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31 de agosto de 2012

Prática dialógica na revisão de textos

Hoje se sabe que o sentido do texto e a significação das palavras dependem da relação entre sujeitos, construídos pela interpretação em que eles se encontram; a intersubjetividade é anterior à subjetividade, pois é a relação entre os interlocutores que funda a linguagem, dá sentido ao texto e também constrói os próprios sujeitos produtores do texto, em relação reflexiva. Portanto, acreditamos que a intervenção proposta pela revisão do texto, independentemente da modalidade em que se processe, deva ser interativa. Com intervenções interativas, resultantes de prática dialógica na revisão de textos, auxiliamos os autores, principalmente na redação acadêmica, técnica, científica, a construir e “desconstruir” o conhecimento, os sentidos das verdades provisórias.
O dialogismo é um dos conceitos
importantes na obra de Bakhtin.

Sobretudo, procuramos valorizar cognitivamente o objeto do texto pela valorização da mídia, adequando-a ao gênero em produção: em termos técnicos, pela atribuição de ações ao autor do texto original, retomadas anafóricas, etc. Propomos na revisão do texto fazer emergir a reflexão bakhtiniana a respeito do movimento dialógico.
Nesse contexto, "compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar o seu lugar adequado no contexto correspondente. A cada palavra da enunciação que estamos em processo de compreender, fazemos corresponder uma série de palavras nossas, formando uma réplica. A compreensão é uma forma de diálogo; ela está para a enunciação assim  como uma réplica está para outra no diálogo. Compreender é opor à palavra do locutor uma contrapalavra".
Dessa forma, a revisão de texto dialógica se propõe uma leitura de contraponto ao autor, como proposta de valorização do produto do autor subsidiada pelas releituras críticas.
Ver mais em Gonçalves, A. V.

30 de agosto de 2012

Revisão de texto é Keimelion

Revisão de texto é Keimelion, mas o que é Keimelion? É a forma grega da palavra cimélio:
Rubrica: bibliologia.
Livro raro, de alto valor, tanto por ser exemplar único (incunábulo, edição muito antiga), como por ter características especiais (encadernação, ilustração, ex-líbris).
Para nós, seu trabalho é precioso, raro, único. Daremos a ele tratamento especial e de alta qualidade.
Etimologia:
Do grego: keimêlion (keimhliwn), ou 'bem, posse, objeto que se conserva de lembrança', pelo latim medieval. Plural, cimelìa/órum 'tesouros'. Seu texto é seu tesouro. Para nós, também.

Prática de revisão de textos

Seis princípios que fundamentam a prática da revisão de textos:
O revisor do texto não pode
ser uma ameaça para o autor.
  1. A revisão não deve ser ambígua. É imprescindível que o revisor interfira no texto de forma pontual, precisa e que oriente claramente o autor quanto ao que precisa ser mudado.
  2. As interferências devem ser controladas e visivelmente assinaladas, de modo a que o autor tenha controle direto sobre tudo que tenha sido alterado em seu trabalho.
  3. O autor deve ser estimulado a discutir com o revisor as intervenções sobra as quais tenha dúvida, para compreendê-las e decidir sobre elas. A reflexão sobre os usos da língua representa uma forma de análise linguística.
  4. Deve-se intervir o mínimo necessário em cada texto. A  autoestima linguística do autor é fundamental para que ele persevere em suas produções escritas. 
  5. O revisor deve estar predisposto a aceitar o texto do autor. Acolher as possibilidades de produção do autor significa compreender seu perfil e a função do texto. 
  6. A revisão deve ser adequada à necessidade do autor. De nada adianta corrigir todos os aspectos linguísticos e discursivos se o autor não compreende as interferências e nem as aceita.

Listas sêxtuplas ou múltiplas de quaisquer grandezas são apenas artifícios enunciativos; geralmente ficam incompletas e devem ser compreendidas como recurso didático. É o que ocorre aqui: há muito mais que esses seis pontos a se considerar, mas meia dúzia de ideias se fixam melhor que um sem número delas.