5 de fevereiro de 2012

Verdades e mitos sobre o texto científico - 2

Consta por aí uma série de mitos sobre a redação do texto científico. Muitos desses mitos são desfeitos na hora da revisão do texto. Vejam algumas imposições nem sempre universais que são feitas aos textos, esperando-se que eles sejam:
Criam-se muitos mitos sobre a produção de textos.

  • DOTADOS DE OPERADORES ARGUMENTATIVOS: Desse recurso coesivo diz-se ser crucial para a construção de qualquer texto, já que a sua presença estabelece melhor compreensão dos argumentos que apresentados. Além disso, você estará criando elo entre todos os parágrafos e frases, não permitindo ao leitor margem de erros, no que se refere ao entendimento do texto. Mas o exagero de conectores será expurgado pelo revisor, assim como a repetição exaustiva de qualquer um deles. Em textos longos, é preciso muito comedimento no uso desses recursos, pois o seu excesso contribui para a exaustão do leitor.
  • BASEADO EM UNIFORMIDADE DE TESES: Isso nada mais é que aplainar o caminho pelo qual o texto será escrito. Você deverá delimitar o universo semântico do seu texto, para que as fugas temáticas não ocorram – não fugir do assunto. Tente sempre centralizar o foco temático para que a produção textual possa discorrer facilmente. Aqui temos uma recomendação ligada à coesão, uniformidade de significados e significâncias, nexo causal, legibilidade. São questões sobre as quais os revisores estão atentos, pois o leitor tende a falhas contra esse objetivo quando o texto é muito longo e sua redação fragmentada.
  • ENQUADRADO EM UM PERFIL TEMÁTICO: Geralmente, os textos das teses são baseados em temas sociais, filosóficos ou investigações objetivas e subjetivas. Por isso, tenha cuidado quando for escrever seu texto, no que tange a centralização temática. Procure fazer interpretação detalhada do tema que será trabalhado, para evitar erros argumentativos na sua produção escrita. Escreva o texto todo de uma vez, em conjunto, a metáfora que expressa essa ideia é a do esqueleto (do texto) sobre o qual vão se estruturando os órgãos, tecidos, músculos – à medida que se vão acrescentando as partes, os argumentos, os dados e as inferências sobre a estrutura inicial. O texto cresce todo de uma vez e não na ordem sequencial dos capítulos. Isso facilita muito e dá mais coesão.
  • REDIGIDO EM LINGUAGEM IMPESSOAL: Pretende-se você nunca, em hipótese alguma, se dirija ao leitor. Isto por que, os textos argumentativos não permitem que exista uma interação direta entre autor e interlocutor. A ideia desses textos é apresentar argumentos para persuadir o leitor sobre um determinado ponto de vista, mas isso não se aplica em muitos textos das ciências humanas, embora seja – sim uma boa orientação para as teses de ciências exatas ou biomédicas. As construções em plural majestático (segundo constatamos...) são artificiais e algo antiquadas, as estruturas em voz passiva (segundo se observa...) não são muito usuais e podem conduzir a erro, uma solução pode ser o uso de formas nominais dos verbos (ficando provado...) que são seguras e discretas. Mas há bom gosto para todo uso e eventual necessidade de qualquer tipo de estrutura.
  • INTITULADO À MODA ACADÊMICA: A criação do título da tese é um grande problema para muita gente. A dica que eu dou é fazer o título no primeiro momento e ir melhorando à medida que se redige o trabalho. São lamentáveis os títulos de três linhas, mas nunca vi um título de tese com uma só palavra. Pense em algo que identifique o texto, mas não precisa descrevê-lo: para isso existem os resumos. Pense que o título da tese, dissertação ou monografia vai aparecer em alguns formulários: quando são muito longos, nem cabem nos espaços que lhes são destinados. O revisor de textos pode ajudar na finalização do título. Não é necessário haver e subtítulo; não precisa usar dois pontos, travessão e chavões como “um estudo de caso” ou “proposta metodológica” – mas pode.
 Veja a primeira parte deste texto clicando aqui.
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