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26 de setembro de 2012

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O texto bom requer revisão profissional

Tudo que a maioria dos autores deseja é se assegurar que seu texto esteja formalmente correto e seja claro, compreensível, agradável, coerente - tendo como pressuposto que o conteúdo seja uma questão superada. Mas assim que os "erros de português" sejam eliminados das frases e palavras, quase todo escritor iniciante se dá por satisfeito. Da mesma forma, autores maduros julgam frequentemente que seu texto seja bom e dispensam a revisão.
Revisão de textos é assunto para profissional do ramo.
O texto é um conjunto de ideias que
têm que ficar bem encaixadas.
A gramática não pode ser deixada de lado - ou pode já estar totalmente aplicada, mas é preciso considerar vários outros aspectos que contribuem para a qualidade de um texto, como objetividade, emprego de expressões adequadas ou riqueza de vocabulário, coerência em diversos níveis, coesão... - sem falar em aspetos contextuais, mídias, público-alvo. São tantos os fatores a serem considerados que quase se pode dizer que a escolha de cada palavra e a escolha do lugar de cada uma delas têm que ser pensados. Mas se o autor for pensar em tudo isso, ele não escreve! Não escreve mesmo: a linguagem requer fluência, dinâmica, continuidade, assim como o pensamento - um encadeamento natural que, se for rompido, costuma travar o processo comunicacional.
Nesse contexto de virtual paradoxo surge a figura do revisor: é ele que vai cuidar de repensar as palavras e o lugar delas. Claro que isso foi feito pelo autor, que inevitavelmente terá relido o que escreveu e modificado, modificado, modificado até que todas as alternativas já o confundam, ou que já não esteja mais percebendo os problemas comunicacionais do texto - pois ele o conhece tão bem que o entende perfeitamente!
Revisar o próprio texto é quimera. O autor faz releituras, reescreve. Não se pode pensar em revisão de textos sem a considerar como serviço profissional, um trabalho cheio de técnicas e repleto de muito conhecimento e constante acréscimo de erudição. Qualquer pessoa pode reler, melhorar, corrigir um texto com problemas - mas a questão se complica quando o texto já está bem escrito: somente o profissional experiente encontrará os problemas sutis e o aperfeiçoamento fino que aquele texto requer e merece.
Um bom texto não dispensa a melhor revisão, ele a reclama e a merece - assim como o melhor autor faz jus ao serviço de um excelente revisor. Claro que todo autor, por menos experiente que seja, também merece serviço de revisão de primeira, mas a excelência do texto será resultado do trabalho proveniente do autor, cabe a ele a criação - o revisor dá o lustro, o acabamento.

24 de setembro de 2012

Top 10 postagens populares em nosso blog

Top 10 postagens populares em nosso blog desde sempre até hoje

18 de setembro de 2012

Revisor de textos e tradição gramatical

O revisor de textos moderno precisa extrapolar os limites da tradição gramatical que geralmente composta três elementos: i) a “gramática tradicional”, o conjunto de ideais, ideologias, concepções, avaliações de língua que servirão de preceitos para a “gramática normativa”; ii) a “gramática normativa”, que regulamenta a gramática tradicional, isto é, dá-lhe uma materialidade verbal em forma de lei; e iii) os “comandos paragramaticais”, uma espécie de apêndice da gramática normativa e corresponderiam às noções veiculadas por revistas e jornais de ampla circulação e a sites diversos (repletos de matérias,  colunas, postagens sobre como falar e escrever “corretamente”).
Apesar do uso provisório da expressão “tradição gramatical” – a fim de possibilitar a referência a um mesmo tipo de fontes de consulta do revisor de textos, vale observar que o único motor da gramática normativa e dos comandos paragramaticais é a gramática tradicional.
A língua-padrão não pode ser coletada e descrita empiricamente pelos cientistas da linguagem. Daí decorre a acientificidade da gramática tradicional e, por extensão, da tradição gramatical, na medida em que tanto uma quanto a outra descrevem a língua-padrão.

