8 de fevereiro de 2012

Revisão de texto visando coerência

A coerência não apenas um dos critérios de textualidade entre os demais e muito menos centrado no texto. Coerência é o resultado da confluência de todos os demais fatores, aliados a mecanismos e processos de ordem cognitiva, como o conhecimento enciclopédico, o conhecimento compartilhado, o conhecimento procedural. A coerência resulta da construção de sentidos pelos sujeitos a partir do texto (e não somente no texto), para a qual estariam contribuindo, além dos outros critérios, os seguintes elementos: fatores de contextualização, consistência e relevância, focalização e conhecimento compartilhado.
 
Coerência textual existe quando todas as ideias se encaixam.
A intenção, quando se enuncia, é que o texto seja compreendido por qualquer leitor. Para isso é necessário ser claro e preciso, o quanto possível. No entanto, visto que a linguagem é intrinsecamente ideológica, opaca, subjetiva, não é neutra ou imparcial, essa é uma tarefa difícil.



“Um texto coerente é um conjunto harmônio, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante, nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo. No texto coerente, não há nenhuma parte que não se solidarize com as demais.” FIORIN
Adaptado de Dourado, 2008.
Desta maneira, temos que uma sequência de textos ou de frases, para ser coerente, deve ter consistência e interligação semântica entre os conceitos e ideias expostas. Cada parte deve estar vinculada a outra parte semântica e discursivamente, de modo a convergirem todas para uma mesma conclusão. É por meio disso que o leitor compreenderá o texto: ligando ideias, fatos, lugares e conhecimentos preexistentes.
Existem várias fontes da coerência de um texto, dentre elas a adequação do texto a sua macroestrutura, que pode ser de texto argumentativo ou texto narrativo. No caso da macroestrutura do texto argumentativo as partes mais importantes são: tema e problema. As outras partes da macroestrutura do texto argumentativo compreendem a hipótese, a tese e a argumentação. Na verdade, essas são as possíveis respostas para a solução de dado problema, que, bem fundamentadas, propiciam ao texto um grau de coerência bastante grande. Isso se dá no texto argumentativo, quando a macroestrutura do texto narrativo parece bastante simples e dificilmente não é coesa. Trata-se de um relato em ordem cronológica, pois o que se aprende se habitua a fazer desde criança. Alguns exemplos desse tipo de texto no mundo adulto são: redação de ata, de um relatório ou uma experiência científica. Mesmo pessoas pouco escolarizadas, de um modo ou de outro, acabam conseguindo fazer coerentemente um relato de algo ou uma ata de reunião.
A coerência também depende do momento e da situação do texto. Por isso, mesmo que um determinado texto, para ser coerente para alguns ouvintes, pode não ser para outros.
Há casos também em que, numa determinada situação, para um mesmo leitor, o texto inicialmente não é entendido como coerente, mas se torna coerente depois, com acréscimos de novas informações e dados feitos pelo revisor. No caso da taquigrafia, por exemplo, que registra pequenos trechos, muitas vezes parece não fazer sentido o que se está dizendo. Quem tem a visão geral do texto é o revisor, cabendo a ele dar-lhe a desejada coerência, se isso não tiver sido feito pelo autor. É ele que deve buscar compreender o dito, considerando suas características discursivas – que são ideológicas e situacionais, para, só depois, fazer a revisão de modo adequado em relação às pretensões do autor. Também pode ocorrer a falta de coerência, quando o autor é muito prolixo e não conclui as ideias lançadas inicialmente. Essa é outra situação em que deve atuar com cautela o revisor. Se o autor é prolixo, até que ponto o revisor deve interferir? Ele, simplesmente, deve reduzir o texto do parlamentar em nome da pretensa objetividade ou deve deixar que texto preserve a originalidade? Essas são perguntas que um revisor deve se fazer em tais circunstâncias.

Leia também: Revisão de texto visando coesão - A atividade do revisor de textos - O discurso acadêmico científico - Recomendações dos orientadores
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