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27 de março de 2012

Dia do revisor de textos: 28 de março

Imagine como seria ler um livro ou um jornal com vários erros ortográficos ou sem qualquer tipo de regra gramatical observada. Certamente, não seria de fácil entendimento e comprometeria a qualidade da leitura e da informação transmitida.
Revisão de textos sempre será Keimelion.
Quem revisa a tese ou o livro
quase nunca aparece.
 Pois então, comemore conosco, no dia 28 de março, o Dia do Revisor, o profissional que lida com a edição de textos e que é preparado para corrigir desvios de sintaxe, ortografia, pontuação, enfim, o que deve ser ajustado aos padrões gramaticais.
 Se antigamente os revisores já eram ilustres desconhecidos, imagine agora que o trabalho a distância os esconde em sua casa ou em qualquer computador, bem longe da redação ou editoria. Mas imagine também como a falta desse profissional seria sentida em tudo que você. Pois então, o revisor de textos é o profissional da modéstia, alguém que não se importa em ficar à sobra para dar mais destaque ao texto e seu autor.

20 de março de 2012

Erros comuns dos autores

Na construção do texto há vários equívocos possíveis - e quase todos ocorrem, o revisor de textos está atento a todos eles. Alguns erros podem ser corrigidos facilmente na hora da revisão. Os erros mais difíceis, ou trabalhosos de serem corrigidos, são que decorrem de equívocos de interpretação da parte do autor. Os principais são aqueles que decorrem de erros de concepção sobre o que é ciência e aqueles que são de natureza lógica. São os dois principais, pois mostram que o conhecimento construído está errado.
Há erros que comprometem gravemente o texto
e devem sere sanados por profissional experiente.
A arte de escrever
Os erros mais comuns que os autores cometem são:
  • prolixidade: É um vício já na graduação e também na pós-graduação, decorre do medo de apresentar uma monografia ou tese enxuta, com poucas páginas. A ciência de boa qualidade requer textos sintéticos sustentando conclusões interessantes e sólidas. Mas os autores escrevem demais e incluem informações desnecessárias e repetitivas. Isso tem origem no sistema de ensino básico que, geralmente, estimula os alunos a responderem extensamente às questões em provas, é comum pedir ao estudante para dar a "resposta completa", já treinando a prolixidade.
  • redação no impessoal: A redação no impessoal pressupõe que os resultados (dados) sejam suficientes para determinar as conclusões. mas já se sabe bem que não é isso que ocorre, os cientistas interpretam os dados. As conclusões científicas são embasadas em dados e representam a visão do autor sobre isso. Se ele convence os leitores consegue publicar ou ter sua tese aprovada. Se convence os leitores, transforma a tese em conhecimento científico.  Muitas recusas de artigos ocorrem de diferentes interpretações para um mesmo conjunto de dados. Portanto, as conclusões são do autor, que as explicitam para a comunidade científica, que pode aceitá-las ou não. É um erro teórico achar que o texto deve ser escrito no impessoal, pois isso supõe que as conclusões apresentadas são inequívocas a partir daqueles dados, o que nem sempre é correto.
  • redação usando agente da passiva: Costuma colocar a causa antes do efeito. É um erro de estilo na redação científica. Ao dizermos que o crescimento dos animais foi afetado pela densidade populacional, estamos colocando o efeito (crescimento) antes da causa (densidade populacional). Além dessa inversão lógica, que dificulta o entendimento, a frase fica sempre maior (veja: "a densidade populacional afetou o crescimento dos animais" tem uma palavra a menos!).
  • vírgula em lugar errado: A vírgula representa uma pausa e deve ser colocada nos locais onde as pausas sejam razoáveis. Ensinaram às pessoas a bobagem que devem colocar as vírgulas quando fizerem pausa para respirarem. Faltou ensinar a elas quando respirar. A vírgula é  questão de lógica, não de resistência física.

