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27 de fevereiro de 2012

Antártida ou Antártica?

A questão da forma correta do nome do Continente Antártico ressurgiu esses dias com o incêndio da estão brasileira por lá. Antártida ou Antártica? Há quem advogue que apenas a primeira grafia é correta, mas não há nenhum ponto passivo no caso, e entendemos que haja aceitação para ambas as alternativas, com boas bases. Afinal, o que "determina" um toponímico? Não há certidão de nascimento, não há VOLP, não há senão o uso e o abuso ou a etimologia.
O continente do Polo Sul ainda não tem "dono" definido.
Pelo crivo geral e inseguro da Wikipédia, temos: O topônimo Antártica ou Antártida tem sua origem no latim tardio antarctĭcus que, por sua vez, deriva do grego antigo ανταρκτικός, que significa literalmente "oposto ao Ártico" (antiártico). A versão oficial em português brasileiro do Tratado da Antártida, publicada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, emprega a forma "Antártida". No português (de Portugal) pré-AO90, a única forma do topônimo admissível, dicionarizada e enciclopédica em Portugal era Antárctida, tomando então o adjetivo a forma antárctico/antárctica (substantivado em [Oceano] Antárctico).
Pois bem, dicionários não trazem toponímicos, mas os usam; senão vejamos:
HOUAISS
estrigídeos/ n substantivo masculino plural/ Rubrica: ornitologia.
3 fam. de corujas, com ampla distribuição nos continentes, exceto na Antártica, (...)
falciformes/ n substantivo masculino plural/ Rubrica: ornitologia.
3 ordem de aves de rapina, encontradas em todos os continentes, exceto na Antártica (...)
grou/ substantivo masculino Rubrica: ornitologia.
design. comum às aves da fam. dos gruídeos, encontradas em planícies e zonas pantanosas de todo o mundo, com exceção da América do Sul e Antártica (...)
==> Três abonações para ANTÁRTICA (e há várias outras)
continente/ substantivo masculino/ 5 Rubrica: geografia.
vasta extensão de terra cercada pelas águas oceânicas, correspondendo a cada uma das divisões tradicionais da Terra: Europa, Ásia, África, América, Oceania, Antártida
gondwana/ substantivo feminino/ Rubrica: geologia.
continente hipotético que teria existido no hemisfério sul, unindo num só bloco a Índia e a África, segundo Eduard Suess (em 1900), e cuja fragmentação, durante o Mesozoico (entre 225 milhões e 65 milhões de anos), teria originado a América do Sul, a África do Sul, a Índia, a Austrália e a Antártida (...)
==> Duas abonações para ANTÁRTIDA (e não há nenhuma outra)
O dicionário sequer se dá ao trabalho de uniformizar o registro. Portanto o que ocorre é inequívoca duplicidade. Não vejo nenhuma base para não se aceitar Antártica - de preferência, bem gelada.
 

25 de fevereiro de 2012

Revisores de texto e trabalho a distância

Hoje se pode contratar teletrabalhadores, ou seja, pessoas que trabalham a distância, para uma quantidade significativa de atividades, como redação e revisão de textos, design gráfico, programação de computadores, lançamentos contábeis e até telemarketing ou telessuporte.
Revisar dissertação e tese não é para amadores.
Revisão de texto não tem hora nem local
para ser feita. Pode ser em casa, de
madrugada. Mas sempre tem o prazo!
Ao sancionar a Lei 12.551/2011, que equipara o trabalho realizado no estabelecimento do empregador ao realizado à distância, o governo federal deu um passo importante no sentido de reconhecer a nova realidade das relações de trabalho e modernizar a CLT. Os teletrabalhadores passam a ter os mesmos benefícios do que aqueles que batem ponto fisicamente na sede das empresas.
Como esse trabalho é realizado essencialmente em frente a um computador (ou a um telefone), não há nada que impeça que seja feito fora do escritório. Existem recursos que permitem “marcar o ponto” ao fazer o login e o logout, bem como monitorar a atividade durante o período de “expediente” enviando para o contratante imagens do monitor e gravações das ligações telefônicas, por exemplo.
Por isso, em termos de relação de trabalho, de fato não existe muita diferença entre esse tipo de empregado e aquele que bate o ponto no escritório, cujo chefe passeia pela sua mesa de tempos em tempos para monitorar a atividade. Ambos têm contrato permanente, mantêm relação de subordinação e recebem remuneração pelo trabalho, pressupostos que configuram a “relação de emprego” a que se refere a lei.
Por outro lado, em termos de conveniência, e ela é mútua, há muitas diferenças. O funcionário economiza horas não-remuneradas para se locomover e pode atender a casa e a família quando a atenção for demandada. Já o empregador economiza espaço, móveis e equipamentos, além de alguns custos como o vale-transporte, por exemplo.
Fragmento de C. Nasajon.

