31 de agosto de 2012

O que é revisar um texto?

Revisar um texto é torná-lo objeto de reflexão, é pensar sobre o que foi ou está sendo escrito e encontrar meios para melhor dizer o que se quer dizer, reelaborando e reescrevendo o já escrito. Nesse sentido, é preciso que o revisor se desloque entre os papéis de escritor e possíveis leitores/ interlocutores do texto, refletindo se o autor logrou êxito em intenções, bem como se está adequado à situação comunicativa em que ele se insere. Com base nas propostas do revisor, o autor poderá tomar decisões sobre o que precisa (re)escrever. Isso significa que as condições de  revisão e seus pressupostos terão, com certeza, impacto no trabalho de produção textual que poderá ser refletido pelo autor ao redigir. Reflexo é um fenômeno entre dois objetos. Reflexão é confronto de ideias entre indivíduos, no caso, autor e revisor.
Antes de tudo,
revisar é refletir sobre o texto.
Há uma crença segundo a qual a revisão de textos envolveria habilidades muito elaboradas, conhecimentos técnicos de campo alheio ao domínio do escritor especializado em outras áreas, considerando-se mais adequado deixar essa etapa de “refinamento da produção escrita” para o revisor. Mas essa ideia não é inteiramente verdadeira.

De fato, ao revisar um texto, exige-se que o revisor, continuamente, reflita sobre as “partes” efetivamente escritas e as avalie com base em conhecimentos linguísticos, em função do(s) destinatário(s) e finalidade previsto(s) do texto, assim como do contexto comunicativo em que o texto está colocado. Portanto, revisar é uma habilidade metacognitiva complexa, que implica tornar-se consciente e pensar, deliberadamente, sobre processos e decisões tomadas durante a escrita.
No entanto, observa-se que reflexões iniciais para melhorar os textos ocorrem a qualquer leitor ou autor, desde que os considere como objeto passível de questionamento, de aperfeiçoamento e suporte para ideias que sempre estarão se reconstruindo.
Parcialmente adaptado de Brandão, A. C. P.

Revisão de texto cooperativa

A revisão cooperativa de texto é pautada um conjunto de quatro máximas: máxima de quantidade, máxima de qualidade, máxima de relevância e máxima de modo. Cada uma das máximas é observada durante o processo de revisão realizado pelo revisor e autor em conjunto, ou pelo colegiado de revisores - com ou sem a participação do autor.
A cooperação é técnica de revisão de textos
que leva a excelentes resultados.
  • Máxima de quantidade está relacionada à informação apresentada no texto para que se dê o processo de compreensão por parte do leitor. Implica quantidade necessária, suficiente e supressão de excessos.
  • Máxima de qualidade está relacionada à verdade, a credibilidade e plausibilidade. O texto deve fornecer informações em que o autor acredita e apresenta como verdadeiras e que tenha evidências para comprová-las.
  • Máxima de relevância sugere que o autor faça com que seu texto seja relevante e comunicativamente pertinente, a inclusão de uma informação alheia ao foco dificulta a compreensão da mensagem por parte do leitor.
  • Máxima de modo refere-se à clareza de expressão, é um princípio evidente de cooperação por parte do autor e do revisor. Ambos interagem para procurar organizar as ideias com palavras objetivas, expressões de sentido preciso e frases bem estruturadas, evitando: obscuridade, ambiguidade, prolixidade, desordem.
Claro que o revisor que trabalha sozinho, de forma resolutiva (tendo seu trabalho como versão definitiva), também vai considerar todas essas máximas, mas a condição ideal para melhor proveito nesse sentido advém do trabalho cooperativo e dele resulta.

Prática dialógica na revisão de textos

Hoje se sabe que o sentido do texto e a significação das palavras dependem da relação entre sujeitos, construídos pela interpretação em que eles se encontram; a intersubjetividade é anterior à subjetividade, pois é a relação entre os interlocutores que funda a linguagem, dá sentido ao texto e também constrói os próprios sujeitos produtores do texto, em relação reflexiva. Portanto, acreditamos que a intervenção proposta pela revisão do texto, independentemente da modalidade em que se processe, deva ser interativa. Com intervenções interativas, resultantes de prática dialógica na revisão de textos, auxiliamos os autores, principalmente na redação acadêmica, técnica, científica, a construir e “desconstruir” o conhecimento, os sentidos das verdades provisórias.
O dialogismo é um dos conceitos
importantes na obra de Bakhtin.