Tanto no senso comum como, provavelmente, na maioria das situações práticas – mesmo dentro da academia, o revisor de textos seria concebido como um “inquisidor” responsável por fazer valer, incondicionalmente, os “preceitos” e as “leis” da tradição gramatical.
Artigo científico precisa de revisor profissional.
Nunca o texto está pronto, mas jamais
o texto sem revisão deverá ser publicado.
A rigor, palavra “revisão” deve ser utilizada no plural, uma vez que ela se refere às modificações realizadas em um texto. Tal concepção deve ser exercida do ponto de vista da atividade profissional da revisão, compreendendo as ações de interromper a progressão do texto, a fim de estabelecer um produto em ponto de ser consumido.
A revisão é vista como uma atividade de modificação em um texto já escrito que é realizada por terceiros. A revisão, independente de quem a realiza, em que contexto e com que objetivo, é uma etapa da produção de textos, porque o desvio – no sentido de assimetria – é constitutivo da linguagem e parte da função do revisor são os eventuais ajustes nestes desvios, ou sua assimilação consciente ao produto.
O simples fato de a língua ser usada, seja na modalidade oral, seja na escrita, implica que nenhum texto atenda a todas as disposições da tradição gramatical. Cabe notar que nem mesmo as obras literárias de cujos trechos a gramática tradicional extrai essas disposições escapam à força do uso real da língua, na medida em que essas mesmas obras apresentam ocorrências gramaticais divergentes das regras formuladas pela mesma lente que as tomou como corpus.
Ainda assim, a principal mudança de perspectiva por parte dos profissionais de revisão seria abandonar a concepção de revisor-inquisidor. Cabe ao revisor de textos, em vez disso, propor alterações necessárias à adequação dos textos às condições de produção/recepção desses textos. E tais alterações compreendem desde as escolhas tipográficas e ortográficas, passando pelas gramaticais e lexicais, até as estilísticas e discursivas.
Fragmentos adaptados de Costa, Rodrigues e Pena.

17 de setembro de 2012

Revisão de texto como prática linguística, discursiva e social

O papel da revisão de texto é, principalmente, destrinchar o que está escrito – ou representado – buscando o sentido mais amplo do autor para chegar à eficiência comunicacional, considerando o contexto – e, quando se fala em contexto, quer-se dizer absolutamente tudo: etnia, classe social, formação – em que se insere seu autor. Desse modo, devemos estudar a revisão de texto em perspectiva social ampla.
Qualquer dissertação é valorizada com revisão.
O papel do revisor de textos é
o de um facilitador da comunicação.

A prática social tem várias orientações – econômica, política, cultural, ideológica e a revisão de texto está presente em todas elas, uma vez que a ordem social que estrutura uma sociedade estabelece-se a partir de um mercado complexo em que os textos são produzidos, distribuídos e consumidos. Esse mercado diz respeito a como os textos são produzidos e, de maneira particular, em que contextos sociais específicos: pressões, vaidades, demandas;  refere-se também ao contexto do consumo de textos, variando de acordo com sua natureza, destinação, clientela; explica, enfim. como os textos são consumidos no mundo, podendo ser distribuídos de forma simples (conversação casual), ou complexa – o texto jornalístico ou uma tese, por exemplo.
A importância social da revisão de texto engloba a prática discursiva. Isso porque ambas, tanto a revisão de texto quanto a prática discursiva, são atividades que lidam com gêneros discursivos variados. O revisor trabalha com folders, textos jornalísticos, outdoors, teses, poesia, roteiros. Isso comprova que o texto não se restringe ao que se escreve, mas engloba diferentes formas de expressão – imagens, cores – que ajudarão a compor com a parte linguística.
Adaptado de Rocha & Silva.

12 de setembro de 2012

Da revisão de texto à revisão de texto crítica

A linguagem escrita está se tornando, cada vez mais, apenas um dos muitos modos de representação do conhecimento. A revisão de textos crítica constitui-se a partir da percepção do texto como elemento das práticas sociais em perspectiva dialética entre linguagem e sociedade. Assim, essa teoria considera o texto como integração de diversas formas de modos semióticos, em que os autores, ao fazerem uso dos recursos disponíveis, agem sobre as outras pessoas e sobre o mundo. De outra parte, a comunicação sempre foi multissemiótica, mas assumir essa perspectiva em revisão de textos torna-se algo novo e assustador, principalmente para as sociedades grafocêntricas como a nossa. As mudanças no cenário comunicacional têm ficado fora do ensino de Língua Portuguesa no Brasil porque, em grande parte, valoriza-se, ainda, o modelo autônomo do letramento, centrando-se no entendimento da nomenclatura gramatical em atividades fossilizadas, não significativas e fora do contexto social dos alunos e alunas.
Apresentação gráfica de dissertação é formatação.
A função do revisor é trazer luz ao texto.