O saber-revisar o texto

O saber-revisar aparece estreitamente ligado à capacidade de mobilizar os saberes relativos aos textos e à escritura: saberes sobre os textos (1) que remetem, em particular, às tipologias e aos tratamentos didáticos; saberes sobre o funcionamento dos textos (2); saberes sobre o mundo dos escritos e sobre os escritos (3) que fazem parte das experiências (familiar, social, escolar) acumuladas no passado por cada autor; saberes sobre as operações de escritura (4) e as propriedades esperadas do texto (5), que remetem ao modelo de análise do saber-escrever dos autores; saberes sobre os recursos da língua (6). 
Seu texto merece a melhor revisão: Keimelion.
O texto pode percorrer diferentes caminhos,
mas a variação não está ligada à noção
de certo ou errado simplesmente.
A propósito da competência escritural,  o saber-fazer e saberes são também determinados por representações que agem sobre os modos de pensamento, de ação dos autores e dos revisores. Cada um dos seis saberes do modelo apresenta um ponto a respeito do qual as representações aparecem como dominantes para a produção e a revisão dos textos; duas representações contrastadas são apresentadas e concernem a um referente teórico ou a um ponto de referência relacionado à relação autor-revisor no contexto da produção de texto: no alto, uma representação tradicional, que corresponde à prática dominante; embaixo, uma representação mais atual, esclarecida por contribuições científicas. 
Nesse sentido, a sociolinguística também tem dado importantes contribuições para o processo de escritura-revisão-reescritura na produção de textos acadêmicos. É preciso contribuir para o desenvolvimento de uma revisão de textos que seja sensível às diferenças sociolinguísticas e culturais dos autores, considerando-se que:
  • As variações linguísticas não devem ser procuradas no dialeto vernáculo dos autores e tampouco em seus idioletos de ofício, mas em seus estilos formais, monitorados.
  • Regras que não estão associadas à avaliação negativa na sociedade, não são objeto de intervenção e, portanto, não vão influir consistentemente nos estilos monitorados.
  • O autor será ratificado pelos seus pares como usuário qualificado da língua e começa a alternar seu dialeto vernáculo e a língua de prestígio, principalmente quando está produzindo texto acadêmico.
  • Os estilos monitorados de língua são reservados à produção de textos formais. Para a realização de eventos de oralidade, podemos nos valer de estilos mais casuais.
  • O ponto de partida da sociolinguística para a revisão de textos é a análise minuciosa do processo interacional entre o autor, o revisor e o leitor, no qual se avalia o significado que a variação linguística assumirá.
  • É necessária a conscientização crítica dos revisores e autores quanto à variação linguística, estabelecendo-se efetivo diálogo autor-revisor para promover autorreflexão de cada parte e a análise crítica das intervenções colaborativas no texto.
Baseado em A. D. de A. Pereira.

Leia também: Aspectos semânticos da revisão de textos - Revisão de texto visando coesão - A revisão de textos: fazeres, práticas, ações.

24 de fevereiro de 2012

Revisão de texto como procedimento estético

A tessitura textual parece para muitos algo um tanto quanto complexo. Vez ou outra as ideias não fluem, ou se fluem não sabemos como organizá-las, de modo a tornar o discurso claro e preciso. Enfim, tais contratempos tendem mesmo a surgir, contudo devemos nos conscientizar de que a prática leva ao aperfeiçoamento. Ou seja, quanto mais treinarmos a escrita, mais nos mostraremos aptos a praticá-la de forma concisa e correta. No entanto, o objetivo deste artigo é tratar sobre a importância da revisão textual.
O texto em que trabalhamos tem destaque, traga sua dissertação a nós.
A qualidade estética do texto é uma das
preocupações do revisor.
Assim sendo, partiremos do princípio de que a clareza representa o ponto de partida de nossa discussão, mesmo porque ela se apresenta como uma das características imprescindíveis à modalidade escrita da linguagem. Dessa forma, nossas interações cotidianas somente se efetivam em virtude da compreensão materializada entre nós (posto que assumimos o papel de emissores) e as pessoas com as quais mantemos contato (ora desempenhando o papel de interlocutores). Assim ocorre em qualquer tipo de comunicação, seja ela oral, por meio de símbolos, escrita, entre outras modalidades.