14 de março de 2012

Revisão de textos na nova ortografia

O Novo Acordo Ortográfico já ficou velho, mas, até o fim de 2012, a ortografia anterior a ele é formalmente aceita. Nossos serviços de revisão, desde 2009, são feitos exclusivamente segundo a nova ortografia vigente. Nenhum cliente solicitou, ainda que isso fosse possível e mesmo legalmente admissível, que mantivéssemos a ortografia anterior.
Não se enrole com a nova ortografia,
contrate-nos para revisar e fique tranquilo.
Não há nenhuma dúvida de que os autores brasileiros aderiram à nova regra; estamos já completamente adaptados a ela.
Mas atenção: a ortografia anterior deixa de ser uma alternativa com fim deste ano. Todos os texto oficiais e legais deverão ser editados segundo a nova regra, já em vigor, a partir de 1º de janeiro de 2013.
Para revisão de texto recente, ou atualização de textos mais antigos, solicite nossos serviços. A nova ortografia já é nossa velha amiga!
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Título da tese, dissertação, monografia

O que vale para o o título das teses, dissertações e monografias vale também para os artigos científicos, TCCs e qualquer outro trabalho acadêmico. A primeira recomendação é concisão, pois é neste fator o problema mais notado. Coerência e exatidão são requeridas, mas normalmente há.
  • Recomenda-se adotar título objetivo, direto; usar substantivos, estando atento às preposições exatas e ao mínimo de artigos. O título do trabalho não é seu resumo.
  • Devem-se evitar títulos longos, buscando-se objetividade e contendo apenas as palavras essenciais, sem prejuízo da clareza e entendimento da natureza do trabalho.
  • Não se usam metáforas, ironias ou outros recursos literários em títulos acadêmicos, exceto com absolutas consciência e intencionalidade no procedimento.
Observe-se o exemplo do título do Manual Keimelion 2010 para redação acadêmica: a preposição foi escolhida visando determinar a aplicação que o trabalho terá. Outros manuais, principalmente os jornalísticos, são intitulados: “Manual de redação…” – redação aqui é onde eles são usados, na redação do periódico. Em ambos casos houve propriedade na escolha dos títulos
Muitos trabalhos visam obtenção
de diferentes graus: bacharel, licenciado,
mestre, doutor são títulos correspondentes
aos graus acadêmicos.
Segundo a ABNT, na NBR 14724:2002, o título é elemento obrigatório e deve constara na capa, folha de rosto, lombada (quando houver esta), na folha de aprovação e em outros lugares especificados. É bem frequente atualmente que o título do trabalho conste em todas as páginas do texto, no rodapé ou cabeçalho - apesar de todas que já vimos serem omissas quanto a isso - em virtude da grande ocorrência da reprodução de partes do texto por fia eletrônica o mecânica. A referida NBR14724, sobre título e subtítulo, registra: (4.1.3.1) o "(b) título principal do trabalho, deve ser claro e preciso, identificando o seu conteúdo e possibilitando a indexação e recuperação da informação"; o "(c) subtítulo: se houver, deve ser evidenciada a sua subordinação ao título principal, precedido de dois pontos". A NBR 12225:2004 faculta a abreviação do título na lombada, quando necessário; recomendamos essa mesma abreviação para rodapé ou cabeçalho, conforme o projeto gráfico adotado.

Mais duas sugestões: tente fazer uma tempestade de ideias quanto ao título, faça uma lista das possibilidades e vá cortando palavras em cada item, tentando manter o sentido, o mais curto será o melhor; procure no Google se já existe trabalho com o mesmo título ou bem semelhante e evite essa escolha, se possível. 

