27 de março de 2012

Dia do revisor de textos: 28 de março

Imagine como seria ler um livro ou um jornal com vários erros ortográficos ou sem qualquer tipo de regra gramatical observada. Certamente, não seria de fácil entendimento e comprometeria a qualidade da leitura e da informação transmitida.
Quem revisa a tese ou o livro
quase nunca aparece.
 Pois então, comemore conosco, no dia 28 de março, o Dia do Revisor, o profissional que lida com a edição de textos e que é preparado para corrigir desvios de sintaxe, ortografia, pontuação, enfim, o que deve ser ajustado aos padrões gramaticais.
 Se antigamente os revisores já eram ilustres desconhecidos, imagine agora que o trabalho a distância os esconde em sua casa ou em qualquer computador, bem longe da redação ou editoria. Mas imagine também como a falta desse profissional seria sentida em tudo que você. Pois então, o revisor de textos é o profissional da modéstia, alguém que não se importa em ficar à sobra para dar mais destaque ao texto e seu autor.

Linguística e revisão de textos: terminologia e estilística

A terminologia, no sentido que mais interessa à revisão de textos, dedica-se ao conhecimento e análise dos vocabulários especializados das artes e ofícios, ao objeto ou campo de conhecimento do texto em foco. Em sentido amplo, refere-se ao uso e estudo de termos, especificando as palavras que são geralmente usadas em contextos específicos.
O revisor de textos é o leitor cuja preocupação
principal é o leitor seguinte.
Terminologia e revisão de textos
Terminologia também se refere a uma disciplina mais formal, ligada à formação de corpus, dedicada ao estudo sistematizado, rotulação e designação de conceitos específicos a um ou vários assuntos ou campos de atividade humana, por meio de pesquisa e análise dos termos em contexto, com a finalidade de documentar e promover seu uso correto. Este estudo pode ser limitado a uma língua, ou a uma região geográfica, ou a um período ou autor; todos os cortes podem ser feitos, ou pode cobrir mais de uma língua ao mesmo tempo (terminologia multilíngue, bilíngue, trilíngue etc), havendo ainda a possibilidade de estudos de terminologia comparada, entre autores, regiões, épocas.
Na revisão, a gestão da terminologia é elemento central de boa legibilidade e uniformidade dos textos revisados. Os revisores profissionais podem administrar a terminologia na forma de glossários, usando ferramentas de controle de qualidade que fazem com que o mesmo termo técnico seja aplicado uniformemente em todo o texto. Também pode ser útil fazer a verificação longitudinal específica da aplicação de determinados termos, por meio de ferramentas de localização.

Estilística e revisão de textos
Há dois enfoques de estilística cujos cruzamentos interessam à revisão; o primeiro refere-se às variações linguísticas, diferentes registros, aplicações e contextos, incluindo a apreciação estética sobre o produto; o segundo, mais gramatical, considera o emprego tropos no texto, figuras de sintaxe, palavras ou pensamento.
Caberá ao revisor, dentre outros procedimentos, conhecer os tropos, identificá-los e julgar sua pertinência quanto ao tipo do texto em pauta; é comum aos autores desvios de recursos linguísticos cabíveis em um tipo de texto para outro em que eles se tornam completamente inadequados. A questão de não haver exatamente certos e errados se torna mais restrita, por algo pode não ser exatamente errado ali, mas ser completamente errado lá. Muitas vezes os autores não têm exatamente a noção dessa propriedade, outras vezes fazem uso consciente do abuso cometido – e isso também deve ser identificado e, nesse caso, respeitado, mantida a violação desejada pelo autor. Todas essas variações e combinações de elementos externos e internos do texto, seu objeto e sua finalidade, é o que chamamos contexto – uma palavra perigosa, pois bastante desgastada e algo esvaziada.
A determinação do registro, necessária à contextualização, parte da variedade (espécie da variação) linguística e alcança a situação do texto, sua finalidade ou seu público. Geralmente, o registro é facilmente reconhecível, mas cabe ao revisor ter ampla consciência dele e fazer dessa consciência parâmetro das interferências que serão feitas. Caberão as adequações de “campo”, “conteúdo” e “modo” correspondentes à estrutura semiótica do texto, preservadas as idiossincrasias autorais.
Cabe ainda apontar, como parte da estilística, o conhecimento dos vícios de linguagem, os bordões e os modismos. Os gramáticos abordam invariavelmente essas questões, uns com maior rigor, outros mais permissivos; também os manuais de redação, tanto os jornalísticos quanto os governamentais e acadêmicos, trazem amplas lista de expressões a serem evitadas, nos respectivos contextos, mas observem que cada manual daqueles é específico àquele tipo de texto, caberá sempre um juízo subjetivo, principalmente quando se tratar de texto criativo ou de manifestação opinativa.
A série toda  de linguística e revisão de textos: fonética e fonologia, morfologia e sintaxe, semântica e lexicologia, terminologia e estilística, pragmática e filologia.

22 de março de 2012

Formatação de trabalhos acadêmicos (4)