Em todas essas modalidades temos um objetivo a cumprir mediante o discurso que proferimos. Mas esse intento somente será materializado se conseguirmos ser claros naquilo que estamos dizendo, caso contrário a interlocução ficará prejudicada. Assim, após a organização de ideias e sua transposição para o papel, haverá sempre algo a ser retificado, ora suprimindo, ora acrescentando e assim vai. Tomando como exemplo o caso das redações presentes em concursos e vestibulares, é fato a necessidade de o candidato se organizar no intuito de elençar as ideias a serem discutidas e, nesse ínterim, o fator tempo impera sobre os procedimentos realizados, impedindo que o emissor passe os olhos sobre o que escreveu.
Nesse sentido, quando nos colocamos no lugar de interlocutores (fazendo referência às nossas próprias produções) sempre percebemos algo que poderia ser melhorado. Uma vírgula aqui, outra ali, aquele pronome que porventura causou uma ambiguidade desnecessária ao discurso, sem falar naquela palavra que poderia ser substituída por uma outra, pois a combinação de sons entre outras já ditas não está cumprindo o efeito desejado... Enfim, muitas são as falhas que podemos corrigir mediante a revisão daquilo que produzimos.
Fragmento de Vânia Duarte.
Leia também por aqui: Os argumentos e a revisão de textos - Princípios funcionalistas da revisão de textos - Revisão de texto na comunicação on-line
Keimelion – revisão de textos Públio Athayde

Aspectos semânticos da revisão de textos

O significado do texto como todo só pode ser estabelecido por meio de relações de natureza semântica a serem criadas a partir de elementos que coexistam no próprio texto, vale dizer que a rede lexical do texto forma seu universo semântico e relações de significado entre itens que só podem ser identificadas como tal a partir desse universo. Os desvios dessa rede de significâncias constituem, eventualmente, impropriedade semântica interna. Da mesma forma, existem desvios semânticos externos, aqueles decorrentes da atribuição equivocada de sentido a determinados elementos léxicos. 
O carinho que você teve por sua dissertação nós vamos redobrar na revisão.
O revisor do texto não age como professor,
mas como interlocutor privilegiado.
Destaco que muitas impropriedades semânticas são encontradas na maioria dos autores, portanto, o fragmento do texto em que as incorreções se situam e a intervenção efetuada (palavra, frase, parágrafo ou texto) precisam ser indicados ao autor. Esse destaque se faz necessário, sobremaneira, pois essa é um tipo de intervenção que versa sobre o conteúdo, sobre matéria textual subjetiva, contrariamente ao que ocorre quando a intervenção é de natureza ortográfica ou sintática, pontos mais passivos das alterações da revisão. Vou apontar como ocorrem, no processo de revisão, as intervenções que versam sobre os aspectos semânticos do texto.
Uma das principais possibilidades da revisão moderna é o controle de alterações nos editores de texto. Estou considerando o mais comum da atualidade, o Word, e apontando como os revisores revisam de forma mista, isto é, no texto aparecem correções ortográficas, lexicais, sintáticas, porém a predominância da intervenção é com relação às ideias, aos conteúdos do texto. Aponto ainda um aspecto que deve ser abordado com atenção quando se fala em produção textual: a concepção de que a revisão é processo interativo e necessário que permeia o trabalho do autor em sua prática efetiva de produtor de texto.
Existe considerável preocupação com os aspectos que se voltam, não apenas para a forma de “informar” ao autor, mas para o próprio “dizer”, isto é, para os conteúdos do texto, aqueles que são mais afetados pelas questões semânticas diretamente. As marcas de revisão modernas aparecem em forma de pequenos balões e sublinhados que facilitam a compreensão dos elementos modificados do texto. Isso faz que as os revisores valorizem todas as etapas da escrita do texto sem prejuízo de se omitir para resguardar fidelidade autoral, já que cada intervenção é visível para o autor e pode ser revertida – em um processo ideal de revisão, com ampla interatividade.
Nas categorias propostas para a revisão de textos, os balões e outras marcas configuram um tipo de correção textual-interativa, onde ambos, revisor e autor refletem. Entra em cena a linguagem em análise, a linguagem do próprio texto e a linguagem simbólica do hipertexto que fala sobre o texto. É a linguagem da intervenção, que narra o processo interventivo iniciado pelo revisor, refletido no texto e reflexivo na autoria.
No geral, em um recorte semântico, as ideias são de primeiro momento, consideradas e valorizadas como organizadoras dos aspectos semânticos e sequenciais do texto. Os demais aspectos, tais como os estruturais, os gramaticais e ortográficos, são observados e, por vezes, até corrigidos, porém as ideias ocupam lugar central na tarefa de revisão.
Keimelion – revisão de textos Públio Athayde

10 de fevereiro de 2012

Revisão de texto visando coesão

8 de fevereiro de 2012

Revisar as ilustrações da tese ou dissertação

A elaboração de gráficos e a apresentação de dados de forma compreensível requerem grande atenção com detalhes e tolerância zero com defeitos. Para isso, um princípio-chave precisa ser observado: o de controle de qualidade total com a colaboração do revisor de textos. Os padrões acerca do que seja uma boa apresentação em trabalhos acadêmicos não são estáticos, tendendo a aumentar com o tempo em função de aprimoramentos nas tecnologias da informação e nas práticas adotadas por outras modalidades de processamento de textos e dados.
Toda ilustração tem um propósito, uma legenda e seu
lugar certo na tese, dissertação ou artigo.