Considerar a prática de revisão de texto um processo simplesmente mecânico é um pensamento errôneo e primitivo. Sabe-se que texto envolve muito mais que as regras gramaticais; ele engloba contextos subjetivos, sociais, históricos, linguísticos e cognitivos. Isso porque, na construção do texto, existem tantos elementos envolvidos quanto é a complexidade deles. Porém, pode-se dizer que, sem um desses elementos, em especial, não há como se ter sequer uma frase.
Seja qual for o tema, seja qual for a intenção ao se produzir um texto, ele vai ser consequência do ponto de vista, do contexto, do sentido, enfim dos conhecimentos de seu produtor, e tudo isso faz parte de uma construção. É exatamente do que trata a identidade de um indivíduo, de um processo de construção ao longo da vida.
Pelo fato de que a revisão de texto vai muito além de um trabalho técnico ou da aplicação das regras gramaticais, é preciso que haja entre autor e revisor a negociação do sentido, em que ambos possam chegar a um ponto em comum em relação às “intenções” do texto.
Adaptado de Rocha & Silva.

A ideologia na revisão de textos

Qualquer texto é exemplo significativo das infinitas possibilidades de comunicação que a língua oferece, o que nos coloca diante do grande desafio da revisão de textos: fornecer alternativas de interferência nos textos escritos, preservando as características do autor, sua origem social e ideologia, e identificando sua intenção e o público a que se destina. O trabalho de revisão não pode descaracterizar as marcas do gênero, do autor, dos atores sociais/personagens e do leitor/receptor, tendo em conta as particularidades do contexto sócio-histórico, ideológico e cultural que se pretende registrar e transmitir.
O texto revisado está sempre melhor, mas
deve resguardar as características autorais.
O revisor não pode sempre exorbitar do poder de alterar o texto para corrigir inadequações, sob pena de distanciá-lo dos propósitos do autor. Só o faz quando existe motivo interno e externo ao texto que justifique tal intervenção.

Da mesma forma que o contexto social é determinante na produção de formas simbólicas, também o será na recepção e no modo como elas serão interpretadas pelos receptores.
A linguagem é ferramenta essencial para a transmissão da ideologia dominante, mas é também instrumento importante de contestação ideológica.
Todo texto constitui elemento de interação entre quem o produz (autor/falante) e quem o interpreta (leitor/interlocutor). O conhecimento de mundo e o contexto sociointeracional partilhado pelos interlocutores são relevantes para o estabelecimento da significação textual. Qualquer expressão de movimento social torna-se um mecanismo de transformação da visão de mundo daqueles a quem se dirige, do centro ou da periferia. Esse potencial transformador é o que pode, por exemplo, fazer de algum texto um gênero artístico de penetração, mesmo não contendo as características formais da norma culta aceitos pelos meios de comunicação de massa ou pela academia.
Entendida a linguagem como importante instrumento de preservação e de contestação ideológica, procuramos ter em mente o desafio profissional do revisor de textos que consiste, a um só tempo, em aprimorar e corrigir o texto, mas sem desfigurá-lo dos traços de criatividade e originalidade de seu autor.
Fragmentos adaptados de Campos. A. M. V. C.

11 de setembro de 2012

Maiores dúvidas de português dos leitores de Veja

O site da revista Veja tem um "consultório" de dúvidas de português, o que numa linguagem menos popular seriam dificuldade linguísticas. A lista que se segue, com os links para o site da revista onde o consultório se situa, contém a os dez artigos da seção que foram e continuam sendo mais acessados pelos leitores da coluna, em ordem decrescente de visitação. É um bom painel das dúvidas linguísticas que mais atormentam os brasileiros (e as brasileiras, como acrescentariam os cultores de um modismo besta, comentado no item 4) nos dias de hoje.

A língua é sempre um mar de dúvidas,
o revisor é o piloto que conhece o porto.
A coluna se propõe a esclarecer qualquer dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática.
Toda quinta-feira o colunista responde consultas pelo endereço: sobrepalavras@todoprosa.com.br
  1. Risco de vida ou risco de morte?
  2. Presidenta x presidente: a língua também pode ser política.
  3. Americano, norte-americano ou estadunidense?
  4. Todos e todas, brasileiros e brasileiras.
  5. ‘Como lhe aprouver’: isso existe?
  6. A pronúncia de ‘subsídio’: erro hoje, regra amanhã?
  7. Através ou por meio?
  8. Por que escrevemos ‘muito’ e falamos ‘muinto’.
  9. História x estória, um conflito histórico.
  10. Ioga ou yôga? Respire fundo.
Em geral, gostamos muito das respostas encontradas por lá. Recomendamos a coluna com a ressalva de que ela se refere a textos em geral, dependendo do contexto a norma pode ser mais ou menos flexível. Cabe bom senso do autor e a opinião técnica do revisor.

