O saber-revisar aparece estreitamente ligado à capacidade de mobilizar os saberes relativos aos textos e à escritura: saberes sobre os textos (1) que remetem, em particular, às tipologias e aos tratamentos didáticos; saberes sobre o funcionamento dos textos (2); saberes sobre o mundo dos escritos e sobre os escritos (3) que fazem parte das experiências (familiar, social, escolar) acumuladas no passado por cada autor; saberes sobre as operações de escritura (4) e as propriedades esperadas do texto (5), que remetem ao modelo de análise do saber-escrever dos autores; saberes sobre os recursos da língua (6).
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| O texto pode percorrer diferentes caminhos, mas a variação não está ligada à noção de certo ou errado simplesmente. |
A propósito da competência escritural, o saber-fazer e saberes são também determinados por representações que agem sobre os modos de pensamento, de ação dos autores e dos revisores. Cada um dos seis saberes do modelo apresenta um ponto a respeito do qual as representações aparecem como dominantes para a produção e a revisão dos textos; duas representações contrastadas são apresentadas e concernem a um referente teórico ou a um ponto de referência relacionado à relação autor-revisor no contexto da produção de texto: no alto, uma representação tradicional, que corresponde à prática dominante; embaixo, uma representação mais atual, esclarecida por contribuições científicas.
Nesse sentido, a sociolinguística também tem dado importantes contribuições para o processo de escritura-revisão-reescritura na produção de textos acadêmicos. É preciso contribuir para o desenvolvimento de uma revisão de textos que seja sensível às diferenças sociolinguísticas e culturais dos autores, considerando-se que:
- As variações linguísticas não devem ser procuradas no dialeto vernáculo dos autores e tampouco em seus idioletos de ofício, mas em seus estilos formais, monitorados.
- Regras que não estão associadas à avaliação negativa na sociedade, não são objeto de intervenção e, portanto, não vão influir consistentemente nos estilos monitorados.
- O autor será ratificado pelos seus pares como usuário qualificado da língua e começa a alternar seu dialeto vernáculo e a língua de prestígio, principalmente quando está produzindo texto acadêmico.
- Os estilos monitorados de língua são reservados à produção de textos formais. Para a realização de eventos de oralidade, podemos nos valer de estilos mais casuais.
- O ponto de partida da sociolinguística para a revisão de textos é a análise minuciosa do processo interacional entre o autor, o revisor e o leitor, no qual se avalia o significado que a variação linguística assumirá.
- É necessária a conscientização crítica dos revisores e autores quanto à variação linguística, estabelecendo-se efetivo diálogo autor-revisor para promover autorreflexão de cada parte e a análise crítica das intervenções colaborativas no texto.
Baseado em A. D. de A. Pereira.