Não convém supor que leitores e examinadores ocupados lerão trabalhos complexos como se fossem romances, começando na primeira página e paulatinamente avançando até a última. Ao invés disso, esses leitores tendem a optar por um processo de leitura com múltiplas etapas, quais sejam:
  1. folhear o texto, para adquirir uma ideia geral;
  2. selecionar o que deve ser lido cuidadosamente;
  3. ler com atenção os tópicos selecionados.


Para que os trabalhos acadêmicos atinjam os seus objetivos, deve-se atentar para o ponto de vista dos leitores, procurando-se tornar texto tão útil e acessível quanto possível. Para que a impressão inicial seja favorável, é importante que o texto esteja bem estruturado, com resumos claros e ilustrações bem projetadas.
As ilustrações podem ser fundamentais para a efetiva comunicação da mensagem contida no relatório, mostrando que suas conclusões estão baseadas em evidências cabais e em análises cuidadosas. Com isso, pretende-se tanto persuadir aqueles que folhearem o texto a lê-lo mais atentamente, como fazer com que o público em geral veja o trabalho como um estudo sério.
O emprego do critério “o que os leitores precisam saber” implica perguntar quais evidências farão com que os leitores aceitem as conclusões apresentadas. Em seguida, procura-se satisfazer essa exigência por meio das principais ilustrações do trabalho.
Levar em consideração o ponto de vista do leitor não significa que ilustrações devam ser incluídas apenas para agradá-lo. De modo geral, leitores especializados serão bastante críticos se confrontados com gráficos ou tabelas aparentemente irrelevantes. A inclusão de uma ilustração em um relatório gera, naturalmente, uma expectativa de que a informação retratada ou sintetizada é importante e merecedora de ser realçada. Dessa forma, os leitores tendem a ficar desapontados se a ilustração mostrar-se impertinente ou com uma mensagem obscura, contiver dados comuns ou rotineiros, ou, ainda, parecer irrelevante ou interpretada de uma maneira não convincente. Administrar de forma efetiva as expectativas dos leitores implica incluir apenas ilustrações que representam partes essenciais e significativas do argumento central do relatório.
Por tudo isso, tanto o autor quanto o revisor estão sempre atentos às ilustrações. Não convém assumir que as tabelas ou gráficos estão corretos, devendo-se, pelo contrário, conferi-los cuidadosamente em cada fase de elaboração do trabalho, podendo a equipe de revisão seguir a seguinte sugestão de roteiro de verificação:
  1. As ilustrações realçam elementos fundamentais do argumento de forma apropriada?
  2. Os argumentos do texto principal foram alterados, as ilustrações sofreram as alterações correspondentes?
  3. As ilustrações podem ser compreendidas por meio de uma leitura diagonal? Os títulos, cabeçalhos e notas explicativas fornecem suficiente informação sobre o que é mostrado?
  4. Se seções diferentes do texto são elaboradas por dois ou mais momentos, as ilustrações são mutuamente consistentes?
  5. As ilustrações foram examinadas criticamente em cada fase redação (i.e., finalização do trabalho de formatação; ou antes da aprovação do orientador)

Adaptado de TCU.
Leia também: Instruções aos autoresPara publicar seu texto - O princípio da consistência