Qualquer texto em processo de formatação passa por diversas fases. Aqui estarei apresentando as fases normais do processo de formatação tendo como base o trabalho acadêmico que é nosso foco de trabalho. A formatação de uma tese, uma dissertação ou de qualquer trabalho longo seguem a mesma rotina, sempre compreendendo a formatação lógica e a formatação física.
Fases da formatação de um trabalho acadêmico
A formatação de uma tese ou dissertação passa
necessariamente por várias fases. Só deve
fazer quem sabe. A Keimelion sabe.
As formatações lógica e física não são as fases a que nos referimos; existem a formatação primaria, secundária, terciária, etc. que vão ajustando e corrigindo as imperfeições e diferentes aspectos do texto. Mesmo o texto, ao ser revisado, passa pelo menos pela formatação primária. As outras fases são específicas do trabalho de formatação em si.
Basicamente, a formatação primária compreende eliminação de:
  • Macros e comandos fantasma no arquivo original.
  • Duplos parágrafos.
  •  Múltiplos espaços entre as palavras. 
  •  Espaços antes ou depois de marcas de parágrafo. 
  •  Espaços antes de sinais de pontuação [. , ; : ! ? “]. 
  •  Espaços depois e antes de sinais de parênteses ( Exemplo ). 
  •  Hífen [ - ] entre as palavras. 
  •  Três pontos ao invés de reticências […].
A formatação secundária não se limita a isso, mas compreende adequar: 
  •  Configuração de página e margens, cabeçalhos e rodapés. 
  •  Fontes, parágrafos, títulos, listas. 
  •  Palavras destacadas EM CAIXA-ALTA, negrito, grifados. 
  •  Nome de AUTOR em caixa-alta. 
  •  Expressões estrangeiras no texto, em itálico. 
  •  Notas de rodapé. 
  •  Citações longas.
A formatação terciária não se limita a isso, mas inclui: 
  •  Adequação de figuras, foros, imagens, gráficos e tabelas. 
  •  Legendas, sumários, índices, listas de siglas. 
  •  Anexos, apêndices, capa e elementos pré-textuais.
Há ainda outras fases e outros elementos em cada fase desta, mas aí começam os casos específicos e a atenção ao gosto e necessidade do cliente em relação àquele trabalho.
(Ainda tem mais depois!)
Veja a mais sobre
Formatação de trabalhos acadêmicos: (1) - (2) - (3) - (4) 

20 de março de 2012

Erros comuns dos autores

Na construção do texto há vários equívocos possíveis - e quase todos ocorrem, o revisor de textos está atento a todos eles. Alguns erros podem ser corrigidos facilmente na hora da revisão. Os erros mais difíceis, ou trabalhosos de serem corrigidos, são que decorrem de equívocos de interpretação da parte do autor. Os principais são aqueles que decorrem de erros de concepção sobre o que é ciência e aqueles que são de natureza lógica. São os dois principais, pois mostram que o conhecimento construído está errado.
Há erros que comprometem gravemente o texto
e devem sere sanados por profissional experiente.
A arte de escrever
Os erros mais comuns que os autores cometem são:
  • prolixidade: É um vício já na graduação e também na pós-graduação, decorre do medo de apresentar uma monografia ou tese enxuta, com poucas páginas. A ciência de boa qualidade requer textos sintéticos sustentando conclusões interessantes e sólidas. Mas os autores escrevem demais e incluem informações desnecessárias e repetitivas. Isso tem origem no sistema de ensino básico que, geralmente, estimula os alunos a responderem extensamente às questões em provas, é comum pedir ao estudante para dar a "resposta completa", já treinando a prolixidade.
  • redação no impessoal: A redação no impessoal pressupõe que os resultados (dados) sejam suficientes para determinar as conclusões. mas já se sabe bem que não é isso que ocorre, os cientistas interpretam os dados. As conclusões científicas são embasadas em dados e representam a visão do autor sobre isso. Se ele convence os leitores consegue publicar ou ter sua tese aprovada. Se convence os leitores, transforma a tese em conhecimento científico.  Muitas recusas de artigos ocorrem de diferentes interpretações para um mesmo conjunto de dados. Portanto, as conclusões são do autor, que as explicitam para a comunidade científica, que pode aceitá-las ou não. É um erro teórico achar que o texto deve ser escrito no impessoal, pois isso supõe que as conclusões apresentadas são inequívocas a partir daqueles dados, o que nem sempre é correto.
  • redação usando agente da passiva: Costuma colocar a causa antes do efeito. É um erro de estilo na redação científica. Ao dizermos que o crescimento dos animais foi afetado pela densidade populacional, estamos colocando o efeito (crescimento) antes da causa (densidade populacional). Além dessa inversão lógica, que dificulta o entendimento, a frase fica sempre maior (veja: "a densidade populacional afetou o crescimento dos animais" tem uma palavra a menos!).
  • vírgula em lugar errado: A vírgula representa uma pausa e deve ser colocada nos locais onde as pausas sejam razoáveis. Ensinaram às pessoas a bobagem que devem colocar as vírgulas quando fizerem pausa para respirarem. Faltou ensinar a elas quando respirar. A vírgula é  questão de lógica, não de resistência física.

Formatação de trabalhos acadêmicos (3)

Muita coisa diferente é chamada de formatação, como já vimos. Vamos tratar um pouco sobre o que a ABNT chama de formatação e como ela trata desse assunto. Primeiro, as complexas e mutantes normas da ABNT são muito imperfeitas, omissas, e interpretadas de muitas formas diferentes; então, bem mais que ser um ponto de uniformidade como se pretendem, elas são meramente um complicador para quem está fazendo trabalho acadêmico.
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Formatação segundo a ABNT
Por isso mesmo, a maioria das universidades cria um próprio manual interpretando ou adaptando as normas da ABNT, ou mesmo muitos cursos, departamentos e institutos têm as próprias regras. Ainda assim, as regras particulares estão sujeitas à interpretação do orientador de cada trabalho, então, na prática, a regra de formatação que vale é a regra do orientador! Por mais que o orientador jure que adota a regra da ABNT, importante é entender o que ele quer, o que ele lê (ou leu há muitos anos) naquela regra e como ele deseja que seja o trabalho. A única maneira de saber isso é fazendo a formatação, segundo o autor (ou o formatador profissional) interpreta as tais regras, e dando ao orientador para que ele determine o que deve ser, segundo ele pensa. Portanto, recomenda-se aos autores que se preocupem mais com o conteúdo de seus trabalhos que com as regras, pois o cumprimento delas se torna, quase sempre, se torna um jogo de adivinhação entre o que diz uma norma ruim e como a interpreta o juiz do caso: o orientador e a banca.
Outra questão a ser colocada é a existência de muitas normas da ABNT. Não existe uma norma que trate de tudo, nem uma norma que perdure no tempo. Aquela instituição edita normas para cada item, normas conflitantes entre si, e normas que mudam (e os orientadores não se atualizam sempre!). Então, há sempre problemas.
Vejam algumas das tais normas:
  • Apresentação de artigos em publicações científicas. NBR 6022:2002.
  • Informação e Documentação – Citações em documentos – Apresentação. NBR 10520:2002 – Para organizar as citações dentro da monografia.
  • Informação e Documentação – Referências – Elaboração. NBR 6023:2002 – Para organizar a informação das referências bibliográficas.
  • Informação e Documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. NBR 14724:2005 – Sobre a estrutura de monografias e TCCs.
  • Normas para datar. NBR 5892:1989.
  • Numeração progressiva das seções de um documento. NBR 6024:2002 – Sobre a numeração de tópicos da monografia.
  • Resumos. NBR 6028:2003 – Como fazer resumos.
  • Sumários. NBR 6027:2002 – Formatação dos sumários.
E com certeza há outras além dessas, formando um emaranhado de contradições. Ao fim e ao cabo, os orientadores se preocuparão com a composição final (aspecto visual do trabalho) com a coerência dos critérios e com a adesão aos costumes daquele curso ou instituição.
Veja a mais sobre
Formatação de trabalhos acadêmicos: (1) - (2) - (3) - (4)