Sobretudo, procuramos valorizar cognitivamente o objeto do texto pela valorização da mídia, adequando-a ao gênero em produção: em termos técnicos, pela atribuição de ações ao autor do texto original, retomadas anafóricas, etc. Propomos na revisão do texto fazer emergir a reflexão bakhtiniana a respeito do movimento dialógico.
Nesse contexto, "compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar o seu lugar adequado no contexto correspondente. A cada palavra da enunciação que estamos em processo de compreender, fazemos corresponder uma série de palavras nossas, formando uma réplica. A compreensão é uma forma de diálogo; ela está para a enunciação assim  como uma réplica está para outra no diálogo. Compreender é opor à palavra do locutor uma contrapalavra".
Dessa forma, a revisão de texto dialógica se propõe uma leitura de contraponto ao autor, como proposta de valorização do produto do autor subsidiada pelas releituras críticas.
Ver mais em Gonçalves, A. V.

30 de agosto de 2012

Revisão de texto e reescrita

Todo texto exige diversas releituras, revisões e reescritas antes de ser considerado satisfatório. Revisar o texto é o processo que requer alteridade: intervenção de alguém que não é autor. Reescrita é a modificação feita pelo autor. Releituras são feitas pelo autor e pelo revisor e são inúmeras. Nesse processo, o autor terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção.
Nesse processo cíclico de releituras, revisões e reescritas, analisam-se as decisões e a realização, no texto, quanto a diversos elementos:
Revisar o texto sempre é limpar
muito o que foi escrito.
  • O leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto?
  • O autor: insere-se no texto? Como singular ou plural (majestático)? Adota-se a forma impessoal genérica ou construções todas passivas? Foi mantida a uniformidade?
  • O gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambiguidades e inconsistências?
  • As informações: o que informar e o que considerar pressuposto. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso, exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuais estão corretas?
  • A linguagem: formal ou informal. A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonioso ou há oscilações súbitas e inadequadas?
  • O vocabulário: As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês, frases feitas, excesso de adjetivos, expressões coloquiais inadequadas, jargão profissional?
  • As estruturas sintáticas e gramaticais. O texto está correto quanto às exigências da língua padrão? As transições entre as ideias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as ideias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de ideias?
Adaptado de GARCEZ, L. H. do C. s.n.t.

Revisão de texto é Keimelion

Revisão de texto é Keimelion, mas o que é Keimelion? É a forma grega da palavra cimélio:
Rubrica: bibliologia.
Livro raro, de alto valor, tanto por ser exemplar único (incunábulo, edição muito antiga), como por ter características especiais (encadernação, ilustração, ex-líbris).
Para nós, seu trabalho é precioso, raro, único. Daremos a ele tratamento especial e de alta qualidade.
Etimologia:
Do grego: keimêlion (keimhliwn), ou 'bem, posse, objeto que se conserva de lembrança', pelo latim medieval. Plural, cimelìa/órum 'tesouros'. Seu texto é seu tesouro. Para nós, também.

Prática de revisão de textos

Seis princípios que fundamentam a prática da revisão de textos:
O revisor do texto não pode
ser uma ameaça para o autor.
  1. A revisão não deve ser ambígua. É imprescindível que o revisor interfira no texto de forma pontual, precisa e que oriente claramente o autor quanto ao que precisa ser mudado.
  2. As interferências devem ser controladas e visivelmente assinaladas, de modo a que o autor tenha controle direto sobre tudo que tenha sido alterado em seu trabalho.
  3. O autor deve ser estimulado a discutir com o revisor as intervenções sobra as quais tenha dúvida, para compreendê-las e decidir sobre elas. A reflexão sobre os usos da língua representa uma forma de análise linguística.
  4. Deve-se intervir o mínimo necessário em cada texto. A  autoestima linguística do autor é fundamental para que ele persevere em suas produções escritas. 
  5. O revisor deve estar predisposto a aceitar o texto do autor. Acolher as possibilidades de produção do autor significa compreender seu perfil e a função do texto. 
  6. A revisão deve ser adequada à necessidade do autor. De nada adianta corrigir todos os aspectos linguísticos e discursivos se o autor não compreende as interferências e nem as aceita.

Listas sêxtuplas ou múltiplas de quaisquer grandezas são apenas artifícios enunciativos; geralmente ficam incompletas e devem ser compreendidas como recurso didático. É o que ocorre aqui: há muito mais que esses seis pontos a se considerar, mas meia dúzia de ideias se fixam melhor que um sem número delas.

