com uma experiência, usando-a como referência. Não estamos falando de plágio, obviamente nem de adoção de fórmulas literárias, mas de repertório de emulação: a capacidade de fazer conexões com outros textos e autores dentro do mesmo universo textual ou de outros.
Em relação ao ato de revisar, ele não pode ser substituído pela autorrevisão, ou pela correção ortográfica, como se fossem a mesma coisa. Ao corrigir, costuma-se transformar os erros, lapsos, omissões em acertos, mas quase nunca isso basta. É natural: os autores apresentam uma espécie de cegueira diante dos próprios erros, como descrevem Auguste Pasquier e Joaquim Dolz, no texto Un Decalogo para Ensenar a Escribir, publicado na revista espanhola Cultura y Educación. O autor, ao tentar revisar o que produz incorre em equívocos e ausências que reforçam o papel da etapa revisional como integrante da produção de texto.
Adaptado de Vichessi B.