19 de março de 2012

Linguística e revisão de textos: semântica e lexicologia

A semântica estuda o sentido dos enunciados, por exemplo, formal ou lexical, significados e significâncias das frases e das palavras que a integram; é focada nos sentidos denotativos das significâncias, isso quer dizer que é o sentido próprio, o sentido expresso. O revisor de textos deve conhecer e observar o sentido próprio dos termos.
Para todos os termos existe uma árvore de
significados, o conjunto compõe o léxico.
Semântica e revisão de textos 
A semântica não se preocupa com os sentidos figurados, com as entrelinhas, com os significados das omissões. É o sentido próprio, dicionarizado (excluindo-se os sentidos figurados que os dicionários registram). O sentido semântico dos elementos do texto (semantemas) deve ser rigorosamente preservado em textos técnicos e científicos; cabe ao revisor ter acurada atenção sobre esses aspectos. A semântica, de certa forma, compõe-se com a sintaxe para transmitirem, em conjunto, as mensagens – a semântica com o foco na significação de cada termo e a sintaxe ordenando e atribuindo função a cada um. Semântica – significação; sintaxe – função.
São partes da semântica a sinonímia, a que o revisor deve atentar para evitar repetições de palavras ou semantemas e, ao substituir um termo por outro, guardar o mesmo sentido. Parte também a antonímia, a que a atenção deve ser a mesma, pelo mesmo motivo, em ordem inversa: pode-se evitar o emprego repetido de uma expressão usando seu antônimo em frase negativa. E também a homonímia, a que se deve cuidado para evitar equívocos, aqui se tem os parônimos, homófonos e outros acidentes desses tipos.
Por fim, o revisor deve verificar sempre a polissemia, parte também da semântica, pois as palavras têm quase sempre mais de um significado, mesmo em sentido denotativo. Cumpre ficar claro qual é o sentido, quando se trata de texto técnico, ou explorar a ambiguidade – se for texto poético ou literário! Cabe ao revisor interpretar a intensão do autor e explorar as possibilidades.

Lexicologia e revisão de textos
A lexicologia cuida do conjunto de palavras do idioma, está ligada à lexicografia, área de atuação dedicada à elaboração de dicionários e outras obras que descrevem o uso e sentido do léxico. A lexicologia estuda a palavra, o objeto de trabalho do revisor por excelência, em seus múltiplos aspectos: constituição, histórico, significados, emprego, e cabe ao revisor dominar o léxico tão amplamente quanto possível, ampliando sempre seu arcabouço, pois a boa frase tem a palavra certa, na ordem certa e ao tempo certo.
O revisor é ativo consulente de dicionários, talvez o mais voraz devorador de glossários dentre todos os usuários. Revisores de textos têm com lexicólogos uma eterna relação de cooperação e conflito, pois sempre recorremos ao trabalho deles e nunca nos damos por satisfeitos com o produto encontrado. Os dicionários são sempre estáticos e a língua é dinâmica, os dicionários, por maiores que sejam, são sempre omissos, pois em nenhum calhamaço caberiam todas as palavras, todas as acepções e todas as formas de registro da língua. E tudo isso é objeto da lexicologia e da revisão de textos.
A série toda  de linguística e revisão de textos: fonética e fonologia, morfologia e sintaxe, semântica e lexicologia, terminologia e estilística (e virá mais.)

16 de março de 2012

Linguística e revisão de textos: morfologia e sintaxe

A morfologia é a parte da linguística que se dedica à estrutura de formação das palavras (radical, prefixo, sufixo...) ou à sua classificação, do ponto de vista tradicional: substantivo, verbo, advérbio... As duas abordagens são importantíssimas, inclusive do ponto de vista prático, para a revisão de textos. A identificação da classe da palavra, o que pode parecer direto e simples para o usuário normal delas, apresenta complicações, em determinados ângulos de leitura, que permanecem como questão até entre os maiores especialistas. 
Morfologia e revisão de textos
Com violações intencionais da língua, o poema
Pulsar (Augusto de Campos, 1975) preserva a sintaxe e
a morfologia das palavras, apenas substitui alguns
grafemas (letras).
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Lá quando aprendemos as primeiras letras, aquelas dez classes de palavras (ainda se ensina isso?) eram bem definidas e consideradas base para muita coisa. O revisor de textos estará atento àquelas classes, seus paradigmas de flexões com suas exceções; o flexionismo, por exemplo, é uma abordagem importante para a ótica da revisão, pois as derivações das palavras podem ser problema em qualquer texto.