10 de março de 2012

Teoria para a revisão de textos: a fluidez textual

A revisão de textos carece de estudos teóricos. Os poucos que são encontrados, muitas vezes, são derivados das teorias do letramento ou da teoria da tradução. Os fragmentos que se seguem são extratos da crítica de Manuel Portela a Bryant, John (2002). The Fluid Text: A Theory of Revision and Editing for Book and Screen. Ann Arbor: The University of Michigan Press. [ISBN 0-472-06815-6.]
Página revisada de:
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos
 John Bryant apresenta uma teoria integrada dos processos de revisão textual, identificando modos e códigos de revisão. O seu objectivo é construir uma síntese entre as teorias elaboradas no âmbito da crítica genética e da teoria do texto social, sem descurar a crítica textual intencionalista. Trata-se, no fundo, de propor instrumentos capazes de conceptualizar as várias formas de instabilidade textual de modo a poderem ser úteis na edição de textos significativamente multiformes. Para isso propõe o conceito de fluidez textual, isto é, a ideia segundo a qual todos os textos existem em mais do que uma versão e que essa alteridade não resulta apenas do processo transmissional, mas está já inscrita no próprio modo de produção literário. A natureza processual do ato criativo implica a multiplicação das manifestações materiais dos textos, seja em pré-publicação ou em pós-publicação. A fluidez textual é testemunho do processo criativo enquanto intencionalidade que se altera e se revê a si mesma, manifestação gráfica dos discursos da cultura e da linguagem que se produzem no sujeito. Bryant lê esse diferimento da obra em termos desconstrucionistas, isto é, como diferimento do sentido e do fechamento da própria obra enquanto tal.
A edição do texto fluído, isto é, a edição que permite tornar legível a fluidez que caracteriza a textualidade, tem levado a repensar as práticas de crítica e edição textual. Com efeito, muitos textos clássicos da história cultural existem enquanto textos múltiplos e em multiplicação continuada. Esta instabilidade material representa a inscrição da historicidade particular do seu modo de produção e de circulação na própria obra, através das versões que a modificam e transformam. Existem nessa condição de textos múltiplos, por exemplo, obras como King Lear, The Prelude, Frankenstein, Leaves of Grass, os poemas de Emily Dickinson, Ulysses, ou Livro do Desassossego. Mas a lista é virtualmente expansível a todo o universo textual, intrinsecamente definido pela proliferação e pela variação. Uma das tentativas dos últimos anos de representar a fluidez textual encontra-se na edição electrónica, ou na combinação da edição eletrônica com a edição impressa. O que Bryant sugere é precisamente uma sinergia entre o potencial específico do códice impresso – obrigado, apesar de tudo, a oferecer uma leitura de um texto contínuo – e o potencial específico do computador e do ecrã eletrônico – que permitem representar materialmente uma infinidade de variantes textuais na virtualidade do seu modo de simulação gráfica.
Assim, enquanto o livro impresso apresentaria uma seleção crítica dos materiais que documentam as versões de si mesma que a obra contém, o arquivo eletrônico conteria todas as versões numa forma sempre atualizável, que tornaria possível representar a intrincada morfologia da flutuação textual no seu processo genético (isto é, de criação autoral) e no seu processo social (isto é, de reprodução e disseminação). Os elementos que Bryant define como componentes da edição do texto fluído centram-se sobretudo nas versões autorais ou resultantes de interações com o autor, aqui exemplificadas com a obra Typee de Herman Melville. No fundo, trata-se de reconfigurar gráfica e conceptualmente a relação entre texto principal e aparato crítico de anotação que permita apresentá-los perceptualmente e apreendê-los criticamente, na página impressa ou no ecrã. Bryant propõe quatro elementos como princípios da edição do texto fluído: a escolha de uma versão base; a marcação dos sítios de revisão; a marcação das sequências de revisão; e a narrativa de revisão elucidando a sequência, os agentes e os motivos de revisão.
Segundo Bryant, uma boa representação crítica da fluidez contribuiria para perceber a interpenetração dinâmica das intenções autorais e dos discursos e formações culturais na configuração das múltiplas versões textuais:
 «Uma obra literária é mais do que a soma dos seus textos; ela é as energias combinadas das forças individuais e sociais que através de processos de revisão autoral, editorial e cultural passam de uma versão para outra emergindo, de tempos a tempos, sob a forma de documentos para serem lidos por leitores.» (112)

É preciso revisar a linha mestra do texto

Como revisores de textos, incessantemente estamos pesquisando e aprendendo. Deparamo-nos como excelente material na internet o tempo todo. Algum material que encontramos vem para cá, com a devida permissão do autor, e a outros bons textos apenas nos referimos, sem que isso constitua critério de qualidade, mas somente de pertinência com o tema central deste blog. Leia o texto que se segue e, caso haja interesse em prosseguir, recomendamos ir à fonte!