Revisão de texto visando coerência

7 de fevereiro de 2012

Revisor de textos e novas tecnologias

Na perspectiva tradicional, a revisão é vista como etapa subsequente à produção escrita, principalmente de alunos e cientistas, com o objetivo principal de corrigir o texto e detectar violações nas convenções da norma culta, pautada no senso comum de que revisar resume-se a corrigir ortografia, pontuação, concordância verbal e nominal, de acordo com as normas apontadas em gramáticas, dicionários e manuais.
  Texto adaptado de Oliveira & Macedo. 
Sempre peça socorro para o texto ao revisor de textos.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas, por exemplo, na NBR 6025, indica dois tipos de revisão: a de originais e a de provas. Na revisão de originais (ou “copidesque”), faz-se a “normalização ortográfica, gramatical, literária e de padrões institucionais, aplicando-se as técnicas editoriais e marcações para uniformizar o texto como um todo”; na revisão de provas, “também chamada de revisão de cotejo ou conferência”, assinala-se com símbolos e sinais convencionados aquilo que difere do original.
Na arte de revisar, as normas gramaticais são insatisfatórias, apesar de precisarem ser levadas em consideração, porque deixam lacunas em relação aos aspectos da ordem do discurso, os quais precisam muitas vezes da mediação do revisor para mostrar os problemas ao autor, pois este muitas vezes está tão familiarizado com seu texto que não observa certos problemas discursivos. Isso não significa dizer, entretanto, que o revisor deve interferir nos pontos de vista ou no projeto de dizer dos autores, mas que pode ajudá-los a dar acabamento ao texto, considerando a posição deles diante do dito.
Os softwares fornecem ferramentas e programas de revisão que detectam problemas linguísticos e sugerem soluções, daí o profissional necessitar reconhecê-los como apoio para o seu trabalho e saber utilizá-los como mais um instrumento de mediação. Entretanto, mesmo uma ferramenta sofisticada como o computador não pode substituir o trabalho humano na área de revisão, por não ser capaz de analisar as relações discursivas construídas em um texto, já que se limita a determinados aspectos da correção ortográfica e de concordância e regência verbal, não podendo o trabalho do revisor ser substituído pela máquina, uma vez que tal atividade implica também analisar escolhas estilísticas do autor, aspecto que foge às possibilidades do computador.
A atividade de revisão é tarefa complexa que pressupõe o conhecimento da língua e de práticas socioverbais em diversas esferas da vida humana, considerando-se as transformações pelas quais passam a sociedade e as linguagens no mundo contemporâneo. Mundo que exige uma redefinição qualitativa do papel do revisor, não podendo esse profissional se restringir aos mesmos procedimentos e concepções de revisão de épocas anteriores. 

Há necessidade de o revisor estar sempre atento às transformações e adequações por que passam seu material de trabalho: o texto, que pode se apresentar em diversos gêneros, linguagens e suportes. Sendo os últimos o papel ou as novas tecnologias eletrônicas, o profissional geralmente tem às mãos e aos olhos uma produção elaborada por diferentes pessoas e instituições, de diversas áreas de atuação, daí a necessidade de o revisor estar sintonizado com as peculiaridades e singularidades dos diversos gêneros discursivos que circulam nas diferentes esferas das atividades humanas, muitas vezes transmutando-se, intercalando-se, ajustando-se, de acordo com suas necessidades, em especial os gêneros secundários, como romances, contos, artigos e relatórios científicos, que são gêneros complexos e requerem mais atenção do revisor em relação ao conteúdo temático, construção composicional e escolhas lexicais e estilísticas utilizadas pelo autor, que carregam suas peculiaridades de acordo com as áreas de conhecimento.
Considerando isso, a atividade de revisão vai além da correção das normas gramaticais, uma vez que os profissionais atentariam também para as condições concretas de produção, recepção e circulação do texto. Esses aspectos da ordem do discurso estão relacionados aos posicionamentos e visões de mundo do autor e sua imagem de destinatário, que só podem ser considerados se se olhar o texto primeiramente em uma situação concreta de interação, sempre permeada pelas posições axiológicas em diversos graus de convergências e divergências, levando em consideração quem escreve, o quê, e para quem, o que remete à questão de alteridade e de alternância de sujeitos; de que lugar escreve, o que remete à questão de esfera/área/atividade; como escreve, o que remete à questão de gênero discursivo e seu enquadramento ou transformação.
Por conseguinte, para o trabalho de revisão, não basta que os profissionais dominem a língua como sistema para corrigirem os lapsos gramaticais no texto; é preciso que eles adotem uma atitude compreensiva em relação aos valores que orientam as escolhas das formas dadas ao conteúdo do texto. Além disso, reafirmamos o uso das novas tecnologias como ferramentas que, se bem utilizadas, auxiliam o profissional aberto às inovações.

Agora leia outros tópicos: Instruções aos autores - Relatórios de boa qualidade - Conjunção: uso e abuso