A outra abordagem da morfologia é a formação de palavras; com as flexões (por exemplo: aumentativos, plurais, adjetivação...) são criadas outras palavras ou são as mesmas, modificadas? Se forem modificadas, não seriam mais as mesmas... Essas são questões que existem pela própria complexidade do conceito de palavra – que não perfeitamente estabelecido. Esse ramo da morfologia estuda os elementos existentes nas palavras que usamos (os morfemas – as menores partes das palavras que têm significado) e como foram usados nas palavras já registradas, além de ensinar a usá-los na criação de palavras novas. Na linguagem científica, todo o tempo, criam-se palavras. É raro um texto longo em que não haja palavras novas (que ainda não estão no dicionário) ou mesmo alguma criada por aquele autor naquela necessidade. O revisor avaliará a adequação do uso e da criação do neologismo, quando for o caso, do aportuguesamento, quando ele ocorrer, ou mesmo sugerirá o emprego de outra ou a reconstrução da palavra. As palavras não são todas certas ou erradas, podem ser melhores e piores, há muito que considerar em boa parte delas.
Sintaxe e revisão de textos
A sintaxe é a parte da linguística que estuda a articulação das palavras para formar frases gramaticais; é bastante óbvia a importância da sintaxe para a revisão de textos, pois toda a concordância interna da frase depende dela, o sujeito que pratica a ação, o predicado que especifica a ação, processo ou estado, afirmando, negando ou perguntando, e os complementos – de todo tipo – devem estar harmonizados (coerentes e concordantes) para que a frase tenha sentido perfeito, para que o significado seja imediatamente percebido. A fluência da leitura depende, dentre outras coisas, da perfeita concordância em gênero e número entre os termos da oração: quem nunca interrompeu um raciocínio ou uma leitura para avaliar se a concordância está boa? Qualquer erro de concordância provoca um “ruído” na leitura que perturba sua compreensão. E nenhum ouvido é mais afiado para perceber tais ruídos que o do revisor. Nosso treino permite identificar, automaticamente, qualquer desvio da sintaxe; em seguida, a capacidade analítica, teórica e prática, vai identificar a origem do problema para saná-lo.
A série toda  de linguística e revisão de textos: fonética e fonologia, morfologia e sintaxe, semântica e lexicologia, terminologia e estilística, pragmática e filologia.

15 de março de 2012

Formatação de trabalhos acadêmicos (2)

O que interessa ao autor de um texto, principalmente um texto longo, com ilustrações, gráficos, várias seções, uma tese ou dissertação, por exemplo, é a aparência que ele terá ao ser apresentado. Claro, aqui estamos considerando as questões relativas à formatação, então assumimos que o texto está excelente quanto ao conteúdo e que foi revisado por profissional. De um modo geral, isso pode se aplicar a um artigo curto, duas páginas, mas quando é um texto longo, pesado, com várias seções ou imagens, realmente é necessária a intervenção de um profissional que trabalhe com todo aquele conteúdo com conhecimento de causa. Vejamos o que faz o profissional, que o autor normalmente não tem nem ideia do que seria necessário – ou, quando tem, não de tudo que é possível.
A maior parte da formatação o Word faz, mas
é preciso conhecer a maior parte do que ele
sabe fazer. Isso requer muito tempo.
Diferenciais da formatação profissional   Pin It
Primeiramente, o autor precisa ter a noção de que aquele texto, continuemos com o exemplo da tese (que vale para um relatório, um projeto, um memorial ou qualquer outro documento de dezenas ou centenas de páginas), todo o trabalho precisará ser preparado para sua finalidade primária, no caso da tese o depósito e a defesa. Depois, outros usos e necessidades surgirão: impressão em diferentes formatos, extração de artigos, transformação em livro, adaptação de algum capítulo para finalidade distinta. Em todos esses casos, se o texto estiver corretamente formatado, aplicados os campos lógicos a cada segmento, essa interferência sobre o texto será facilitada em muito.
 
Em seguida, considere-se a necessidade de haver hiperlinques no texto: o sumário, as listas de figuras, quadros e tabelas, bem como os índices onomásticos, toponímicos, e de autoridades (estes últimos raríssimamente são inseridos nos trabalhos porque os autores nem sabem da possibilidade de que eles existam) só podem ser feitos se os campos lógicos estiverem todos definidos. A tarefa de manter um índice atualizado, com os números de páginas corretos, sem que eles estejam hiperlincados beira o impossível – sem falar na facilidade de navegação pelo texto quando o leitor estiver acessando por qualquer outra mídia que não a impressa. A hiperlincagem alcança ainda as referências cruzadas internas do trabalho, por exemplo: “vide Capítulo X, à página y”, ou “segundo a Figura Tal, à pág. W. A referência (X, Tal), assim como o número da página, uma vez lincados, serão atualizados automaticamente, e tudo estará bem ordenado mesmo que se insira ou se retire um capítulo inteiro pelo meio do trabalho ou se inverta a ordem de um grande segmento do texto.
Ainda mais, quando se trata de imagens, muitas vezes o autor as usa “pesadas demais” (arquivos enormes!), ou sem resolução suficiente. Tornando o arquivo final do trabalho gigantesco e pouco prático, ou resultando em impressão de má qualidade. Outras vezes as imagens não estão bem situadas quanto ao texto. Há ainda a questão das legendas – que devem ser formatadas logica e fisicamente, hiperlincadas, e situadas adequadamente, além de serem agrupadas à respectiva imagem para não fugir dela.
É bastante coisa, muito disso não é tão fácil de ser aprendido, à última hora, quando os prazos de entreva do trabalho estiverem se esvaindo. Melhor recorrer a um profissional que tenha prática.
Veja a mais sobre
Formatação de trabalhos acadêmicos: (1) - (2) - (3) - (4)

14 de março de 2012

Linguística e revisão de textos: fonética e fonologia

A linguística já não é uma ciência muito recente, mas a sua aplicação prática e os estudos dessas aplicações estão em contínua e crescente ampliação nos últimos tempos. No bojo dessas novidades surge abordagem da revisão de textos que ultrapassa as visões tradicionalistas de correção ortográfica e as limitações formalistas. Revisar um texto é bem mais que um jogo de sete (ou sete mil) erros. O trabalho do revisor de textos profissional implica considerações complexas, incluindo abordagem sistemática e processual do texto, considerações psicolinguísticas (incluindo questões cognitivas e psicogenéticas), sem falar nas considerações semiológicas, ou seja, inclui todas as abordagens da linguística moderna aplicadas em favor da comunicabilidade. Nosso esforço é no sentido de aprender uma linguística compreensiva aplicada à revisão de textos e de aplicar esse conhecimento ao ofício, possibilitando-nos o desenvolvimento qualitativo do trabalho com sólida base teórica atualizada.
As diferenças entre fonética e fonologia são
sutis e há grande interseção em seus
campos de estudo.
Fonética e revisão de textos