O texto é uma trama, cabe ao revisor
identificar e prender as malhas soltas.
O texto é uma atividade consciente e organizada a qual implica a escolha/seleção de elementos linguísticos, a partir de um contexto sócio-interacional, cuja ordenação e combinação se dá de acordo com o “projeto de dizer” do produtor. Assim, a atividade de produção textual de sentidos compreende o trabalho de um produtor e, também, de um interpretador que, segundo Koch (2002:19), são “estrategistas”, pois no “jogo da linguagem”, mobilizam uma série de estratégias objetivando a produção de sentido(s). Por esta razão, o texto é um processo em constante construção. Segundo essa autora, são peças do jogo da linguagem:
  1. o produtor/planejador, que procura viabilizar o seu “projeto de dizer”, recorrendo a uma série de estratégias de organização textual e orientando o interlocutor, por meio de sinalizações textuais (indícios, marcas, pistas), para a construção dos (possíveis) sentidos;
  2. o texto, organizado estrategicamente de dada forma, em decorrência das escolhas feitas pelo produtor entre as diversas possibilidades de formulação que a língua lhe oferece, de tal sorte que ele estabelece limites quanto às leituras possíveis;
  3. o leitor/ouvinte, que, a partir do modo como o texto se encontra linguisticamente construído, das sinalizações que lhe oferece, bem como pela mobilização do contexto relevante à interpretação, vai proceder à construção dos sentidos.
Leia na íntegra: Linha mestra.

Revisão de textos para corpus

O objetivo aqui é apenas apontar a necessidade de revisão de textos para qualquer tipo de corpus linguístico, compreendendo como tal conjunto de textos escritos ou falados numa língua que serve como base de análise. O estudo de corpora (plural de corpus) apresenta muitas vantagens. Em vez de consultar nossas intuições, ou de ‘extrair’ informações dos falantes, penosamente, uma a uma, podemos examinar um vasto material que foi produzido espontaneamente na fala ou na escrita das pessoas, e portanto podemos fazer observações precisas sobre o real comportamento linguístico de gente real. Portanto os corpora podem nos proporcionar informações altamente confiáveis e isentas de opiniões e de julgamentos prévios, sobre os fatos de uma língua. O uso de corpora está associado à linguística de corpus.
Como exemplo, pode-se citar o O Corpus do Português: um corpus linguístico de textos da língua portuguesa, compilado e mantido pelos pesquisadores Mark Davies (Universidade Brigham Young) e Michael J. Ferreira (Universidade de Georgetown), com suporte financeiro proveniente do U.S. National Endowment for the Humanities, além de suas respectivas instituições de ensino
A necessidade da revisão, para esse tipo de trabalho, é tão evidente que vou me limitar, neste post, a apresentar o trabalho em si, no que precede a preparação dos textos para análise automática por ferramentas de análise linguística (etiquetador morfológico e analisador sintático).

 
Texto fac-símile: o original digitalizado.
 A forma mais fiel de se reproduzir um texto antigo no meio digital é sem dúvida o fac-símile. É esse documento o ponto de partida para o revisor. Entretanto, para pesquisas linguísticas é necessário trabalhar o texto como sequências de caracteres (não como imagens). A solução de transposição automática da imagem em texto via programas de OCR não é uma opção satisfatória por enquanto, uma vez que as características tipográficas dos textos mais antigos são desafiantes para os programas de OCR disponíveis.
[Clique em qualquer imagem para as ampliar.]



Texto transliterado: a digitação do original.

No trabalho de preparação de textos a solução é a transcrição dos originais, enquanto se pesquisam formas de adequação do reconhecimento automático (tanto via OCRs aprimorados como via sistemas de correção posterior).
A transcrição deve ser fidedigna ao original, para satisfazer os objetivos linguísticos das pesquisas. Cabe então um extenuante trabalho de cotejamento à equipe de revisão, pois as características gráficas e grafemáticas dos textos mais antigos (preservadas nas transcrições conservadoras) dificultam o processamento automático posterior (anotação morfológica). Para cumprir o objetivo de processamento automático, portanto, o texto original deve ser revisado e editado.
Texto atualizado: com a ortografia atual.
 A edição dos textos inclui a modernização das grafias e a normalização dos aspectos grafemáticos, tornando-o assim adequado para o processamento automático.Neste processo, entretanto, não desejamos, dentro do possível,  perder as características do texto original, importantes para o estudo histórico da língua. O desenvolvimento do sistema de edições críticas eletrônicas teve como objetivo solucionar essas demandas conflitantes.
Fonte: Sistema de Edições Eletrônicas do Corpus Tycho Brahe.