5 de setembro de 2012

Contra plágio e outras fraudes acadêmicas

Seguimos em nossa colaboração contra todo tipo ilicitude nos trabalhos acadêmicos. Nosso trabalho visa sempre colaborar no aperfeiçoamento dos textos e, de tal modo, dar nossa contribuição ao desenvolvimento do saber. O plágio, a contrafação de trabalhos (até a compra de teses e dissertações), e mesmo a falsificação de diplomas têm se tornado problemas graves no Brasil - e já eram no exterior, mas são questões que se agravaram com o advento da internet.
Jamais entregue uma tese a um revisor que vende trabalhos.
O plágio deteriora o saber e a ética;
fazemos de tudo para o combater.
Todavia, a própria rede tem muitos mecanismos que propiciam a identificação de todo uso ilícito de textos alheios. Reproduzimos aqui essas indicações advindas do Portal Universia, tendo-as como de utilidade pública.



Detectores de fraudes
O site Turnitin oferece o programa de identificação de plágio em mais muitos idiomas, inclusive o português e é usado por mais de 1 milhão de professores em todo mundo.
O site iThenticate é um dos mais populares para detectar e previnir plágios profissionais. 
O site Plagiarism detect que detecta plágio gratuitamente.
O site Plagetraker é um verificador livre e gratuito de plágio on-line.
O software Plagius consegue detectar cópias em arquivos de diversos formatos como Word, Pdf, OpenOffice, HTML e texto simples.
O software Ephorus pode ser usado temporariamente sem cobranças
Site Farejador de Plágio em português que garante detectar cópias em trabalhos.
O programa JPlag não rastreia conteúdos online, mas procura similaridades entre os trabalhos dos estudantes.
O DOC Cop é outra ferramenta que também detecta a cópias.

4 de setembro de 2012

Tecer e revisar o texto

Existe uma razão etimológica para não esquecermos que produzir um texto é o mesmo que tecer, entrelaçar unidades e partes com a finalidade de formar um todo. Revisar o texto é verificar a trama, a tessitura e cada ponto do texto, não deixar ponto sem nó, nem malha solta.
O texto tem que ser uma
 malha perfeita para que
 não se percam
as informações.
Texto é palavra originada do latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”.
Por isso falamos em textura e tessitura de um texto: a rede de relações que garantem sua coesão. Quando vamos revisar um texto, observamos quatro elementos centrais: a repetição, a progressão, a coerência e a relação. Todas essas partes compõem o texto, elas surgem uma após a outra, relacionando-se com o que já foi dito ou com o que se vai dizer.
  • Repetição: ao longo do texto ocorrem repetições, retomadas de elementos. Essa retomada é normalmente feita por pronomes ou por palavras e expressões equivalentes ou sinônimas. Também podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o que deve ser feito com cuidado, a fim de que o texto não seja prejudicado. As repetições viciosas devem ser cuidadosamente eliminadas. 
  • Progressão: devemos sempre acrescentar novas informações ao que já foi dito no texto. A progressão complementa a repetição: esta garante a retomada de elementos passados; aquela garante que o texto não se limite a repetir indefinidamente o que já foi colocado. 
  • Coerência: não podem surgir elementos que contradigam aquilo que já foi considerado falso, ou vice-versa. Esse tipo de contradição só é tolerado se for intencional. Todavia a aproximação de ideias e fatos contrastantes é um recurso muito frequente na argumentação.
  • Relação:  os fatos e conceitos devem estar relacionado entre si para justificar sua inclusão no texto. É importante organizar esquematicamente o texto antes de escrever, depois observar se a aproximação das ideias que serão transmitidas é realmente eficaz.
A consideração desses quatro itens (repetição, progressão, coerência e relação) ajuda o revisor a aperfeiçoar o grau de coesão dos textos. A configuração final do texto depende ainda de outros fatores, como do canal de comunicação, do perfil do receptor e das finalidades pretendidas pelo emissor. Todos esses fatores afetam diretamente a comunicabilidade do texto e são objetos da atenção do revisor.
Adaptado de Cabral, M.