Revisores de textos: os vigilantes da língua

Revisores de texto percorrem as frases e as palavras com um olhar clínico, em busca de falhas gramaticais, defeitos de sintaxe ou erros ortográficos, as «gralhas», como lhes chamam na gíria, de forma a garantir a correção e o rigor exigidos pelas regras gramaticais adotadas na no meio acadêmico, bem como o respeito pela língua portuguesa. São incapazes de ler o jornal ou as legendas de um filme sem que as ditas «gralhas» lhes saltem à vista. Não é um defeito, talvez seja feitio profissional. Esses profissionais são os revisores de textos e são eles quem prepara, corrige e verifica os textos que se destinam a publicação, em suporte físico ou eletrônico, e que fazem parte de um diversificado leque de trabalhos que pode ir desde a obra literária até teses e dissertações, cada um com as suas particularidades e exigências.
Revisores de textos hoje trabalham com novos
recursos, mas o ofício é o mesmo de sempre.
Texto adaptado de Matriz12.
É, sem dúvida, um trabalho de grande responsabilidade e em que, nomeadamente no caso dos trabalhos acadêmicos, por se lidar com textos que representam anos de investimento e trabalho de seus autores, uma pequena desatenção pode ter consequências graves ou originar dificuldades na hora da avaliação, defesa ou publicação – inclusive alguns constrangimentos.
Atualmente, a existência de corretores automáticos, nomeadamente em programas de tratamento de texto, tem ameaçado a profissão e, de certa maneira, tem suscitado a ideia de que o trabalho do revisor não é assim tão essencial. No entanto, essa ideia está muito longe da realidade e as empresas e instituições de ensino mais exigentes no que respeita à edição ou publicação de textos, como é o caso das universidades, não prescindem do trabalho destes profissionais que, com alguma frequência, detectam lapsos ou discrepâncias que os próprios autores dos textos não detectam em sucessivas leituras.
O trabalho do revisor pode passar por diversas fases: a marcação técnica, durante a qual o revisor lê o documento original e inclui diversas indicações de teor gráfico e linguístico de forma a preparar o trabalho para a fotocomposição, a leitura das provas, onde o texto composto é lido e comparado com o original, a contraprova, em que se verifica se as emendas decorrentes da leitura foram corretamente introduzidas, e a verificação da paginação, fase onde os documentos, depois de paginados, são novamente conferidos.
A simples colocação de uma vírgula, algo aparentemente pouco importante para a maioria das pessoas, pode dar azo a acesos debates e algumas angústias no meio de revisores.
Agora leia aqui mesmo: A formação do revisor de texto - Principais serviços prestados por nós - Orçamento para revisão de texto

Revisão de textos: conceitos e perspectivas

Chamaremos  revisão de textos toda reconsideração de um primeiro texto, incluindo tanto os comentários, opiniões e  críticas de autores e leitores como as alterações efetivas realizadas no escrito. Denominaremos reescritas a estas alterações efetivas.
Revisão de textos exige domínio
de amplo vocabulário.
Na perspectiva histórica, o papel do revisor pode ser definido de diversas maneiras. Não temos dados sobre como os copistas corrigiam seus próprios escritos, temos apenas as marcas de correções que eles deixaram em seus manuscritos. Por outro lado, sabemos como corrigem os profissionais da revisão contemporâneos (os revisores).
Também se entende a revisão como uma releitura ou leitura do escrito, não necessariamente uma emenda, mas uma tarefa de interpretação; tarefa essencialmente ativa encarada pelo profissional de revisão a partir de um campo de saber previamente constituído não somente por normas e leis, mas por uma concepção mais ampla e pelo que denomina um “certo recinto semiótico” composto por diversas direções.
É esta a ideia de revisor que vamos trabalhar: a do profissional que se melhora o trabalho de terceiros. Alguém que faz muitas vezes leitura e releitura “com a mente e com os olhos”, prestando atenção tanto naquilo que está carregado de sentido como o que não está e, ao mesmo tempo, esforçando-se por tomar distância do sentido que teve intenção de gerar para olhá-lo com olhos de outros.
A crítica textual defende que, na elaboração de um discurso (ainda no caso de reconhecidos e universais escritores de literatura), é fundamental a função ativa do produtor. Tanto um texto jurídico como um texto publicitário exigem semanas de trabalho, retiradas, adições, reestruturações, reescritas. Este processo que, a partir da perspectiva do autor pretende ser qualitativo, pode, não obstante, produzir versões de qualidade decrescente, mas os rastros que vão sendo deixados dão conta da progressão de um “discurso comum” até “um discurso ótimo”, a partir da perspectiva do autor. É esta perspectiva do revisor sobre “o que é melhor” a que se tenta desvelar, sem emitir juízo prévio sobre uma qualidade “ideal”.
Sozinho ou interagindo com os outros, o revisor do manuscrito se vê diante de uma avaliação do texto, e deve tomar decisões sobre afirmar, explicar, demonstrar, declarar. E sobre os estados mentais que supõe comunicar, tais como crenças, deduções, conjecturas, suposições e conclusões. Ao escrever ou revisar, é inevitável tomar decisões sobre a estrutura linguística – com conhecimento ou não da metalinguagem oral, por exemplo, ao marcar parágrafos ou orações, ao narrar, enumerar ou descrever. Mas, além do ato em si mesmo, existe uma metalinguagem oral para referir-se ao conteúdo do texto. Por exemplo, se é verídico, se é lógico, se é conveniente. Estas considerações são pertinentes na formação de determinados tipos de textos e são fundamentais para que se considere o conhecimento culto ou educado. Daí o interesse na revisão, já que não somente constitui uma prática, mas também um meio de pensar a linguagem.
Fragmentos adaptados de Nova Escola.
Leia agora outras postagens: Revisão textual ou revisão de textos? - A vírgula e os dispositivos da lei - Plágio e fraude acadêmica