7 de março de 2012

O plágio, a mais comum das fraudes acadêmicas

O plágio é apenas um dos tipos de fraude acadêmica, talvez o mais comum e, certamente, o único em que o autor possa incorrer por desaviso. Além do plágio, existem a contrafação de trabalhos (encomendar a alguém), a fraude documental, fraudes em concursos, e uma série de outras. Aqui uma manual da UFF orientando e esclarecendo os limites da propriedade intelectual e como evitar incorrer em alguns tipos de plágio.
Réplica do crânio do ‘homem de Piltdown’, que foi apresentado
em 1912 como o ‘elo perdido’ da evolução humana,
mas não passava de uma montagem.
Esta fraude, a mais famosa de todos os tempos,
foi desmascarada nos anos 1950.
(foto: Wikimedia Commons/ Anrie – CC BY-SA 3.0)

engana-se quem pensa que só faz plágio quem copia, palavra por palavra  um trabalho sem citar inteiro a fonte de onde o tirou.

Segundo o professor Lécio Ramos, citado por Garschagen (2006), podemos listar pelo menos 3 tipos de plágio:
  • Integral: o “engano” citado acima...
  • Parcial: que ocorre quando o trabalho é um “mosaico” formado por cópias de parágrafos e frases de autores diversos, sem mencionar suas obras.
  • Conceitual: a utilização da ideia do autor escrevendo de outra forma, porém, novamente, sem citar a fonte original.
Cartilha Sobre Plágio Acadêmico

6 de março de 2012

A revisão e o discurso acadêmico

O discurso acadêmico ou científico é a forma de apresentação da linguagem que circula na comunidade científica em todo o mundo. Preservar e valorizar essa construção é função do revisor de textos acadêmicos, pois a formulação desse tipo específico de redação depende de uma pesquisa minuciosa e efetiva sobre um objeto, que é metodologicamente analisado à luz de uma teoria, que deverá ser resguardada por profissional qualificado. Assim se preservará a averiguação do que foi analisado é expresso neste gênero textual para divulgação da referida pesquisa. A comprovação ou refutação do que foi escrito dar-se-á por meio da aceitabilidade do público que compõe a comunidade específica.
O texto acadêmico tem um discurso específico
para o qual se requer revisor especializado.
A estrutura global de enunciação do discurso acadêmico está fundamentada nas convenções instituídas há décadas pela comunidade científica, com características bastante específicas e conservadoras que especificam os seguintes atributos: impessoalidade, objetividade, clareza, precisão, coerência, concisão e simplicidade.
Estes requisitos muitas vezes não são seguidos, por exemplo, é comum que as pessoas não escrevam de forma simples, pois escrevem mais para impressionar que para expressar, tornando-se verborrágicas. Tornam, então, o discurso prolixo ou confuso.
Mas o caráter argumentativo imprime no discurso acadêmico, sempre,  uma “certa” subjetividade e parcialidade do pesquisador na escolha dos elementos linguísticos que comporão os seus escritos na tentativa de persuadir o leitor da veracidade dos fatos explicitados, daí a necessidade de se fazer a revisão do discurso acadêmico baseada na convergência, na integração, da Linguística Textual com a Análise do Discurso para dar conta da inter-relação estabelecida entre os gêneros textuais, os mecanismos de construção textual, os aspectos sócio-histórico-ideológicos e a intencionalidade do autor.
Adaptado de Carioca, C. R.

Como citar um tweet em trabalho acadêmico?

