O propósito aqui é mostrar que princípios funcionalistas são altamente produtivos para o trabalho de revisão de textos. Compreender o processo de articulação dos constituintes na organização textual e oracional é fundamental para a recuperação e a produção dos sentidos pretendidos. Por isso, o objetivo é mostrar que a desconsideração de regras internas de constituição linguísticas na elaboração de textos pode gerar efeitos de sentidos indesejáveis ou causar travas ao processo comunicativo-discursivo.
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A organização linguística é orientada pelo macro-princípio de funcionalidade linguística, segundo o qual, os níveis sintático, semântico e pragmático estão integrados para satisfazer necessidades comunicativas e, por isso, para produzir efeitos de sentidos específicos. Um dos fenômenos que tornam esse princípio visível diz respeito à organização predicativa valencial, ou seja, à capacidade que o verbo tem de abrir casas a sua volta para serem preenchidas no processo de constituição oracional, fenômeno estudado sob o rótulo “Teoria de valência”.
A concepção de linguagem que orienta o pensamento funcionalista é a de que a língua se constitui na interação. A linguagem então é vista como um processo dinâmico, social e interacionalmente dependente. Sistema e uso são interdependentes. Assim, alguns postulados podem ser distintos dessa, dentre os quais destacamos os seguintes:
- O processo interativo atualiza movimentos de diferentes domínios de constituição linguística.
- Os níveis sintático, semântico e pragmático estão integrados para satisfazer necessidades comunicativas e, por isso, as expressões linguísticas produzem efeitos de sentidos específicos, dependendo das intenções comunicativas dos usuários da língua.
- Normas de organização sistêmica orientam a atualização linguística na fala e na escrita. O discurso é o espaço de harmonia entre as forças sociais e as forças linguísticas que estão na base da organização textual.
Num plano mais geral, conclui-se que princípios funcionalistas têm aplicabilidade múltipla, não se restringindo à descrição e à análise de línguas naturais.
E ainda, que qualquer trabalho orientado por uma concepção sócio-cognitivo-interacionista da linguagem reconhece a diversidade na realização da linguagem, a funcionalidade das expressões linguísticas e o fato de que a língua está a serviço das intenções comunicativas dos usuários, e ainda, que é imprescindível considerar a organização do sistema linguístico a partir de princípios lógicos, cognitivos e culturais
Adaptado de Vânia Cristina Casseb Galvão.