2 de setembro de 2012

Dicas para não escolher um revisor de textos

Revisão de textos hoje em dia é um mercado muito disputado. Quando entramos neste ramo, há mais de dez anos, quase não havia profissionais no mercado, ou eram apenas aqueles das editoras e dos poucos empregos mais em que havia deles. Com o advento da internet, e sua posterior penetração quase universal, parece que muita gente viu nessa atividade um filão de renda.
A escolha de um revisor errado
pode resultar em borrões no texto.
Há revisores de todo tipo, para todo texto. Há revisores de todo preço e para todos os autores. Há muita gente boa na praça, muitos revisores com décadas de experiências e profissionais novos dedicados e competentes. Quase todo revisor pode ser encontrado pela internet, a maioria tem site, blog ou algum outro tipo de página.
Muitos são os critérios pelos quais se pode escolher um revisor de textos, mas aqui vamos apontar alguns indícios de que você não deva contratar determinado revisor:
  1. Preço: evite com cuidado aqueles que cobram abaixo da média, fora do preço que o mercado pratica. Não é possível que um profissional eficiente e competente revise, digamos, a R$1,00 por lauda (mas há quem ofereça serviço a esse preço). Simplesmente não pode ser trabalho sério.
  2. Site: fuja de quem não apresenta portfólio, não apresenta nomes das pessoas envolvidas, não tem endereço, telefone fixo e domínio próprio. Pode até fazer um bom serviço, mas o risco será grande.
  3. Fraude: nunca envie seu texto para quem faz trabalhos para os outros. Certamente seu texto será arquivado para ser vendido uma ou muitas vezes para terceiros, com pequenas ou nenhuma modificação. Autor sério não contrata revisão de quem comete fraude, plágio, contrafação e falsidade ideológica (fazer trabalho para os outros pode implicar em cada crime desses - veja sobre isso).
  4. Acompanhamento: descarte aquele profissional que vai entregar tudo de uma vez, à véspera de sua deadline, você não terá como ver tudo e deixar a seu gosto. Também não aceite quem faz as interferências sem as controlar às claras, com marcas visíveis. O ideal é alguém que mantenha aberta a porta do diálogo o tempo todo, para não haver sustos.
Essas são algumas dicas aplicáveis a qualquer contratação de serviço, mas devem ser observadas com bem mais atenção nesse caso, pois o revisor é profissional que vai entregar o serviço quase sempre quando o autor já tem que encaminhar o trabalho, então pode não haver como remediar uma trapalhada.

1 de setembro de 2012

Revisão de textos interacionista

Adotamos a concepção interacionista de língua e de revisão de textos, segundo a qual a escrita é encarada como processo contínuo e complexo, em que, para ser comunicacionalmente eficaz, devem-se cumprir etapas como a produção textual, a revisão e a reescrita. Assim, o texto do autor deve sempre ser compreendido como provisório, sujeito a várias versões, de preferência mediadas pelo revisor. Contudo, a prática de mercado nos revela que o trabalho com a escrita restringe-se, muitas vezes, à higienização do texto, limita-se à verificação de sua superficialidade linguística, o que apenas resolve as inadequações com relação à estrutura gramatical da língua.
A comunicação entre autor e revisor
melhora a comunicabilidade do texto.
A escrita, idealmente,  é processo contínuo de interação, em que se cumprem etapas entre os diversos sujeitos do processo comunicacional, dentre os quais, como mediador qualificado, surge o revisor de textos.

Ao adotarmos a concepção de escrita como trabalho, não podemos isentar o importante papel do leitor qualificado, o revisor que, com o autor, vai construir em processo de co-produção, o sentido para o texto. Assim, o caráter responsivo da linguagem, proposto por Bakhtin, se concretiza, visto que ao ler e revisar o texto do autor, o revisor imediatamente contribui para que algumas lacunas sejam preenchidas, por meio das inferências que faz. Entretanto, nem sempre esses espaços são completados, já que ler e revisar geralmente consistem na procura dos erros que o texto apresenta, ou seja, é muito mais comum que o revisor faça apenas a higienização da superfície, corrigindo as inadequações gramaticais que o texto apresenta.
Há algumas estratégias para a revisão de textos que dependem da leitura que o revisor tem por hábito hábito fazer, assumindo o papel de interventor, ou de co-produtor das produções textuais - em geral, fazemos tudo isso:
  • Na revisão indicativa, marcar as inadequações do textos, com sinalizações, apontando apenas o local de algum problema a ser considerado pelo autor;
  • Na revisão resolutiva, corrigir todos os erros pacíficos do texto, reescrevendo palavras, frases e até períodos inteiros;
  • Na revisão classificatória, assinalar problemas recorrentes, destacando-os, indicando ao autor evitar a situação ou indicar a solução que ele prefere;
  • Na revisão interativa (cooperativa, colegiada, colaborativa), apresentar comentários mais longos em notas adjacente aos textos, com objetivo de discutir as inadequações, dúvidas, apresentar esclarecimentos, de modo que o revisor não apenas aponta os erros do autor, mas discute as alternativas e possibilidades comunicacionais. Esse tipo de revisão pratica a atitude responsiva que as tarefas de produção e co-produção textual requerem.
Adaptado de Monterini, N. G.