Revisão de texto crítica

Considerar a revisão de texto como processo simplesmente mecânico é um pensamento errôneo e primitivo. Sabe-se que um texto envolve muito mais do que as regras gramaticais; ele engloba contextos subjetivos, sociais, históricos, linguísticos e cognitivos. Isso porque, na construção de um texto, existem tantos elementos envolvidos quanto é a complexidade deles. Porém, pode-se dizer que, sem um desses elementos, em especial, não há como se ter sequer uma frase.
Revisão de texto é sempre um
trabalho sociolinguístico.
Seja qual for o tema, seja qual for a intenção ao se produzir um texto, ele vai ser consequência do ponto de vista, do contexto, do sentido, enfim dos conhecimentos de seu produtor, e tudo isso faz parte de uma construção. É exatamente do que trata a identidade de um indivíduo, de um processo de construção ao longo da vida.

Pelo fato de que a revisão de texto vai muito além de um trabalho técnico ou da aplicação das regras gramaticais, é preciso que haja entre autor e revisor a negociação do sentido, em que ambos possam chegar a um ponto em comum em relação às “intenções” do texto.
O papel social da revisão de texto é, principalmente, destrinchar o que está escrito – ou representado – buscar o sentido mais amplo para chegar à prática social, considerando o contexto – e, quando se fala em contexto, quer-se dizer absolutamente tudo: etnia, classe social, nível de letramento etc. – em que se insere seu autor.
Adaptado de Rocha & Silva.

Revisão de texto resolutiva

A revisão de texto é atividade complexa em que a função do revisor é intervir no texto do autor com o objetivo de apontar lacunas e inadequações na tessitura desse objeto cultural. Ao revisar, o profissional precisa levar em consideração o gênero textual estabelecido na proposta, cujo enunciado necessita cumprir as condições de produção de textos: o que dizer (tema); a quem dizer (leitor); como dizer (gênero); por que dizer? (objetivo); onde será veiculado? (suporte). Dessa maneira, a revisão varia conforme o gênero textual.
As revisões de texto resolutivas são
as mais comuns.
Mas é possível afirmar que há maciça preferência dos revisores de língua materna (e certamente também das demais línguas) pela revisão resolutiva, caracterizada pela apresentação e solução dos problemas detectados nos textos. Trata-se da concepção de língua como código homogêneo e neutro  em que se estabelece a perspectiva normativa que considera o texto do cliente apenas para correção de regras gramaticais, ou de pressão de tempo para execução do trabalho.

Revisão resolutiva consiste em eliminar todos os erros, reescrevendo palavras, frases e períodos inteiros. Nela, o revisor faz uma delicada operação que requer tempo e empenho, isto é, procura separar tudo o que no texto é aceitável e interpretar as intenções do autor sobre trechos que exigem correção; reescreve depois tais partes fornecendo um texto depurado. Neste caso, o erro é eliminado pela solução que reflete a opinião do revisor.
Limita-se, assim, o processo reflexivo entre autor e revisor, pois aquele recebe  todas as alterações como consumadas, eliminando-se a possibilidade de refletir  conjuntamente sobre o texto, uma vez que o veredito já está dado; dessa forma, entende-se o texto como produto acabado e não como processo.
Revisão é um processo lento, dentro do qual se insere outro processo, o da chamada correção, que, por sua vez, também supõe e demanda etapas. Mas a realidade do mercado é que o fator tempo é premente, assim como os custos em que implica a revisão múltipla, interativa e cooperativa.

29 de agosto de 2012

Revisor e interlocutor

Cabe aos revisores de textos fazer várias leituras, buscando tornar os textos melhores, de maneira que os leitores não os desprezem. “Ninguém escreve para não ser lido”. Todos os escritores que desejam tornar seu texto público querem despertar a atenção do leitor.
Os autores, ao imaginarem os leitores como interlocutores, criam imagens de pessoas muito exigentes, que manusearão seus textos e irão julgá-los como bons ou ruins. Os interlocutores podem ser também publicitários daqueles textos que leram. Eles podem fazer propagandas tanto positivas quanto negativas, quaisquer  deslizes podem ser fatais. 
Revisão de texto trata de certo e errado,
mas trata mais da comunicação entre
autor e leitor.
Os revisores fazem, então, a primeira leitura do texto em busca de compreensão e familiaridade. Às vezes, isso se torna angustiante, uma vez que, textos sem clareza, chegam a ser desagradáveis por tornar a leitura cansativa. Os leitores chegam a ficar irritados quando percebem qualquer tipo de incorreção.
Os revisores se posicionam como consumidores dos textos. Eles analisarão se os textos dizem tudo o que deve ser dito por si só ou se precisarão de explicações por parte dos autores. Ler textos é dialogar com os autores. Seria correto afirmar, então, que os textos são contextos de interações cujos sentidos são construídos pela ação cognitiva dos que neles se encontram envolvidos.
Todos os autores que desejam obter sucesso querem alcançar o interlocutor, despertar a curiosidade sem difamação.
Livremente baseado em Passos & Santos.

Keimelion, revisores acadêmicos

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