A Modern Language Association gosta de acompanhar os tempos. Como todos sabemos, algumas informações aparecem primeiro ou o apenas no Twitter e podem haver bons motivos para que sejam citadas em trabalhos acadêmicos como fontes. Assim, a MLA criou um formato padrão que vai aqui adaptado para nossos usos (segundo o cacoete da ABNT). Sua forma, segundo a mesma lógica de sempre para citações, é a seguinte:
  • ÚLTIMO NOME, Primeiro Nome. (Apelido no Twitter). "O texto do Tweet." Data, hora. Tweet.
Toda referência, de qualquer fonte, segue
o mesmo princípio lógico.
 Esmiuçando a coisa:
  • Comece a entrada na lista de obras citados com o nome verdadeiro do autor e, entre parênteses, o nome de usuário, se ambos são conhecidos e eles diferem. Se apenas o nome do usuário é conhecido, fica apenas ele.
  • Em seguida, fornecer todo o texto do tweet entre aspas, sem alterar a capitalização. Conclua a entrada com a data e hora da mensagem e o meio de publicação (Tweet). Exemplo:
RABELLO, Francisco. (Rabello10). "[Confere @pathayde?] RT @cinlopes: @posgraduando: Como citar um tuíte num texto acadêmico (agora normatizado) zite.to/z2xVzW via @Zite". 5 de maio de 2012, 15h09. Tweet.
A data e hora de uma mensagem no Twitter refletem o fuso horário do leitor. Leitores em diferentes fusos horários veem momentos diferentes e, possivelmente, diferentes datas no mesmo tweet. A data e a hora em que estavam em vigor para o escritor do seu tweet, quando foi transmitida normalmente não são conhecidas. Assim, a data e a hora que aparecem no Twitter são apenas aproximados guias para o momento de um tweet. Pare recuperar ou conferir a informação, percorra-se a linha de publicações do autor no período.
Observe que a forma de notação de hora foi aqui adaptada para o sistema adotado no Brasil, assim como o sobrenome do autor registrado em caixa alta, como é nosso costume; foram as alterações que proponho no sistema da MLA.
Tradução e adaptação de the Atlantic, Via Thomas, Matt. (mattthomas). "This. RT @JenHoward How do you cite a tweet? The MLA is glad you asked. (You did ask, didn't you?) bit.ly/ykLfcQ." 2 March 2012, 2:21pm. Tweet.
Obrigado ao Professor Francisco Rabello pela sugestão do post.

5 de março de 2012

Tabelas de preços de revisão de textos

Muitos clientes gastam algum tempo procurando tabelas de preços de revisão de textos e formatação. Existem valores de todo tipo e profissionais (ou amadores) revisando (ou fazendo algo parecido com isso) de diferentes formas. Gosto muito do mercado e da livre concorrência, portanto vou facilitar um pouco para quem estiver fazendo tomada de preços. Os preços foram atualizados em 30 de setembro de 2012. Mas, se for decorrido algum tempo, verifiquem nos sites os valores atualizados.
Existe todo tipo de preço e todo tipo de profissional
no mercado de revisão de textos. Escolha a seu gosto.

Estruturação de textos acadêmicos

O trabalho do cientista não se esgota nas descobertas que faz. É de sua responsabilidade comunicar os seus resultados, suas descobertas, suas criações. Sendo assim, a escrita acadêmica caracteriza-se como um processo de comunicação muito importante, pois uma descoberta científica torna-se reconhecida através das publicações de seus resultados. Entretanto, escrever não implica em, necessariamente, comunicar com eficiência. Um trabalho escrito sem cuidado, sem a preocupação em guiar o leitor proporcionando-lhe uma leitura esclarecedora e agradável, não está comunicando como deveria, até porque ninguém se dispõe a ler um trabalho confuso e de leitura desestimulante. Dessa forma, para que um trabalho seja bem escrito e, consequentemente, comunique bem o seu propósito, é preciso atentar a uma série de fatores, tanto do seu conteúdo quanto da sua estrutura.
A escrita acadêmica tem estrutura e forma e rígidas.
Antes de se começar a escrever deve-se considerar a estrutura do texto que se pretende redigir. Para isso, deve-se estabelecer um esquema que permita expor as ideias de maneira sistemática e lógica, reunindo em cada item assuntos correlatos, sem risco de omitir ou de repetir as mesmas coisas ao longo do trabalho. Um trabalho científico pode enquadrar-se, em geral, dentro de um esquema que já se tornou clássico pela simplicidade, pelo desenvolvimento metódico e por abranger aspectos essenciais de uma comunicação científica desse gênero.
Essa estrutura pode ser enunciada como Introdução — Desenvolvimento — Conclusão, sendo que o Desenvolvimento pode desdobrar-se nas seções de Materiais e Métodos e Resultados, ou ainda Materiais e Métodos, Resultados e Discussão. Essa forma de estruturação tem como objetivo apresentar o texto a partir do contexto no qual ele está inserido.
O Resumo aparece de uma forma destacada na figura por ser um componente independente do restante da estrutura. Devido ao fato de conter informações relativas a todo o texto, tanto gerais como específicas, o Resumo não segue o movimento da estrutura global apresentada. Sendo assim, pode-se definir um plano padrão para estruturação esquemática de textos acadêmicos, contendo os seguintes componentes: Resumo, Introdução, Materiais e Métodos, Resultados, Discussão e Conclusão.
No final da introdução, o autor pode dar ao leitor um roteiro do que será encontrado no restante do trabalho. Esse componente é chamado de outline. O outline pode ser tanto uma indicação das seções do artigo (ou capítulos de uma tese/dissertação) como um apanhado dos assuntos abordados no trabalho na ordem em que aparecem.
Fragmentos de V. D. Feltrim.