O revisor de texto no jornal

Com o fim da função do revisor, passou-se a analisar o jornal após sua publicação. Essa “revisão tardia” acabou por prejudicar os leitores, que não só encontram erros que poderiam ter sido evitados, mas que podem, muitas vezes, tomá-los como certos. A partir dos anos 1980, a imprensa adotou a rentabilidade como objetivo central.
O revisor de textos é alguém
que desenvolve a atenção

como característica profissional básica.
A informatização das redações foi, ao mesmo tempo, resultado da nova demanda social e a forma mais eficiente encontrada pelas empresas jornalísticas para diminuir seus gastos. Os jornalistas que restaram tiveram de adotar uma nova postura e desempenhar papéis que antes eram encargos de outros profissionais. Deles passaram a ser exigidas aptidões características dessa nova sociedade.
Pode-se considerar a implantação de tecnologia um dos principais pilares da transformação da imprensa. Além de exigir maior versatilidade dos profissionais, o processo de informatização das redações levou ao chamado desemprego tecnológico. O revisor foi descartado pelos grandes jornais e substituído por terminais de vídeo. Todavia, o corte profuso de pessoal em busca de lucro é questionável. Estamos vivendo em uma era em que o jornalista torna-se fundamental para a “seleção em meio ao vasto caudal de informações” e para a “explicação [dos fatos], imposta pela natureza técnica da informação”.
Levando-se em conta que os leitores de jornais esperam encontrar matérias bem redigidas, que a carência de tempo resulta em perda de qualidade e que a disseminação de computadores nas redações não supre a deficiência dos profissionais de mídia no domínio da língua, a melhor maneira de se ganhar dinheiro, a longo prazo, seria o investimento na capacitação do profissional, e não seu desestímulo. Portanto, na atual sociedade, em que as pessoas se tornam ávidas por informações, o produto que as oferecer de maneira mais clara, detalhada, correta, será mais respeitado e consumido. Daí a importância de haver, nas empresas jornalísticas, pessoas responsáveis pelo bom acabamento das matérias: os revisores.
A revisão pode, mesmo hoje, ser considerada elemento importante para a produção de jornais. A falta de tempo reflete diretamente na qualidade dos textos, e o repórter se vê espremido “entre a busca da notícia, a vontade de fazer bem-feito e a pressão do fechamento” Hoje, com o advento e introdução dos computadores, os jornais aboliram a revisão, deixando esta função e responsabilidade sob a incumbência do próprio repórter – que, apesar de redigir a matéria jornalística, não possui, na maioria das vezes, nem conhecimento nem treinamento específico ou vocação para a detectação de erros.
Antes da informatização das redações, o revisor era visto como elemento de grande importância. Era dele a responsabilidade pelos erros publicados e pela uniformização dos textos de um veículo. Chaparro (2005) lembra que “o famoso copidesque cuidava do acabamento dos textos, garantindo-lhes, acima de tudo, correção gramatical”. Segundo ele, antigamente, propagava-se a ideia de que o “repórter não precisa saber escrever; basta que traga boas notícias. Do texto, o copidesque daria conta”.
A presença de revisores nas redações colaboraria para que essas medidas fossem seguidas à risca, facilitando o entendimento das matérias. Para tanto, é preciso que os proprietários de jornais tenham consciência de que trabalham com a informação – um dos bens mais importantes da atual sociedade – sob a forma verbal, e que a precisão e qualidade desta estão íntima e indissociavelmente ligadas ao correto e respeitoso uso da língua. Algo essencial em uma sociedade integrada pela comunicação e pelas tecnologias da informação. Na época em que a função do revisor foi eliminada, a figura do redator torna-se bastante importante. Porém, apesar de ter assumido novas responsabilidades na tentativa de suprir a falta de cargos extintos, a presença desse profissional ainda pode ser considerada insuficiente.
Leia outras postagens:  Princípios funcionalistas da revisão de textos - A revisão de textos profissional - Revisão de textos e "diálogo" com o autor 