A fonética é a parte da linguística que estuda os sons emitidos e percebidos (os fones), sem considerar-lhes os significados (desejados ou indesejáveis), são os sons que empregamos na fala, tentamos representá-los na escrita e os representamos pelo alfabeto fonético. Os trava-línguas são jogos fonéticos e a poesia usa muito o mais conhecido acidente fonético: a rima: apoio fonético recorrente, entre dois ou mais versos, que consiste na reiteração total ou parcial do segmento final de um verso a partir da última tônica (Houaiss). A revisão de texto deve estar sempre atenta a todos os acidentes fonéticos provenientes do texto, verificando nele a possibilidade de oralização e as sonoridades desejáveis e indesejáveis. Evitando, por exemplo, a incidência de rima, tão desagradável na prosa quanto pode ser buscada no verso. Cumpre ao revisor afastar os cacófatos (som feio, desagradável, impróprio ou com sentido equívoco, produzido pela união dos sons de duas ou mais palavras vizinhas) e não os confundir com cacófago (aquele que pratica ou apresenta cacofagia).
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Fonologia e revisão de textos

 A fonologia preocupa-se com os fonemas básicos de uma língua; ela se distingue da fonética – estudo da percepção e produção de sons, cujas unidades são os fones – por estar focado no registro e na articulação dos sons na língua, o que ocorre por meio de fonemas. É da fonologia que derivam muitos dos aspectos ortográficos, pois uma das intenções é que as sílabas representem os fonemas. Algumas considerações da topologia pronominal são também decorrentes da fonologia, por exemplo, a vedação do pronome átono no início da frase em português europeu e no brasileiro mais formal (para que ele não desapareça de tão brando) e sua crescente aceitação atual dentre os brasileiros, pois o caráter átono, dentre nós, está se perdendo em tais pronomes. Os usos e abolições de certos acentos diferenciais decorrem também de considerações fonológicas. Creio já ter ficado demonstrado o papel da fonologia na revisão, posto que a natureza do registro escrito é decorrência direta da fonologia – combinada com diversos outros aspectos linguísticos. Cumpre ao revisor julgar se os registros do texto correspondem ao enunciado da língua atual, atualizando onde competir e, quando couber, justificar ao autor as interferências feitas por tais motivos.
A série toda  de linguística e revisão de textos: fonética e fonologia, morfologia e sintaxe, semântica e lexicologia, terminologia e estilística, pragmática e filologia.

Revisão de textos na nova ortografia

O Novo Acordo Ortográfico já ficou velho, mas, até o fim de 2012, a ortografia anterior a ele é formalmente aceita. Nossos serviços de revisão, desde 2009, são feitos exclusivamente segundo a nova ortografia vigente. Nenhum cliente solicitou, ainda que isso fosse possível e mesmo legalmente admissível, que mantivéssemos a ortografia anterior.
Não se enrole com a nova ortografia,
contrate-nos para revisar e fique tranquilo.
Não há nenhuma dúvida de que os autores brasileiros aderiram à nova regra; estamos já completamente adaptados a ela.
Mas atenção: a ortografia anterior deixa de ser uma alternativa com fim deste ano. Todos os texto oficiais e legais deverão ser editados segundo a nova regra, já em vigor, a partir de 1º de janeiro de 2013.
Para revisão de texto recente, ou atualização de textos mais antigos, solicite nossos serviços. A nova ortografia já é nossa velha amiga!
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Revisão... de textos? Linguística? Textual? (5)

Como já foi dito, ortografia e gramática são apenas dois dentre os muitos aspetos de que um texto se constitui. Revisar somente a ortografia e a gramática de um texto é algo perfeitamente possível, mas isso não significa tenha sido feito tudo o necessário para a melhoria do texto. Ortografia e gramática, dentre outras coisas, existem para que o texto transmita com maior eficiência a informação desejada. O importante não é que apenas a ortografia e gramática estejam adequadas no texto, mas que o texto todo esteja bom, que cumpra sua função de comunicar a ideia satisfatoriamente. O texto é uma unidade complexa, um conjunto de informações ordenadas e estruturadas em diversos códigos dos quais a ortografia e a gramática são integrantes, mas há muitos outros aspectos a serem considerados: o estilo, a coesão, o registro são outros aspectos presentes a serem considerados na revisão, para que o texto seja adequadamente aperfeiçoado.
O melhor revisor de texto trabalha em interação com o autor.
Revisar um texto sempre será muito mais que
eliminar uma série de lapsos ortográficos e
imperfeições gramaticais.
Revisão ortográfica, revisão gramatical
Muitas vezes as pessoas procuram por revisão ortográfica ou revisão gramatical de seus textos, o que não é exatamente o que elas estão desejando. Mais grave é quando “profissionais” anunciam estes serviços, o que não é adequado e pode indicar algum tipo de precariedade no serviço oferecido.
Pelo que estamos demonstrando, o que se deve ter em conta na revisão não é tão somente ortografia e gramática – mas o texto todo. Por isso, consideramos mais correto referir a nosso trabalho como revisão de texto. Revisamos o texto todo, qualquer aspecto e todas as facetas da complexidade e unidade textuais são consideradas em nosso processo de revisão. Tudo fazemos no objetivo de não apenas atender a algumas normas formais, tais como a ortografia ou gramática, mas tendo em vista a função comunicacional do texto, seu aperfeiçoamento como suporte de um conjunto de informações ordenado e hierarquizado da melhor forma possível para que a mensagem alcance o leitor com a maior clareza possível.
É natural que as pessoas se refiram à revisão gramatical e ortográfica do texto, pois de fato elas existem e são importantes. Mas elas devem sempre ser ultrapassadas para o aperfeiçoamento do texto. Qualquer texto tem contexto, portanto, deve ser revisado em função um do outro, o texto adequando-se ao contexto, gramática e ortografia inclusive se subordinam a essa relação. Em nosso caso, como trabalhamos focados na produção acadêmica, o texto está em registro formal, a norma é culta, estamos presos à ortografia oficial recém-modificada, bem como restritos à gramatica normatizada; assim com os textos acadêmicos devem ter a necessária coesão micro e macrotextual, devem ser tão isentos quanto possível e se revestirem de diversas outras características que constituem o jargão de cada campo de conhecimento.
O trabalho do revisor de textos é aperfeiçoar o trabalho, eliminando nele as imperfeições normativas, ampliando-lhe a compreensão e reduzindo ao mínimo as falhas provenientes dos lapsos de digitação, edição e fadiga a que o autor sempre está sujeito.
Veja outras postagens relacionadas: 
Revisão... de textos? Linguística? Textual? (1) - (2) - (3) - (4) - (5)

