Com o fim da função do revisor, passou-se a analisar o jornal após sua publicação. Essa “revisão tardia” acabou por prejudicar os leitores, que não só encontram erros que poderiam ter sido evitados, mas que podem, muitas vezes, tomá-los como certos. A partir dos anos 1980, a imprensa adotou a rentabilidade como objetivo central.
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| O revisor de textos é alguém que desenvolve a atenção como característica profissional básica. |
A informatização das redações foi, ao mesmo tempo, resultado da nova demanda social e a forma mais eficiente encontrada pelas empresas jornalísticas para diminuir seus gastos. Os jornalistas que restaram tiveram de adotar uma nova postura e desempenhar papéis que antes eram encargos de outros profissionais. Deles passaram a ser exigidas aptidões características dessa nova sociedade.
Texto composto de fragmentos de
Fábia Angélica Dejavite &
Paula Cristina Martins
Fábia Angélica Dejavite &
Paula Cristina Martins
Pode-se considerar a implantação de tecnologia um dos principais pilares da transformação da imprensa. Além de exigir maior versatilidade dos profissionais, o processo de informatização das redações levou ao chamado desemprego tecnológico. O revisor foi descartado pelos grandes jornais e substituído por terminais de vídeo. Todavia, o corte profuso de pessoal em busca de lucro é questionável. Estamos vivendo em uma era em que o jornalista torna-se fundamental para a “seleção em meio ao vasto caudal de informações” e para a “explicação [dos fatos], imposta pela natureza técnica da informação”.
Levando-se em conta que os leitores de jornais esperam encontrar matérias bem redigidas, que a carência de tempo resulta em perda de qualidade e que a disseminação de computadores nas redações não supre a deficiência dos profissionais de mídia no domínio da língua, a melhor maneira de se ganhar dinheiro, a longo prazo, seria o investimento na capacitação do profissional, e não seu desestímulo. Portanto, na atual sociedade, em que as pessoas se tornam ávidas por informações, o produto que as oferecer de maneira mais clara, detalhada, correta, será mais respeitado e consumido. Daí a importância de haver, nas empresas jornalísticas, pessoas responsáveis pelo bom acabamento das matérias: os revisores.
A revisão pode, mesmo hoje, ser considerada elemento importante para a produção de jornais. A falta de tempo reflete diretamente na qualidade dos textos, e o repórter se vê espremido “entre a busca da notícia, a vontade de fazer bem-feito e a pressão do fechamento” Hoje, com o advento e introdução dos computadores, os jornais aboliram a revisão, deixando esta função e responsabilidade sob a incumbência do próprio repórter – que, apesar de redigir a matéria jornalística, não possui, na maioria das vezes, nem conhecimento nem treinamento específico ou vocação para a detectação de erros.
Antes da informatização das redações, o revisor era visto como elemento de grande importância. Era dele a responsabilidade pelos erros publicados e pela uniformização dos textos de um veículo. Chaparro (2005) lembra que “o famoso copidesque cuidava do acabamento dos textos, garantindo-lhes, acima de tudo, correção gramatical”. Segundo ele, antigamente, propagava-se a ideia de que o “repórter não precisa saber escrever; basta que traga boas notícias. Do texto, o copidesque daria conta”.
A presença de revisores nas redações colaboraria para que essas medidas fossem seguidas à risca, facilitando o entendimento das matérias. Para tanto, é preciso que os proprietários de jornais tenham consciência de que trabalham com a informação – um dos bens mais importantes da atual sociedade – sob a forma verbal, e que a precisão e qualidade desta estão íntima e indissociavelmente ligadas ao correto e respeitoso uso da língua. Algo essencial em uma sociedade integrada pela comunicação e pelas tecnologias da informação. Na época em que a função do revisor foi eliminada, a figura do redator torna-se bastante importante. Porém, apesar de ter assumido novas responsabilidades na tentativa de suprir a falta de cargos extintos, a presença desse profissional ainda pode ser considerada insuficiente.
