A revisão textual e a reescrita são momentos de reflexão sobre o texto, buscando aprimoramento nos aspectos linguísticos e textuais-discursivos, para que a finalidade comunicativa não seja prejudicada, ou melhor, para que a capacidade comunicativa seja desenvolvida, expandida. Trata-se de procedimento diferente de simplesmente apontar o certo e o errado, configurando-se a oportunidade de o revisor de propor as construções mais indicadas do ponto de vista dos sentidos e da comunicação que se quer alcançar.
| O texto coerente pode ser comparado a um conjunto de engrenagens que se encaixam para uma função combinada. |
Adaptado de M. C. F. Costa.
Ao revisor cabe o papel de mediador, cabe promover explicações referentes aos eventos linguísticos demandados, para o autor retornar ao texto e retomá-lo – em reflexão que permite a incorporação de sugestões que envolvem amplamente a produção do texto, como mídia, confronto entre a gramática normativa e a linguagem como realidade social organizada, convencionada dinamicamente.A revisão de textos é uma construção interativa da habilidade de produção de textos. O processo interativo da atividade baseia-se no pressuposto de que o conhecimento é mediado pelo par mais desenvolvido em habilidade específica, que serve de suporte temporário e ajustável, funcionando numa zona sensível à reflexão, o que permite ao autor manter as estratégias comunicacionais de forma independente.
Além de observar que o texto é “efeito de sua gênese”, o que implica movimentos de idas e vindas, é interessante salientar que, em seu conjunto, ele é constituído por aspectos sociointerativos: conhecimento enciclopédico, capacidade de memorização, aparato inferencial, conhecimentos partilhados, normas sociais, propósitos comunicativos e funcionais. Assim, as categorias textuais abrangem aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos, pois o texto é visto como sequência de atos enunciativos, sempre voltado para o Outro em contextos específicos. Somente na interação e mediação entre as pessoas envolvidas nas situações informais e formais de revisão e reescrita, a leitura, produção e reflexão dos aspectos que envolvem o texto fazem com que esse objeto seja compreendido em sua “diversidade“ e “heterogeneidade” de componentes.
A perspectiva sociodiscursiva salienta que o texto, objeto empírico, é um todo coerente, uma unidade comunicativa articulada a uma situação de ação e destinada a ser compreendida e interpretada como tal pelos seus destinatários. Esse todo coerente é formado por mecanismos de textualização que organizam o conteúdo temático em movimentos de continuidade, ruptura ou de contraste que promovem a coerência temática. É formado, ainda, por mecanismos de conexão que marcam as grandes articulações da progressão temática, por meio dos chamados organizadores textuais que marcam as transições entre os discursos constitutivos de um texto, suas sequência e articulações. Os mecanismos de coesão marcam relações de dependência ou descontinuidade entre os constituintes internos à estrutura da frase. A coesão nominal se dá pela introdução de argumentos que se organizam por processos de retomada, na sequência do texto, pelos processos anafóricos, cuja função é dar efeito de estabilidade e continuidade. A coesão verbal se dá pela retomada entre séries de predicados (sintagmas verbais). Os verbos também contribuem para a evolução do conteúdo temático e, portanto, produzem efeitos de progressão.