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13 de maio de 2014

Revisando a coesão e coerência do texto 2.

O autor de uma dissertação ou de uma tese, assim como seu orientador, cuidam sempre da coesão e da coerência do texto. O revisor de textos analisa a questão com distanciamento e isenção.

Coerência é a lógica argumentativa. É a relação entre as partes do texto em análise vinculada ao mundo. É o sentido do texto. Também se aplica a aspectos micro e macroestruturais ao texto e considera simultaneamente a vários aspectos da textualidade importantes principalmente no campo dos textos acadêmicos: intertexto (referência direta a texto de autor diverso ou a si em outro texto), intratexto (referência ao próprio em outra passagem) e interdiscursividade (referência – adoção, crítica ou contestação a ideias de outras pessoas – em citação indireta), pode ser uma paráfrase (as mesmas ideias do texto original, mas com outras palavras ou estruturas diferentes) ou uma paródia (imitação com objetivo jocoso ou satírico).
 © Públio Athayde
Formatar tese ou dissertação com normas da ABNT tem que ser com a Keimelion.
Coerência é questão de lógica,
inclusive no sentido aristotélico.
Coerência é o resultado da confluência de todos os fatores internos e externos ao texto aliados a mecanismos e processos de ordem cognitiva, como o arcabouço cognitivo, o conhecimento compartilhado, o conhecimento procedural. A coerência resulta da construção de sentidos pelos sujeitos (autores, revisores, leitores) a partir do texto (e não somente no texto), para a qual estariam contribuindo, considerados os seguintes elementos: fatores de contextualização, consistência e relevância, focalização e conhecimento compartilhado, dentre outros.
Considera-se sempre o contexto, e os contextos, momento textual e momento social em que se encontra a mensagem. É fundamental para que se entenda em profundidade o texto. Exemplo são os textos que omitem referências monetárias numéricas para não se tornarem ultrapassados; ou outros textos de época que adotam o padrão monetário do período a que se referem, considerando que a referência histórica já estabelece a constante necessária. Assim, um texto situado no século XIX pode se referir a “tantos contos de réis”, ao passo que um texto atual será mais durável se mencionar “o preço de um carro popular”.
A verificação da coerência textual se deterá ainda na incidência e propriedade dos lexemas essenciais: os conceitos mais recorrentes em um texto. Lexemas são unidade de base do léxico, que pode ser morfema, palavra ou locução. Na terminologia de A. Martinet, o monema (unidade de primeira articulação), que contém o significado lexical, ou seja, a simbolização do recorte dos ambientes físico, biológico e social feita por determinada língua (em oposição ao morfema, que contém o significado gramatical); corresponde a raiz e a semantema; na terminologia de Bernard Pottier, morfema lexical. [Houaiss]. É importante avaliar a recorrência de tais lexemas e a homogeneidade de seu emprego; há casos de flutuações de campo léxico (relação entre as palavras – lexemas – mais importantes). Há ainda a intercorrência de variações de campo semântico (possibilidade de alternativas léxicas – substituições de palavras), mantendo-se o mesmo sentido original e registro.
Para o estudo da lógica argumentativa, cumpre recuperar as estruturas retóricas clássicas (aristotélicas) e seu sentido renascentista. Pontos sobre os quais não vou me estender aqui, mas apenas remeter a eles.
A retórica capta o leitor em três elementos: logos, pathos e ethos. A elaboração do discurso e sua exposição exigem atenção a cinco dimensões que se complementam (os cinco cânones ou momentos da retórica): inventio ou invenção, a escolha dos conteúdos do discurso; dispositio ou disposição, organização dos conteúdos num todo estruturado; elocutio ou elocução, a expressão adequada dos conteúdos; memoria, a memorização do discurso e pronuntiatio ou ação, sobre a escrita do texto, onde a modulação do registro deve estar em consonância com o conteúdo, o que nem sempre é considerado [Wikipédia, adaptado].
É preciso entender, aplicar e verificar na redação, revisão ou leitura que retórica é forma constitutiva de linguagem de textos e deve ser definida de acordo com as suas situações e funções, uma vez que a relação entre custo e benefício da linguagem retórica apenas poderá ser reconstruída e avaliada a partir do seu uso específico. Uma análise do discurso retórico, portanto, que não visa a descrição de um código, mas a compreensão e a avaliação crítica do uso da linguagem escrita e deve partir da interpretação funcional estrutural de exemplos práticos [Wikipédia, adaptado]. No que se refere aos trabalhos acadêmicos longos, teses e dissertações principalmente, a retórica lhes é inerente e subsunção ao procedimento lógico de verificação de hipóteses. Cabe ao revisor mediar os aspectos estruturais e funcionais do texto, visando-lhe a comunicabilidade.
Leia a primeira parte: Revisando a coesão e coerência do texto 1.