Título da tese, dissertação, monografia

O que vale para o o título das teses, dissertações e monografias vale também para os artigos científicos, TCCs e qualquer outro trabalho acadêmico. A primeira recomendação é concisão, pois é neste fator o problema mais notado. Coerência e exatidão são requeridas, mas normalmente há.
  • Recomenda-se adotar título objetivo, direto; usar substantivos, estando atento às preposições exatas e ao mínimo de artigos. O título do trabalho não é seu resumo.
  • Devem-se evitar títulos longos, buscando-se objetividade e contendo apenas as palavras essenciais, sem prejuízo da clareza e entendimento da natureza do trabalho.
  • Não se usam metáforas, ironias ou outros recursos literários em títulos acadêmicos, exceto com absolutas consciência e intencionalidade no procedimento.
Observe-se o exemplo do título do Manual Keimelion 2010 para redação acadêmica: a preposição foi escolhida visando determinar a aplicação que o trabalho terá. Outros manuais, principalmente os jornalísticos, são intitulados: “Manual de redação…” – redação aqui é onde eles são usados, na redação do periódico. Em ambos casos houve propriedade na escolha dos títulos
Muitos trabalhos visam obtenção
de diferentes graus: bacharel, licenciado,
mestre, doutor são títulos correspondentes
aos graus acadêmicos.
Segundo a ABNT, na NBR 14724:2002, o título é elemento obrigatório e deve constara na capa, folha de rosto, lombada (quando houver esta), na folha de aprovação e em outros lugares especificados. É bem frequente atualmente que o título do trabalho conste em todas as páginas do texto, no rodapé ou cabeçalho - apesar de todas que já vimos serem omissas quanto a isso - em virtude da grande ocorrência da reprodução de partes do texto por fia eletrônica o mecânica. A referida NBR14724, sobre título e subtítulo, registra: (4.1.3.1) o "(b) título principal do trabalho, deve ser claro e preciso, identificando o seu conteúdo e possibilitando a indexação e recuperação da informação"; o "(c) subtítulo: se houver, deve ser evidenciada a sua subordinação ao título principal, precedido de dois pontos". A NBR 12225:2004 faculta a abreviação do título na lombada, quando necessário; recomendamos essa mesma abreviação para rodapé ou cabeçalho, conforme o projeto gráfico adotado.

Mais duas sugestões: tente fazer uma tempestade de ideias quanto ao título, faça uma lista das possibilidades e vá cortando palavras em cada item, tentando manter o sentido, o mais curto será o melhor; procure no Google se já existe trabalho com o mesmo título ou bem semelhante e evite essa escolha, se possível. 

13 de março de 2012

Revisão de textos em enfoque psicogenético

Os enfoques psicogenéticos sobre a escrita e revisão de textos colocam em destaque os processos de produção, preparação e assimilação do texto como objeto cultural. Na década de 1980, a partir de tal marco teórico, abordou-se o estudo da escrita como processo de aquisição deste objeto específico. Estas investigações romperam definitivamente com a ilusão de transparência entre ensino e aprendizagem da língua escrita, de certa forma obliterando conceitos estabelecidos e limitantes de certo e errado.
Seu texto merece o melhor tratamento. Nós oferecemos isso a ele.
Nenhum texto surge nas mãos de seu autor
sem gênese imediata e distante.
É preciso reconstruir um saber construído em certo domínio para poder aplicá-lo a outro domínio; é necessária a reconstrução de um saber construído previamente com respeito a um domínio específico para poder adquirir outros conhecimentos do mesmo domínio que, de algum modo, foram registrados sem serem compreendidos; assim também a reconstrução do conhecimento que tem a criança da língua oral, para que possa utilizá-lo no domínio do escrito. Assim, finalmente, necessária a reconstrução do conhecimento sobre letramento para aplicá-lo na práxis revisional, rever a relação professor aluno no enfoque autor-revisor, não como mera projeção escalar, mas como sucedânea e agora como diálogo entre discursos privilegiados.
Pesquisou-se sobre a construção infantil do sistema de representação da escrita para compreender como o autor transforma seus conceitos sobre si, afastando-se da visão normativa que sinalizasse “o que falta” nos textos.
Em pesquisas posteriores ampliou-se o campo de questões sobre problemas como a segmentação de palavras, ortografia, pontuação e construção textual. Mostrou-se que as crianças pequenas (4-5 anos) já têm ideias claras sobre as características de diversos tipos de texto: podem tanto reconhecer de que tipo de texto se trata quando alguém o lê como plasmar muitas dessas qualidades em suas produções escritas. Da mesma forma os autores de textos científicos. Mas, em ambos os casos, essa ideias sobre os tipos de textos são inerentes aos usos que fazem de tal mídia, como produtores e autores, não do conhecimento teórico do objeto.
Essa abordagem permite aos revisores de texto ampliar a racionalidade de mídias gráficas que hoje já não nos parecem desvios, mas que, em outras épocas, não eram consideradas normais ou naturais. Ao assumir esta visão histórico-cultural dos processos de textualização, passa-se a compartilhar com as colocações interacionistas uma mesma concepção histórico-cultural sobre a fala e a escrita e sobre o papel primordial que a interação social cumpre na construção do conhecimento e sua transmissão.
Existe a possibilidade da aplicação direta do resultado da investigação psicolinguística à prática que se rege por uma racionalidade diferente à do domínio psicológico: a revisão de texto não é, em si, um processo comunicativo direto, mas uma prática de valorização da comunicabilidade da estrutura midiática, o texto. Os processos de transformação da compreensão do texto não podem ficar fora da pesquisa linguística, porque sua consideração reformula as perguntas interpretativas e gera respostas distintas das consideradas previamente.
Reformulam-se as perguntas no sentido de que se deixe de pensar em qual é o meio que conduz ao fim, para começar a perguntar quais são as condições que deve reunir uma situação comunicacional para que os conteúdos possam ser compreendidos de maneira coerente com os propósitos colocados. Pois bem, uma vez projetada uma resposta a este novo tipo de pergunta, a consideração dos processos de transformação da compreensão do objeto passa a fazer parte do problema da revisão. Ao propor uma alteração que permita ao leitor compreender melhor o texto, suscitam-se respostas cuja interpretação requer marcos teóricos que permitam apreciar o processo de transformação, a que denominamos revisão do texto, feito com aquele específico propósito.
Derivado de Mirta.
Fazem parte desta série de postagens:
Revisão de textos como processo
Revisão de textos e psicolinguística
Revisão de textos em enfoque cognitivo
Revisão de textos em enfoque psicogenético