3 de fevereiro de 2012

Princípios funcionalistas da revisão de textos

O propósito aqui é mostrar que princípios funcionalistas são altamente produtivos para o trabalho de revisão de textos. Compreender o processo de articulação dos constituintes na organização textual e oracional é fundamental para a recuperação e a produção dos sentidos pretendidos. Por isso, o objetivo é mostrar que a desconsideração de regras internas de constituição linguísticas na elaboração de textos pode gerar efeitos de sentidos indesejáveis ou causar travas ao processo comunicativo-discursivo.
O revisor de textos não pode estar desatento a fatores externos
relativos ao material com que está trabalhando.
A organização linguística é orientada pelo macro-princípio de funcionalidade linguística, segundo o qual, os níveis sintático, semântico e pragmático estão integrados para satisfazer necessidades comunicativas e, por isso, para produzir efeitos de sentidos específicos. Um dos fenômenos que tornam esse princípio visível diz respeito à organização predicativa valencial, ou seja, à capacidade que o verbo tem de abrir casas a sua volta para serem preenchidas no processo de constituição oracional, fenômeno estudado sob o rótulo “Teoria de valência”. A concepção de linguagem que orienta o pensamento funcionalista é a de que a língua se constitui na interação. A linguagem então é vista como um processo dinâmico, social e interacionalmente dependente. Sistema e uso são interdependentes. Assim, alguns postulados podem ser distintos dessa, dentre os quais destacamos os seguintes:
  • O processo interativo atualiza movimentos de diferentes domínios de constituição linguística.
  • Os níveis sintático, semântico e pragmático estão integrados para satisfazer necessidades comunicativas e, por isso, as expressões linguísticas produzem efeitos de sentidos específicos, dependendo das intenções comunicativas dos usuários da língua.
  • Normas de organização sistêmica orientam a atualização linguística na fala e na escrita. O discurso é o espaço de harmonia entre as forças sociais e as forças linguísticas que estão na base da organização textual.
Num plano mais geral, conclui-se que princípios funcionalistas têm aplicabilidade múltipla, não se restringindo à descrição e à análise de línguas naturais. E ainda, que qualquer trabalho orientado por uma concepção sócio-cognitivo-interacionista da linguagem reconhece a diversidade na realização da linguagem, a funcionalidade das expressões linguísticas e o fato de que a língua está a serviço das intenções comunicativas dos usuários, e ainda, que é imprescindível considerar a organização do sistema linguístico a partir de princípios lógicos, cognitivos e culturais

A revisão de textos: fazeres, práticas, ações

No mundo contemporâneo, várias etapas de revisão foram simplificadas em virtude das novas tecnologias de digitação ou digitalização, as quais permitem que a maioria dos autores possa entregar seu trabalho já digitado por eles mesmos, não havendo necessidade de serem compostas novamente. Além disso, o profissional que revisa o texto diretamente na tela do computador pode contar com alguns recursos de correção gramatical do Word, ao contrário dos textos impressos no papel, em que as correções são geralmente colocadas às margens do texto. No que se refere ao perfil do profissional que se responsabiliza pela revisão, podemos dizer que entrou em cena nos últimos anos o técnico de nível superior para assumir tanto a revisão de originais quanto a coordenação dessa atividade, antes geralmente ocupadas principalmente por professores universitários.
A revisão de textos é atividade
cordial de cooperação.
Com o conhecimento das propostas bakhtinianas, que levam em consideração os aspectos discursivos, as relações de sentido de um texto, além dos estruturais e notacionais, pode-se reforçar nossa tese do trabalho de revisão como uma atividade que deveria levar em conta os sujeitos envolvidos no processo interacional tanto de produzir quanto de revisar o texto, com suas peculiaridades e singularidades. Nessa perspectiva dialógica, encontramos consonância com nossas práticas no processo de revisão de textos: procurar fazer uma leitura que leve em conta não apenas os aspectos normativos, postura mais comum entre revisores que trabalham em uma perspectiva mais tradicional. Com tal concepção teórico-metodológica, pudemos adquirir mais subsídios para orientar tanto os alunos na produção e revisão de seus textos quanto os estagiários em suas iniciações no processo de revisão. Ao procuramos entrelaçar prática e teoria, agora com muito mais leituras orientadas e troca de experiências com outros revisores, autores, professores e alunos, constatamos como é importante essa interação.
Consideramos necessária a compreensão, por parte do revisor, de que o material com que ele trabalha é dos gêneros os mais diversos. É constituído de temas, construções composicionais e estilos que, embora geralmente submetidos às coerções linguísticas e sociais que permeiam todo ato de dizer, também podem ser flexíveis, dependendo de onde e para quem o autor está escrevendo, o que implica a consideração das condições de produção, circulação e recepção. Por conseguinte, para o trabalho concreto de revisão, não basta que os profissionais dominem a língua como sistema para corrigirem os lapsos gramaticais no texto; é necessário também que eles adotem uma atitude compreensiva com relação aos valores que orientam as escolhas das formas dadas ao conteúdo do texto.
Este texto é um fragmento livremente adaptado de Risoleide Rosa Freire de Oliveira.
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