7 de fevereiro de 2012

Revisor de textos e novas tecnologias

Na perspectiva tradicional, a revisão é vista como etapa subsequente à produção escrita, principalmente de alunos e cientistas, com o objetivo principal de corrigir o texto e detectar violações nas convenções da norma culta, pautada no senso comum de que revisar resume-se a corrigir ortografia, pontuação, concordância verbal e nominal, de acordo com as normas apontadas em gramáticas, dicionários e manuais.
  Texto adaptado de Oliveira & Macedo. 
Sempre peça socorro para o texto ao revisor de textos.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas, por exemplo, na NBR 6025, indica dois tipos de revisão: a de originais e a de provas. Na revisão de originais (ou “copidesque”), faz-se a “normalização ortográfica, gramatical, literária e de padrões institucionais, aplicando-se as técnicas editoriais e marcações para uniformizar o texto como um todo”; na revisão de provas, “também chamada de revisão de cotejo ou conferência”, assinala-se com símbolos e sinais convencionados aquilo que difere do original.
Na arte de revisar, as normas gramaticais são insatisfatórias, apesar de precisarem ser levadas em consideração, porque deixam lacunas em relação aos aspectos da ordem do discurso, os quais precisam muitas vezes da mediação do revisor para mostrar os problemas ao autor, pois este muitas vezes está tão familiarizado com seu texto que não observa certos problemas discursivos. Isso não significa dizer, entretanto, que o revisor deve interferir nos pontos de vista ou no projeto de dizer dos autores, mas que pode ajudá-los a dar acabamento ao texto, considerando a posição deles diante do dito.
Os softwares fornecem ferramentas e programas de revisão que detectam problemas linguísticos e sugerem soluções, daí o profissional necessitar reconhecê-los como apoio para o seu trabalho e saber utilizá-los como mais um instrumento de mediação. Entretanto, mesmo uma ferramenta sofisticada como o computador não pode substituir o trabalho humano na área de revisão, por não ser capaz de analisar as relações discursivas construídas em um texto, já que se limita a determinados aspectos da correção ortográfica e de concordância e regência verbal, não podendo o trabalho do revisor ser substituído pela máquina, uma vez que tal atividade implica também analisar escolhas estilísticas do autor, aspecto que foge às possibilidades do computador.
A atividade de revisão é tarefa complexa que pressupõe o conhecimento da língua e de práticas socioverbais em diversas esferas da vida humana, considerando-se as transformações pelas quais passam a sociedade e as linguagens no mundo contemporâneo. Mundo que exige uma redefinição qualitativa do papel do revisor, não podendo esse profissional se restringir aos mesmos procedimentos e concepções de revisão de épocas anteriores. 

Há necessidade de o revisor estar sempre atento às transformações e adequações por que passam seu material de trabalho: o texto, que pode se apresentar em diversos gêneros, linguagens e suportes. Sendo os últimos o papel ou as novas tecnologias eletrônicas, o profissional geralmente tem às mãos e aos olhos uma produção elaborada por diferentes pessoas e instituições, de diversas áreas de atuação, daí a necessidade de o revisor estar sintonizado com as peculiaridades e singularidades dos diversos gêneros discursivos que circulam nas diferentes esferas das atividades humanas, muitas vezes transmutando-se, intercalando-se, ajustando-se, de acordo com suas necessidades, em especial os gêneros secundários, como romances, contos, artigos e relatórios científicos, que são gêneros complexos e requerem mais atenção do revisor em relação ao conteúdo temático, construção composicional e escolhas lexicais e estilísticas utilizadas pelo autor, que carregam suas peculiaridades de acordo com as áreas de conhecimento.
Considerando isso, a atividade de revisão vai além da correção das normas gramaticais, uma vez que os profissionais atentariam também para as condições concretas de produção, recepção e circulação do texto. Esses aspectos da ordem do discurso estão relacionados aos posicionamentos e visões de mundo do autor e sua imagem de destinatário, que só podem ser considerados se se olhar o texto primeiramente em uma situação concreta de interação, sempre permeada pelas posições axiológicas em diversos graus de convergências e divergências, levando em consideração quem escreve, o quê, e para quem, o que remete à questão de alteridade e de alternância de sujeitos; de que lugar escreve, o que remete à questão de esfera/área/atividade; como escreve, o que remete à questão de gênero discursivo e seu enquadramento ou transformação.
Por conseguinte, para o trabalho de revisão, não basta que os profissionais dominem a língua como sistema para corrigirem os lapsos gramaticais no texto; é preciso que eles adotem uma atitude compreensiva em relação aos valores que orientam as escolhas das formas dadas ao conteúdo do texto. Além disso, reafirmamos o uso das novas tecnologias como ferramentas que, se bem utilizadas, auxiliam o profissional aberto às inovações.

Agora leia outros tópicos: Instruções aos autores - Relatórios de boa qualidade - Conjunção: uso e abuso
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