Capas e folhas de rosto

Temos notado continuamente o grande interesse dos visitantes de nosso blog por capa e folha de rosto dos trabalhos acadêmicos.
Nós conhecemos as regras da ABNT, de Vancouver, da API e outras.
A capa do trabalho pode variar bastante,
a folha de rosto segue um padrão mais
uniforme.
Não que seja nada complicado atender às normas sobre o assunto, mas sempre há dúvidas. Aqui selecionamos uma pequena amostra de capas e folhas de rosto de trabalhos universitários que revisamos recentemente, postamos para servir de exemplo do que pode ser feito dentro das muitas regras que há. Lembramos que os orientadores quase sempre mencionam a ABNT, mas muitas vezes o que eles querem não é exatamente que se siga aquela norma.
Procure observar se existe uma norma específica em sua instituição sobre esse assunto, pois o que observamos é que há muitas variações, em várias instituições, segundo as interpretações que se faz.
Capas e folhas de rosto de trabalhos revisados na Keimelion

Revisão... de textos? Linguística? Textual? (4)

A expressão revisão de português para se referir à revisão de textos está ligada ao conceito “erro de português” e considera, equivocadamente, que o revisor vai se ater a problemas de ortografia e gramática. Claro que esses dois aspectos são importantes – considerados os elementos de relatividade e anacronismo que incidem sobre eles: erro pode ser, por exemplo, um desvio consciente do registro formal institucionalizado ou o “problema” de gramática pode ser somente uma construção ainda não assimilada pela gramática normativa mais aceita.
Revisar, formatar, diagramar, normatizar: seviço para texto é Keimelion.
A segurança para o autor é contratar um
bom revisor de textos.
Revisão de português
Normalmente, quem pretende uma revisão de português em seu texto supõe que o revisor se limite ao dicionário e à gramática, fazendo – se fosse assim – pouquíssimo mais que o revisor eletrônico do Word, por exemplo. Revisão de português seria mais ou menos, na ideia de que usa essa expressão, o que o professor faz nos textos de seus alunos.
Na mesma linha, a expressão “revisão da língua portuguesa” diz mais ou menos a mesma coisa que revisão de português. Na verdade, são duas expressões a que costuma recorrer quem precisa pela primeira vez de um revisor de textos.
Compreenda-se que o conceito de revisão de textos é bem mais amplo que revisão de português. O trabalho do revisor de textos profissional implica considerações bem mais complexas, incluindo abordagem sistemática e processual do texto, considerações psicolinguísticas (incluindo questões cognitivas e psicogenéticas), sem falar nas considerações semiológicas, ou seja, inclui todas as abordagens da linguística moderna:
  • fonética, cujo objeto são os sons que empregamos na fala, tentamos representá-los na escrita; 
  •  fonologia, preocupa-se com os fonemas básicos de uma língua; 
  •  morfologia, dedica-se à estrutura de formação das palavras; 
  •  sintaxe, é a parte da linguística que estuda a articulação das palavras para formar frases gramaticais; 
  •  semântica, estuda o sentido dos enunciados, por exemplo, formal ou lexical, significados e significâncias das frases e das palavras que a integram; 
  •  lexicologia, cuida do conjunto de palavras do idioma, ligado à lexicografia, área de atuação dedicada à elaboração de dicionários e outras obras que descrevem o uso e sentido do léxico; 
  •  terminologia, dedica-se ao conhecimento e análise dos vocabulários especializados das artes e ofícios; 
  •  estilística, tem como objeto estilo na linguagem, inclusive do ponto de vista estético; 
  •  pragmática, trata da função das oralizações (literal, figurativa...)  na comunicação; 
  •  filologia, e o estudo das linguagens na história e suas transformações.
Veja outras postagens relacionadas: 
Revisão... de textos? Linguística? Textual? (1) - (2) - (3) - (4) - (5)

Revisão... de textos? Linguística? Textual? (3)

Não se trata de dizer que está errado, mas sempre nos incomodou a expressão “revisão textual” usada por alguns colegas revisores em seus anúncios. Questão de semântica, apenas, diriam alguns – apenas, não: semântica é um dos pilares da língua, a significância e o significado inerentes às palavras são questão fulcral a ser posta e examinada no processo de redação e revisão do texto ou nas abordagens metalinguísticas. São pequenas questões desse tipo que inquietam os revisores e fazem deles um tipo diferente de leitor.
Revise sempre tudo que escrever. Depois contrate um revisor.
Somos revisores de textos,
não "revisores textuais".