4 de março de 2012

Produção textual e revisão acadêmica

A construção textual tem sua complexidade e seus problemas; ela é difícil para muitos e mesmo impossível para outros. É por isso que existem os revisores de texto. A folha em branco era uma grande barreira, as coisas evoluíram bastante e agora a barreira pode ser... a tela do Word em branco! Claro que essa ideia de “branco” tem seu folclore, mas também tem uma parcela de verdade, pois existe mesmo um bloqueio em qualquer início de comunicação. Existem mecanismos para romper essas barreiras. Na verdade, elas caem por si – na maioria das vezes. Voltando à complexidade e aos problemas, existem questões específicas que se tornam obstáculos à qualidade do texto científico, fazendo ainda mais necessária a revisão nele.
A revisão textual vai limpar e polir a tese.
Sempre se diz que primeiro passo para desenvolver boa escrita é desenvolver o hábito da leitura de bons livros. Claro que isso não se nega, mas, sob certas circunstâncias, os livros podem ser a origem de muitos dos problemas da escrita. Eu mesmo fui alfabetizado e tive imediato acesso a livros velhos, com ortografia antiquada (e isso vai ser problema para muita gente de novo, posta a implementação do Novo Acordo Ortográfico), assim como à literatura em espanhol e francês. Tal circunstância me levou a desprezar a ortografia a passar a fazer uma leitura global e pouco atenta à grafia. Da mesma forma, muitos autores acadêmicos sofreram e sofrem influências multilinguistas, o que trás a seu texto vernáculo construções daquelas outras línguas. Cada vez mais globalizada, a ciência tem o inglês como língua franca atualmente, mas o espanhol, francês e muitas outras línguas são lidas em profusão por nossos cientistas. Se toda essa leitura amplia vez mais o acervo lexical, contribuindo assim para o desempenho linguístico, ela costuma introduzir prejuízos de sintaxe e estilo, sem falar nas incorporações equivocadas de falsos cognatos. Dessa forma, dúvidas ortográficas, questionamentos acerca da concordância, regência, entre outros, vão aos poucos sendo inseridos nos textos. O paradoxo aqui é que o texto científico tem problemas derivados da grande quantidade e multiplicidade de leituras de seu autor.
Outros fatores contribuem para os problemas do texto científico. Muitas vezes, a pressa da redação é um deles. O pesquisador pode ter se dedicado o máximo a seus experimentos e a obter ou analisar dados, ficando a redação premida pelo prazo final. A pressa é inimiga da redação! Mais um fator a prejudicar a qualidade do texto é derivado exatamente da extrema facilidade de introduzir mudanças nele: corta aqui, emenda ali, muda uma frase e um parágrafo de lugar... E acaba havendo lacunas, omissões, falta de concordância e mil probleminhas. Existe também a questão da coautoria: muitos mexem no mesmo texto, algumas vezes o próprio orientador – quando se trata de tese ou dissertação, sem que um se dê conta do que outro modificou. Tanto muda aqui e ali, acaba o autor – ou redator principal – não se dando conta das falhas, passa mesmo por elas sem se dar conta de sua existência de tão familiarizado que está com o produto. Leu tanto que não vê mais o que está escrito, já julga saber o que o texto diz, mesmo que o texto diga diferentemente do que deveria.
Por essas e tantas outras é que, no texto científico, a revisão profissional é premente. O revisor nunca teve contato com aquele texto e fará dele uma leitura privilegiada por seu conhecimento linguístico, por seu treino no ofício e pelo direcionamento das questões que colocará ao texto. Mas lembre-se: o revisor também precisa de tempo para seu trabalho. Não existe revisão “rapidinha”. Quem diz que revisa uma tese de um dia para o outro está mentido. Combine o serviço de revisão antes de terminar o texto, veja quanto tempo o revisor vai precisar, e coloque esse prazo em seu cronograma – para não correr o risco de ter seu trabalho “aprovado com restrição” pela banca, que o remeterá à revisão se não chegar a ela com o texto satisfatório. Ninguém quer também ter o texto devolvido sem publicação pelo periódico a que foi remetido por falta de revisão.