Revisão textual
Recorremos sempre ao dicionário, não se trata de questão de dúvidas somente, os lexicógrafos são os interlocutores dos revisores. No sentido restrito, o adjetivo “textual” tem quatro significados, segundo Houaiss: 1- relativo a texto; textuário; 2- que está no texto, ex.: afirmou que suas palavras eram textuais; 3- conforme ao texto, ex.: cópia textual; 4- fielmente reproduzido ou transcrito, ex.: citação textual. Observe que não consta desta lista o sentido “do texto” – como alguns colegas empregam. Fazemos a revisão do texto. Fazemos a revisão no texto. Não se faz a revisão relativa ao texto, revisão textuária ou revisão do que está no texto. O sentido lato, em que os colegas empregam a palavra, não está dicionarizado. Aulete concorda com Houaiss, para ficarmos em dois lexicógrafos de amplo acesso.
Portanto, somos revisores de textos. Fazemos revisão no texto, quer ele seja uma tese ou dissertação, quer seja um anúncio, o que será revisado é o texto – estendido o sentido dessa palavra a todo o conteúdo apresentado, pois as palavras devam estar consoantes às imagens e aos dados apresentados. No trabalho acadêmico, as tabelas, gráficos e fórmulas integram o texto e é necessária coerência textual entre eles. Mas essa é outra questão.
Sabemos que, dentre alguns linguistas, a palavra “textual” tem sido empregada no sentido que repudiamos. Entendemos o processo de esvaziamento semântico que ocorre, mas, ao rigor da precisão de sentido e resguardo da pureza de estilo é que nos posicionamos assim. Não se trata de reação, conservadorismo – mas de busca pelo rigor e plenitude das significâncias, o que é exatamente o contrário de seu esvaziamento.
Somos revisores de textos e, no exercício desse ofício, procuramos o aperfeiçoamento dos objetos que nos são submetidos, zelando que o texto se torne elo mais eficiente entre autor e leitor.
Veja outras postagens relacionadas: 
Revisão... de textos? Linguística? Textual? (1) - (2) - (3) - (4) - (5)

12 de março de 2012

Revisão de textos em enfoque cognitivo

Na linha da Psicologia Cognitiva, devemos à investigação anglo-saxônica a análise dos processos que se põem em jogo na atividade da escrita, mais precisamente, a modelagem dos processos redacionais ou da produção de um texto em seus diferentes níveis de tratamento: o planejamento, a preparação e a revisão do texto.
Revisores qualificados para texto acadêmico: Keimelion.
Todos os processos cognitivos do autor
são variáveis a serem consideradas
na revisão do texto.
A partir desta perspectiva, defende-se que os bons escritores adultos (tanto os autores de literatura como aqueles que utilizam adequada e frequentemente a escrita científica) desenvolvem recursivamente três tipos de subprocessos: planejar, textualizar e reescrever seus textos. Isto é, são pessoas que pensam o que vão escrever, que transformam em palavras e que voltam ao que já foi produzido para julgar sua adequação. Sobretudo, não realizam as três ações sucessivamente, mas vão e voltam, desenvolvendo um complexo processo de transformação de seus conhecimentos em texto. Para consegui-lo, organizam e reorganizam suas ideias sobre o que vão escrever ou o que estão escrevendo; escrevem partes, releem e corrigem; detectam expressões incompreensíveis; corrigem erros antes, durante e depois da textualização. Esta forma recursiva de proceder obedece à necessidade de permanente integração entre o conteúdo que se pretende transmitir e as formas retóricas para colocá-lo em palavras de língua escrita.
A transformação do conhecimento (que é o que este modelo tenta explicar) se produz dentro do espaço do conteúdo, mas, para que o processo de composição tenha um papel na transformação do conhecimento, deve haver uma interação entre o espaço do conteúdo e o espaço retórico. Essa interação só pode resultar de um trabalho consciente e controlado sobre as próprias representações aliado ao controle externo dessas variáveis.
O ato de redigir implica três elementos essenciais que se refletem em três unidades do modelo: o ambiente de trabalho, a memória de longo prazo do escritor e os processos de escrita, na qual o escritor armazena o conhecimento não apenas sobre o tema, mas também sobre o público e de vários planos de redação.
O processo de revisão se distingue do de reexame autoral. Durante a primeira, que deve ser consciente, o revisor relê para interferir ou para avaliar sistematicamente o texto. A revisão se dá de forma planejada, e pode se processar em camadas nas quais o foco se dirija a aspectos específicos: ortografia e sintaxe num nível, coesão e coerência em outro ou em outros. A revisão inclui, além disso, o controle externo sobre os processos autorais da construção do texto e determina quando as passagens entre um processo a outro, a eleição do estilo ou a manutenção dos objetivos.
A elaboração de modelos externos de revisão ou de planejamento, leitura recíproca de textos e elaboração de pautas externas de revisão, alivia a “sobrecarga cognitiva” que supõe a coexistência de todos os subprocessos redacionais. Nos autores, grande parte da “energia cognitiva” se deposita na expressão. O conceito de sobrecarga cognitiva se explica no sentido de que o escritor sempre trabalha sob uma situação de sobrecarga mental (cognitive overload), dado que necessita ativar na memória de longo prazo conteúdos semânticos, bem como religá-los entre si, impor-lhes organização sequencial que não tinham na origem e, finalmente, administrar séries de enunciados, levando em conta simultaneamente regras locais ou globais.
Os enfoques cognitivistas têm evoluído desde posições mais pessimistas, até posições mais compreensivas das práticas de revisão, a partir do desenvolvimento de trabalhos no contexto sociolinguístico. Os procedimentos centrais para a revisão são modelos de facilitação comunicacional fundamentados no conceito de sobrecarga cognitiva.
A dimensão histórico-social da escrita não é só um componente da comunicação, mas um sistema basilar que possibilita significar o mundo e compartilhar essas significações com os outros. Revisar é mais do que verificar o uso das palavras com correção e adequação, é compartilhar e debater os significados culturais sobre o mundo que as palavras nos permitem gerar. Daí a profunda relação entre pensamento e linguagem, redação e revisão.
Derivado de Mirta.
Fazem parte desta série de postagens:
Revisão de textos como processo
Revisão de textos e psicolinguística
Revisão de textos em enfoque cognitivo
Revisão de textos em enfoque psicogenético

Keimelion, revisores acadêmicos

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